William Brickel, A Restless Encounter, 2019
Watercolor laid on board, 15.7 x 11.8 in
William Brickel (British, 1994)
i don't do bad sauce passes
No title available
Misplaced Lens Cap
occasionally subtle
Alisa U Zemlji Chuda
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
One Nice Bug Per Day
TVSTRANGERTHINGS
Monterey Bay Aquarium
cherry valley forever

No title available
YOU ARE THE REASON
Jules of Nature
Peter Solarz

ellievsbear
No title available
DEAR READER
trying on a metaphor
ojovivo

Kaledo Art
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from Pakistan
seen from United States

seen from Pakistan
seen from United States
seen from United States

seen from T1

seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States

seen from Malaysia
@crueis
William Brickel, A Restless Encounter, 2019
Watercolor laid on board, 15.7 x 11.8 in
William Brickel (British, 1994)
the last apparition / acrylic in sketchbook
para amar é preciso ter dentes fortes
meu avô disse entre uma garfada e outra. não sei exatamente se ele disse isso ou se escutei com meus ouvidos de escritora: inventivos. acho que misturei as palavras com as cebolas, hálitos, gotículas de saliva voando e um vendaval na minha cabeça. mas agora faz sentido quando acordo com gosto de sangue fresco na boca. aperto com força a vontade feroz de ser menos bicho, mais gente. de amar com tudo o que eu tenho e depois nunca mais. nunca entendi sobre o meio termo, neutralidades, equilíbrios contínuos. ou me lanço no impulso da vida
ou adormeço em desesperança.
e não me orgulho disso.
eu sinto saudades específicas. a forma como o amor de alguém entranhava na minha carne. como eu parecia ferver então só me restava suar. não pra expulsar, mas pra refrescar e recomeçar o ciclo. um amor como o inferno mais bonito que eu pude conhecer. é claro que vivi outros, muitos outros, mas não valem o verbo (não aqui)
o tom de voz mas também o gosto da língua. depois da cerveja do vinho da água do gurjão de peixe com limão que importa. o amor como a receita mais gostosa. você vai achar que tô inventando, mas não.
eu sinto falta não de ser fodida, porque é fácil. eu sinto falta de ser refeita. de ter minha pele reconstruída pelo desejo de alguém. de chorar na ida não porque tenho medo da volta e sim porque a distância não parece ter outro sentido a não ser a derrota, provisória, da paz
eu sinto falta do descanso. de ouvir e sentir outra respiração constante nas costas. de acordar pra ir ao banheiro e ter que se libertar de braços e pernas e lençóis e preguiças porque o seu amor é como um cachecol que esquenta sonhos em noites ainda mais quentes. tão quentes. queimando.
eu sinto falta de quando tropeçava na sede na fome na ânsia que alguém tinha de mim. só de mim. como se eu fosse preciosidade. e você vai chamar de egoísmo, mas é. é egoísmo e eu não ligo de ser. eu não ligo de querer tudo de bom pra mim. eu deveria querer tudo de bom pra mim. e o seu amor precisa ser tudo de bom pra mim. então o meu vai ser tudo de bom pra você. porque deve. porque precisa. ainda que amar não seja sobre ser feliz
saudade de te dizer que amar nunca vai ser sobre ser feliz. sempre sobre ser melhor. ser melhor que ontem. eu sinto saudade do jeito que você me fazia ser melhor que ontem. das coisas que eu pensava pra te dizer e te fazer ser melhor que ontem. de quando a gente deitava e se olhava pra se convencer.
de que era gostoso. de que éramos bons. que estávamos melhores e mais fortes. que éramos felizes. que encaixávamos bem. que o nosso gosto na boca do outro era como alguém que viajou durante muito tempo e resolveu voltar pra casa.
a gente se olhando pra se repetir tudo isso e pra acreditar nisso tudo. eu sinto saudade. e eu sinto saudade mais porque fracassamos, sabe?
e eu faria tudo de novo. tudo. inclusive fracassar.
Ao meu amigo Vinicius, a leitura de um de meus poemas favoritos de Federico Garcia Lorca.
Que saudade desse guri.
por @jjal • @jjal.grim
por bennê oliveira @Bennearte
instagram.com/leve.mente.insana
por marcos fill
instagram.com/marcosfill
“Desorden. Confusión. Fervor por la literatura cuando es de día. Pero de noche desesperación infantil, abandono, orfandad. De noche me pregunto qué me puede importar a mí la literatura si lo que yo quiero es que X. esté a mi lado.”
— Alejandra Pizarnik. Diarios. 1963. (via el-jujeniodeletras)
eu sempre bato à sua porta com toda a delicadeza que nosso amor exige, desrespeitando todo o desespero que existe no meu peito quando te sinto perto.
eu sempre tento respeitar um espaço que sei que não é mais meu, mas a fúria de não te ter mais não é afável e minha saudade não é mansa.
eu não sei lidar com tudo aquilo que restou da tua partida.
eu não consigo colocar as coisas no lugar.
eu não consigo te pedir pra ficar,
mas não posso te deixar ir.
Please, Please, Please, Let Me Get What I Want
por @ltg-blog
“A memória é também uma estátua de argila. O vento passa e leva-lhe, pouco a pouco, partículas, grãos, cristais. A chuva amolece as feições, faz descair os membros, reduz o pescoço. Em cada minuto, o que era deixou de ser, e da estátua não restaria mais do que um vulto informe, uma pasta primária, se também em cada minuto não fôssemos restaurando, de memória, a memória. A estátua vai manter-se de pé, não é a mesma, mas não é outra, como o ser vivo é, em cada momento, outro e o mesmo.”
José Saramago, Cadernos de Lanzarote - Diário I
Se isto fosse uma mentira, se a minha dor fosse o centro de uma encenação, como eu te contaria? Como narrar, descrever ou, ainda mais temerosamente, falar daquilo que não sei? Como suportar o estranho impulso, a curiosa desgraça que minhas memórias carregam – isto é, a possibilidade de que não sejam de fato memórias que guardo, mas que crio? Veja, não é ridículo todo o transtorno que comovo, esse embaraço engendrado e ilocalizável? Não é ridículo que minhas palavras não tenham rumo e não digam nada, absolutamente nada? Não é ridículo que as minhas sensações, e as memórias que falo – e as que não ouso falar – tenham sido tão difíceis de conceber, de aceitar e resistir, e que agora eu relate justamente o medo de que não há verdade alguma em mim para ser dita? Não é ridículo?
V.
“Escrevo, triste, no quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se, a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha no destino quotidiano ao sonho inútil, à esperança sem vestígios.”
— Livro do desassossego, Bernardo Soares.
Sou muito cauteloso
e me preocupo pelas pontas soltas.
Mas também tenho lugares
onde não soube dar nós.
Sempre que escapo por pouco
penso nos cuidados que não tomei
por um luxo, um lanche, não sei…
Dessa vez estou a salvo,
mas me mantenho de olho aberto
porque estou certo
de que o futuro será incerto
enquanto estivermos vivos.