"Era como uma boneca. Com seus olhos tão azuis e intensos quanto vagos e frios que nunca diziam nada, mas queimavam como fogo o que quer que encontrassem em seu caminho. Seus traços finos e delicados, a pele imaculada que parecia ser feita do mesmo frágil gesso que emoldurava as curvas pequenas, mas com sua típica beleza de menina que se torna mulher. Era como se fosse quebrar com o mais simples toque. Aqueles fios loiros, quase pálidos, caíam-lhe sobre os ombros e balançavam ritmicamente com o andar que desde nova aprendera a tornar elegante. Era como uma boneca despedaçada. Seus demônios roubavam toda sua sanidade. Eles tentavam, provocavam,chamavam, imploravam... E quando enfim conseguiam o que queriam; culpavam. Seus demônios juntavam-se em um só. Eles tinham um único nome e uma única forma. E quando cedia a eles, sentia a doce ilusão da felicidade. Havia aprendido a brincar com as aparências. Aprendido a vestir diferentes máscaras. Aprendido a ser maleável o suficiente para tirar proveito apenas para si em qualquer situação. Mas, acima de tudo,havia aprendido que emoções ilusórias como a felicidade não lhe pertenciam, não estavam a seu alcance. Era a maldição de sua família, a maldição que tinha que suportar. Era, além de pecadora, o próprio pecado." N.B.













