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Batgirl by Leonard Kirk
Curta!
DETECTIVE COMICS #664 (July 1994) Art by Graham Nolan & Scott Hanna
Amigos, criei uma página no Facebook chamada Literatura RS. A intenção é utilizá-la para divulgar a literatura produzida e editada no Rio Grande do Sul, área à qual me dedico como assessor de imprensa há quatro anos.
Lançamentos, eventos, escritores, artigos, oficinas, notícias, quadrinhos, ONGs, tudo o que movimenta o livro e a leitura nesta terra vai ter seu espaço por lá. São assuntos que já existem em diversos perfis ou pages espalhadas pelo Facebook e sempre senti falta de um lugar que concentrasse tudo isso. Então eis aí o nosso espaço. Convido os seguidores deste Tumblr a curtirem e a contribuírem com notícias e dicas para fazermos o mercado editorial gaúcho (e seus profissionais) chegarem cada vez mais longe! Ah! Apesar de ter sido criada há apenas dois dias, a página já foi recomendada pela Rádio Gaúcha e pelo site Artistas Gaúchos!
BATMAN #431 (March 1989) Art by George Pratt
BATMAN: YEAR ONE by David Mazzucchelli
Eu na Ulbra TV tentando fazer sentido.
The Brazilian Batman
O LOBINHO #7 (1940) Artist unknown
Batman v. Spawn: Dawn of a Crossover Spawn-Batman (April 1994) By Todd McFarlane & Steve Oliff Words by Frank Miller
COMIC BOOK CLOSE UP
J O K E R Justice #12 (Aug. 2007) Art by Alex Ross
Your Worst Nightmares During Childhood vs. Adulthood
Iron Spider & The Punisher Civil War #5 (Dec. 2006) Art by Steve McNiven (Pencils), Dexter Vines (Inks) & Morry Hallowell (colors) Words by Mark Millar
Eu e os grandes Luis Dill e Ana Mello no sarau Palavra Falada, dia 15. Boas leituras e conversas sobre poemas, ficção, narrativa e publicação.
Por que não há engarrafamentos em comerciais de carro?
Chama a atenção a repetição de um cenário em comerciais de automóveis. Carros percorrem em idílica solidão estradas desimpedidas. São peças publicitárias eficientes e bem filmadas, a entrar e sair da televisão a todo momento, sob a insistência do mesmo cenário. Não há trânsito, no universo dos comerciais de carros.
O elogio ao isolamento é uma constante na publicidade de automóveis. A peça não vende só o produto, mas um valor simbólico que, ainda que de forma indireta, ajuda a formar os valores de quem a assiste. Qual o impacto disso na convivência entre os indivíduos?
Culpar a publicidade é fácil. Talvez hoje já tenhamos uma percepção melhor de sua presença enquanto parte das questões sociais, e não causadora delas. O olho mais atento vê um triste paralelo entre os comerciais de automóveis e as relações entre os indivíduos. Talvez pela frequência com que algumas mensagens subjetivas nos sejam exibidas, nossas relações sejam mediadas por imagens e valores que nos dizem o que é belo e bom – os quais, por fim, nos dizem como agir no mundo.
As estradas desimpedidas e livres de incômodos como pedestres, engarrafamentos, ciclistas ou outros veículos, apresentadas nos comerciais compõem o cenário de uma vida ideal, a qual, associada a uma ideia de consumo e prazer, nos coloca num irrefreável imediatismo e hedonismo que, feito líquido, escorre por entre as esferas que compõem a sociedade e as relações entre os indivíduos. Como resultado, somos naufragados por um imprevisto oceano de individualismo: eu quero pegar o meu carro, chegar rápido ao meu destino, estacionar na minha vaga e depois retornar sem incômodo. O exemplo referencia o trânsito e a condução de automóveis particulares, mas se presta também às relações entre as pessoas – porque o individualismo se espalha e esfarela as relações de toda ordem.
Esfarelamento é a palavra. Há algo de muito errado com uma sociedade cujas relações sofrem um constante processo de esfarelamento e não esboce desejo em reverter este diagnóstico. Fomos engolidos pelo individualismo e ignoramos que isso é cultural – não natural. Décadas de exibição dos valores simbólicos elogiados pela publicidade têm parte da responsabilidade no problema. Cabe a pergunta: o enfraquecimento dos laços afetivos beneficia a quem?
Felizmente, os últimos anos viram o surgimento de uma geração (ou um espírito) que aproxima pessoas diversas pela insatisfação que têm em comum: a geração occupy. Nova York, Istambul, Porto Alegre: em muitos cidades, parece haver a preocupação com o esfarelamento das relações afetivas em detrimento do individualismo, o que leva multidões a ocupar com barracas, ou encontros, por exemplo, Wall Street ou a Praça Taksim Gezi, em Istambul, numa demonstração pública de descontentamento com as relações desiguais entre os atores sociais e com a inegável desconsideração (a irmã do individualismo) com a qual as pessoas são tratadas na sociedade.
Em Porto Alegre, anos recentes mostraram uma forte mobilização de indivíduos preocupados com a deterioração do espaço público e com a tradicional predileção, por parte da administração municipal, pelo automóvel (individualista por natureza) sobre pedestres e usuários do transporte coletivo. Nas ruas da Capital, pululam pichações e estênceis que pedem por “mais amor, por favor”, ou “mais amor, menos motor”, lembrando que o transporte individual contribuiria com o enfraquecimento das relações entre as pessoas e, por isso, se encaixaria num modelo de vida que não mais representa a todos.
Existe um motivo pelo qual os carros dos comerciais dificilmente sejam retratados em cenários verossímeis à vida na cidade. Estas peças refletem nossos valores ao afirmarem que o ideal é a inexistência do outro – que incomoda. A mensagem é subjetiva e não intencional, ou seja, espontânea, e diz muito sobre a nossa sociedade e a forma com que as relações de toda ordem são estabelecidas entre as pessoas e as instituições.
Por Vitor Diel, jornalista, autor de "Granada" (2008, Armazém de Livros)
Publicado no caderno PrOA do jornal Zero Hora, edição de 5 de outubro de 2014.
Tenho 32 anos e por isso não vi uma grande quantidade de campanhas para a Presidência do Brasil -- minha lembrança volta apenas até a mãozinha espalmada usada pelo FHC, em que cada dedo indicava uma prioridade de seu governo em 1994 -- e por isso não tenho muito material para tecer comparações, mas posso garantir com 100% de certeza que nunca, nunca mesmo, os direitos civis dos homossexuais foram considerados uma pauta no debate como agora em 2014, ainda que da forma ruidosa e torta como tem sido.
Acho que é isso o que me põe otimista em relação ao amadurecimento da democracia no Brasil e da noção de inclusão e igualdade que a gente tenta, a fórceps, extrair desse núcleo duro que se recusa a mudar e que foi forjado em 21 anos de ditadura militar.
A criminalização da homofobia e a igualdade de direitos entre heterossexuais e LGBT sempre me pareceu um passo inevitável e natural no caminho desse país que se mostra disposto a combater as desigualdades de toda ordem, e quando eu vejo manifestações como aquelas do candidato Levy Fidelix, lembro que o grito dos conservadores é sempre proporcional à força das mudanças que se avizinham.
Saí do armário no finalzim dos anos 90, ainda no Ensino Médio, e conforme fui lidando com a minha natureza, recorri à psicanálise -- menos para entender a mim e mais para entender a dificuldade de compreensão daqueles que me criaram e educaram. Nos últimos 14 anos, testemunhei o surgimento não só de uma justa aceitação da sociedade brasileira pela homossexualidade, mas uma inédita legitimação das diversas sexualidades e vontade de inclusão desses indivíduos que historicamente compõem uma população perseguida. O ápice da minha vida de cidadão e eleitor homossexual vivo agora, nesta campanha à Presidência de 2014, com a ferrenha defesa de muitos brasileiros pelos direitos gays. Sinto que o Brasil mudou muito nos últimos 20 anos, desde a campanha do FHC com a mãozinha espalmada e suas cinco prioridades -- uma mudança que se deu muito mais por iniciativa da sociedade civil, à margem dos congressos e assembleias, que sempre chegam atrasado para legislar sobre as pautas urgentes à sociedade.
Acho que o que testemunhamos nestas semanas é reflexo do amadurecimento do Brasil -- um amadurecimento que é a nossa cara, cheio de som e fúria, de oportunistas e cooptadores, mas ainda assim um amadurecimento real e inevitável. Tenho certeza que em 1968, quando o AI-5 entrou em vigência, muita gente não imaginava que o Brasil seria, um dia, a democracia pluripartidária e inclusiva que é hoje. Eu confio na democracia brasileira porque até hoje ela me deu diversas demonstrações de que se preocupa com a melhoria da sociedade, apesar de suas imperfeições, dos oportunistas, dos cooptadores e do grito dos conservadores.