Lembrar que o amor é bom Mas machuca Se não o cultivo por dentro

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@botecoux
Lembrar que o amor é bom Mas machuca Se não o cultivo por dentro
A felicidade de compartilhar uma notícia boa com alguém que vibra por você
O amor é precioso pra mim
Mas não posso esquecer que eu também mereço ser amada
Estar longe me lembra que o amor não respeita espaço. Ele não cabe no tempo, não obedece geografia, não se limita a distâncias medidas em quilômetros ou mapas.
Ele atravessa.
Se espalha para além de qualquer fronteira, mistura tudo, culturas, corpos, histórias, até não existir mais separação possível. É só amor.
Um amor que eu sinto nas pontas dos meus dedos, como se o meu corpo inteiro soubesse de você antes mesmo de te tocar.
Não sou só eu te dizendo. É você me sentindo sem encostar. É você imaginando o meu corpo deitado ao seu lado, o meu riso baixo, o meu cheiro ficando no seu pensamento mais do que em qualquer lugar físico.
São os seus olhos me procurando em espaços onde eu nem estou, mas ainda assim existo.
É você. Sou eu. Somos nós duas.
Juntas.
Mesmo quando não estamos.
Porque entre 600 quilômetros e 1 centímetro existe a mesma coisa quando se trata da gente: presença.
E o que eu sinto não cabe em silêncio. Não cabe em contenção.
É o meu amor gritando, berrando, se abrindo sem pudor aos quatro cantos desse mundo e de qualquer outro que exista ou venha a existir, dizendo, sem medo de exagero, sem medo de ser demais, que eu te amo mais do que pode caber em qualquer espaço
Quando você me olha e diz que eu sou a única mulher que povoa todos os seus sonhos, as suas palavras não me abraçam elas me atravessam.
Porque tem algo nelas que não repousa, não encaixa, não me alcança inteira.
É como se viessem bonitas demais, leves demais, pra um sentimento que ainda carrega peso.
E eu sinto.
Sinto no intervalo do teu olhar, no silêncio que você não percebe, no jeito que algo em você ainda se demora em outro lugar.
Porque eu sei mesmo quando você não diz que em algum momento você voltou.
Voltou nela. Na lembrança. No que ainda não morreu.
E desde então, o que você me oferece nunca chega inteiro.
Fica sempre uma sombra, uma presença sem corpo, um eco de alguém que não sou eu.
E eu começo a me perguntar se o que você enxerga em mim é realmente meu ou só o contorno de uma ausência que você ainda tenta preencher.
Se eu sou escolha ou intervalo.
Se esse lugar que você chama de meu um dia foi vazio ou se ainda guarda marcas de quem nunca saiu.
Porque eu não sei habitar espaços assim onde o amor vem misturado com resto, onde o toque carrega memória, onde o agora nunca é só agora.
Quando você diz que eu sou a única, eu queria acreditar.
Mas existe uma distância que não é de corpo, nem de tempo é de verdade.
Uma distância funda, silenciosa, do tamanho de tudo aquilo que você não me conta.
E sem verdade inteira eu não sei ficar. Não sei florescer em pedaços.
Você tocou meu coração
Colocou suas mãos no meu átrio esquerdo, entrelaçou seus dedos nas válvulas,
Agora tudo só pulsa se você permanecer ali.
É você quem dita o compasso, quem rege o meu ritmo. E eu não quero parar.
Então fica — seja inteiro aqui, seja batida, seja sopro, seja meu sempre
Me permita te sentir aqui dentro
Seja meu, porque eu sou sua
E o meu coração está em tuas mãos
Então fica.
Diz que você não pensa em ir embora, amor
E fica.
Vou em mares desconhecidos só pra te encontrar.
É absurdo pensar que você está a milhas de distância e, ao mesmo tempo, inteira dentro de mim.
Como se eu pudesse te sentir em cada respiração, me tomando o fôlego devagar, sussurrando suavemente alguma música de ninar, como quem me pede mansidão e intensidade ao mesmo tempo.
Acho que você entende que eu não sei escolher entre os dois. Na verdade, não sou boa com escolhas no geral.
Mas eu tenho escolhido você. Todos os dias.
Te encontrar. Te ver. Te admirar. Te aplaudir bem de pertinho,
pra você não esquecer que aqui dentro tudo o que eu sempre precisei foi você.
Senti um arrepio atravessar o corpo inteiro, como se alguém abrisse a porta de repente, entrasse correndo, me envolvesse num abraço forte e decidisse não soltar mais. Um arrepio desses que não é só pele — é aviso. Algo está por vir. E então vem a pergunta muda: vou enfrentar sozinha ou deixo alguém ficar? Nunca fui boa em pedir ajuda. Mas aprendi, do jeito mais duro, que sozinha é pesado demais. Não quero mais travar batalhas em que a única combatente sou eu, não quero mais me matar um pouco todas as vezes que finjo força. Já me dilacerei por dentro o suficiente pra não dizer em voz alta que estou com medo, que preciso de colo, que sozinha eu não volto inteira. No fundo, tudo o que eu queria dizer era: preciso que você junte meus pedaços e me leve de volta pra casa. Mas eu não sei dizer essas palavras. Então acendo uma vela. Ajoelho. Os santos me observam em silêncio. Um terço pesa na minha mão. O cheiro de rosas invade o espaço e o peito. E ali, entre a fé e o cansaço, eu me preparo pra guerra. Dessa vez, já não estou só.
Poema de Nando Reis em Agora Quero Ir
diz pra mim que você sabe
que o que eu digo nunca ninguém te falou
e que eu sou transparente, mas não fico invisível aos olhos teus
diz que nunca teve mulher que olhasse pra você como olho eu
diz que tem vontade de saber qual é o gosto de um beijo meu
e que você sente tesao quando ve o mar
que você pode ser feliz onde quer que seja se eu estiver lá
que você dorme e acorda, bebe e come, que fode e que ama
e quando ve a luz acesa quer abrir a porta só pra me abraçar
Eu te envolvo, te enfeitiço, te encanto — até que seus olhos não saibam mais fugir de mim. Te prendo, te amarro, e deixo você inteira aqui. Entre teus lábios descubro o teu prazer, e provo teu gosto como quem descobre um segredo. Te sinto nas pontas dos meus dedos, onde teu néctar escorre lento, e, no sussurro da tua voz, você me diz: amor é você dentro de mim.
Tem um doce diferente no amor que a gente faz — um tipo de mel que fica na pele e não sai. Derrete o corpo inteiro, em cada parte que as mãos alcançam
que parte e remenda no mesmo instante.
Atravessa a alma, rompe o limite do carnal, me faz sentir que posso tocar o céu Se estou dentro em ti.
Teus gemidos são trovões, anunciando a tempestade que vem, enquanto o meu corpo inteiro grita, num silêncio quase santo, Como é bom te amar.
Tem um doce diferente no amor que a gente faz — um tipo de mel que fica na pele e não sai. Derrete o corpo inteiro, em cada parte que as mãos alcançam, parte e remenda no mesmo instante.
Atravessa a alma, rompe o limite do carnal, e eu sinto que posso tocar o céu quando me perco em você.
Teus gemidos são trovões, anunciando a tempestade que vem, enquanto o meu corpo inteiro grita, num silêncio quase santo, como é bom te amar.
Queria saber qual é o gosto que fica na tua boca quando me sussurras essas mentiras com tanto cuidado, como quem tem medo de ferir, mas fere mesmo assim como é sentir outro sabor enquanto me beija a tua pele precisa imaginar a dela para arrepiar? em quais partes do teu corpo ainda há vestígios dela será que são as mesmas que toco agora, achando que são minhas? como faz pra confundir o tom da minha pele com o dela será que confunde, ou é só o costume de querer dois mundos dentro do mesmo toque? Alguma pintinha minha se parece com as dela e te faz lembrar do tempo em que descobrias o corpo que já não te pertence? Em qual traço meu ela vive? Qual semelhança há entre os nossos rostos, entre as nossas dores, entre tudo o que partiu e ficou? Será que tens medo que eu te deixe — assim como ela ou nem pensa nisso? Já tens alguém em mente pra pôr no meu lugar, um rosto novo onde tu possas depositar as mesmas mentiras com o mesmo carinho? Me diz… qual o sabor tem a tua boca quando dizes aquelas três palavras — eu te amo — enquanto sorri? Será que é nela que pensas quando diz, por isso precisas fechar os olhos — pra não ver amor dentro dos meus? Como faz pra imaginar o cabelo dela nos meus? E os olhos — como apaga os meus enquanto pensa nos dela? Tem tanta coisa passando pela minha cabeça a cada instante contigo, mas eu jamais te faria essas perguntas. A menos que estivesse bêbada, às três da manhã, sentada em frente à porta te esperando chegar, como agora.
me encaixa em ti
devagar com calma
me deixa conhecer as tuas partes secretas aquelas que ninguém vê aquelas que até você esconde de si
eu quero mergulhar em você como quem explora o oceano descobrir teus detalhes onde a luz pode e não pode tocar
quero saber o que te assusta o que te acalma o que te faz feliz
quero sentir você em mim mesmo longe, amor
me deixa te olhar te ter bem pertinho pra eu me apaixonar de novo pelos teus olhinhos
quero saber o gosto do teu amor no comum e no extraordinário no simples e no impossível
me deixa ocupar teus vazios com o pouco que tenho mas com tudo que é meu
sei que não é tudo mas pode ser o suficiente se você quiser
e amanhã te prometo mais se você deixar
que eu faça o meu amor caber no teu
pode ser em silêncio sem espetáculo sem pressa
eu só quero o exagero pra nós em todos os dias comuns e nos dias atípicos
também
ser a voz que te acalma ao chegar e a presença que te faz ficar
e se o mundo cair lá fora aqui dentro cabemos nós com a intensidade que só existe quando dois corações se reconhecem
é pedir muito, amor? ou será que já está tudo aqui, entre nós, silencioso e infinito?
e eu não vi.
Queria saber qual é o gosto que fica na tua boca quando me sussurras essas mentiras com tanto cuidado, como quem tem medo de ferir, mas fere mesmo assim Como é sentir outro sabor enquanto me beija A tua pele precisa imaginar a dela para arrepiar? Em quais partes do teu corpo ainda há vestígios dela Será que são as mesmas que toco agora, achando que são minhas? Como faz pra confundir o tom da minha pele com o dela Será que confunde, ou é só o costume de querer dois mundos dentro do mesmo toque? Alguma pintinha minha se parece com as dela, e te faz lembrar do tempo em que descobrias o corpo que já não te pertence? Em qual traço meu ela vive? Qual semelhança há entre os nossos rostos, entre as nossas dores, entre tudo o que partiu e ficou? Será que tens medo que eu te deixe — assim como ela Ou nem pensa nisso? Penso se já tens alguém em mente pra pôr no meu lugar, um rosto novo onde tu possas depositar as mesmas mentiras com o mesmo carinho Me diz… qual o sabor tem a tua boca quando dizes aquelas três palavras — eu te amo — enquanto sorri? Será que é nela que pensas quando diz Por isso precisas fechar os olhos — pra não ver amor dentro dos meus? Como faz pra imaginar o cabelo dela nos meus E os olhos — como apaga os meus enquanto imagina os dela? Tem tanta coisa passando pela minha cabeça a cada instante contigo, mas eu jamais te faria essas perguntas. A menos que estivesse bêbada, às três da manhã, sentada em frente à porta te esperando chegar Como agora.