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@comptegouttes
I don’t know if people would be so interested in diversity if it wasn’t a hashtag. It’s not a hashtag in my life. It is my life. It’s something that I know people of color talk about all the time. It’s not just a hot topic. People of color are part of the human experience, too. Art has got to reflect life or else it’s not art, it’s commerce. It’s filtered, watered down kind of art. What I want to see is the truth.
“Jazz is a white term to define black people. My music is black classical music.” — Nina Simone
por @gudim_public #gudim https://www.instagram.com/p/CC1GjOxlm6x/?igshid=1tlh7288tvo9m
Pierrot le Fou (1965) dir. Jean-Luc Godard
DONNA SUMMER ALBUM COVERS
20 de julho: uma ansiosa durante a pandemia.
Ja faz quase um mes depois da minha ultima aparicao por aqui e eu nao sei muito bem o que dizer sobre tudo o que tem acontecido. Muitos foram os altos e baixos durante esse periodo, sobreviver a pandemia e algo dificil pra quem sofre de ansiedade e tenho sido movida em diferentes direcoes.
Ja entrei em conflito com meus roomies, discutimos, critiquei a conduta deles e as decisoes diante do confinamento. Fiquei, muitas vezes descrente diante do fato de quem muitos estao saindo de casa pra coisas aparentemente desnecessarias e futeis. Mas me tornei tambem a pessoa que sai de casa, vai a praia passa uma tarde a beira mar, conversando, rindo e se abrindo a um romance (?).
Dificil dizer, especificar, o que me motivou a sair de casa naquele dia, semana passada, pra ser exata. Me senti num estado de estresse, irritabilidade... deprimindo dentro das minhas quatro paredes. Nao aguento mais minhas quatro paredes, mesmo sendo bastante grata por te-las e nao estar em um hospital sendo grata por um respirador.
Parece que este ano estou vivendo o - poderia se pior, mas ao menos voce esta viva. Dentro das minhas quatro paredes, mas estou. E eu sigo sem saber como me sentir. Como reagir e o que esperar dos proximos dias, das proximas semanas.
Eu continuo contando os dias sem saber quando isso tudo vai acabar.
E isso e a quase morte pra quem sofre de ansiedade.
Tomo meus remedios, leio livros, assisto series, pratico atividades fisicas, converso com amigos, mas algo falta.
Eu preencho essa falta, o vazio, de diversas maneiras. Me sinto improdutiva, me sinto uma fraude, uma mentira. Eu nao consigo descansar e nem me dar descanso. Me condeno continuamente, me cobro mais do que qualquer pessoa se cobraria.
alexandre vauthier fall 2020 couture
naomi campbell and kate moss, 1993.
28 de junho: pendências
Tenho tantas pendências que não sei por onde começar.
Queria me organizar, ter a mesma energia de anos atrás. Em alguma parte do caminnho, entre 2018 e 2020, eu me perdi.
Me desestimulei, mesmo sabendo que os resultados que desejo alcançar dependem diretamente das escolhas que faço hoje. E eu, ”no meio da pandemia”, tenho escolhido constantemente procrastinar, postergar e acumular obrigações.
Preciso retornar ao eixo.
Voltar minimamente ao que eu fui um dia.
Usar minha persistência pra isso.
Ganhei peso e isso me preocupa, me faz ter medo de perder o controle de mim. Medo de voltar a ser quem eu já fui, por que eu não quero mais aquele lugar.
Comer me faz bem e me faz mal. Minha relação com a comida sempre foi de dependência emocional, um vício que eu não posso evitarr a primeira mordida, colherada, garfada, fatia. Não posso viver sem comer, embora as vezes e deseje isso profundamente.
Eu preciso resolver minhas pendências.
Não acho que a pandemia “vai passar logo”, que “em breve tudo voltará ao normal”. O que acontece hoje já foi normalizado, as pessoas não se importam com quemm morre ou perde algué. Não existe empatia.
Eu preciso resolver minhas pendências.
20 de junho: ainda sobre leitura.
É muito difícil, as vezes, ler e interpretar as coisas. Exige mais do que a simples observação do que está escrito, posto, apresentado. A leitura, pra ser completa, a meu ver, requer um exercício de aceitação da informação que foi passada.
Por exemplo, muitas vezes somos criticados, avaliados e não concordamos com o que é dito. Isso, por que aquela “verdade”, dita pelo outro, não condiz com a leitura que nós fazemosde nós mesmos. No geral, o instinto é tomar o que foi dito sobre nós como uma agressão, uma mentira, exagero de quem diz aquilo. Passa de tudo pela nossa cabeça, principalmente a ideia de que quem diz o que diz quer somente nos ofender, seja motivado por inveja ou não.
Mas nem tudo é sobre isto, inveja, sabe? Acontece, e eu custeia aprender, que pode ser uma leitura que alguém faz a partir de sinais que damos sem ter consciência de que fazemos aquilo.
Por isso a negação em tomar o que o outro diz sobre nós como uma simples possibilidade, não digo nem como verdade “real”, comoum fato. Daí o conflito, o desconforto, o desentendimento que muitas vezes se transforma em mal estar e distanciamento.
Raras as vezes isso se transforma em autoanálise. Olhar para dentro e fazer uma leitura de si mesmo desperta coisas que nem sabemos que existem, é uma das leituras mais difíceis. Mas, depois de todo desconforto, uma das mais prazerosas e com melhores aprendizados.
Em outras situações, a gente interpreta sinais dados pelos outros e, com a soma de todos os “ditos”, a interpretação final chega. Me surpreende, muitas vezes, como consigo interpretar os sinais dados pelas pessoas, como consigo lê-las bem. Gostaria, de nesses casos, não ser uma boa leitora.
É umaposição meio solitária e conflitante.
Isso porque muitas vezes, quando o outro expõe algumas decisões ou posisionamentos, pra mim não há mais novidade naquilo. Eu já imaginava, previa, que em algum momento aquilo aconteceria. E quando não acontece me irrita, vejo a pessoa como uma mentira, uma farsa.
Ler bem as vezes é antecipar e não poder interferir.
As pessoas levam individualmente o próprio tempo para ruminar e digerir suas próprias questões e eu, mesmo tendo lido compreeendido em momento anterior, não tenho o direito, muito menos o dever, de antecipar conclusões que cada um precisa fazer sobre si. Por esse motivo as vezes pareço indiferente aos desabafos de amigos próximos, ou até familiares.
As pessoas me vêem como muito racional, equilibrada, ponderada etc. Mas nem sempre foi assim, toda leitura pede silêncio e recolhimento pra que se chegue a uma interpretação. E por ser, em essência, muito silenciosa e solitária, observo coisas no detalhe, e leio melhor algumas situações.
Eu gosto do meu recolhimento, da minha “solidão”.
Por isso ler bem, livros ou pessoas, pode ser uma benção ou maldição. As pessoas acham que estão escondidas, discretas, passando sem serem percebidas. Mas sempre existe alguem que, da mesma maneira que eu, está captando os sinais mais imperceptíiveis e construindo uma interpretação razoável para a leitura.
Ler é um ato contínuo. Quando descobrimos essa habilidade, desenvolvemos ela em conjunto com outras, tudo faz mais sentido.
Monemvasia, Greece (by Kostas Morphy)