Dentro do conceito evolucionista, COMO UM SER-VIVO DE UMA ESPÉCIE, PODE "GERAR" OUTRO DE OUTRA ESPÉCIE? Não vale alterar DNA no laboratório, feito pelo homem.
Járespondi várias perguntas deste tipo, como aqui,aqui,aquieaquieo problema que muitas pessoas têm com essa questão pareceoriginar-se em um equívoco sobre o que é a evolução biológica e,principalmente, no que consiste a especiação, que é a formaçãode novas espécies.
Oprimeiro fator que precisa ser compreendido é que a evolução é umfenômeno populacional e não individual. São as populações (queformam as linhagens) é que modificam-se em suas característicasherdáveis e não meramente um indivíduo ao longo de seu ciclo devida. O segundo fator que precisa ser bem entendido é que, como a evolução é fenômeno populacionalque transcende os ciclo de vidas individuais, ela é, portanto, umafenômeno transgeracional.
Oque, normalmente, acontece durante um processo de especiação é queduas populações de uma mesma espécia, ao se isolarem uma da outra, passam a acumular mutações de maneira independente uma da outra epassam também por alterações ecológicas e demográficasdistintas, que resultam em pressões seletivas diferentes e eventosdemográficos distintos, como efeito fundador e gargalos de garrafa, que estão por trás da deriva genética aleatória.Assim, ao longo do tempo, a composição genética e fenotípica de cada população vai setornando cada vez mais distinta das da população ancestral comum, da qual ambas se originaram, eda população outra população ‘irmã’ da qual diverge.
Éisso que faz com que, ao longo de várias gerações, duas populaçõesde uma mesma espécie divirjam tanto que podem passar a serconsideradas de espécies diferentes (tendo em vista o conceitobiológico de espécie, claro), uma vez que indivíduos de umapopulação agora já não conseguem cruzar com os indivíduos daoutra população mesmo todos descendendo da mesma espécie (epopulação ancestral). Desta maneira, a partir de mutaçõesaleatórias, seleção natural, seleção sexual, deriva genética eisolamento reprodutivo (e outros fatores evolutivos) - o que, normalmente, ocorre ao longo de várias gerações -,uma espécie ancestral pode gerar uma (ou duas) espécies novas. Esse processo pode ocorrer reiteradas vezes e espécies vão dando origem a novas espécies em um padrão de ramificação arborescente. Isso leva a linhagens cada vez mais diferentes das espécies ancestrais e das espécies contemporâneas mais distantes - ou seja, daquelas com as quais compartilham ancestrais comuns mais remotos no tempo e separados por mais eventos de especiação.
-----------------------------------------------------
FREEMAN,S; HERRON, J. C. Análise Evolutiva 4ª Ed. Porto Alegre: Artmed,2009. 848p.
FUTUYMA,D.J. Biologia Evolutiva. 3ª Ed. Ribeirão Preto: Funpec, 2009. 830pg
RIDLEY,M. Evolução. 3ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 752p
@page { margin: 2cm } p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 120% } a:link { so-language: zxx }