Você vai sentir saudade?
Você vai sentir saudade?
Não sei se por ego, vaidade, ou talvez por sentimento, hora ou outra penso, lembro da gente, quando danço em frente ao espelho e recordo da gente dançando, tirando a roupa pra tomar banho.
O jeito que tu dançava com os ombros, eu achava fofo, enquanto eu cantava “tuntz tuntz tuntz quero ver…” e a gente ria, ainda sem jeito, de quem ainda não tem intimidade.
Ainda olho pra tua toalha no meu roupeiro e penso se algum dia tu vai notar falta e pedir de volta, das coisas que tu não se preocupou em deixar, porque imaginava que viria de volta.
O que aconteceu no final de semana seguinte depois do que a gente passou juntinhos, que te deixou tão distante?
Parecia certo, até que deixou de ser.
Ainda me culpo, um pouco, por essa pressa em não saber esperar, mas é que odeio ocupar lugares que já não são mais meus.
Se a atenção já não vem, da forma que vinha, algo mudou, e cabe a mim decidir o que é aceitável ou não.
Deixei em aberto uma chancezinha pra que tu pudesse se justificar, mas a justificativa não veio. Veio um agradecimento pelos bons momentos, seguido de um adeus até um pouco irônico, com um “boa sorte” no final que me deixou com bastante raiva.
O ego ferido. “Eu sou tanto, como você não viu isso?”. Os planos que nunca serão cumpridos.
São engraçadas as conversas quando está perto do fim. No dia anterior você me dizendo que ia me dar de aniversário nem lembro o quê. A trilha e a viagem pra praia que tínhamos programado de fazer. A visita ao café mal assombrado. Ficou preso na imaginação. Eu queria.
Você vai sentir saudade de eu te protegendo pro meu cachorro não te morder? Você vai sentir saudade da minha mamada enquanto a gente assistia TV? Você vai sentir saudade das comidinhas tão gostosas que a gente fazia juntos? Saudade do meu beijinho tímido, das nossas conversas que não tinham fim?
Foram dois finais de semana. E só.
As vezes acho que já aprendi que tem coisas na vida que são feitas pra durar só naquele momento. Às vezes acho que nunca vou aprender.
Mas é verdade que tanta gente já apareceu na minha vida me dando tanto mais do que eu merecia, e eu não consegui retribuir.
E o que me resta é aceitar que deve ter sido parecido contigo. E eu vou sentir saudade, porque foram dias lindos.
Mas as respostas foram ficando cada vez mais espaçadas, e também preciso me recordar disso. O distanciamento dia após dia, enquanto eu ainda tentava ser engraçadinha. Até que ansiedade se instaurou e começou a me dar muito medo de estar perdendo meu tempo. O tempo é a coisa mais preciosa que a gente pode dar ou tirar de alguém. E eu não achava justo ficar todo dia pensando, enquanto você, bem, eu nem sei o que você fazia tanto. Veio com a justificativa que estava muito ocupado, mas não veio com a solução. Não veio com uma alternativa do “posso te avisar quando eu tiver muito ocupado pra você não ficar esperando uma resposta”. Já veio com a negativa do “to sem tempo pra te dar atenção mesmo, e não quero que tu sinta que está colocando energia onde não tem retorno”. Ali ficou claro que você não queria mais.
Mas ainda me pego presa nos dias em que tu esteve presente. A forma que tu chegou já falando logo dos teus traumas de infância. De eu brincando com você sobre a menina feia que eu vi você beijando. De você chegando aqui com a roupa do exército porque não tinha conseguido trocar em casa antes. Da bacia cheia de pipoca que tu trouxe no nosso segundo encontro, e que deixou aqui inclusive. Da luzinha que me deu de presente, dizendo que só não trouxe mais coisas pra eu não achar esquisito. Das fotos que tu postou do meu cachorro e com meus amigos, sem vergonha de estar comigo. De você tentando puxar assunto com meus amigos, todo querido e meio sem jeito. De você achando que eu não gostava de andar de mãos dadas, mas quando descobriu que eu gostava não soltou um instante. Da gente divagando nas madrugadas, tentando achar perguntas filosóficas pra fazermos um pro outro. Do nosso sexo que encaixava, mesmo que a gente não fizesse nada de outro mundo. Do nosso banho sempre juntos. Da forma que fiquei sabendo que você falou do nosso encontro com seu amigo, falando o quanto tinha sido divertido. De você falando com sua irmãzinha no telefone, mostrando meu cachorro e as coisas fofinhas da minha casa, como se tivesse um certo orgulho por estar onde estava. De você sentado do meu ladinho, enquanto eu trabalhava, perguntando sobre tudo. E eu fazendo seu currículo e percebendo a nossa diferença de idade. Mas a verdade é que a maturidade não traz menos sofrimento. Ó eu aqui chorando agora lembrando dos nossos momentos. Não tem como eu não guardar com carinho, quando foi tão bonitinho. Talvez tenha sido eu, com essa minha mania de colocar significado em tudo. Eu vou sentir saudade. Você vai?
E é doido, que às vezes penso, que se você voltasse eu já nem iria querer mais. O que a gente poderia ter sido ficou preso naquele momento e não volta mais. Talvez essa seja a parte triste da história. A de vermos que nunca mais poderemos retomar ela porque nós já não somos mais os mesmos.











