A Mecanização do Ensino
Muitas pessoas não sabem a verdadeira história sobre o atual modelo de educação presentes nas escolas atualmente. Por isso, uma breve introdução:
A sociedade, após o surgimento do capitalismo, começou a separar as pessoas entre ricos e pobres, gerando, assim, classes sociais, as quais eram determinadas pelo poder aquisitivo que cada uma possuía. A classe mais rica, denominada alta, tinha apreço pela arte, historia, literatura, dentre outros fatores culturais, e as mesmas tinham acesso a essa diversidade de culturas e informações. Já a classe com poder aquisitivo menor, denominada classe média, obtinha as informações sobre os tipos de cultura que faziam parte das classes altas, porém não possuíam fácil acesso à elas, que eram consideradas legítimas. Para a classe baixa, informações sobre as artes raramente chegavam, visto que eram completamente marginalizados.
A partir desse cenário, Frances, um filósofo francês, cria uma espécie de escola para expandir os horizontes em relação à cultura, visando que a classe mais alta ficasse mais rica intelectualmente. No entanto, essa escola se expande, o que ocasiona a mistura de diversos tipos de classes em apenas um ambiente, para melhor absorção de ideias e pensamentos que seriam transmitidos, na teoria, de forma democrática; o mesmo imaginou que deveria haver uma figura de autoridade impondo regras e passando informações aos julgados “leigos”, gerando uma situação de hierarquia e esse é o modelo de escola que se perpetua nos dias de hoje.
Tendo em vista tal modelo de escolas, podemos destacar duas perspectivas diferentes de dois sociólogos contemporâneos: Pierre Bordieu e Michel Foucault. Bordieu aponta a educação, dentro da sociedade capitalista, como reprodutora de desigualdades, que sustenta relações hierarquizadas advindas de posições e privilégio ou desprivilegio. Para ele, para atingir altos patamares da hierarquia era necessária uma grande quantidade de capitais acumulados, fossem esses culturais, sociais ou econômicos. No fim das contas, todavia, o cultural e o social estavam submetidos à influencia da questão econômica.
Já Foucault diz que a escola é um ambiente de disciplinarização, com regras a serem seguidas, como no exército, nos hospitais etc, que acaba produzindo pessoas sujeitas à influência de mecanismos de normatização. É nesse momento que os indivíduos se separam em dois grupos: normais (que são facilmente disciplinadas) e os anormais (que não se encaixam no modelo de disciplinarização). Quando constatados anormais, são tratando como causadores de desordem social. Tal estratégia se deu quando o Estado passou a ter a função de ente educador. Sua aliança com a medicina e a pedagogia tornou a escola um ambiente com a finalidade de preparar as crianças e adolescentes para serem, quando adultos, trabalhadores esclarecidos, autônomos, sustentando a divisão hierárquica a sociedade, onde também se manifestam os micro-poderes. Para ele a escola se apresenta como censuradora do conhecimento, de modo que a moralização imposta pela classe dominante nos priva do conhecimento pleno.
É possível relacionar as duas perspectivas apontadas, pois enquanto Foucault apresenta as suas concepções sobre a instituição escolar em si e a influência sobre os indivíduos, Bourdieu enfatiza suas ideias sobre os reflexos que a educação, por sua vez transmitida no ambiente apontado por Foucault, provoca nas pessoas.
















