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@cancoesdeamoremminhamente
credit
yall.
YALL.
Há um barulho feroz
no lugar exato onde finjo silêncio.
Uma espécie de ruína educada,
dessas que sorri em fotos
e apodrece em quartos fechados.
Eu me tornei o eco
das coisas que não disse,
um corredor longo
onde meus próprios passos
soam como ameaça.
Há gente demais em mim
e nenhuma delas fica.
Sou a casa depois do incêndio:
de pé,
mas com o cheiro insistente
de tudo que já foi perda.
Dizem que o tempo cura,
mas ninguém fala
sobre essa farpa microscópica
que ele empurra mais fundo
cada vez que passa.
Eu a sinto
em conversas banais,
em domingos lentos,
no reflexo torto
de vitrines e espelhos.
É um incômodo pequeno,
quase ridículo —
e ainda assim
capaz de arruinar
um corpo inteiro.
Aprendi a conviver
com a violência delicada
de existir.
Com esse cansaço sem nome.
Com a soberania cruel
de uma mente
que constrói labirintos
e depois me culpa
por não encontrar a saída.
O isolamento
não chega gritando.
Ele senta ao lado,
usa meu rosto,
responde minhas mensagens
com frases curtas
e me convence, aos poucos,
de que ninguém notaria
se eu desaparecesse
entre uma terça-feira
e outra.
Há noites
em que o mundo inteiro
parece feito de vidro,
e eu,
uma pedra cansada
demais para escolher
entre quebrar
ou continuar sendo arremessada.
Então fico.
Neste silêncio obsceno.
Neste grito mudo.
Nesta coleção de ausências
que chamam de maturidade.
E às vezes penso
que talvez a dor
não seja a ferida —
mas o fato terrível
de já não saber
quem eu seria
sem ela.
Vocês estavam certos.
Algo a se descobrir