“Não vem com essa, sabe que fico distraído quando estou jogando” Rebateu de imediato, ele conhecia o amigo sim, mas o outro não podia agir como se não soubesse como o seu cérebro ficava limitado quando estava jogando e o quão fervoroso ele poderia parecer com isso. E mesmo com a encenação seguinte, ele apenas fez uma careta de desdém e seguiu com o plano de beber uma água. “E você queria que eu dissesse o que? Foi no evento de natal e não foi um encontro muito promissor… ele me beijou, talvez isso eu devia ter contado pra você” Falou baixo, como se tivesse sido tarde demais. “Óbvio que eu tenho bom gosto” E se encaixou entre as pernas dele com um conforto que ele sabia que podia ter ali. “Reabilitação de irmãos parece algo positivo demais para alguma coisa que envolva o Kayn, e eu sou a pior pessoa para dar qualquer conselho familiar, você sabe disso” E ele sabia como aquilo poderia mexer com o amigo, só pela maneira como o outro se apoiar na parede atrás de si e ao fechar os olhos, ele entendia a confusão que deveria estar dentro dele, escolheu não opinar e sorriu, decidindo dar algum tipo de calmaria só com isso, um olhar e um sorriso. “Lá vem um tipo de conselho positivo, se prepare…” Bebeu o último gole de bebida e estralou o pescoço como se realmente fosse a luta, virando-se para o amigo e ficando de frente para ele. “Se ele está dando um espaço e os dois estão dispostos a isso, tentar não vai fazer nenhum mal, já tá ruim mesmo, só tem dois caminhos: ou melhora ou piora, mas não acredito que piore mais”
※ · Escondeu o sorriso maldoso com a resposta dele. Claro que sabia, justamente por isso que o fazia. Veja bem, na relação que o Espelho tinha com o corvo, o primeiro sempre tentava provocar e causar pequenos sustos no segundo. Foi assim que se conheceram, a princípio, durante seus tempos na Floresta Encantada. “Talvez o fato de que ele estava aqui em Storybrooke?” Questionou como se fosse óbvio, apenas depois prestando atenção na segunda parte do comentário. “Espera aí... Vocês tiveram um encontro?” A confirmação da suas suspeitas com o comentário do beijo foi algo que o Espelho, por uma vez em sua existência, preferia não estar ciente sobre. Foi quase impossível não desviar o olhar, tentando esconder uma pose desconfortável que havia tomado por, apesar de não saber o porquê, ficar incomodado com aquilo. Veja bem, não se importava quem Kaili beijasse por aí ou tivesse encontros e Henry era livre para fazer o que bem entendesse, diferentemente de si próprio, mas ainda sim... era estranho. Estranho que tivesse sequer sentido algo em relação à isso quando não era nada de mais. Apenas decidiu fingir que não se importou e pegar um copo no armário acima de si, estendendo o braço para o encher de água enquanto ele continuava falando. “Com certas falhas, já que beijou meu irmão. Certeza que ele beija mal para caralho.” Não pode deixar de alfinetar, um reflexo da confusão que estava sentindo. Era assim que era, afinal. “Se queria tanto sair assim, poderia sair comigo. Sei que viria com uma programação melhor.” Completou, se limitando a beber o copo cheio de água. Em meio aos olhos fechados e suspiro, confirmou a cabeça com as explicações dele. Nem era obrigação dele responder e já estava fazendo muita coisa só o escutando para começo de história. Quando ele começou a prepará-lo, abriu os olhos, deixando um sorriso de canto escapar enquanto girava o copo nas mãos e mantinha o olhar em Henry. “Se piorar mis do que isso, eu vou ter que realmente matar ele.” Afirmou em meio a mais um suspiro, desencostando da parede para encostar a testa no ombro do amigo, escondendo um pouco seu rosto. “Desculpa estar enchendo você com isso...” Falou em um tom mais baixo, já que aquele não era um lado que Eliot costumava a mostrar para as outras pessoas. “As coisas só estão muito confusas e... Especialmente depois ele voltou e com as coisas que estão acontecendo, eu não sei em quem confiar.” Confiar, isso sim era uma das coisas mais difíceis para o Espelho, que havia perdido ou matado as esperança nos anos aprisionados no vidro. “Acho que eu só consigo ter algo do tipo com você de todas as pessoas.” Sinceridade também era algo incomum na parte dele, mas sentia que precisava dar um crédito ao amigo pelo susto e por ele estar tentando ajudar. “O que eu quero dizer é... Obrigado, Henry. Não sei o que faria sem você.”