Eu fui amada no famoso “voz alta”, e queria continuar sendo. Acho que é o que todas nós queremos. Para muita gente, o que eu ainda tinha já seria mais que o suficiente.
Por muito tempo foi assim, e eu me sentia muito, mas muito amada. Não desejei casar com aquele homem à toa. Ele fez isso ser possível. E eu amei ser tão amada… amei ter encontrado alguém que merecesse todo o meu amor.
Até que foi diminuindo. Não havia mais buquês surpresa, não havia mais bilhetes, não havia mais cuidado nas palavras, no carinho, no amor.
Eu vi tudo isso acontecer. Conversei um milhão de vezes, porque eu sabia que não permaneceria onde não me sentisse amada.
O tom de voz mudou. Vieram as brigas por nada, as acusações sem sentido… até chegar aos meus surtos de esgotamento emocional.
Eu lutei por ele, por nós. Lutei até não ter mais forças. Lutei por algo que existiu um dia — e tive que aceitar que não existiria mais.
E ir embora.
Ir embora dos planos, de tudo que construímos juntos, do colo que era casa, mas se tornou sinônimo de caos e instabilidade.
Tive que dizer adeus para a versão de mim que mais amei ser. Eu fui tão leve, tão feliz… me sentia tão segura, tão grata a Deus por viver aquilo.
Mas entendi que, na verdade, eu estava tentando proteger essa versão — uma versão que já não era mais possível ser com ele.
Eu precisei ser forte para proteger o que o amor fez comigo e não deixar que a falta dele destruísse isso.
Eu nunca me conformei. Sempre soube o que merecia. E foi muito confuso ver a mesma pessoa que me fez sentir coisas tão boas agora me fazer sentir tanta dor.
É cruel.
Não vou sacrificar o meu futuro em nome de um passado. Eu vivo no presente. E o que existia hoje não era um terço do que já tivemos — nem do que eu mereço.
O sorriso e a felicidade quando o outro chegava já não existiam mais.
Terminar com o homem que eu tinha certeza que casaria, porque ele deixou de ser esse homem… foi uma das coisas mais difíceis da minha vida.
Não me arrependo de nada. Vivemos o que tínhamos que viver. Foi uma linda história de amor… até deixar de ser.
Dói e sei que ainda vai doer muito mais.
Mas pela primeira vez em muito tempo, mesmo na dor… eu tenho paz.
Muitas me chamariam de louca. E de fato eu sou — louca por mim. Capaz de abandonar tudo, fazer revoluções, caso algo se torne injusto comigo.
Eu sei exatamente o meu valor, e é isso que me torna tão perigosa.
Eu não vou viver o que eu não quero. Vou honrar a vida que o meu Deus me deu.
– Ávlla Tomaz











