É mais uma noite em que paro para escrever para você. Melancólico que é nossa realidade, não? Nossa intimidade e entusiamos jogados fora em um dia qualquer sem relevância nenhuma, porque um de nós dois escorria como areia solta enquanto o outro era mar na tentativa de deixar consistente. Não existe a falta de uma flor que esqueceu de brotar, mas a consciência de que um jardim é mais bonito quando fértil. Mais metáforas para dois indivíduos que não sabem se expressar nem autodenominar-se útil. Talvez você ainda pense em me chamar para conversar sobre os mistérios do universo ou só para saber como foi meu dia, mas então lembrará que não podemos mais agir como se tivéssemos intactos e inerente as palavras ditas em excesso no momento em que tanto te era insuficiente. Sua liberdade acabou quando quis interferir na minha, mas você não percebeu que não poderia mais agir por um. As gaiolas da reciprocidade e seriedade te causam claustrofobia, e eu não posso segurar sua mão e dizer que tudo ficará bem. Sinto-me triste pela desistência de amar, desperdiçado como chuva no oceano, é a presença que não acrescenta, é a tristeza em oprimir o futuro. É o que poderia ter sido e cansou de ser. É a fragilidade da vida querendo resistir ao tempo, pobrezinha, sempre acaba aos pedaços. Até o sol um dia irá se autodestruir e levar junto consigo planetas ao seu redor, e nosso tempo acabou, amasso a folha e jogo no lixo, porque essa foi só mais uma noite que virou manhã.










