you're gonna be the one that saves me @thomimi
Emily era pequena. Não de altura, ela não era muito mais baixa que ele - talvez dez centímetros? Mas ela era pequena, ainda sim, de uma forma diferente. Não inferior, mas do tipo que cabia perfeita e confortavelmente entre os braços dele. E ela tinha cheiro de alguma coisa muito boa… Não era perfume, talvez fosse shampoo ou amaciante, e ele não lembrava-se de ter sentido antes. Mas assim com ela tão perto, esperando que ela abrisse os olhos, começou a perceber muitas coisas que não havia notado antes. Pequenas sardas nas bochechas, também. E quando ela abriu os olhos, notou que ela tinha olhos absurdamente bonitos. E quando ela os desviou, sentiu como se alguém estivesse o chacoalhando e o chamando para o mundo real. Piscou algumas vezes, confuso. Ainda estava segurando Mimi em seus braços e ela provavelmente já estava começando a achar que ele era algum tipo de tarado. Mas antes que ele pudesse soltá-la, ela levou o olhar até ele de novo e ele foi praticamente capturado pelos olhos verdes de Emily.
Eles estavam muito perto. Perto de um jeito que fazia Thomas se sentir altamente ameaçado, altamente despreparado. De um jeito que ele conseguia sentir a respiração dela, de um jeito que ele enxergava só Emily e mais nada. Sem abelhas, sem campus, sem Oasis. Só uma garota ruiva de olhos verdes, que havia acabado de dizer que ele era seu herói. Não podia deixar de sentir a ironia da situação. Thomas Carpenter nunca tivera um grande momento de heroísmo e aquele talvez fosse o mais próximo de seus cinco minutos heróicos. Mas não teria problema de transformar essas poucas ocasiões em mais minutos de heroísmo para Emily, se o resultado fosse o mesmo daquele. Ele estava tão perto, mas tão perto… Se Thomas se inclinasse mais um pouco…Juntou suas forças e o que sobrava de concentração pra soltar uma risada baixa - Uh… Sempre que precisar - Respondeu, enquanto suas mãos ainda a envolviam.
E cada vez estava mais difícil se concentrar, e ele sentia como se seu sistema nervoso estivesse derretendo as poucos. Tinha que falar alguma coisa, qualquer coisa, antes que aquilo tudo ficasse esquisito demais. Mas afinal, por que estava esquisito? Ele só era um amigo ajudando uma amiga a escapar de um enxame de abelhas. Exceto que Thomas queria o beijo da mocinha. Mas ele não era um herói. Ele era só Thomas Carpenter, corno, social chair vergonhoso e nerd do futebol. E havia algo muito errado naquela equação toda, no final das contas. Mas contas não importavam muito naquela hora. E se importassem, Thomas teria um grande problema, porque toda aquela equação Thomas + Mimi havia resultado num… Beijo. Ele não soube dizer o que foi, mas foi. Estava prestes a dizer algo sobre ir para o Joe’s quando ao invés disso, acabou com a distância entre ele e Mimi, selando seus lábios nos dela. Morango. Ou talvez fosse cereja. Ou algodão doce? Bem, ela tinha um gosto adocicado nos lábios e Thomas não se incomodaria de beijá-la pelo resto do dia.
E as coisas pareceram certas por um minuto. Corretas. Como um A+ em estatística, porém não tinha nada a ver com isso e… Ele não saberia explicar nem se quisesse. Não conseguia explicar nem o que acontecia no emaranhado de pensamentos de seu cérebro, como explicaria o que estava acontecendo no emaranhado do seu coração, se é que o que estava acontecendo eram coisas do coração?
Aparentemente a Emily de sempre estava de volta. Calada. Tímida. Apenas observando o rosto de Thomas perigosamente perto do seu. Se antes seu corpo já mostrava sinal de nervosismo, agora faltava pouquíssimo para que entrasse em um colapso por completo. Odiava as abelhas que cercavam o campus, mas as amava profundamente naquele momento, se não fossem por elas - e por seu trauma, provavelmente ainda estaria falando sobre as matérias de economia e psicologia que os dois gostavam, ou não tanto assim. Se não fossem por essas abelhas infernais, ela não estaria sentindo o perfume de Thomas contagiar e paralisar, ainda mais, seu cérebro.
A voz do rapaz a fizera acordar de um transe e entrar em outro. Por mais que agora não estivesse mais parada fitando os olhos de Thomas - que não eram claros, mas tinham o tom de castanho mais lindo que ela já vira em toda sua vida, seria isso culpa da paixão? - estava agora presa em seu imaginário. Mimi pensou em diversos cenários a partir daquele momento. Em um deles ela se inclinava e beijava Thomas; em um outro os dois ficavam sem graça e voltavam para suas fraternidades; no terceiro agiam como se nada tivesse acontecido.
Apesar de terem passado um bom tempo se encarando, Emily não conseguiu chegar no quarto cenário - o que realmente veio a acontecer; talvez por sua mente nunca acreditar que Thomas teria alguma atitude em relação à ela. Até porque, nas vezes que tiveram contato, ela quem demonstrou interesse e por fim o convidou para aquele encontro. Mesmo assim, mesmo nunca imaginando que aquilo aconteceria, sentiu um alívio tremendo quando os lábios de Thomas tocaram os seus. Mimi fechou os olhos e sentiu a maciez da boca de Thomas sobre a sua, e com a delicadeza que ele a beijava, a única coisa que ela poderia acreditar é que estava em um sonho.
A ruiva levou sua mão até a nuca do rapaz, e levantou um pouquinho seus pés, para não ficar tão mais baixa que Thomas. Se sentia em um filme da disney, mais precisamente em The Princessa Diaries, já que sua perna insistiu em levantar mesmo sem sua ordem. O beijo era delicado com o toque da garota no braço do Omega, mas já passara o momento do susto e tinha aceitado que aquele beijo que estava tendo, era realmente com Carpenter. Era seu primeiro beijo nele, e espera que não fosse o último, e com essa esperança, rompeu aquele suave beijo, permanecendo de olhos fechados por alguns segundos. Logo apertou seus lábios um contra o outro e em seguida lançou um sorriso lateral, tímido. Nenhuma palavra parecia boa o suficiente para descrever aquilo, ou sequer para iniciar uma conversa com ele agora.















