É engraçado como a gente amadurece e a forma como aprende a gostar também. Não sobra tanta paciência para a impaciência de quem só quer amor e protagonismo na vida de alguém. A gente divide o ato de conhecer alguém com a rotina pesada da vida adulta, onde o tempo é curto e o coração, às vezes, cansado.
Em um momento, mais novo, a gente sofre achando que encontrou o amor da vida, mas não foi recíproco. No outro, mais amadurecido, a preocupação é com a própria vida, permitindo que alguém que não quer ser protagonista, mas deseja caminhar ao lado entre na história.
Em outra linha do tempo, esse seria um amor para gritar ao mundo, deixar emoções livres, sem pés firmes demais no chão.
Mas esse envolvimento mais racional é bonito de viver porque traz a lucidez de que “não gosto de você por alguma ausência que eu tenha, gosto de como você compõe parte da minha vida completa.”
É difícil amadurecer e reconhecer isso, aprender a gostar sem sentir tanto impulso, gostar de uma forma que complementa e não que completa. Por muito tempo, a gente aprendeu que afeto, amor e paixão são sentimentos que vêm para quebrar estruturas emocionais e só são válidos quando são assim.
Mas talvez o amor verdadeiro seja aquele que reforça, que constrói, que sustenta e que permanece, e não o que explode, destrói ou deixa marcas. Amar pode ser um ato silencioso, cotidiano, cheio de escolhas conscientes, não apenas de emoções arrebatadoras.

















