RESENHA ERA PRA SER EU NO VESTIDO BRANCO, GABI CAVALCANTI
O ebook disponível no KU e com um precinho bem em conta é um ótimo pedido para uma leitura leve, curta e divertida. Mas, mesmo tendo menos de 50 páginas, esse conto consegue emocionar e fazer refletir sobre muitos assuntos da vida de um jovem adulto em crise.
Em resumo: a história da Maria é curtinha e cativante.
É totalmente o tipo de história que uns 80% da população na casa dos 20/30 consegue se identificar, tendo ou não, levado um pé na bunda recente.
A pobre protagonista consegue elevar completamente a tradicional crise pós 20 e pré 30 indo ao casamento do ex-namorado. E se o fato de ela não sentir que superou o pé na bunda já não fosse o suficiente, a festa cheia de convidados que sabem da história, a noiva ser justamente a namorada depois dela e o fato de não ter trocado uma palavra com o dito cujo desde o término completam o caos armado.
E claro, ela ainda conseguiu pegar o buquê!
No geral, é um conto maravilhoso. Tem um toque leve e eu gostei muito de como a sensação de não estar fazendo o suficiente, de não conseguir a vida que imaginava que teria e de estar para trás de alguém foi retratada.
É possível tanto sentir a bagunça em que Maria se encontra no início quanto sua evolução no decorrer dos acontecimentos. Sua forma de ver o mundo e a si mesma vai mudando a cada acontecimento e, conforme ela vai pondo para fora sua história, ela consegue perceber quem realmente é, qual o seu papel ali e como se sente de verdade.
Parte da história ela fica presa na sensação de insuficiência. Ela foi ao casamento para provar uma coisa aos outros sem se importar em como ficaria no evento e, ao perceber que não conseguiu mostrar o que queria — afinal, é impossível transparecer algo que não se é ou está sentindo —, ela se frustra e se fecha ainda mais.
Maria não quer ser a ex amargurada porque acha que não tem direito de se sentir daquele jeito.
Ela acredita que, se não superou, é culpa puramente sua e que não tem direito de se sentir incomodada com a felicidade alheia.
É bonito ver como ela aprende a identificar o que está sentindo de verdade e perceber que se permitir sentir é o caminho para superar.
Em um mundo cheio de “seja aquela garota” e “você não está se esforçando o suficiente”, Maria é um exemplo de que, o desmoronamento de algo que acreditávamos ser impossível de perder, não é o fim do mundo, mas sim uma oportunidade de descobrir novos horizontes e se redescobrir.
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Se você chegou até aqui, eu fico muito feliz e espero que tenha gostado da resenha!
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