{FLASHBACK} Unkidnapping | Malrin&Lyanna
Correu escada da estalagem acima, a forma com que seu coração surrava seu peito pouco relacionada à atividade extenuante. Quando saíra, não desejava nada mais do que retornar. Quando saíra, o momento em que se reencontraria com ela dançava em sua mente como uma promessa de enlevo que viria, estimulando-a a acabar com o que tinha de fazer o mais rapidamente possível, dando um leve saltitar a seus passos. Agora que retornava, agora que o momento pelo qual antes tanto almejava chegara, seu estômago havia mergulhado por completo por uma mistura de culpa e preocupação. Culpa porque mal lhe conhecera e já havia a colocado em (mais) risco. Culpa porque parte sua mesmo assim não queria se desprender dela. Não tão cedo.
Mas Malrin precisava ir para longe dali imediatamente.
Abriu a porta do quarto que haviam praticamente passado a dividir, errando a fechadura algumas vezes devido à tensão. Fez o erro de olhá-la antes de falar — suas pernas pararam contra sua vontade, e tudo que queria era puxá-la para um beijo. Para muitos. Até que…
Lyanna!
Suas pernas voltaram a funcionar. Colocou a chave sobre a mesa de cabeceira e se desfez de sua bolsa improvisada com um pedaço de pano e uma corda. Enquanto se ocupava com algo que mantivesse seus olhos longe dela, falava:
— Você tem que sair daqui. Logo. Eu posso ajudá-la, só… confie em mim. É arriscado demais continuar comigo.
Precisava partir. Simplesmente juntar todos seus pertences e ir embora. Tinha uma praga para combater, Guardiões Cinzentos para buscar e um Clã Dalish para reencontrar. Mas não conseguia. A ideia de abandonar Lya ali simplesmente não conseguia ser absorvida por ela.
Colocava a culpa em suas missões: enquanto ainda tivesse trabalho a fazer naquela vila, ficaria. Mas sempre haveria mais trabalho a ser feito, e Malrin sabia disso. Seu trabalho real era mais importante do que aquilo tudo. Do que qualquer paixonite ou quaisquer vidas que eventualmente seriam consumidas pelas Crias das Trevas caso a elfa não tomasse coragem para sair dali e tomar uma atitude.
Mais dois dias, decidiu, finalmente. Era tempo suficiente para resolver o que precisasse e para se despedir.
Foi quando a porta do quarto conjunto que dividia com Lyanna se escancarou, revelando-a, elétrica e muito assustada. A elfa se levantou da cama, franzindo o cenho. O falatório incessante da outra começou a lhe incomodar. Caminhou até ela, segurando-lhe pelos ombros e encarando aqueles olhos verdes que haviam se tornado tão familiares nos últimos dias.
— Lya, mas que porra? Eu não vou a lugar nenhum. — Afirmou, surpreendendo até a si mesma. — Eu não tenho tempo para esse tipo de drama. Vamos, devagar, calma: explique o que aconteceu. — Pediu, agora com uma das mãos que se apoiava no ombro de Lya massageando o pescoço dela.








