Frisson é uma palavra francesa que tem por significado próximo “sensação de prazer intenso, felicidade em demasia, sentir como se fosse flutuar”, e, naquele momento, Lauren precisara recorrer ao dicionário francês para definir como sentia-se ao estar naquela situação. Renee, que acabara de apresentar-se a ela tão rápido quanto escapara de sua abordagem extremamente invasiva parecia prestes a entrar em colapso a qualquer momento, tamanha a timidez. Obviamente, não desencorajava Lauren, pelo contrário, estimulara ainda mais a garota. Assumira agora a posição que antes pertencera a Renee, recostada a parede, com ambas os braços cruzados. Enquanto os olhos não hesitavam em, curiosamente, avalia-la da cabeça aos pés. “Você tem toda razão. Está quente como o inferno aqui dentro, e você sequer bebe algo, vai desidratar desse jeito”. As feições da garota levaram Lauren a crer que a mesma havia concordado, então, sem hesitar pegara em uma das mãos de Renee, tomando-a por imensa surpresa. Alguns murmúrios de dubiedade e inquietação eram ouvidos por Lauren, que ignorara cada um deles, tentando abrir caminho entre a multidão para buscar a saída.
Por mais que houvesse desfrutado do toque tenro que possuía a mão de Renee na sua, Lauren estava agora aliviada por não precisar mais arrastar a garota por entre a multidão aglomerada e também por não ouvir mais suas reclamações incessantes. Haviam, enfim, alcançado o final da infinidade de adolescentes e livrado-se do ar embargado. “Muito melhor, não? Suas roupas parecem até mais apropriadas aqui fora”. Seus lábios curvaram-se em um sorriso enquanto dizia as palavras, voltando a fitar as reações da garota, que, a este ponto, parecia infinitamente mais confortável e relaxada enquanto caminhavam lado a lado pelo e úmido caminho de paralelos que levava ao majestoso campo de futebol de Dankworth. Ao fundo, o som da música e das risadas dissipava até se tornar um balbucio, abafado pelo barulho dos galhos e folhas de árvores que cercaram todo o campus, sendo balançados pelo vento. Entretanto, entre ambas as garotas, prevalecera o silêncio durante o percurso que levaria-as até as arquibancadas que cercavam todo o complexo esportivo. Não era incômodo, refletira Lauren, após alguns minutos, apreciara a companhia da garota e apreciou ainda mais o fato de não precisarem de palavras para comunicar-se. “A propósito, sou Lauren Dalgaard”. A loira quebrara o silêncio ao lembra-se da indelicadeza de não ter se apresentado. Costumava ser bastante distraída e as doses de álcool contribuíram para piorar.
Finalmente alcançaram os primeiros degraus das arquibancadas e Lauren correra na frente, subindo até o ponto mais alto, que permitia uma vista estonteante da maior parte do perímetro escolar. Aquele era um dos seus lugares favoritos quando precisava fugir do dormitório e respirar um pouco de ar fresco durante a noite. Dali era possível ver parte do imponente prédio da escola e também as águas calmas do lago que ficava no limite entre a propriedade e o bosque. Alguns segundos depois, a garota fora interrompida de seus pensamentos por uma ofegante Renee, que sentara em silêncio ao seu lado. “Ela provavelmente nunca esteve fora do dormitório após o toque de recolher”. Lauren deixara escapar uma audível risada que acompanhara seu pensamento, o que fez a outra garota revirar os olhos, como se houvesse adivinhado o que pensara. A expectativa do que estava prestes a acontecer deixara Dalgaard tremendo de exaltação. Seria agora, tudo estava perfeito e ela já podia ver-se contando a Rabastan sobre o que acontecera. Aproximou-se de Renee o suficiente para apoiar um dos braços no encosto da arquibancada e pode notar a tensão quase palpável da garota, que sequer sustentava seu olhar por mais que alguns segundos. “Morango ou cereja?” Referia-se ao sabor do discreto brilho labial que cobria os lábios da garota, fazendo as bochechas da mesma arderem em tom carmim. Àquela altura, Lauren inclinara-se o suficiente para que seus lábios estivessem a poucos centímetros dos de Renee. “Eu tenho um paladar bastante apurado, poderia descobrir em poucos minutos”. Sibilara, baixo o suficiente para que somente ambas ouvissem.