Quero confessar algo, por algumas vezes me sinto muito sozinho. Parece que eu vou enlouquecer. Melhor, parece que eu enlouqueci. O que na verdade é difícil de dizer, visto que eu posso ter enlouquecido e, assim sendo, tenho quase certeza que não notaria que isso aconteceu. Hmm. Nesse caso, se você reparar alguma coisa me avise.
Não era bem isso. O que queria dizer era um pouco mais dramático e profundo. Bem, talvez só dramático. Não consigo ser profundo, mas isso é um problema físico, pessoal, e não é da conta de ninguém. Digamos que eu consigo mergulhar mas vou até onde da pé. Enfim, tem muita coisa em jogo nessa questão e não acho que é legal ficar julgando as pessoas. Eu me esforço.
Desculpe. Retomando, era algo sobre enlouquecer e estar sozinho. Tenho estado sozinho muito constantemente ultimamente. Poderia escrever raramente que também iria ajudar a causar esse efeito sonoro, quase uma cacofonia, na leitura por causa do sufixo das últimas palavras da frase ser "mente". Porém seria mentira, considerando que tem acontecido frequentemente.
Tem acontecido de eu me pegar imaginando coisas. Eu sei o que vocês devem estar pensando - Ah! Mas imaginar coisas é normal. Todos imaginamos coisas. - Bom, gostaria de dizer que se vocês imaginam coisas como as que eu imagino recomendo muito que procurem um médico, uma ajuda, um padre, procurem sair de casa. Nitidamente vocês tem problemas, e é quase certo que vocês são um pouco idiotas.
Eu fico imaginando quadros hipotéticos, localizados no futuro, relacionados com pessoas do passado, com diálogos que não importa o espaço temporal que sejam colocados, certamente não fariam sentido. Pelo menos não nessa dimensão.
Isso é um pouco triste. No mínimo indica que não tenho criatividade para imaginar umas pessoas novas. Talvez possa ser um reflexo de possíveis assuntos inacabados na vida, embora se fosse esse o caso provavelmente divagaria muito sobre a minha mesa, há várias coisas inacabadas lá. Algumas refeições inclusive.
Sétimo parágrafo, decidi que em hipótese alguma esse texto vai acabar de maneira ortodoxa. Mentira. Se por ventura isto vir a acontecer é bem pouco provável que tenha sido planejado de antemão.
Não tenho certeza se posso considerar o último parágrafo como um parágrafo, mas certamente o público leitor nesse ponto já está ambientado com o tipo de escrita e, já que passamos algum tempo juntos, podemos nos considerar um pouco íntimos, então acredito que podemos deixar isso aqui entre nós, sem formalidades, não é?
Gostaria de confessar que quando peguei minha pena esta manhã para escrever isto, digo, quando peguei minha pena para escrever algo completamente diferente disto, minha intenção era justamente esta: escrever algo completamente diferente disto.
Falhei miseravelmente, como podemos verificar.
Gostaria também de agradecer a todos que estiveram juntos comigo até agora, lendo este pequeno texto.
Nesse exato momento as coisas começaram a ficar um pouco estranhas pois tenho quase certeza que não há ninguém comigo. Isso me deixa de certa forma um pouco reconfortado, pois não estou usando a minha melhor roupa de baixo, pra ser honesto, não estou usando nem mesmo a minha oitava melhor roupa de baixo.
Caso alguém queira sair do esconderijo, agora é uma boa hora.
Tudo bem, tudo bem, mas sei que estão ai.
Eu espero que estejam usando boas roupas de baixo quando estas palavras começarem a existir para vocês, de qualquer forma vou evitar ficar olhando muito.
Se puderem me dar licença, vou ali vestir calças e depois escrever algo sério e muito existencialista.