Em 2012 comecei esta página para partilhar o que me ia acontecendo na minha “vida fotográfica”, mais como um sítio para ir guardando as memórias e as experiências que para ensinar o que quer que fosse. Ao longo dos anos a audiência foi crescendo, tendo chegado aos 34000 utilizadores no seu ponto mais alto!
No entanto, e como é aparente, a actividade aqui tem estado muito baixa. Tenho-me concentrado especialmente em partilhar o meu trabalho no Instagram, e como consequência o blog ficou em suspenso. Não por não ter nada para dizer nem partilhar, simplesmente não tenho capacidade para estar em duas plataformas em simultâneo e o que não falta na internet são artigos sobre fotografia.
Dito isto, estou a fazer um backup ao blog, que até ao final do ano será apagado do Tumblr. Um grande obrigado a todos os que estiveram comigo nesta viagem, espero ter-vos ajudado/inspirado ao longo destes 4 anos!
BC
P.S. A festa continua no Instagram, com muitos projectos e novidades a caminho!)
Mais uma daquelas fotos em que tive tempo para preparar e fazer a foto como queria - Neste caso a luz era algo difícil, a cabeça do dinossauro só está iluminada pelo sol durante alguns minutos no Verão, demorei quase um mês a acertar!
Sempre achei curioso os sapatos abandonados na rua.. volta e meia aparece um, perdido num canto qualquer da cidade. Nunca vi um par junto e é muito raro serem outras peças de roupa, porque será?
À semelhança de um artigo anterior, hoje vou começar com uma imagem aparentemente aleatória para tentar chegar a uma conclusão. Vamos lá ver se consigo.
Esta imagem é um quadro do Bruegel, um pintor holandês do sec. XVI conhecido pelas suas pinturas de multidões e cenas populares, extremamente detalhadas e sempre com algum humor à mistura. Podem vê-la com mais resolução aqui.
Desde que fui à sua exposição no Museu de Arte Antiga que fiquei fascinado com este estilo, que na prática é quase o oposto do que eu costumo fazer na minha fotografia. Geralmente procuro encontrar um motivo de destaque na fotografia, e enquadra-lo de forma a que se destaque do resto da imagem (há várias formas de fazer isso, um artigo muito bom sobre esse assunto está aqui).
No entanto, nesta pintura aparentemente caótica podemos encontrar várias “cenas”, nas quais várias pessoas interagem entre si, cenas essas que se encontram separadas entre si ao longo do quadro (por exemplo, a banca de corte do peixe ao lado do poço ou o grupo de pessoas a dançar em roda lá ao fundo).
Será possível aplicar esta abordagem na fotografia? Vamos ver uns exemplos:
Quando penso em molhada a primeira foto que me vem à cabeça è esta do Martin Parr. É uma foto de uma piscina interior com pessoas a preencher a foto quase até ao topo (à semelhança da pintura do Bruegel). No entanto, contrariamente à pintura, não consigo identificar aqui várias cenas nem interacção entre as pessoas.
Nesta, também do Martin Parr, não tem a multidão que procuro, mas tem elementos “deslocados” que me chamam a atenção e a meu ver fazem a imagem. Esta era das imagens imprimidas em grande tamanho que estavam na exposição na Barbado Gallery, e lá o que mais me chamou a atenção foi aquele sapato azul claro ao lado do muro. De quem é? Como veio ali parar? Adoro.
Na pintura do Bruegel, achei piada ao baralho de cartas e aos ovos partidos espalhados pelo chão, vejam lá se encontram.
O Sebastião Salgado usou imenso esta técnica ao longo da sua carreira, maioritariamente em pessoas a trabalhar, e no seu mais recente livro, Genesis, em grupos de animais selvagens. Este bando de pinguins que se estende quase até ao infinito transmite a ideia da quantidade de animais que habitam este espaço, sendo muito mais eficaz que um pormenor do grupo nesse aspecto.
Esta é uma das fotos mais famosas do Andreas Gursky, representando o caos na bolsa de Shanghai. A quantidade de pessoas é brutal, bem como o caos na foto, com papéis por todo o lado e algum desfoque de movimento em algumas das pessoas.
Adoro também o trabalho do Adam Magyar, que com uma máquina criada por ele captou o movimento das pessoas nas ruas. A técnica por detrás destas fotografias é difícil explicar, mas o resultado é extremamente interessante.
Esta última foto foi planeada e ensaiada, e serviu como anúncio a um telemóvel da Motorola. Nesta foto foi dividida intencionalmente em 21 momentos, em que cada um conta uma história (faz lembrar alguma coisa?).
Por último, a minha modesta tentativa de imitar a coisa. Esta foto foi feita antes de eu ter ido a esta exposição, mas de qualquer das formas serve como exemplo.
Algumas conclusões:
- A inspiração fotográfica pode-se encontrar em qualquer lado, não apenas nas fotografias. Tentem olhar para a pintura, escultura, música de uma forma diferente, e pode ser que ajude na vossa fotografia!
- Mesmo uma composição aparentemente desordenada e caótica pode ser usada como efeito com sucesso, apesar de ser muito difícil de acertar. Quem sabe, será que dá para fazer algo deste género durante um evento que atraia multidões, como um festival de música ou uma maratona?
- De vez em quando é aquele elemento surreal e fora do sítio que faz a foto. Por vezes a decisão de tirar a foto é devida a esse elemento, outras vezes só reparamos nele à posteriori, mas há-que estar atento!
Hoje de manhã acordei com a notícia do falecimento do Bill Cunningham. Para quem não conhece, era um fotógrafo de moda norte americano, mas ao mesmo tempo um dos fotógrafos que mais me inspirou a dedicar-me à fotografia de rua. Parecia-me ser uma pessoa muito modesta, tinha um olhar muito atento aos pormenores e padrões que via na rua e nas pessoas, e era admirado por todos os que o rodeavam (acho que metade de Nova Iorque se vestia bem, esperando ser “apanhada” por ele!)
Vejam o documentário sobre a vida dele, sem dúvida muito interessante.
O post de hoje é a continuação do que tinha feito há umas semanas atrás sobre o colectivo 1/4escuro, agora sim com mais detalhes!
Estamos a usar um laboratório feito pela Câmara Municipal de Lisboa em Marvila, que foi construído em 1999 mas nunca usado no seu potencial total. Queremos melhorar as condições do espaço para podermos cativar mais pessoas e continuar as nossas experiências fotográficas.
Para tal criámos uma recolha de fundos na plataforma Boaboa, recém criada pela CML. Na campanha está toda a descrição do projecto, e as recompensas são focadas em experiências que permitem às pessoas usar o espaço e experimentar a fotografia na primeira pessoa.
Não percebes nada disto do analógico mas queres vir experimentar? Já fotografas em filme e queres vir aprender a revelar ou ampliar? Tudo isso é possível, no nosso quarto escuro!
www.boaboa.pt/14escuro
Ontem tivemos a visita do P3, podem ler o artigo aqui!
Este blog tem andado meio adormecido, mas desta vez por boas razões! Desde que regressei a Portugal que tenho trabalhado non stop - projectos pessoais, tentativas de empreendedorismo e nisto que estou aqui a partilhar hoje!
O 1/4escuro é um colectivo fotográfico do qual faço parte, juntamente com algumas caras já conhecidas daqui (Silvério, Matias, Kes e Freitas). Esperam-se muitas experiências, partilha de conhecimentos e outras coisas interessantes que só poderei divulgar para a semana. Entretanto sigam-nos no facebook para ficarem a par das novidades!
O processo para esta foto foi um pouco o oposto do que costumo fazer - como passo por este sítio muitas vezes deu para planear a composição, fazer várias tentativas e esperar até o céu estar completamente coberto para finalmente ter esta foto.
Finalmente de volta a Lisboa, depois de 5 meses em Itália! Foi sem dúvida uma experiência fantástica, e para além das memórias sobraram os rolos que agora têm de ser revelados. Tenho alguns planos para o que fazer com as imagens finais, fiquem atentos! (Para os mais distraídos, passei a colocar as fotos no Instagram, passem por lá!).
Na foto, o meu amigo Luís SIlverio, no laboratório fotográfico da CML que temos estado a usar! Já tinha partilhado uma imagem tirada lá, e agora que está tudo mais estabilizado acho que já vai dar para explicar melhor num post futuro :)
Tem sido praticamente impossível publicar coisas (como tinha já avisado há uns meses!), mas muito agravado pela morte súbita do meu computador.. pelo menos até Março não terei computador pessoal, o que dificulta muito as coisas.
Noutra perspectiva, decidi esquecer o Flickr de vez e passar a usar o Instagram como rede social principal! Criei uma conta só para fotografia (@brunocstreet), estão todos convidados para passar por lá e seguir se acharem bem.
Acho que está na altura de uma nova partilha do que se vai passando aqui por Itália! Enquanto a compreensão das aulas e o domínio da língua italiana se mantêm razoavelmente na mesma, as viagens e experiências vão-se acumulando. Fica então um pequeno resumo das mais recentes.
Vou assinalando no mapa as cidades que já visitei.
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Turim
Turim foi das maiores surpresas até agora, especialmente porque não é uma das cidades mais visitadas de Itália e porque não sabíamos muito bem o que encontrar lá. E na realidade é uma cidade bastante interessante! Gostei imenso de passear pelo jardim da cidade e de subir a colina do lado oposto com uma vista excelente sobre Turim. Só fiquei com pena de não ter ido ao museu do automóvel, mas o tempo não estica.
Começo a perceber que esse é o verdadeiro segredo para aproveitar as viagens - não partir com expectativas demasiado altas ou planos combinados ao minuto, e deixar-se surpreender na chegada!
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Como
Desde o Interrail do ano passado que fiquei com vontade de ir visitar o Lago de Como. Na altura não tivemos tempo para fazer o desvio, e agora em Itália é facílimo chegar lá de comboio a partir de Milão.
Tivemos imensa sorte com o tempo, chegou a estar quente demais! O lago é fantástico, a água rodeada pelas montanhas transmite aquela sensação de calma e sossego, e apesar da sua fama não havia turistas em excesso (em grande parte por não ser Verão, claro).
Chegámos à cidade de Como e comprámos um passe para as 5 cidades mais próximas (que não são as mais famosas) - no futuro gostaria imenso de passar lá mais tempo e poder explorar ainda mais!
(Obrigado Inês pelas fotos de Como!)
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Veneza
Mesmo antes de partirmos para Veneza já sabíamos que ia ser uma aventura - comprámos os bilhetes de autocarro mais baratos que havia, o que significava logo à partida 48 horas sem dormir decentemente.. mas o maior azar foi mesmo o tempo - nunca tínhamos apanhado um dia tão mau aqui por Itália!
Na prática, temperaturas a rondar os 4ºC e chuva constante significa que passámos mais tempo protegidos em cafés e restaurantes que a passear e fotografar pela cidade.. Bem, fica a desculpa para voltar lá no futuro!
A única foto que tirei com o telemóvel, de resto foi tudo com a Mju numa mão e guarda-chuva na outra
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Milão
Estando em Pavia, Milão é paragem obrigatória. Quase todos os comboios passam por lá, e é a maior cidade nas redondezas!
Ainda só fui lá uma vez “turistar”, e apesar de não ser das cidades mais turísticas, tem bastante actividade - gostei especialmente de fotografar por Navigli ao final da tarde, sou capaz de voltar lá.
Em Milão está também uma exposição de fotografia que parece bastante interessante, e que sem dúvida irei visitar!
Só umas do Duomo e das Galerias, no resto do passeio estive mais entretido a fotografar com a GA654W - como se pode ver na primeira foto!
E pronto, acho que por enquanto é tudo.. em princípio já não faço mais nenhuma viagem grande antes do Natal (infelizmente), pelo que talvez só volte a escrever quando começar a nevar aqui por Pavia! (se não morrer de frio até lá, claro está)
A inauguração já foi há algum tempo, e no meio da confusão de vir de Erasmus não cheguei a partilhar isto em condições!
Resumidamente, uma exposição com fotografias do Martin Parr, na recém criada Barbado Gallery em Campo de Ourique - entrada livre, e só até 11 de Novembro.
Obrigado à Nova Photographia pela foto da exposição, quando lá estive foi-me impossível fotografar.. mas mesmo assim consegui uma foto com o Martin Parr em pessoa!!