Despedidas são ruins porque sempre fui eu que fiquei. No refúgio na beira da estrada esperei pela volta de todas as coisas que eram minhas. Mesmo depois de deixar de ser, ainda que eu não soubesse disso. Eu esperei por coisas que deixaram de me pertecencer. As que quebraram, estragaram, as que eu não queria ou as que simplesmente não faziam mais sentido. Esperei por pessoas que se foram contra vontade própria, as que quebraram, estragaram, mas também pelas que escolheram ir.
Esperei porque eu não sabia fazer outra coisa além de esperar. Eu não sabia que eu também podia ir.
É por isso que me pego chorando pensando na festa de despedida de uma família que eu conheci por por alguns meses. Eu não havia notado um apego ali, debaixo de onde vem estas lágrimas.
Encontrei alguém numa parada de ônibus hoje. À beira da BR116, de uma noite fria de domingo, no quilômento 296. Onde chegam e partem pessoas todos os dias, de muitos lugares para outros lugares.
Despedidas são ruins para quem fica. Pra quem vai é o movimento, mover-se de um ponto a outro.
Para quem fica é o estar parado. Por vezes, olhando a linha do horizonte, esperando algo. Esperando nem se sabe o que. Ou talvez sim. Quem sabe uma ideia geral. Bom, pelo menos não mais esperar por aquilo que da outra vez já não deu certo... Esperar por algo novo, um pouco melhor alguma novidade? Uma pergunta meio instável.
Que tipo de coisa estou esperando quando fico na parada? Na verdade, por que eu espero? Eu fazia isso porque não sabia que tinha outra opção. Então eu posso simplesmente sair dessa parada e ir também para um outro lugar. Posso sair desse lugar. Mas de fato, parece que as lágrimas são mais que tristeza de ver alguém ir. Essas lágrimas são também de covardia porque, talvez, eu não tenha coragem de ir.
Talvez eu não tenha coragem de decidir para onde ir.
- Gabriela Bitencourt Alves
















