he wasn't even looking at me and he found me
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祝日 / Permanent Vacation

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⁂
Lint Roller? I Barely Know Her

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@blishwicks
Helping her to decide to breathe again — Mathias & Maisie
"Life catches you by surprise. It always does. But there’s good mixed in with the bad."
Ergueu os olhos depois de terminar sua fala, e Mathias estava exatamente do mesmo jeito que se lembrava. Um pouco mais velho, é claro. A última vez que o vira fora quando ele tinha 15 anos, e a promessa de que se veriam no ano seguinte ainda existia. Uma promessa que ela quebrara. Se perguntou como ele se sentira quando não a achara no trem, ou na mesa da Grifinória. Se ele mandou alguma carta para ela durante aquela época, ela não tinha como saber. William não permitia que corujas entrassem, e a casa, como ele gostava de lembra-la diariamente, era dele. Sentiu a grande necessidade de pedir desculpas, mas continuava a acreditar que fizera um favor para ele ao sumir de sua vida. Era claro que, o favor só contaria se ela não aparecesse novamente, o que ela já estava fazendo.
Além da aparência um pouco mais madura, ela não pode deixar de lado a palidez não característica no rosto do amigo. “Eu te acordei?” perguntou, enquanto entrava no apartamento. Sorriu fracamente com o violão encostado em uma parede, porque não esperava outra coisa. Olhou em volta, absorvendo o ambiente. Era um apartamento pequeno, provavelmente com um único quarto, mas ainda assim, aconchegante. Voltou a olhar para ele, percebendo que não, não o havia acordado. Conhecia o cansaço que ele demonstrava, porque ela mesma o sentia, durante meses. A expressão de alguém que deseja mais que tudo dormir, mas o cérebro se recusa a desligar por mais do que algumas horas. Aparentemente, ambos tinham passado a noite em claro. Se perguntou qual era o motivo dele. Balançou a cabeça, tanto pela pergunta quanto para a oferta disfarçada. “Pode ir dormir, se quiser.”
Agradeceu por ele não perguntar, embora, obviamente, ele tivesse todo o direito para fazê-lo. Não apenas sobre o porquê dela estar ali, ou o que ela havia estragado, mas sim sobre todo o resto. Mas sabia que ele não a forçaria. Mathias era bom demais, gentil demais para tal coisa. Ela costumava ser egoísta demais, mesmo quando não queria, demasiada afundada na bagunça que era o interior de sua cabeça, para se preocupar com alguém, mas se preocupava com ele. Queria protege-lo, de qualquer coisa que tentasse machuca-lo. Inclusive ela mesma. “Eu juro que não vou ficar muito tempo. Eu só…” Só decepcionara mais uma pessoa, a única pessoa que ainda acreditava que ela tinha a chance de ser alguém. Perdera a casa, e não tinha a menor chance de arranjar um emprego de verdade, sendo que nunca se formara. “Eu só…” murmurou, um pouco mais baixo, sem a menor ideia das palavras que estava buscando, as lágrimas surgindo em seus olhos.
"I can breathe when I’m with her, and this means more to me than happiness."
Por mais que ela se movimentasse e falasse na sua frente, era difícil acreditar que a garota que havia lhe dito um “te vejo logo” há tantos anos estava realmente ali. Uma parte de Mathias sentia-se plena. Outra parte, nunca teve tanto medo. A vontade de abraça-la ainda não havia cessado, e reprimir o gesto causava algo semelhante à dor física no músico. Eventualmente, procurava a ex melhor amiga com os olhos, para ter certeza de que a presença feminina não era devido a alguma alucinação causada pelas incontáveis noites mal dormidas. Esperava que Maisie desaparecesse a qualquer momento, trazendo-o de volta para a realidade. Ela não desapareceu, contudo, e parecia precisar muito de sua ajuda. Não pensava isso por conta das palavras atropeladas ou o nervosismo evidente que ela transparecia. Os olhos azuis pareciam desesperados por algum amparo.
Nada havia mudado na aparência da ex-Gryffindor, além da franja que passou a cobrir parte do rosto que hora ou outra o assombrava. — Não, não me acordou — balançou a cabeça para os lados em sinal negativo. Andava agora de um cômodo para outro, sem saber o que fazer ou dizer na presença da hóspede. Esperou por ela durante tanto tempo. Não tivera notícia alguma. Nenhum adeus. Voltou para a sala de estar onde Maisie estava, deu-lhe o primeiro sorriso. Um sorriso miúdo, fraco, muito diferente daqueles que era acostumado a entregar à garota mais velha. A amiga certamente havia percebido o cansaço na palidez de sua pele e nas olheiras sob os olhos fundos. Ela não estava muito diferente. Ao contrário do que havia fantasiado naqueles quatro anos sem vê-la, o sorriso não marcava o rosto de nenhum dos dois. Não houve uma desculpa plausível para justificar o sumiço, o abraço tão esperado também não aconteceu. Seu chá, a essa altura, estava frio. Passou a mão pela nuca olhando para qualquer lugar, menos para Maisie. — Estou sem sono. Pode ficar com a minha cama, se quiser — ofereceu.
Mathias, pelo que conhecia Maisie Warlock, sabia que a garota sofria com ondulações de humor desde sua época em Hogwarts. Aquele podia ser o motivo pelo qual ela sumiu, o que seria compreensível. Podia agora perceber mais diferenças entre a Mai que conhecia e essa mulher que o encarava. Ela havia passado por muito mais coisas do que alguém da sua idade aguentaria ver. Estava marcada, era evidente. Antes que pudesse encontrar mais dessemelhanças, ela voltou a falar. Parecia mais desesperada dessa vez, e ele não pode deixar de olhá-la. Não quando ela falava daquela maneira. Estava mais próximo agora. Aguardou a conclusão da frase. Mas, em resposta, viu apenas lágrimas sendo formadas nos grandes olhos que obtiveram o mesmo brilho do qual ele era acostumado a ver. Não devia ser assim. — Mai... Ei... — mais uma vez, não sabia o que dizer. Portanto, diminuiu o espaço entre os corpos envolvendo o corpo da mais baixa nos seus braços. — Não se preocupe com isso — disse baixinho. — Pode ficar o tempo que precisar — apertou-a dentro do abraço sentindo nada além de um medo cuja origem não conhecia. Nada havia mudado, por fim.
Helping her to decide to breathe again — Mathias & Maisie
“The best way to find out if you can trust somebody is to trust them.”
Ela já havia se sentido perdida várias vezes durante sua vida. Quando os pais morreram fora a primeira vez que sentiu-se completamente sem chão. Sentia-se mais ou menos assim, parada do lado de fora da casa Wayne, pela primeira vez sem a permissão de entrar. O dia estava começando a amanhecer, e a mala em sua mão parecia leve demais para ter todos os pertences de uma garota de 20 anos, mas sabia que não havia nada faltando. A maioria de suas coisas foram compradas com o dinheiro de Mason, considerando que na casa de seu ex, a droga era mais importante que a comida. Havia dias que ela concordava com essa filosofia, mas infelizmente, o amigo não parecia compartilhar esse pensamento. Ficar parada em frente ao portão não mudaria nada, e ela sabia disso. Mas se afastar seria admitir a perda. Não perdera apenas o local onde morava, o perdera.
No entanto, ela se moveu. Deu os primeiros passos sem olhar para trás, como se esperasse que Mason aparecesse no portão e a deixasse entrar novamente. Quando chegou ao primeiro degrau, virou-se, descendo lentamente. Se permitisse o próprio cérebro a parar e a realmente entender o que havia acontecido, ela iria começar a chorar. Iria perder o controle, dormir com o primeiro traficante que encontrasse para conseguir um pouco da droga para se sentir em controle novamente. As opções de onde morar cruzavam a sua mente mas eram rapidamente descartadas. Mason, não. Wlliam, não. Orfanato, muito velha. Caldeirão furado, apartamento próprio. Ela não tinha dinheiro nem para o café da manhã. Mas então ela se lembrou, e não entendeu como não tinha pensado nele primeiro. Mathias. Seu melhor amigo em Hogwarts – a quem ela havia abandonado, mas afastou essa parte – a aceitaria. Ele já estaria formado. E lhe mandara uma carta. Ela não a respondera, nem sequer a lera, por não desejar se meter na vida do rapaz que devia estar indo completamente bem, mas prestara atenção no endereço. Um apartamento no centro de Londres, embora não lembrasse o número. Caminhou com um pouco mais de pressa, passando a mão em seu nariz, tentando-se livrar de qualquer resto de pó branco que havia ficado, como se isso fosse consertar toda a sua aparência de viciada. Não queria que ele soubesse. Nunca nem mesmo o contara sobre sua bipolaridade, sempre usando a desculpa de TPM para suas crises. O mundo inteiro podia saber de como ela era um completo desastre, mas não Mathias. Ele era bom demais para isso.
Chegou no prédio que ela tinha quase certeza que era o dele, e perguntou por seu nome ao porteiro. Um sorriso aliviado surgiu em seus lábios quando descobriu que acertou o endereço, mesmo que seu peito ainda doesse por conta do mal entendido com Mason. Subiu as escadas, parando em frente à sua porta. Fez um movimento para apertar a campainha, mas não conseguiu primeiramente. Ficou parada por alguns segundos, mordendo o canto do lábio, dúvidas correndo por sua mente como se estivessem disputando uma maratona. Apertou, por fim, o som ecoando e a fazendo querer correr, mas seus pés não se moveram. Não olhou para ele quando a porta foi aberta, focando o olhar em seus próprios pés, a torrente de palavras escapando seus lábios antes que pudesse controlar. “Eu realmente, realmente estraguei tudo, e eu preciso de um lugar para ficar por uns dias.”
“She never broke my heart. She only turned it into a compass that always points me back to her.”
Um cansaço além do normal para alguém que passou pouco mais de três horas tocando em um pub próximo ao prédio que morava tomava conta de todo o seu corpo. Estava exausto, saturado, mas a última coisa que havia conseguido fazer por toda aquela madrugada foi recompor as energias. Uma inquietação havia impedido o recém-formado Hufflepuff de deitar-se na cama e dormir em paz para que se recuperasse. Fazia alguns meses que situações como essa tinha se tornado de algum modo uma rotina, mas ainda não conseguira encontrar o verdadeiro motivo para tal. Pensou em ansiedade, colocou a desculpa sobre as dores que começara a sentir há pouco tempo, talvez fosse uma virose ou qualquer coisa do tipo. Nenhuma dessas coisas justificava sua falta de apetite ou palidez. Não foi preciso uma consulta ao St. Mungus ou um diagnóstico de qualquer Hospital trouxa para fazê-lo concluir que estava doente. A quem queria enganar? Aquele devia ser mais um dos incontáveis sintomas.
Havia saído da cama há bastante tempo, mal se deitou frustrado demais consigo mesmo para tentar voltar ao sono que ainda não teve. Começava a amanhecer, e Mathias jazia largado sobre o sofá observando a tela apagada da televisão, que era um dos seus objetos trouxas favoritos. Sabendo que mais uma madrugada havia sido desperdiçada, levantou-se caminhando sem ânimo algum até a cozinha a fim de preparar uma xícara de chá. Era a única coisa que conseguia mantê-lo são. Fosse pelo vapor com o aroma de sua erva favorita, ou o sabor adocicado que o líquido continha, a bebida o acalmava tanto quanto qualquer poção faria. E ele preferia. Sentado em frente à maior janela do apartamento e com a caneca entre as mãos, via o céu ficar cada vez mais claro. Fazia frio, muito frio, mas a neve ainda não caíra. Tomou um gole do líquido quente. Antes que pudesse encostar-se a poltrona e relaxar como planejava fazer, ouviu o som da campainha assustando-o. Esse, apesar de tudo, era outro objeto trouxa de imensa utilidade. Sua avó Lizzie costumava dizer que qualquer chamado entre as onze da manhã e onze da noite referiam-se a notícias ruins. Mortes, doenças, tragédias. Sentiu as mãos suarem antes mesmo de se levantar. As últimas más notícias que recebera ainda assombravam a mente desocupada hora ou outra.
Contrariando cada pensamento que ia de um de seus tios sendo torturado ou sua avó em uma das camas de St. Mungus, a notícia que receberia não era tão ruim quando pensou que fosse. Não poderia ser. Afinal, quem estava do outro lado do portal era Maisie. No entanto, podia ver os olhos e nariz avermelhados em sua antiga amiga, o que denunciava um possível choro. Ficou parado, com os lábios entreabertos olhando-a em pura descrença. Era Maisie. Maisie. Maisie. Fechou os olhos, abriu-os novamente e ela continuava ali. Olhando para baixo, quase que com vergonha. Mathias queria sorrir, abraçá-la, dizer o quanto sentiu sua falta, mas antes de qualquer uma de suas frases escaparem através de seus lábios, uma avalanche de palavras correu pelos dela. E o que Blishwick faria diante do pedido sutil, se não colocá-la para dentro de casa? Ele não fez pergunta nenhuma, e talvez não quisesse saber a razão de ela aparecer em sua casa àquela hora. Ela estava ali, por Helga!, e isso lhe bastava. Abriu, portanto, a porta dando espaço para que a dona dos grandes olhos azuis que o perturbava passasse. — Eu-… Você dormiu essa noite? Tenho apenas uma cama — xingou-se assim que acabara de falar. Nunca fora bom com as palavras ditas, preferia a música.