Tudo tem estado estranho ultimamente. Nunca gostei do imprevisível e de não saber onde vou parar, mesmo que boa parte das vezes nem perceba esse meio tempo entre partir e chegar. Se perder é caminho, ouvi dizer. Mas é estranho caminhar por uma estrada que nunca chega e que você não tem ideia se em algum momento vai chegar.
Você se sente perdido?
Os dias são os mesmos, mas cada vez piores e, talvez, sejam cada vez piores exatamente por serem os mesmos. O sentimento de inutilidade me domina e tudo que não gosto em mim parece ter arrumado uma brecha pra escapar todas as vezes em que ouso me olhar. Não lembro quando foi a última vez que tirei uma foto, muito menos quando me olhei no espelho e gostei do reflexo que vi.
Você se sente destruído?
O limite é um lugar que, ao mesmo tempo que nunca chega, sinto como se vivesse muito perto dele. Como quando a gente faz trilha e a exaustão começa a bater, mas o objetivo ainda está longe. Esse eterno tirar o excesso do copo para não transbordar cansa, entende? É um trabalho que nunca termina e que domina o cotidiano.
Você se sente sozinho?
Ouvi falar sobre solitude um dia desses e sobre fazer de si mesmo sua melhor companhia. Mas verdade é que eu não consigo. Gosto de ficar quieta, mas de saber que tem gente por perto. Gosto de ouvir meus vizinhos e o bar com o som alto a noite toda. Gosto de tudo que me faça lembrar que o mundo ainda anda e vive, mesmo que eu esteja parada. Não gosto da casa vazia, mesmo que goste de ficar no meu canto, feito um móvel velho. O silêncio do mundo sempre me sufocou, como nos domingos em que nada abre e parece que a vida não acontece. Não quero que o mundo reflita o que eu sinto, quero que me lembre que o pôr do sol ainda é uma das coisas mais bonitas que existe e que as crianças gritando na rua refletem que a vida sempre continua, mesmo quando quase acaba.
Quero que o mundo não me deixe só, mesmo quando não quero fazer parte do mundo.
desculpa amigo

















