Eu te amo, mas não, eu não quero você de volta em minha vida. Não depois de ver que você fez pouco caso, não apenas porque suas palavras não se assemelhavam a seus atos, mas porque você não existiu na vida real; você era apenas um sonho idealizado e ninguém consegue esconder a essência ríspida por tanto tempo. Demorou para que eu te conhecesse de verdade, mas quando realmente me dei conta, percebi que nunca, eu nunca havia te conhecido. Guardei as boas memórias, mas o remetente está nulo, oculto, como se houvesse um borrão automático do meu sistema de defesa me forçando a esquecer você, tal como um trauma. Levou quase um ano para eu conseguir olhar para outra pessoa, quase um ano sem deixar ninguém entrar. Você me substituiu antes mesmo de terminarmos e quis sair como heroína, me entregando toda a culpa, autenticada em cartório. Mas não, não caio mais em falácias de amor para a vida, de sintonia divina, destino ou suspiros mornos. Não acredito mais em contos de fadas, aqueles que você me contou. Agora estou acordada para a vida, exatamente do jeito que você me ensinou, e nisso você realmente acertou. E, por fim, percebi que toda aquela sintonia que tínhamos era apenas a minha mente tentando te fazer ficar. Ainda bem que você não ficou, porque eu não teria resistido; talvez até teria me perdido, me destruindo só para ficar ao seu lado. Neste fim, não é apenas um adeus para você, mas um olá vibrante para a pessoa que estou me tornando longe de você.