Twin Galaxies in Virgo
[Image Credit: CHART32 Team, Processing - Johannes Schedler]
Talvez não fosse para ser assim, mas foi. Vi-me ali, e ele, em mim.
Como galáxias gêmeas. Como duas galáxias espirais interagindo entre si antes da colisão.
Colidimos, meu querido! Colidimos!
Foi uma descoberta recente. Ele era meu animus. E, com sua força (que força!), foi submetendo-me à sua presença — inestimável presença —, procurando fusão. A ponto de que eu já não saberia em que ponto ele estaria sendo ele, sendo eu. Sabe-se lá. Estava ali.
Quando me enxergava, via sua sombra logo atrás.
Galáxias gêmeas costumam colidir e fundir-se. Elas se submetem à colisão. Mas o que restaria desse processo? Que galáxia, então, seria? Não mais a primeira, nem sequer a segunda. O que seria essa terceira?
Não estou disposta a perder-me dentro de ti,
não sabendo quem és.
Talvez retornar à atividade que me traz a maior completude seja o caminho do afastamento: preencher-me de estrelas até que, dentro de mim, não haja interesse — nem motivo — para submissão.
Uma das duas galáxias precisa recuar para continuar existindo.
Se não tu, serei eu.
[Originalmente publicado em 05 de Fevereiro de 2019]