This is the best image ever taken of the star cluster NGC 3572, a group of young stars, and its surrounding environment.
[Image Credit ESO/G. Beccari]
Um grande e incrível nascimento grupal de estrelas foi captado (leia a notícia para entender melhor). É um novo começo para uma nova jornada estelar. Não saberia explicar se não fosse com palavras, se não fosse com letras, uma atrás da outra. Sinto-me pesada, densa. Sinto-me como se tudo, ao mesmo tempo, explodisse — e ainda assim nada nascesse disso. Mas sei que pode nascer.
Talvez não lhe importe, leitor, o que eu sinta. Talvez não faça a mínima diferença. Portanto, peço que feche esta página e siga sua vida, pois não tem obrigação alguma de saber como me sinto. Ninguém tem. Mas, caso importe, continue.
O que tenho a dizer é que uma nova jornada estelar começou. Aqui será meu recomeço: aqui, nas letras, em público mesmo. Aqui. Apenas aqui. Pode parecer confuso, pode parecer, num primeiro momento, uma bagunça sem fim. Mas, conforme você, leitor, continuar tentando entender, perceberá que sou muito complexa. Como você.
Você também é complexo. Você também é um cálculo — sem resolução alguma, sem fórmula alguma. Não nascemos com manuais de instrução; espero que saiba disso. Gostaria de despejar todas as minhas amarguras, mas não posso. Não de forma legível. Não como gostaria.
Quero mesmo que todos possam entender, digo, quero que você, leitor corajoso, seja capaz de entender. Que pudesse, de alguma forma, ler isto com minha própria voz, no meu próprio ritmo, e ir digerindo aos poucos.
Vou colocar aqui algumas poesias e contos, coisas talvez sem sentido num primeiro momento, mas a necessidade de escrever e de tornar isto visível nasceu hoje. Com a NGC 3572.
Leia a notícia.
Houve um nascimento grupal. Ponto. Sem vírgula. Houve o nascimento de estrelas em grupo. Hoje, uma explosão, e lá, lá elas nasceram. E isso foi captado pelas rápidas e incríveis câmeras (por isso amo as câmeras) do planeta. Eu sou um grupo, um agrupamento. Você também é, leitor corajoso — um agrupamento de sentimentos, pensamentos, intuições e vísceras. Um agrupamento de órgãos vitais. Ou nem tão vitais assim. Você continua sendo um grande e imenso aglomerado de muitas coisas.
Houve, então, uma estrutura estranha. É assim que me sinto após essa explosão. Ninguém sabe — astrônomo nenhum, muito menos eu — o que se formou após esse fenômeno. Eu, que estudo tanto astronomia, não sei o que aconteceu. Fugiu do controle. E caos! Explosões! Algo diferente aconteceu.
Irmãs, mas não gêmeas. Somos todos irmãos. Sentimos os mesmos sentimentos: medo, tristeza, alegria, espanto, repulsa, resignação, dissimulação, culpa, ciúmes, vergonha, raiva, surpresa. Temos todos emoções primárias — resultado de reações fisiológicas (e óbvias) — e secundárias. Ainda assim, perceba: não nos tornamos iguais. Até gêmeos, criados no mesmo ambiente, sentem em intensidades diferentes. É nisso que vou focar meus textos, nas minhas intensidades.
Como você se sente, explodindo?
Como se sente sem estrutura, sem bases?
Como se sente sendo igual — mas diferente?
Consegue imaginar isso? Consegue pensar nessa possibilidade? Parabéns, se consegue, leitor criativo. Parabéns se você consegue expressar coisas humanas como empatia. Parabéns mesmo.
Eu diria que este texto foi escrito sem ter sido pensado em nenhum momento, e que talvez esteja confuso. Mas isso é parte do que sou: um caos.
“O curso de vida de uma estrela é determinado em grande parte pela sua massa; por isso, um determinado enxame conterá estrelas em várias fases das suas vidas."
Vamos ver nossas massas. Vamos descobrir nossas fases. Vamos. Apenas vamos. E espero que você esteja aí — atento a tantas mudanças.
Finalmente, o cosmia. nasceu.
E nasceu na hora em que deveria nascer: junto com uma explosão de outras tantas estrelas. Cosmia. agora existe. E se faz visível.
[Originalmente publicado em 17 de novembro de 2013]