Cartinha para Paquetá
Pediram-me que escrevesse para o Papai Noel, mas resolvi escrever para um amor. (Espero que o velhinho não fique tão chateado comigo.) Paquetá, A senhora que já assistiu às batalhas que resultaram na fundação da cidade do Rio de Janeiro. Já foi lar do Patriarca da Independência. Palco de poeta romancista, de novela. Foi apelidada de "ilha dos amores" por ninguém menos que o rei português D. João VI que, Além de amar-te, agraciava-te com sua real presença. É tão bela, tão forte, tão pérola no coração da tão formosa Guanabara. Por favor, Peço-lhe que receba as palavras deste pequeno menino apaixonado, Que afirma com toda certeza: Nada, Nada se compara aos meus olhos passeando por seu pequeno litoral até a igrejinha em frente ao cais das barcas. Nada se compara ao seu ar puro, inocente, refrescante, seguro. Nada se compara à lembrança de seus filhos equinos, que por tanto tempo conduziram suas saudosas charretes (os cavalinhos hoje têm merecido descanso). Nada se compara ao prazer de meus pés pequenos tocando suas ruas de terra batida. Nada se compara à sua beleza que floresce em seus flamboyants, e seu baobá (Maria Gorda para os íntimos). Nada se compara ao banho em suas águas que mesmo sob às intempéries humanas, renova não só corpo, mas alma. (Perdoe-me a bela Moreninha, mas, Imbuca, você é minha favorita). Nada se compara aos abraços que recebi de vovó nos Janeiros e Fevereiros de minha tão breve existência. (Todos em seus braços, devo dizer). Minha infância é a senhora, Paquetá. Memória impressa, viva. Revivo, vivo, renasço e nasço com a senhora. E hei de fazê-lo até o fim. Obrigado, Posso dizer de peito aberto: Obrigado por fazer deste menino, um homem mais feliz.
Assinado: V.













