transeunte
eis eu aqui, alguns ano-luz de distância de você, perdido no espaço e flutuando na imensidão, ouvindo apenas o som do universo - aquelas vozes, nem sempre tão desconhecidas, que ecoam para sempre em nossas mentes. um sorriso no rosto é a afirmação de que já sabia que isso aconteceria e agora, que aconteceu, o que me resta é trafegar por aí, na volúpia da insustentável leveza do meu ser, procurando encontrar os pedaços de mim que explodiram junto do fim do universo. reconquistar cada pedaço meu é um objetivo assim como a constante luta de não me tornar ainda mais amargo.
é o fim e ele veio nos buscar: a sensação é de ter sido engolido por um buraco negro e toda a realidade que havia presente se tornou apenas o que chamamos de alegoria. nada será como antes, tudo virou do avesso e uma fenda se abriu no espaço e no tempo. agora o que me resta - nos resta - é lembrar dos momentos felizes que talvez vivemos. devo confessar que nunca entendi ao certo o quão longe eu estava de você.
na solitude de nossas almas, meu corpo flutuou adormecido querendo respostas. o que mais me impulsiona é tentar descobrir o que te motivou a soltar na imensidão toda a confiança que lhe dei. de olhos fechados seguia sonhando. podia ver aquela escada: enquanto segurava sua mão, olhava a frente, àquela porta que estava para ser fechada e nunca mais se abrir novamente. olho para você e as memórias ruins me afogam e em meio ao naufrágio, abafo as lágrimas que resolveram sair no momento errado.
a alegoria se fez presente: abro a porta, aquela mesma que resolvi abrir para você naqueles tempos em que éramos apaixonados um pelo outro; dou um abraço, desejo-lhe sorte em sua jornada e a fecho novamente, trancando-a com todos os cadeados que pude encontrar - nem a janelinha ficou aberta. agora tu, sem cadeados, pode viajar pelo espaço um pouco mais leve. o primeiro cosmonauta a viajar pelo espaço não retornarás para sua casa nunca mais.















