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@blackselbach
A casa me engole vivo.
Não é silêncio —
é um peso que respira em cima de mim,
como se o ar tivesse aprendido
a sufocar devagar.
Eu paro.
E nisso de parar, eu fico.
E nisso de ficar, eu afundo.
Não é descanso.
Não é paz.
É uma ausência brutal de qualquer impulso —
como se alguém tivesse arrancado de mim
até a vontade de querer alguma coisa.
Minhas mãos existem,
mas não servem.
Meu corpo responde,
mas não reage.
Eu penso em levantar —
e o pensamento apodrece
antes de virar ação.
Tudo em mim emperra.
Tudo trava.
Tudo pesa.
E o pior:
eu sei que poderia fazer algo.
Qualquer coisa.
Mas não faço.
E não fazer vira um buraco,
e o buraco vira casa,
e a casa vira prisão.
Eu estou aqui —
inteiro, acordado, respirando —
e ainda assim
completamente ausente de mim.
Porque às vezes
não é tristeza.
É só esse nada violento,
esse vazio que grita sem som,
essa incapacidade absurda
de simplesmente existir
em movimento.
✨️✨️
Este é o meu mundo. Mutável e bonito, imenso e pequeno. Sou eu e outras versões de mim. Há fantasmas e traças, flora e fauna, castelos e casinhas, torres e catacumbas. Arranhões e rachaduras, coragem e covardia, temporais serenos, verões impiedosos. Tristeza e alegria, saudade e agonia, assemelha-se aos demais pela maneira individual de ser. E há dias que não têm nada. Apenas um vislumbre branco, vazio, o eco de um sonho solitário desprovido de forma. Um rei sem reino, um palhaço sem circo, uma piada sem riso, um escritor sem literatura, um leitor sem livro, brincando, seriamente, com a arte do renascer. O meu mundo se transforma por meio desse jeito esquisito de viver.
Não domino as coisas do mundo Nem as de dentro de mim
"I met the war..."
everything to think about, everything to notice
Sob a terra fria onde o silêncio pesa,
jazem segredos que a alma não confessa.
Pecados plantados em noites sem luz,
raízes profundas que o tempo conduz.
Foram sussurros virando tormenta,
promessas quebradas que a culpa alimenta.
Cada lembrança, um grão de dor,
cada escolha, um eco sem cor.
Enterrei tudo com mãos trêmulas,
cobri com mentiras pálidas e tênuas.
Mas o solo guarda o que o peito nega,
e em sonhos sombrios, tudo se revela.
Há vozes na terra chamando meu nome,
há sombras famintas que o tempo não some.
O que foi oculto insiste em viver,
feito chama oculta prestes a arder.
E mesmo que eu fuja, distante, calado,
carrego comigo o que foi enterrado.
Pois não há distância, não há perdão pleno,
para o que floresce no escuro terreno.
"Caso alguém queira fazer de mim casa, espero que goste de observar as estrelas, pois sou um velho lar em ruínas, sem portas, janelas ou telhado.
As minhas paredes serão suficientes para fazer alguém ficar?"
-𝒱 𝑒 𝓇 𝓈 𝑜 𝓈 𝒞 𝓇 𝓊 𝓈
A morte não chega gritando,
ela sussurra.
Anda leve pelos cantos da casa,
escorre pelas frestas durante a noite,
e se senta ao teu lado
sem pedir licença.
No silêncio ela cresce,
no intervalo entre um pensamento e outro,
no arrepio sem motivo,
no olhar perdido que demora mais do que deveria.
Mas não é medo, não exatamente,
é um saber antigo,
como se o corpo reconhecesse
um visitante que a mente agora nega.
E ela observa.
Paciente.
Quase gentil.
E às vezes parece que respira contigo,
no mesmo ritmo,
como se já ensaiasse
o instante final.
Porém ainda há calor nas mãos,
ainda há barulho no peito,
ainda há vida, que agora,
insiste em ficar.
E talvez seja isso que a morte espera:
não o fim,
mas o momento em que você
para de resistir a estar vivo.
Porém contra tudo que eu acredito,
Nesse momento em que passei a crer que não quero mais morrer... Sinto ela ainda mais próxima.
Minha cabeça é uma cela
sem janelas
onde os pensamentos se espancam
e eu assisto
sem conseguir separar a briga.
Mro em mim
como quem cumpre pena.
As paredes não são de concreto,
mas de pensamentos que nunca se calam,
ecoando versões minhas
que eu nunca consegui ser, por mais que eu tentasse.
Há portas
(eu sei que há )
mas todas me levam de volta
ao mesmo quarto
onde eu me encaro
e desvio o olhar.
Sou carcereiro e prisioneiro,
juiz e réu,
condenado a repetir
cada erro
como se fosse reza.
Tem dias que grito
mas o som não atravessa minha pele.
Fica preso aqui dentro,
arranhando o peito,
implorando por uma fuga
que nunca vem.
E o pior não é estar preso.
É saber que a chave existe…
e mesmo assim
não saber
como usá-la.