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@vaitomarnorabas
Survival of the richest, the city's ours until the fall They're Monaco and Hamptons bound but we don't feel like outsiders at all
◥◣ a Wöfflin-Merandus spin-off ◥◣
Hey, little girl Look what you've done You've gone and stole my heart and made it your own
◥◣ an Wöfflin’s early life point of view ◥◣
O coração de Bridget batia forte como no dia que dera a luz à Veridiana. De fato, era como se ela própria estivesse sentindo as ansiedades, dores e angústias da amiga que já estava há algumas horas dentro do quarto. Descendo alguns lances de escada, a morena encontrava membros da grande família da quais ela e Mina agora faziam parte. Louis estava num canto, com uma carranca que ninguém ousava contrariar, e vários parentes tentavam ignorar a situação, aproveitando o uísque que era servido por empregados especializados, obviamente contratados por Sebastian. Bridget sorriu para si mesma, só então se dirigindo ao futuro papai, colocando o copo cheio pela metade com scotch legítimo na frente do moreno. “Eu sei, soldado. Você não bebe, mas são ordens da Mina. Ela sabia que você estaria aqui, com exatamente essa cara e me mandou te dizer que está tudo bem.” Louis meramente assentiu às palavras da morena ------ o alemão, tão diferente inicialmente, ainda parecia estranho se pronunciado pelos lábios da americana ------, mas não antes de dirigir um olhar que, Bridget sabia, poderia ser interpretado como cansado por alguém que olhasse com mais cuidado para a linguagem corporal do então capitão Wöfflin. Haviam sido dias difíceis, e o trabalho de parto demorara para realmente acontecer ------ ainda àquela hora, Mina não apresentava o grau de dilatação desejável. Com sorte, o próximo Wöfflin nasceria em poucas horas, quando a nevasca cessasse. O nascimento de um novo integrante na família tinha sido capaz de reunir grande parte dos parentes mais próximos ------ o que não significava pouco, se Bridget fosse completamente sincera. Olhando de um lado para o outro do grande hall da mansão de seu marido, e, curiosamente, pai de Louis, não conseguiu conter o sorriso quando o olhar carinhoso foi parar justamente na própria filha, que mais parecia uma princesinha no colo de Sebastian, dirigindo-se a eles dois tão logo pôde tomar um copo de scotch para si mesma, já que não podia fazer mais nada pelo papai em questão; o objetivo que Mina a impusera já havia sido cumprido, e agora bastava esperar, e, ainda que fosse impaciente com aquele tipo de situação, uma vez que tudo ao seu redor inspirava cuidados, simplesmente sabia que a amiga passaria por aquilo tudo, e depois riria ------ típico de Whilhelmina, se o moreno que se casara com a médica pudesse concluir o pensamento da Darcy.
Se Bridget fosse capaz de ignorar seus anseios e nervosismo pela amiga, ela acharia engraçada a situação em que as duas se encontravam. Viera de um lugar relativamente simples, e tanto ela quanto Whilhelmina participaram de uma seleção maluca pela mão do herdeiro de um magnata em especial nos Estados Unidos, surpreendentemente acabando casadas com membros de algo parecido com uma família real suíça, ainda que o país não ousasse usar aquela nomenclatura nobiliárquica para com os Wöfflin ------ o povo suíço jamais admitiria que aquela família era uma das mais importantes dentre o rol de riquezas e poder político que possuíam ---, da qual agora elas orgulhosamente proviam os herdeiros. Elas haviam passado por tantas coisas juntas e sabiam que passariam por tantas coisas mais, seja lá o que a vida lhes trouxesse; sabiam que tinham uma a outra, e, ao olhar para toda aquela gente espalhada pela sala, a morena sabia que as duas agora contavam com todas aquelas pessoas que, apesar de serem completamente diferente entre si, eram agora uma família. Não demorou muito para que o choro alto e esganiçado enchesse as paredes dos quartos e todos os olhares do salão se voltaram para o, então, capitão, ao mesmo tempo em que sorriam aliviados.
Todos pararam o que estavam fazendo naquele mesmo instante. Rabastan, um garotinho de pouco mais de sessenta centímetros, cessou a implicância com o primo mais novo ------ Chewie, como o apelidara por não conseguir pronunciar o nome corretamente ------ assim que o pai desatou a dar passos largos e decididos em direção à escada. Os olhos escuros do moreno se arregalaram enquanto Kile tornara a chorar, agarrando-se nas roupas no primo para que ele não perseguisse o pai. Por alguns segundos, Rabastan ensaiou um choro, como se estivesse desafiando o ser alienígena que passara a chorar onde a mãe deveria estar a uma pequena disputa, mas parou tão logo a tia viera ao seu resgate, tomando tanto Kile quanto Rabas no colo assim que deixou Frederika ------ um bebê de pouco mais de um ano ------ com seu mais novo pretendente, que a aninhou da melhor forma que conseguia com toda a falta de jeito. Sebastian manteve tanto Veridiana quanto Bridget sob controle, pedindo por algum tipo de calma, mas era impossível que uma família tão dispersa e pouco dada a ordens ------ Louis era um caso à parte, especialmente quando era ele quem as dava, na maior parte do tempo ------ seguisse as diretrizes que o patriarca tão calmamente tentava impor, uma vez em que o imperativo dos Wöfflin parecia estar dado a uma pilha de nervos. Não seria Sebastian quem acalmaria todos ali presentes, e sabia muito bem disso. Mais um berro e uma risada gutural, e o moreno não foi capaz de se conter por mais tempo. Era controlado, sim, disciplinado rigorosamente, mas uma onda de satisfação e euforia o tomou, diferente de qualquer outro tipo de experiência que já tivesse passado. Nem mesmo as sessões de torturas contra os inimigos de sua pátria tiveram tanto sucesso em acalentar o coração gélido de Louis Wöfflin antes; nem mesmo o garotinho que agora tentava bater no próprio primo por conta de um chocalho. Se o moreno fosse se concentrar verdadeiramente nos sons que faziam parte da sinfonia da cacofonia na qual a mansão dos Wöfflin se tornara, poderia praticamente adivinhar que Kile e Rabastan já não estavam mais no colo de Julia, e provavelmente estariam tropeçando naquele exato momento em direção à escada, não fosse Bridget, que gritava para que tomassem cuidado.
Ignorou os próprios pensamentos, subindo as escadas com mais agilidade do que achava necessário, mas incapaz de fazer algo a respeito. Por um momento, assim que chegou à porta onde Whilhelmina deveria estar, segurando o mais novo filho deles, Louis pôde sentir o coração falhar, a garganta secar e as mãos, sempre tão decididas e ágeis, suarem de nervoso. Negou tão logo teve a oportunidade, revirando os olhos para si mesmo. Não era como se fosse um grande passo; ele sempre estivera dois à frente de qualquer um no tabuleiro. Não era como se a sua vida agora dependesse de não só uma, mais duas criaturas que poderiam feri-lo sem sequer tomarem ciência disso. Não, não era. Estava sendo um maldito emotivo, coisa que ele detestava, que não lhe trazia sequer um mísero benefício na guerra ou para proteger sua pátria ------ ou, mais importante, para suprir suas necessidades básicas para com a morte de certas pessoas. Portanto, sem mais delongas, pressionou uma das mãos sobre a maçaneta, girando-a com decisão para abrir a porta e, pela primeira vez desde que Marveille, sua irmã mais nova, morrera, o Wöfflin se viu sem palavras. Os olhos arregalados tomaram conta de uma expressão antes comedida e séria. À sua frente, junto a um grupo de elite dos melhores enfermeiros e médicos que o dinheiro poderia pagar, estava a mulher que tornara tudo possível para ele; até mesmo a própria redenção, por mais piegas e dramático que aquilo lhe soasse.
Ainda que estivesse exausta, Whilhelmina se recusara a descansar antes de poder tomar a filha ------ não um menino, como estavam esperando por conta dos exames, que pareciam falhar incessantemente, a propósito ------ nos braços, e ainda se recusava a deixar que qualquer um tomasse aquele bebê diminuto, cuja mão agora apertava seu dedo mindinho com alguma força. Um choro esganiçado, dessa vez pertencente à mais velha, tomou conta do ambiente, transmutando-se em uma risada enquanto fitava a filha, com lágrimas nos olhos. Por segundos que mais pareciam horas, Louis manteve-se no portal do quarto, incapaz de esboçar qualquer reação inteligível. Não sabia como, em questão de segundos, já estava ao lado da mulher, sem jeito de chama-la, de tirá-la do transe que o bebê parecia tê-la refém. Foi só quando a criança passou a encará-lo ------ os grandes olhos azuis gélidos, que refletiam os seus em muitos níveis ------, que a morena enfim levantou o olhar, só percebendo a presença do marido naquele momento. Ele tentou esboçar um sorriso para a morena, mas há muito já desistira de expressar qualquer ato de satisfação que não fosse um aceno de cabeça; sorrisos nunca fizeram parte das coisas que figuravam no rol de manias de Louis, e não seria agora que... “Soldado, gostaria de segurar a sua filha?” As palavras pouco cansadas e brincalhonas de Whilhelmina, sempre utilizando do apelido nada lisonjeiro que ela o dera desde o dia em que se conheceram, ancoraram-no ao chão, e, antes que o moreno pudesse perceber, ele já sentia os dedos, braços e todas as fibras de seu ser implorarem para que ele tomasse a filha nos braços ------ uma parte de seu cérebro perguntou a si mesma sobre a origem do sexo do bebê, uma vez que, como os exames diziam, deveria ser um menino.
O temido capitão Wöfflin, sempre tão astuto, sempre tão exigente e calculista, tão frio e sádico, tremeu naquele momento, tomando o pequeno embrulho entre os braços, já isenta de qualquer sangue em sua tez ------ longe de ser como ele, ele esperava ------ e qualquer resquício que pudesse indicar ter acabado de nascer. Uma breve olhadela para a criança, um pequeno olhar de satisfação dela por estar nos braços do pai e Louis quebrou. Simplesmente quebrou, incapaz de conter o meio sorriso ou as poucas lágrimas que escaparam de seus olhos, umedecendo os lábios enquanto tentava não apertar muito a criança. A garganta parecia ter secado novamente, e ele estranhamente não se incomodou com aquele mísero detalhe. Ela, aquela garotinha, parecia ser a única coisa que importava no mundo para ele, e o Wöfflin não a deixaria sair de seu campo de visão tão cedo, obcecado com a segurança dela, com as pessoas à sua volta e incapaz de conter o breve ciúmes paternal que lhe tomou conta. Não sabia por quanto tempo ficara parado ali, incapaz de se mover por um centímetro sequer enquanto aninhava a menina que ainda não possuía um nome no colo. Talvez estivesse ali por horas, mas não parecia ter sido o suficiente para si quando outras pessoas passaram a encher o quarto onde Whilhelmina ------ sua Whilhelmina ------ se instalara.
O andar de baixo, aonde os familiares e amigos estavam, absorveu a animação e euforia no instante que os potentes pulmões da mais nova Wöfflin encheram a sala com seu choro fino, porém exigente. Os familiares não podiam ser definidos como aconchegantes ou carinhosos, mas todos sorriram quando Louis abandonou os convidados e seguiu o choro da filha ignorando a tudo e a todos em seu redor. Todos sabiam que, apesar da postura rígida do capitão ------ ou ex-tenente ------, ele era completamente devoto à esposa e à sua família. Todos estavam verdadeiramente felizes pelo acréscimo. Sebastian e Bridget esperaram algum tempo, dando espaço para que os dois conhecessem a própria filha, e então seguiram os passos de Louis, com o pequeno Rabastan no colo da morena. Assim que alcançaram o aposento, Bridget perdeu o fôlego com a cena a sua frente, porém, ao invés de soltar um dos seus gritinhos eufóricos, ela apenas agachou, colando o menino no chão, e indicou com os dedos a figura dos pais. “Rabastan, olha só a mamãe e o papai!” Ela introduziu, porém o menino parecia um tanto intimidado, mesmo que os dois à sua frente lhe fossem muito conhecidos. Foi Mina, com uma voz pesada de cansaço que preencheu o vazio, estendendo o braço para o filho. “Vem conhecer seu irmãzinha, querido.” E assim, com passos vacilantes o primogênito do casal alcançou a cama, e se a escalou com certa dificuldade até alcançar os pais e o pequeno pacotinho que seria sua irmã. “Rapha? Cadê o Raphael?” O moreno testou, sem ter muita certeza do que fazer, enquanto vasculhava os panos à procura do seu boneco de ação preferido ------ isso é, quando o Chewbacca ou o Han Solo não estavam disponíveis ------, Raphael, a tartaruga ninja. Os olhos de Whilhelmina brilharam parcamente, sabendo que Rabastan, em sua inocência, tinha escolhido o nome por eles. A cena não podia ser mais tocante, e Sebastian tomou a esposa pela cintura, os dois se sentindo privilegiados por simplesmente poderem observar a felicidade dos dois que lhes eram tão queridos. Bridget sorriu, e então logo tratou de checar a amiga, acariciando-lhe a testa, mas sabendo que tudo o que a amiga precisava era da sua família e de uma longa noite de sono. No entanto, nada importava de fato agora. Estavam unidos, presos naquela atmosfera mágica que acarretava a chegada de um bebê, e por mais que houvesse tanto a se fazer, naquele momento tudo era absolutamente perfeito.
☆ ☆ ☆ Out of character: ☆ ☆ ☆
Die Darcy-Wöfflin-Tearsheet Vettern:
Rabastan, Veridiana, Tobiah und Raphaela
Family consists on the people who you love the most, who you know that’ll be there when the right time comes. It was always like that with those four ------ or at least with Rabas and Kile, ‘cause Diana and Raphaela had never really gotten along really well, but still, the four of them were part of something bigger: a family. A twisted, complicated family, full of psychos and megalomaniacs, but it never mattered, as long as they were kind of together when all hell breaks loose ------ which happened more or less once a month, knowing their parents. None of them would trade any of them ------ talking about an unbreakable bond, am I not? ------ for nothing. Rabastan was the eldest, the Wöfflin’s and Tearsheet’s first born. Soon enough, Veridiana was born: the daughter of Whilhelmina’s best friend with Louis’ father, the filthy rich widower who owned roughfully half of the biggest Switzerland banks, Sebastian Wöfflin, not that his son or his daughter would claim his heritage.
Louis always lived like a soldier, preparing to fight and die everyday, and Julia became the type of CEO who had only eyes to her job and possible affairs ------ so different from the girl he raised, naîve and full of romantism. Of course, eventually the youngest Wöfflin twin kind of settled down, had a baby girl ------ never got married, though, it simply wasn’t for her anymore ------, who she named Frederika. Then, she sent her away to the depths of New Zealand, the place where she’d move in years later with another guy; an australian, perhaps. They’d never really kept track of Julia’s newest flames. Tobiah didn’t really had to wait that long before he finally came, result of the reunion of Whilhelmina’s older brother, Hamish, with a british socialite, finally giving Rabastan someone to play with ----- well, kind of ---and, two years later, the little lieutenant ------ better than that, actually, the soldier ------, was there to complete the quartet when Whilhelmina gave birth to her on a stormy afternoon.
They were the next generation of those ridiculously wealthy families, and yet, they were flawed. All of them feared one thing more than death, more than life itself and money could never help them with that part, to be honest, but that’s why they’d always have each other ------ times like these require that kind of thing. That kind of particular bond that makes everybody shiver in awe. They were brothers and sisters ------ sometimes more than that, actually ------, even though only Rabastan and Raphaela shared that particular kind of kinship.
☆ ☆ ☆ Out of character: ☆ ☆ ☆
Não, não tenho! Estou ga-gaguejando porque… Porque está frio, oras!
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“Ora essa, por que não disse antes, Harry------et?” Rabastan negou levemente, sorrindo inocentemente enquanto trazia o moreno em um abraço de lado apertado o suficiente para que ele não percebesse o que estava tramando. “Tenho a perfeita solução para o seu... Frio, você diz?” Tombou levemente a cabeça, buscando a aprovação do moreno ao seu lado para enfim suspirar, como se tivesse uma ideia melhor. “Bebida é sempre a solução em situações como essa, mate. Talvez até mesmo os gaguejos por causa do escuro cessem, quem sabe?” Piscou, tentando deixar claro que era um amigo de Harry, não o inimigo. Jamais jogaria ele no escuro, sozinho. Jamais. Nunca. Jam------ Talvez depois que ele bebesse um pouco de vodca, muito provavelmente. “Vem comigo, Gaguinho. Sou a solução dos seus problemas.”
❖ I'll be needing stitches ••• raphastan
Não deveria estar ali, era o pensamento que ocupava sua cabeça. Havia decepcionado os pais pela centésima vez, mas não era o remorso que fazia com que pensasse a respeito, mas o fato de estar em Dankworth, um lugar em que sua liberdade seria nula. Na instituição suíça só para garotas em que estava, ela não precisava se preocupar com o irmão a vigiá-la, obviamente, já que estavam a quilômetros de distância; não fosse o soco desferido contra Gretta, ainda poderia estar desfrutando da paz do Institut Marie Curie. O pai, que normalmente tendia a ser indulgente com ela, a despachara sem dó nem piedade para a Inglaterra, para estudar em uma escola que, na visão de Raphaela, era ridiculamente comum. Não havia encontrado o irmão mais velho ainda, e ainda que estivesse morrendo de saudades, não podia deixar de pensar que de agora em diante ele seria seu carrasco. Não que Rabastan fosse um poço de responsabilidade; ela era infinitamente mais controlada e madura que ele, mesmo que mais jovem. O que a preocupava era a possibilidade de Rabas tentar mostrar-se um bom irmão mais velho aos olhos de Louis e viver colado a ela. Havia sido ele, a propósito, que sugerira o treino. Fechado, claro, como se a Wöfflin fosse incapaz de suportar um treino pesado de quarenta e cinco minutos na companhia de outros garotos. Era muito mais ágil que qualquer um deles, e tentava compensar a diferença de tamanho e força com movimentos rápidos. O rugby havia se tornado uma de suas paixões, especialmente por lhe dizerem que era um esporte violento demais para meninas. Rapha adorava quebrar paradigmas. Assim que chegou no campo, que servia tanto aos atletas que praticavam o futebol, como aos de sua equipe, a garota passou a vestir o equipamento, começando pelas chuteiras com travas, e optando por colocar somente as ombreiras, e deixar de lado a boqueira e o scrum cap, afinal, seria só um treino de rotina, e, ainda por cima, com Rabastan. Ninguém sairia dali machucado –––– ela achava.
Saber por meio de uma mensagem de texto que a própria irmã passaria a estudar na mesma escola que ele parecia ter descido com uma sensação agridoce, se fosse analisar tudo friamente --- o que não parecia ser o caso de nada que fazia. Ao mesmo tempo em que o moreno desejava rever a irmã, dar alguns cascudos nela e caçoar de sua postura rija, sentia como se não mais pudesse fazer o que costumava agora que ela estava ali. Talvez essa tenha sido a estratégia de Louis, afinal de contas. Ao mesmo tempo em que daria alguma claridade para o mais velho, a mais nova seria constantemente provada, pensando que ele iria passar a agir como um cão de guarda sobre cada passo que desse. Revirou os olhos, calçando as luvas de goleiro que faziam parte de seu uniforme --- oh, sim, aquilo também o afligia. Ainda não havia encontrado o anel que Rapha o dera, e as crises de pânico e ansiedade se tornavam cada vez mais voláteis; Rabastan, como um todo, parecia ser suscetível a qualquer opinião, parecia inflamar com qualquer fato que não o agradasse. Sem o anel, ele parecia precisar das horas de treino com mais avidez, como se necessitasse se esgotar o suficiente para que não tivesse nenhuma recaída, nenhuma crise na qual acabaria machucando outros, mas parecia ser difícil esgotá-lo. A reserva de energia que o Wöfflin possuía era admirável, não fosse a preguiça que nutria, a falta de desejo de fazer algo que o tornasse melhor em alguma outra coisa. Não falava com a irmã desde... Algum tempo. Franziu o cenho, tentando se lembrar do rosto de Raphaela, o que não foi muito difícil já que tinha a careta da morena em praticamente todas as fotos de cabeceira do próprio quarto, assim como a da mulher enérgica a quem chamava de mãe e do homem rígido e solitário que completava a família Wöfflin. Também se lembrava da voz e dos trejeitos, mas não estava preparado para encontrar a irmã --- tão pequena em sua cabeça --- crescida e aparentemente feroz ao vestir o equipamento de proteção enquanto o moreno atravessava o vestiário em direção ao meio do campo, onde a irmã se encontrava. Com um pigarro, o moreno soltou um meio sorriso ao se aproximar da morena, os olhos faiscando em direção a todo o equipamento que parecia usar --- diziam, era verdade, que o Rugby era um esporte violento, mas Rabastan duvidava que fosse tão violento quanto o futebol americano. “Pra que tanta proteção, Rapha? Não é como se fôssemos nos espancar, liebe.” Arqueou uma das sobrancelhas, levantando as mãos para deixar claro o seu argumento, as luvas de goleiro escondendo não só a sua derrota como irmão, mas também os machucados nos nós dos dedos depois de mais uma das brigas nas quais se metera por conta do anel desaparecido. A lembrança do motivo de Rapha se mudar para Dankworth, então, o atingiu, e Rabastan não pôde fazer nada a não ser segurar o sorriso diabólico, contraindo os lábios em uma linha fina antes de tombar a cabeça, já próximo o suficiente da irmã para que, se não estivesse com as luvas, pudesse dar um peteleco em sua testa apenas para irritá-la, tal como fazia quando eram mais jovens e ainda moravam juntos, quando ainda não eram fadados a se verem apenas em feriados e férias em família. “Ou iremos?” Semicerrou os olhos, o sorriso torto tomando conta de seus lábios à medida em que revirava os olhos, puxando a irmã para perto com um dos braços, enganchando a nuca dela até que não pudesse escapar de um abraço. Sabia o quão fria ela podia ser em cumprimentos e boas vindas, mas ele sentia a falta dela --- diabo, sentia falta de todos de sua família, mas Rapha era especial. Sempre fora. Ignorou a tremedeira nas mãos, trazendo-a mais para perto de si enquanto colava ambas as testas, uma na outra. “Não vai me dizer nem um 'senti sua falta, meu irmão preferido, o que faria sem você?’ antes de me encarar com esse olhar fulminante, soldado?”
❝ ängstlich. — with you.
Em seus pesadelos, Merope poderia facilmente se visualizar numa cena como aquela. Em um quarto sozinha ou assustada em um corredor, era sempre do escuro que fugia. O medo constante dele e do que poderia estar à espreita fazia com que cada pelo de seu corpo arrepiasse. Talvez tivesse assistido demasiadas ficções ou se prendido muito a narrativa de Stephen King, mas como em a Névoa, imaginava que logo o seu plano seria invadido e que alguém a esperava em meio as sombras. E nem precisava ser algo surreal: mesmo um humano, um potencial assassino que poderia estar a vigiando a semanas, como em casos de garotas mortas no Sul. Era irracional que seu pensamento sempre decorresse ao mesmo lugar, temia ser capturada e morta. Forçada a vivenciar seus piores pesadelos e não poder vencê-los com o tanto de força física ou sua esperteza. Os gritos, cada vez mais audíveis a medida que andava, no lugar de serem reconfortantes por denotarem a presença de mais alguém em meio toda aquela construção faziam que estremecesse, os fios de cabelo eriçassem e as mãos se recolherem para mais perto do corpo. Apertava o passo imperceptivelmente, as gotas frias de suor sendo contrastadas com o calor de suas bochechas. Suas preocupações anteriores, que giravam a coisas consideravelmente ordinárias foram imediatamente esquecidas. Não ligava para o problema com Kile ou a situação com seu namorado; seu cérebro funcionava como se estivesse exposta a uma real situação de risco, próxima da morte, a adrenalina correndo pelas suas veias. Sabia bem das características de seu medo, e os sintomas passavam como um grande leiteiro em neon em sua mente assustada. Logo, junto ao seu surto psicótico viriam as temidas alucinações. Mesmo que tivesse a breve noção de que seriam apenas alucinações, não poderia controlar o que veria ou como afetaria, e não estava disposta a experimentar.
O hormônio fizera com que o choque com o corpo de Rabastan fosse ainda pior. Assustou-se com o rapaz e com a própria sombra, encolhendo-se ao aperto antes de reconhecer o aroma amadeirado do moreno. Mal dirigira o olhar à feição do rapaz, o rosto fora enterrado ao peito dele na expectativa de que o ditado tão famoso se pusesse a funcionar “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Sentir a respiração do rapaz, ouvi-la principalmente fizera com que o seu sistema nervoso relaxasse minimamente. Ela não conseguira argumentar ou protestar contra a ida ao quarto quando ele falou, lenta e enferma o suficiente para se confundir e apenas obedecer o pedido. Uma vez dentro do cômodo, a busca pelo mínimo contato com o rapaz fez com que retomasse a fechar os olhos, apertando-lhe o braço. Não ousara falar até que estivesse minimamente mais tranquila, mordendo o próprio lábio inferior. “Não ria de mim.”
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Rabastan não se considerava verdadeiramente como um cavalheiro --- diabo, estava bem longe de sê-lo, se fosse completamente sincero, especialmente porque acreditava que as mulheres não eram tão frágeis como se faziam parecer; de fato, eram até mesmo mais letais do que qualquer homem irado, e ele sabia disso ao encarar os pais em suas muitas discussões enquanto crescia. Whilhelmina sempre tivera Louis na palma de sua mão, mesmo que o Wöfflin fosse um homem calculadamente letal. Ele, Rabastan, nunca realmente se debruçara sobre as teses que guiavam o feminismo, conhecia o movimento por conta da mãe e o aceitava como o correto, ainda que não se aprofundasse muito no assunto --- mesmo que interessante, a ânsia de vômito que tinha por ficar parado em um lugar por horas enquanto lia livros não lhe agradava nem um pouco, uma das revelias do seu comportamento hiperativo, provavelmente. Nunca vira, também, uma mulher tão fragilizada quanto Merope naquele estado --- de novo, as mulheres mais próximas que cerceavam seus pensamentos eram fortes, jamais exibiam sequer um mínimo fraquejamento: Whilhelmina, ao domar a fera que se apossava de seu pai as vezes, clamando por sangue; Raphaela, por se mostrar como uma pessoa calculista, analítica e cautelosa, sempre pronta para fazer o que tivesse que ser feito para chegar a um objetivo bom o suficiente para si. Ao ver Merope daquele jeito, por alguns segundos, Rabastan viu-se desnorteado, os olhos arregalados enquanto a morena se debatia sob o seu aperto pouco gentil, como se estivesse dentro de um transe, um pesadelo ruim. Então ela se acalmou, jogando-se em cima dele como se precisasse de sua ajuda para passar por aquilo. O moreno já não entendia mais nada daquela situação.
Acolheu a morena com certo receio, medo de que se afastasse, de que corresse para longe dele e ele não pudesse fazer nada por ela --- algo em sua mente o avisou que não deveria estar com tanto medo desse tipo de coisa, de que Merope era grande o suficiente para suportar o que quer que o escuro guardasse, mas não deu ouvidos para aquela parte do seu cérebro. Ele se importava, e aquilo era uma droga, se fosse completamente sincero. Se importar estava apenas a um passo de tornar-se vulnerável por conta de uma relação, e Rabastan realmente não desejava aquele tipo de complicação naquela fase de sua vida --- liberdade sempre fora o maior de seus desejos, de suas ânsias juvenis. Liberdade do que o nome carregava, do que a sociedade ditava e, em última análise, do que o pai desejava para si. Longe de amarras, elas passaram a se tornar o medo irracional do Wöfflin. Nunca se deixar amarrar, nunca se deixar sofrer quando sempre poderia manter-se em movimento. Não podia ignorá-la, entretanto, e por esse motivo, Rabastan passou os braços pelo entorno da Moriarty, buscando aquecê-la --- sentia as lágrimas grossas se formarem em seu rosto, empapando o roupão negro que usava, os soluços e praticamente podia palpar o desespero da morena, tão grande que era. Engoliu em seco, tentando procurar palavras que pudessem ajudá-la, que pudessem consolá-la, mas sequer entendia porque a Moriarty estava agindo daquela forma. “Merope... Merope.” Buscou alguma resposta da menina, tentando sair do meio do corredor ao se lembrar de que não deveria estar ali --- chegou a umedecer os lábios, arregalando levemente os olhos enquanto buscava por uma solução boa o suficiente. Assim que ela assentiu à sua pergunta, ele esperou até que ela dissesse onde era o seu quarto, para que lado iriam, mas quando ela assentiu, o moreno teve que revirar os olhos, incapaz de fazer qualquer coisa diferente. Levando um dos braços à parte de trás dos joelhos da morena enquanto o outro se ocupava de suas costas, o moreno testou o peso da menina antes de passar a caminhar, pouco desesperado por toda a situação. Fria como um gelo, ele não foi capaz de deixar que andasse --- a parte racional de sua mente o dizia que ele só não queria ter mais um estorvo para carregar, ainda que, no fim das contas, estivesse a carregando de toda forma. Bufou, finalmente encontrando a porta de seu quarto e a chutando com uma das pernas antes de sentá-la em sua cama --- esperava realmente que continuasse ali, que não retrucasse ou coisa parecida.
Prestes a se desvencilhar da morena, entretanto, ela não deixou que o fizesse, e Rabastan levou o olhar diretamente para o local que ele imaginava ser a fonte do pequeno calor que ela transmitia. Franziu o cenho --- não que alguém pudesse reparar naquilo, puxando-a para perto enquanto tomava certa coragem para perguntar o que diabos acabara de acontecer. Ou, até ele perceber de que o quarto onde estavam nada mais era do que o quarto de Barbara, o que trouxe uma risada pouco característica à sua garganta. Tarde demais, ele percebeu que não deveria rir, que a morena interpretaria aquilo como uma troça a ela, e não a ele próprio, então comprimiu os lábios em uma linha fina, cerrando os olhos e apertando a mão da garota antes que pudesse falar. “Acredite liebe, não estou rindo de você. Na verdade, meio que estou, mas não por isso. Nem sei o que é isso, pra ser sincero.” Negou levemente, confundindo-se no meio das palavras e se socando mentalmente por fazê-lo. Desde quando Rabastan perdia as palavras, a linha de raciocínio ilógico a qual ele era tão apegado? Aquela noite não poderia ficar pior, mas suspirou tão logo teve a chance, procurando pelo celular no bolso do roupão --- lembrava-se de tê-lo posto ali antes de pegar a Moriarty no colo, não que aquilo fosse muito útil de se deixar claro. “Tem medo do escuro?” Arriscou, franzindo as sobrancelhas enquanto se apoiava nos próprios cotovelos, mantendo o mínimo contato com a cama de Merope, ou da de Barbara, não conseguia ver direito, quanto possível, uma das mãos indo de encontro ao rosto enquanto ele a passava pela barba por fazer --- uma mania, obviamente, adquirida com o tempo em que o Wöfflin passara a ter aquele tipo de cabelo no rosto. Algo sobre o pinicar parecia entretê-lo. Não esperou por uma resposta, entretanto, olhando para o alto enquanto buscava o anel em seu dedo, o fiel companheiro em situações onde se via nervoso, por falta de expressão melhor. Por segundos, tateou a mão, em busca do objeto, mas não parecia estar ali, e o moreno se endireitou, encarando a mão com uma curiosidade que, ele sabia, se transformaria em pânico em poucos minutos. Os olhos arregalados não ofereciam conforto algum à Merope, e ele sabia que provavelmente ela não estava tão bem quanto deveria estar, assim como ele próprio depois da constatação, mas, engolindo em seco, ele buscou o corpo da morena, puxando-a para perto de si antes que ela pudesse reclamar. Antes que ele se arrependesse de tê-lo feito, assim como de ter correspondido um beijo que, ele sabia, sequer devia ter acontecido.
“Eu não sou mais anarquista, juro! Não foi de propósito.” Respondeu, exasperada por conta da quantidade de álcool que já ingerira. Só depois, quando percebeu tardiamente o tom de brincadeira do rapaz, riu de volta, mordendo o lábio inferior por conta da lerdeza. “Por que você sempre arranja um jeito de falar frases normais num tom malicioso? Isso é muito ruim…. Ou muito bom, ainda não sei dizer. Muito errado, quem sabe.” A loira pôs-se a dar mais umas risadas curtas antes de voltar a beber de sua cerveja, esvaziando a garrafa que antes já se encontrava na metade. “O que vai cobrar de mim, liebe?” O imitou, muito provavelmente fora de si.
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“É o que, então? Não vá me dizer que é uma conservadora. Esperava mais de você, Sapphada.” Franziu o cenho, certo de que não desejava ver a loira ostentar a bandeira do conservadorismo, a careta de reprovação evidente antes mesmo que Rabastan pudesse perceber o cunho julgador que embebia o próprio discurso. Simplesmente não combinava com ela ou com o que ela representava, mas não era como se ele pudesse julgá-la, de toda forma, portanto simplesmente negou, revirando os olhos ao abrir um sorriso torto na direção da professora que se passava por aluna. Deu de ombros lentamente, o sorriso se ampliando em seus lábios quando a mulher percebera o seu próprio tom, arqueando uma das sobrancelhas o mínimo possível para que ela percebesse o quão divertida podia ser quando sob o efeito do álcool. “É um dom, eu sei. Poucas pessoas realmente o tem. Diria que é muito bom, ajuda em certos momentos.” Deixou escapar, não dando muita importância ao assunto, mas realmente não era de muito malgrado ter aquela característica em especial; uma aliada na hora do flerte, para se dizer o menor de seus benefícios. “Já deveria saber que é uma das minhas mais finas virtudes, Sapphs.” Arqueou uma das sobrancelhas, levando a garrafa de Budweiser aos lábios para tomar um último gole da cerveja que já tinha acabado antes mesmo de perceber. Assim que escutou a pergunta da loira, fingiu pensar em situações as quais ela seria necessária, mas ateve-se a uma em particular, abrindo um sorriso malicioso nos lábios já pouco dormentes, semicerrando os olhos tempestivos. “Nada que vá se arrepender depois. Só alguns favores entre amigos.”
“Acho que eu parei de entender o espírito das coisas no momento em que eu comecei a beber a segunda garrafa.” admitiu, em seguida dando de ombros. O bom de ser como William e ficar bêbado era que nunca sabiam diferenciar seus estados, já que William falava muito estando bêbado ou não, falava o que devia e o que não devia em ambos os estados. Mas bem, tinha aquele leve efeito de lerdeza, bem no começo, esse que estava sendo mostrado à Rabas no exato momento. Gargalhou, tirando a garrafa da mão alheia antes que ele terminasse, e matou o resto de líquido que ainda continha na mesma. “Sua dignidade já é zero, vai ficar é negativa depois disso.” e então, pegou a mão de Rabas, pressionando os próprios lábios numa tentativa falha de segurar a risada que insistia em deixar sua boca. Então, após alguns segundos, conseguiu focar. Assentiu com a cabeça. “Você sabe que eu ganho essa.”
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“Mein Gott, Willie. Como você é fraco.” Soltou um muxoxo, caçoando do amigo enquanto se apoiava nele, levando um dos braços por sobre o ombro do loiro para trazê-lo mais para perto, próximo ao bar. “Nem parece que anda comigo na maior parte do tempo.” Franziu o cenho, mais alterado do que gostaria de deixar claro, mas, estranhamente, não ligando para aquele pequeno detalhe, o álcool já tendo inibido boa parte de um senso de julgamento que, se fosse sincero, já não era completamente asseado mesmo quando sóbrio. “Hoje nós começamos o seu treinamento!” Bradou, levantando a garrafa de cerveja que levava em mãos, como se estivesse propondo um brinde, a voz já meio embargada a medida em que Rabastan se movia, levemente trôpego. “Obrigado pela palavra de ordem, camarada. Sempre muito singnificativa vinda de você.” Retrucou, um sorriso alterado disposto nos lábios trêmulos enquanto o Wöfflin permitia-se suspirar, tomando algum ar. Bebera demais, estava longe de voltar à sobriedade tão facilmente quanto o amigo, mas meramente deu de ombros, não dando muita importância para aquele mísero aspecto, que acabaria por fazer alguma diferença, ao findar das contas. Tinha se esquecido por alguns segundos do desafio, mas ao ter sua mão tomada por William --- lembrava-se de ter franzido o cenho, sem saber porque o amigo estava fazendo aquilo, mas ignorando porque provavelmente era o que deveriam fazer, afinal ele estava muito menos bêbado do que o moreno ---, fazendo com que o moreno tombasse ligeiramente a cabeça para o lado, confuso. Assim que o loiro o desafiou, entretanto, o moreno não pôde fazer nada a não ser sorrir como uma raposa, arqueando uma das sobrancelhas sugestivamente. “Eu sei que eu ganho de você, mate. A qualquer dia, a qualquer hora.” Piscou, humorado demais devido à bebida. De fato, não seria uma verdadeira surpresa se Rabastan, depois de mais alguns goles, acabasse vomitando até mesmo o próprio fígado, mas, no momento, ele só precisava de passar por aquele desafio, e então dormiria em um dos sofás de couro do ambiente como um bebê.
“Não já fiz isso quando jurei que não ia mais falar com você? Fiquei quase um mês sem trocar algumas palavras, mas a Barbara implorou para que eu parasse com isso.” Semicerrou os olhos, nem um pouco incomodada de trazer a memória à tona. Achara bem justo para o que ele fizera, até, estava saturada de ser chamada de Coxão. Era um tanto quanto constrangedor notar que todos os rapazes levavam o olhar direto a suas coxas desde que Rabastan comentara. Por isso, o punira. Mesmo assim, isso nunca se traduzira numa redução ou parada com o apelido estranho. Com a retomada do assunto, Merope poderia jurar que vira o rapaz revirar os olhos de uma forma simbólica, quase como se toda vez que o nome Benjamin deixasse seus lábios ele sofresse de uma profunda irritação, como se estivesse errado pronunciar o nome do rapaz. Merope se silenciou por alguns instantes, não respondendo a pergunta. Esperava que desse a entender que apenas queria finalizar o assunto, e não que desconhecia a resposta para a pergunta. A questão era clara: o amava? A morena nunca fora alguém exatamente romântico, mas sempre valorizara muito o sentimento, ao ponto de colocá-lo como o último estágio que poderia definir alguém. Era algo muito forte. Não poderia dizer com exatidão se o amava. Era fácil de pronunciar aquelas palavras quando próxima dele, mas em maioria das vezes —- se não em todas —-, não sabia se as pronunciava como verdades. Sabia que aquilo eventualmente acabaria, afinal, eram namorados de um colegial, em seus últimos anos. A probabilidade de se verem outra vez depois da escola era quase nula, uma vez que tinha em mente que objetivavam faculdades bem distantes uma das outras, apesar de cursos iguais. Por isso, dizer que o amava com exatidão era complicado. Não queria ser mais uma com palavras vazias, beber uma paixão como quem bebe o amor. Piscou várias vezes, acenando para o garçom para que ele lhe trouxesse mais um coquetel colorido. Quem sabe ficar um pouco mais bêbada fosse eliminar a tensão que Rabastan acabara de gerar. “Seus tios? Você não vive com seus pais? Ooh, esquece. Não quero entrar no assunto família.” Completou, rapidamente. Não precisava de drama familiar naquela noite, principalmente quando o Tearsheet já conseguira por si só reabrir feridas antigas. Estava distraída bebericando o conteúdo do copo que o bartender trouxera antes de voltar a fitar o rapaz, corando quase que imediatamente. Ele fitava suas coxas da mesma forma que os outros garotos: o olhar faminto, uma súbita necessidade de estabelecer maior contato físico. A garota sempre fora certa de que seu corpo não tinha muitos atrativos: achava que não passava de uma pessoa normal, principalmente quando posta do lado do irmão. Ele sim, em sua concepção, era o tipo de pessoa cuja beleza chamava atenção. E isso apenas ficava mais evidente na quantidade de relacionamentos coloridos que ele mantinha ao longo do internato, que diferiam da quantidade de pessoas que ela sequer tinha beijado na vida. Poderia contar na mão quantas pessoas já tinham a beijado, apesar de saber que, em parte, se resumia a sua personalidade pouco apresentável. Era uma pessoa complicada. Sempre tivera dificuldade de confiar nos outros e isso transparecia em seu jeito grosseiro de ser. “Rabastan!” Advertiu, um tapa de leve dado no ombro do rapaz, como quem censurava o modo como ele a avaliara. “Pare de me deixar envergonhada. Preciso providenciar uma burca para mim.” Um suspiro escapou não muito depois, ainda constrangida. “O que nutro por você? Hmmm, é complicado. Você é um tarado, não sei como eu deveria reagir. Acho que muito provavelmente nutro uma necessidade de te manter afastado para que eu possa me sentir como uma pessoa normal, com coxas normais. Mas eu gosto de você. Seu queixo é muito fofo.” Estava o elogiando por motivos desconhecidos, presa a um leve riso que escapara depois da avaliação estranha. Num todo, o rapaz não era feio. Muito atrativo, até, mas Merope tinha certeza de que ele não precisava de sua ajuda para saber aquilo. “Acho que antes as pessoas só me achavam chata, e desde que você começou a comentar, todos me olham diferente. Eu não gosto de ser olhada por todo lugar que passo. É muito desconfortável.” O explicou, um apelo invisível transparecendo em seu tom de voz. Não pode evitar sorrir de leve quando notou a inevitável irritação que tomara a feição do rapaz, imensamente lisonjeada pela forma como ele se portara. Então ele se importava. Aproveitou o breve momento em que ele desviou o olhar para aproximar-se, com a intenção de beijar-lhe a bochecha em agradecimento. “Obrigada por se preocupar, mas os que falaram de mim já tiveram seus narizes quebrados. Eu sou uma garota crescidinha, sei me defender.” Falou, pouco antes do gesto de carinho.
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“Você jurou que não falaria comigo? Não me lembro dessa ocasião tão memorável.” Franziu o cenho, contraindo os lábios em uma linha fina ao buscar pela sua garrafa de cerveja, apertando-a um pouco forte demais antes que se desse conta. Evidentemente, Rabastan se lembrava das semanas nas quais Merope lhe ignorara, agindo como se Rabas nada mais fosse do que um inseto. Talvez fosse o seu orgulho, ou o egocentrismo que marcava algumas das reações do moreno, mas ele sentiu aquilo pouco mais do que desejaria --- afinal, Coxas era apenas mais uma em sua lista, a próxima vítima que o Wöfflin teria em seu caderno pessoal. Convenceu-se, na época, de que suas reações e crises nervosas se deviam ao fato de ser rejeitado; nunca pensara que mulher alguma chegaria a fazê-lo, de toda forma. “Lucky me, mas não fez lá muita diferença --- não é como se você fizesse tanta falta assim, Coxas ---, mas suponho que terei que dizer obrigado pra Bela Adormecida, então.” Arqueou uma das sobrancelhas, desviando o olhar de Merope antes que deixasse coisas demais escaparem, antes que a bebida o tornasse em um tolo sentimental, coisa que ele, evidentemente, não era. Era evidente o tom de mentira em suas palavras, e ele sabia disso, portanto esperou que pudesse culpar a bebida e que Merope estivesse mais bêbada do que parecia, do contrário Rabastan teria algumas coisas as quais explicar para ela. Coisas que nem mesmo ele sabia como explicar. Não, seria melhor que o assunto se distanciasse daquilo. Ao tomar mais um gole da cerveja, cerrou os olhos levemente, tentando aproveitar o paladar amargo que a bebida lhe proporcionava, lavando boa parte de seus poucos medos.
Quando não mais obteve respostas da morena, incapaz de manter-se paciente como um bom garoto, o moreno meramente virou o rosto na direção da Moriarty, arqueando uma das sobrancelhas em tom indagador quando enfim se considerou apto a arriscar um olhar. Ignorara a questão que o moreno a dispusera, e ele aceitou o silêncio como uma afirmação, suspirando levemente antes de levar a garrafa mais uma vez aos lábios, sorvendo o líquido como um sedento de sede sorvia água. Assim que ela mencionou o assunto família, entretanto, o moreno teve que tomar um tempo para não engasgar --- o que provavelmente não funcionaria ao seu favor, dada a quantidade de álcool em seu organismo; de fato, já estava começando a se sentir levemente nauseado. De um engasgo para um ridículo vômito, não muito demoraria e, apesar de Rabastan se considerar uma pessoa sem pudores, ainda tinha um tipo de reputação a ser mantido, e não desejava que aquele tipo de coisa a estragasse. Deu de ombros, por fim, negando levemente. “Por um tempo, antes de entrar no internato. Kile e eu não somos tão próximos a toa.” Comentou, não se estendendo muito no assunto. No ano em que passara sob o teto de Hamish, vira muitas coisas acontecerem com o primo, vira como o tio tratava uma das pessoas que mais acreditavam nele próprio; como ele mesmo se tornara um ser nada amigável à figura paterna de Kile e em como a fraternidade dos Tearsheet-Wöfflin se tornou quase sagrada para si. Seu pai nunca realmente soubera sob que tipo de situações Hamish fizera o sobrinho predileto e o próprio filho --- ainda que um pária em sua mente deturpada, mas, ainda assim, família --- passarem, tampouco Rabastan tinha o intento de contar. Eram os demônios do primo, e ele não poderia divulgá-los a quem quisesse, mesmo que para o bem comum, nem bêbado e para alguém como Merope, que podia não nutrir tanto ódio por ele como inicialmente pensara, mas ainda assim não tinha o mínimo apreço pelo Tearsheet. Não, não era o segredo de Rabastan para se estender no assunto, portanto gesticulou, como se não fosse mais falar nada sobre o assunto, certo de que a tensão na conversa se devia, quase que completamente, por sua causa. Negou levemente, cerrando os olhos um pouco antes de exibir um sorriso forçado, tentando ser divertido, mudar o rumo dos assuntos para algo menos sério --- avistar as partes preferidas do corpo da morena fora realmente uma visão, e boa parte das preocupações e rancores que Rabastan parecia nutrir não importaram por alguns segundos; ou ao menos até ela lhe dar um soco no ombro, mas não parecia realmente preocupada com o olhar lascivo que ele lhe dirigiu. Se fossem perguntá-lo, parecia animada, até, mas, de novo, o Wöfflin não estava realmente pensando direito.
“Ah, Coxas, realmente acha que mesmo uma burca ia conseguir esconder esse par de pernas muito bem feito? Eu duvido, e muito, mas bem, sou um especialista. Os leigos podem não reparar de verdade.” Franziu o cenho, uma careta indagatória que objetivava caçoar da morena enquanto o sorriso malicioso tornava toda a situação pior. Finalmente voltara a ser o bom e velho Rabastan, e por conta disso suspirou ligeiramente, grato pelo senso de humor ser tão inoportuno quanto era. “Tarado, é?” Mimicou as palavras da morena, deixando um meio sorriso escapar enquanto arqueava uma das sobrancelhas, a pose presunçosa já formada antes mesmo que tivesse tempo de se conter. “Algo me diz que você adora o tipo. Que adora ser apreciada pelo que tem e pela fartura disso.” Assentiu uma única vez, tombando a cabeça para o lado em sinal de curiosidade enquanto apontava para as coxas de Merope, a perspectiva de tocá-las e apertá-las soando bastante tentadora para si. Fez um som de estalo com a língua, observando a morena por entre a fresta dos olhos semicerrados e o meio sorriso malicioso. Aquilo poderia funcionar como uma declaração por parte da Moriarty, mas o Wöfflin se convenceu de que não precisava de uma declaração, mesmo que fosse divertido obtê-la, de toda forma. “Ouch, tantos atributos dignos de nota e... Você fala do meu queixo? É como falar dos seus olhos ao invés das suas coxas.” Franziu o cenho, incapaz de conter a sincera gargalhada que lhe possuiu, uma das mãos indo de encontro à testa enquanto a outra segurava firmemente a garrafa de cerveja. Interpretou aquilo como um avanço --- o mais próximo disso que tinha em, bem, anos ---, assentindo depois de algum tempo, como se pedisse que a morena continuasse com seu discurso, visto que não parecia ter terminado --- honestamente, Rabastan não estava realmente escutando-a, absorto em mais goles de sua bebida. Algo o dizia que no dia seguinte ele enfrentaria uma ressaca colossal, mas não se arrependeria naquele momento, do contrário deixaria de beber, e a noite se tornaria minimamente monótona. Simplesmente deu de ombros ao perceber que estava parecendo protetor demais para uma garota que não deveria sequer gostar de ter por perto --- era verdade o que falara, conseguira captar, Merope realmente conseguia ser chata, uma completa estraga-prazeres quando queria, mas ele sempre imaginara que seria o único a notar outros aspectos nela. Não era particularmente prazeroso saber não ser o único a tratá-la daquela forma, não por um sentimento de possessividade --- afinal, ele não pertencia a ninguém e realmente esperava que ninguém pertencesse a ele ---, mas por ter a sua constatação praticamente roubada por todos; ser apenas mais um que a chamava daquele jeito.
Negou levemente, certo de que ela tinha percebido o seu acesso e provavelmente teria interpretado aquilo errado, portanto pigarreou, virando-se a tempo apenas de colidir os lábios com os da morena quando ela se aproximara --- não que ele soubesse, mas era bem fácil de se supor que não estava prestes a beijá-lo, propriamente; não seria Merope se o fizesse, de toda forma. Por alguns segundos, Rabastan manteve-se estático, sentindo os lábios dela contra os seus antes de realmente tomar uma providência, levando uma das mãos ao maxilar da garota, pouco importando-se em quantas pessoas estariam vendo aquela cena. Não pensou, incapaz de fazê-lo naquele momento, retribuindo o toque da morena com uma intensidade pouco bruta demais, talvez por estar embasbacado com os eventos que o levaram justamente àquilo. De olhos arregalados inicialmente, o moreno tentou pôr alguma objetividade na sua cabeça, mas se já não parecia fácil quando sóbrio, bêbado os controles pouco influentes que tinha sob si nada mais eram do que marionetes de um desejo que ele não sabia existir até então --- ao menos não com a intensidade que se manifestara. Sem esperar por um tapa ou algo do tipo, o moreno se afastou algum tempo depois, limpando a boca com as costas da mão enquanto tentava raciocinar claramente, já de pé, pouco distante da cadeira onde estava sentado, de forma que Merope não visse a sua reação, como parecia perdido com algo que sequer devia ter acontecido. Como gostara mais do que deveria de um simples toque. Cerrou os lábios, revirando os olhos ao levar uma das mãos à região da boca, tentando tirar o gosto de Merope dali antes que se virasse e a tomasse novamente, dessa vez da forma que realmente desejava.
Estar na presença de Rabastan fizera Lauren recordar-se dos seus melhores dias no internato e um flash com imagens de jogos de pôker, fugas para a cidade no meio da noite e festas proibidas no bosque tomaram os pensamentos da garota enquanto o rapaz a puxava para próximo ao balcão de bebidas. Ele definitivamente havia passado grande parte da noite ali, o que fizera a loira deixar escapar uma gargalhada audível. Era bom estar de volta aos velhos tempos com um velho amigo. “Buddy, você mal consegue se manter de pé!” — O desafio proposto por Rabas fizera Lauren rir, tendo em vista o estado do rapaz, imaginou que ele, sozinho, tivesse consumido quase dois terços do bar e mesmo assim mantivera o mesmo estado de espírito. “Melvin”, como Rabas havia escolhido chamar o bartender, dispusera o pedido do rapaz sobre o balcão em frente a ambos e Lauren sorvera a primeira dose da bebida, o que deixou seus olhos lacrimejando e sua garganta em chamas. Definitivamente havia perdido a prática. Levara uma das mãos ao ombro esquerdo do amigo, na tentativa de recuperar a atenção que havia perdido no momento que em uma garota de saia extremamente curta passara, arrancando um sorriso sacana do rapaz. Ele realmente não mudara um milímetro de si. “Vamos lá, me atualize sobre esse lugar. Já chegou ao corpo docente ou mantém seu gosto por calouras?” Lauren referia-se à fama de womanizer do garoto, que ele defendia com maestria.
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Por pouco ele se lembrara dela, afinal, pareciam ter se passado décadas desde que ele avistara a loira --- décadas meio monótonas, se fosse completamente sincero, mas também não iria reclamar e demonstrar quanta falta havia sentido da Dalgaard; simplesmente daria a ela um tipo de poder que Rabastan nunca permitira compartilhar com ninguém --- nada pessoal, entretanto. Assim que ela começou a noite com uma crítica velada, o moreno não pôde conter o revirar de olhos e a bufada de ar. Lauren não era sua mãe, e Rabastan não a atraíra para seu pequeno covil para que o desse algum tipo de lição de moral --- seu fígado provavelmente não aguentaria por muito mais tempo as suas peripécias, mas não conseguia se conter, de toda forma; antes morrer de cirrose do que com algum câncer no pulmão. “C’mon, Lauren. Não comecemos com as lições de moral. Você era melhor do que isso. E não fazia tantas caretas da última vez, também.” Deixou claro, arqueando uma das sobrancelhas enquanto oferecia uma das duas doses que Melvin trouxera para a loira, como se estivesse esperando que ela aceitasse aquele pequeno suborno e parasse de falar. Afogando as poucas mágoas que tinha com a bebida, clichê demais, mas ainda assim, não havia outra forma com a qual Rabastan pudesse lidar com aquele tipo de coisa --- imaturo demais, muitos diriam. Assim que uma morena passara, exibindo as pernas desnudas sob uma saia pequena demais para si, Rabastan não conseguiu conter o olhar lascivo, fazendo questão de mover a cabeça, incapaz de manter a compostura ou o olhar longe do objeto de desejo, tão bêbado que estava. Prestes a levantar da cadeira, entretanto, fora impedido pela loira ao seu lado, tendo que piscar algumas vezes antes de se situar novamente, pigarreando levemente enquanto voltava o olhar para o próprio copo vazio, um muxoxo se formando na garganta por ter a diversão negada por uma amizade. “Nada muito importante, além de alguns eventos épicos que eu planejei.” Deu de ombros, movendo a mão em desimportância enquanto acenava para que Melvin voltasse com mais uma dose e ele finalmente pudesse receber a calidez do álcool de bom grado. Quando a loira continuou sua frase, entretanto, o moreno foi obrigado a dirigi-la um olhar sacana, o meio sorriso já formado em seus lábios enquanto o bartender trazia a garrafa que o fizera companhia durante aquela noite. “Sobre isso? Gosto de manter meu apetite variado.” Afirmou simplesmente, dando uma olhada no entorno apenas para deixar sua frase mais clara aos olhos da loira. “As maduras sempre tem algo a mais pra ensinar, e as calouras são bem inocentes, o que deixa tudo mais extasiante.” Fez uma careta ao ingerir novamente o líquido, sentindo a garganta protestar pela quantidade de álcool.
— Só porque eu ouço Adele todos os dias pensando em nós, agora eu te amo? Cara, não viaja. Se quiser inverter os papeis, eu adianto sua mesada agorinha. Acha que tem culhões para dançar na boquinha da garrafa? — Ergueu as sobrancelhas, com um sorriso brincando entre os lábios. Não o surpreenderia se Rabastan recusasse, mas se divertiria infinitamente caso aceitasse. — Já que tocou no assunto, deixa eu te explicar: Deus estava me criando, certo? Mas aí ele se empolgou. Foi me fazendo cada vez mais maravilhoso, aí quando terminou ele ficou tipo “Mano, fudeu. Esse cara tá perfeito. Vai estragar todo o conceito de ‘ninguém é perfeito’. Vai gerar caos! Nenhum ser humano pode ser tão perfeito! Mas seria uma judiação desperdiçar esse espécime impecável…” aí o que ele fez? Compensou no meu queixo. Ainda assim, a beleza está na assimetria. É charme, as mulheres gostam. E, ao que tudo indica, os homens também. — após seu espetáculo, e já ofegante, Felix fez uma breve mesura. Apanhou e abriu uma garrafa da mesa em que há pouco dançava, voltando ao chão e tomando um gole generoso — Bom saber, eu sempre quis um paparazzo particular que roubasse minha bebida dada a primeira oportunidade. Depois deixa comigo o seu cartão, recomendarei seus serviços para todo mundo. Cinco estrelinhas douradas.
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“Basicamente. Adele é a playlist do nosso ship --- acho que é assim que as garotas chamam, mas não tenho certeza.” Franziu levemente o cenho, tentando se recordar da expressão exata que algumas pessoas usaram quando falando sobre ele e William. Seria embaraçoso, se Rabastan se importasse realmente com aquele tipo de coisa, mas não era como se realmente se interessasse pelas preferências dos outros --- de toda forma, era sempre extremamente recompensador demonstrar para as garotas o que ele realmente preferia na cama. “Portanto, você me ama e não conseguiria ficar um segundo sem mim. É um fato. Aceite que dói menos. Até porque é meio difícil não me amar, pra ser sincero.” Deu de ombros, revirando os olhos ironicamente enquanto os cantos dos lábios se erguiam ligeiramente. Com a oferta, entretanto, Rabastan arqueou uma das sobrancelhas, certo de que Felix não acreditava que ele acabaria fazendo aquilo. Aparentemente, não o conhecia, mas não era como se Rabas não estivesse tentado a mostrar para todos ali como ele era desinibido e descompromissado com aquele tipo de coisa. Fez uma careta, como se estivesse ponderando a oferta antes de tomar mais um gole de sua cerveja. “Fico ofendido que não ache que tenha culhão pra isso, Felicia.” Franziu o cenho, dirigindo um olhar julgador ao amigo a medida em que terminava de sorver o líquido alcoólico. Um desafiante sempre deveria estar pronto para fazer o que estava desafiando, por esse motivo o moreno meramente revirou os olhos, escutando o restante das palavras de Felix após pedir mais um exemplar de Budweiser. “DaVinci discordaria.” Alegou, erguendo a garrafa uma única vez enquanto arqueava a sobrancelha, levemente empolgado com a situação --- talvez fosse o álcool em seu sistema, mas antes que alguém pudesse segurá-lo, Rabastan já começara o seu pequeno espetáculo, lembrando-se vagamente da dança brasileira enquanto exagerava cada um dos passos, fazendo, exageradamente, uma troça a tudo o que representava enquanto gargalhava, alto demais para se importar ao menos minimamente com aquilo. “Lucky us, then, mate. Finalmente vou poder guardar algum dinheiro pra minha viagem.” Deu de ombros, retirando a jaqueta de couro por conta do suor e do esforço que havia feito segundos antes.
A insistência de Rabas só deixava Tobiah mais irritado. Ele não aceitava que o obrigassem a nada, e o primo sabia disso; talvez fosse justamente por essa razão que o importunava tanto. “Qual a parte de eu não canto solo você não entendeu?”, perguntou, pela milésima vez. Sabia que o garoto insistiria até ele ceder ––– era assim desde que eram crianças. A constante atividade de Rabastan também fazia com que Kile se visse impossibilitado de ficar quieto, visto que o outro precisava necessariamente de alguém pra acompanhá-lo, e nem sempre o moreno tinha a disposição necessária para isso. Um de seus defeitos mais evidentes era ser preguiçoso. “Voz de menininha é o cacete! Você conhece minha voz, babacão. Já te manjei, e não vou cantar”, retrucou, amuado, nem um pouco disposto a dar a Rabastan o que ele queria. “Se quiser, cante você mesmo. Ou ensaia direto com a Barbie”. O Tearsheet sabia que se quisesse mesmo se tornar um astro do rock, deveria perder o pânico do microfone. Ninguém virava uma estrela só tocando bateria; bem, exceto Ringo Starr, Lars Ulrich ou John Bonham… Mas isso era outra história.
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Sempre fora insistente, era evidente. Mimado, se pudesse em termos mais claros, ainda que Louis nunca tivesse sido o benfeitor daquele aspecto em sua personalidade --- pelo contrário, o homem sempre tentara impôr em suas ações um mínimo de responsabilidade, de torná-lo em um homem parecido consigo, ainda que Rabastan abominasse a ideia de se tornar em algo minimamente semelhante ao comandante suíço. Todavia, levar Kile ao limite sempre fora engraçado; irritar um wookie sempre trazia problemas, mas era justamente por isso que Rabastan procurava o primo, na maior parte das vezes. Separados poderiam parecer dois alunos normais --- em tese ---, mas unidos, o caos parecia ser a última das preocupações daqueles a quem escolhiam como seus alvos. “Qual parte do ‘você canta se eu te pedir’ você não entendeu?” Mimicou a pergunta do primo, revirando os olhos animosamente enquanto tentava esconder o princípio de meio sorriso que passara a habitar o canto esquerdo os lábios. Se Kile soubesse que estava se divertindo com isso, se tornaria mais arisco e, por mais que Rabastan desejasse realmente zoar o primo, não era como se sua tarefa fosse muito fácil. Levantou-se da própria poltrona, andando na direção do primo enquanto pendia a cabeça, escondendo a parte inferior do rosto com uma das mãos --- incapaz de segurar o sorriso infantil que tomara conta de suas feições. “Aliás, não foi isso que eu fiquei sabendo, Kilinda, ou devo dizer... Troy? Tem certeza de que não quer chegar na sua Gabriella com uma música direita?” Zombou, o apelido de criança escapando antes que Rabastan pudesse se segurar, assim como a gargalhada que o seguiu enquanto caçoava do primo pelas lembranaçs que tinha dele com a vocalista da banda. Antes que o moreno se irritasse consigo de vez, entretanto, Rabastan ergueu as mãos, como se estivesse se rendendo. “Tudo bem! Não falarei mais nisso, You are the music in me.” Segurou a risada, umedecendo os lábios para então mordê-los, avidamente, virando-se de costas para o primo antes que ele tivesse a oportunidade de jogar algo afiado em sua direção --- nunca se sabia com a família que tinha. “Talvez não de menininha, concordo, mas chega bem perto. Afinal, você é o Zack Efron da Vanessa Hudgens de você sabe quem.” Deu de ombros, pegando a própria guitarra enquanto deixava escapar, incapaz de deixar de alfinetar o primo quando tinha oportunidade --- a forma como ele se irritava valia ouro, e Rabas precisava rir, de toda forma. “Damn it, Kilinda, canta de uma vez. Juro que não vou gravar pra te fazer passar vergonha depois.” Revirou os olhos, pegando o celular entre as mãos para mostrar ao primo que aquela não era mais uma de suas artimanhas para fazer o outro passar vergonha --- nunca realmente usara nenhuma de suas artimanhas com o Tearshet, mas, evidentemente, sua reputação o precedia, e Rabastan se sentia ligeiramente orgulhoso dela. “Por mais que eu quisesse ensaiar por mim mesmo, não posso --- dor de garganta. Não creio que vá me deixar na mão, Chew.” Inventou ao simular uma tosse fingida, assentindo ligeiramente enquanto dava de ombros, um sorriso complacente no rosto enquanto tentava passar a mentira com tons de verdade; se fosse completamente sincero, estava começando a sentir um tremor na região em questão, mas não era como se Kile precisasse saber que a sua dor de garganta não passava de uma coceira.
“Ou só você não se importa. Ou, quem sabe, só queira pagar de babaca, como sempre faz.” Respirou fundo, cruzando os braços perante a indiferença que ele parecia forjar. Ainda era incapaz de compreender o que o tornava tão insistente naquela relação, mas em maioria das vezes gostava de presumir que ele tinha aquela necessidade insondável de abespinhá-la. Mesmo assim, não tinha explicação para o jeito nervoso de sua linguagem corporal para quando ele se aproximava. Indecifrável. E digamos que Merope gostava de fingir que não ligava nem um pouco para o rapaz, e por isso afastava qualquer pensamento que complexasse quanto ao pouco que entendia de Rabastan. “Me fazer gostar de você ou me irritar? Parece tão idêntico para mim. Acho que o primeiro passo para me fazer gostar de você seria tentar entender como eu funciono. É simples: pare de invadir meu espaço pessoal e de tirar brincadeiras que não te autorizo a tirar.” O tom tinha um quê de irritação, os lábios sendo pressionados no final junto ao olhar duro que ela o dirigia, para frisar cada uma de suas palavras.
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“Ou talvezvocê esteja tão caída por esse babaca, mas ao mesmo tempo não quer voltar atrás com o seu orgulho --- o que eu entendo, mais ou menos --- que não consegue arrumar opções melhores. Também é uma opção, liebe.” Deu de ombros, uma careta presunçosa emoldurando o rosto enquanto Rabastan se aproximava apenas o suficiente para que pudesse obter uma visão pouco mais asseada da Moriarty. Não ficava nervoso perto dela ou coisa parecida, mas também não diria que parecia ter a mesma reação que obtinha com outras mulheres. Merope o desafiava, e se havia algo no qual Rabastan sempre fora atraído, era por um desafio, e ela se demonstrava como um desde que se conheceram, desde que ele pôs os olhos sobre ela. Diferente de outros, não era como se o moreno fosse realmente ruim com a morena, somente se demonstrava um pouco mais insistente, mesmo que preferisse que ela corresse atrás dele, e não o contrário --- o orgulho realmente era um bom medidor, em casos como aquele, e se o Wöfflin fosse inteligente, já teria desistido daquela conquista em particular, mas parecia dificultoso aos seus olhos fazê-lo, não conseguia largar mão das possibilidades que a morena o proporcionaria; era mais curioso do que orgulhoso, naquele caso em específico. A proximidade parecia acolhê-los de uma forma que Rabastan nunca antes tinha experimentado, e ele deixou escapar um sorriso pouco menos lascivo com as palavras da Moriarty, arqueando uma das sobrancelhas enquanto se fingia de ofendido. “É porque normalmente essas duas coisas andam juntas, love, mas, de novo, não sei se tem toda essa experiência pra falar com certeza, então preciso explicar.” Deu de ombros, afastando-se lentamente antes de pender a cabeça para o lado, sorrindo para a morena. Irritá-la parecia ser extasiante, e ele simplesmente adorava vê-la perder a paciência para consigo --- era um jogo divertido, em última análise. “De toda forma, não acho que esteja falando sério.” Gesticulou, em desimportância, aproximando-se da morena novamente, tão próximo que poderia avistar cada padrão --- ou a falta deles --- nas íris dos olhos da morena. “Já gosta de mim, Mer, só é orgulhosa demais para admitir.” Um sorriso escapou de seus lábios, convencido demais da própria importância enquanto se aproximava cada vez mais da morena, sem, contudo, tocá-la. “E está errada quanto ao espaço pessoal, também. Você gosta. Posso praticamente sentir.” Assentiu uma única vez, encarando-a de cima enquanto pendia um pouco a cabeça para baixo, o meio sorriso dessa vez se tornando pouco mais malicioso do que deveria, mas, de novo, Rabastan não se importara com aquele aspecto. Não era como se fosse beijá-la, de toda forma. Ela ainda não estava pronta, e ele não era do tipo impulsivo --- talvez fosse (mentia, com toda e absoluta certeza era), mas naquele momento, escolheu esperar, próximo demais para se afastar sem que a situação se tornasse inconveniente para ambos. Teve que segurar as próprias mãos para não diminuir ainda mais a distância, tocar na cintura da morena e apertá-la entre os seus dedos. Contudo, passados alguns segundos, com um sorriso vitorioso nos lábios, Rabastan deu um passo para trás, assentindo uma única vez. “Como queira.”
— Você tem razão, cara, obrigado. Às vezes eu esqueço dos perigos que vêm com a beleza. É uma batalha diária. Mas, de qualquer forma, os meus reflexos de ninja não iam deixar isso acontecer. Unagi! — brincou, levando os dedos médio e indicador a uma das têmporas enquanto pronunciava-se em um falso tom solene — Essa gente malvada que usa ‘honestidade’ como pretexto pra semear a discórdia, pft! Como assim? Agora eu vou ter que jogar fora todas as cartinhas que te escrevi em papel perfumado com canetinha de gel cor-de-rosa . — Felix estendeu um braço, aceitando o auxílio para erguer-se — Boa sorte! Você não é o tipo dela, mas vai tentado… Quem sabe um dia você dá sorte e acorda mais parecido comigo? Oh, mas é claro que não! Eu pensei em algo mais old school. Nossa música está mais para Rolling In The Deep, if you ask me.
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“Sempre tenho razão, admita, Felicia.” Deixou escapar, um sorriso presunçoso nos lábios enquanto dava de ombros, uma expressão cheia de si presente na face a medida em que Rabastan encarava o moreno. “Se tem problemas com a beleza, imagine eu. É muito difícil ser bonito em tempos como esse. Pessoas malvadas estão à espreita a cada esquina. Tão bom ter alguém com quem contar.” Franziu o cenho, teatralmente ignorando toda a ironia que despejava na conversa em questão. A risada que se seguiu não podia ser impedida, e tampouco Rabastan desejava fazê-lo, de toda forma, negando levemente enquanto levava uma das mãos ao maxilar, os olhos cerrados para apartar uma gargalhada maior. “Encare como quiser, mate. Sou só o mensageiro, não o remetente.” Deu de ombros, umedecendo os lábios rapidamente enquanto tentava apartar o sorriso inconsciente, puxando o moreno para que ele se endireitasse. Realmente esperava que tivessem visto Felix naquela posição e, de fato, tirassem fotos --- seria divertido ter uma lembrança do amigo em uma posição constrangedora, caso um dia ele se tornasse sério o suficiente par anão aturar aquele tipo de lembrança; mais divertido ainda seria vê-lo se contorcer enquanto o Wöfflin abanava as provas de seu passado nada obscuro na cara de um executivo poderoso. “Não sou, é? É o que veremos.” Sorriu, aceitando o desafio sem precisar de segundos pensamentos acerca do assunto. “Nenhuma aluna de teatro foi capaz de resistir a isso tudo nos últimos anos, não acho que sua namorada é assim tão santa pra não ceder, também.” Deu de ombros ao arquear uma das sobrancelhas, presunção escorrendo de todas as suas palavras enquanto Rabastan mantinha um tom ameno, quase brincalhão. “Nah, não se mexe em time que está ganhando, o técnico do Manchester deixou isso bem claro, já. E, seriously? Rolling in the Deep? Épica, mate. Aprovo.”
“Detalhe. À parte. Olha como você tá me tratando, vou lembrar disso.” Will já era conhecido por Rabas há tempos por ter essa personalidade exagerada, típica de seu signo, mas não era como se Will admitisse que acreditava nessa ‘baboseira de signos’ — como ele mesmo costumava dizer. Acreditava sim, lia vez ou outra e se maravilhava pela precisão que aquelas simples frases conseguiam ter. Um dia, lembra-se de ter lido o horóscopo e ter algo como “não faça escolhas se não está preparado para assumir as consequências”, algo que caiu perfeitamente para sua história com seu pai. “Eu sou abençoado, mas não é pouco não. Por sorte não sou de fato da família de vocês então não tenho restrição alguma.” gesticulou com as mãos conforme terminava a frase. Não era de fato da família, mas se sentia como se a família dele fosse a que Will nunca teve, e embora fosse extremamente grato por tudo, ele não conseguia expressar toda essa gratidão em palavras, independente de quantas utilizasse — e ele já havia tentado várias vezes. A cara que Rabastan fez após ouvir o comentário do amigo sobre as calouras fez com que William soltasse uma comprida gargalhada. “Cara, não esquenta. É só a gente arrumar um show, ou algo menor tipo uma apresentação, também dá, e pedir pra direção pra entregarmos panfletos. No momento em que estivermos dando um aviso no primeiro colegial, você joga seu charme conforme vai entregando o panfleto fileira por fileira e eu vou falando lá na frente. Sounds like a perfect plan, huh?” disse, cutucando o amigo com o cotovelo, enquanto levantava as sobrancelhas sucessivas vezes. Estava tão acostumado com esse tipo de coisa que sequer perguntava se era uma boa ideia sem que a pergunta fosse retórica. Mais do que automaticamente, ao sentir a mão alheia em seu ombro, virou a cara. Sabia o que o amigo faria: tentaria lhe fazer sentir o mesmo, e no momento, William se negava “Não passa esse sentimento pra mim não, meu chapa, tsc tsc.” negou com a cabeça, resolvendo ignorar o próximo comentário. “Puta, jura que ela te odeia? Achei que fosse só doce da parte dela. Mas me explica como alguém pode te odiar, porque mano, juro que não consigo entender.” franziu o cenho, fitando o rosto alheio enquanto negava com a cabeça. Entender como alguém não gostava de Rabastan não era muito difícil, mas odiar era um sentimento extremamente forte para alguém ter para com o amigo, e por tal motivo Will não conseguia entender. “Porra mas segunda tem Educação Física, cara, não dá pra abolir totalmente.” tombou a cabeça para o lado conforme falava. “Anatomia é a melhor parte pra você, já entendi, agora não sei se gosta tanto por simplesmente ser a matéria ou por poder fazer trabalhos com as garotas e explicar fora da teoria.” gargalhou. “A sala dos professores sempre tem alguma, juro. Achei uma esses dias lá no final da sala, mas o foda é chegar lá sem que ninguém note, fora isso, tranquilo pra arranjar umas.”
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“Queria que eu expressasse o meu amor eterno por você de mão beijada, Willie? Sabe que não é assim que um Wöfflin funciona, somos apegados demais a um orgulho que não deveria existir.” Ironizou, dando de ombros à medida em que olhava ao redor, quiçá procurando a irã para ajudar no seu argumento, mas realmente não se importava com a veracidade das próprias palavras. “E não ameace, não é como se eu não soubesse que você não resiste a esse rostinho inocente. Ninguém resiste, pra ser sincero.” Pendeu levemente a cabeça para o lado, soltando uma gargalhada após piscar sugestivamente para o loiro. Sempre que um se aproximava do outro, tendiam a despertar esse lado mais leve de ambas as personalidades, e Rabastan jamais se sentira incomodado com aquele aspecto em especial. Era difícil deixá-lo desajeitado, sem palavras e deslocado, e o moreno tinha a plena consciência de que poucas coisas realmente o chegaram a fazer, em seus breves dezoito anos --- quase dezenove, se agosto chegasse rápido o suficiente. Assim que William mencionou Kile novamente na conversa, não pôde deixar de revirar os olhos, mas por dentro estava gargalhando, certo de que o primo detestaria ser alvo de uma conversa daquelas, talvez por medo do pai ou coisa parecida --- não que Hamish o amedrontasse, Rabastan evidentemente não tinha sequer um tipo de laço com o irmão da mãe, mas não podia deixar de se sentir minimamente irritado por tudo o que vira o primo passar, durante a estadia na casa dos Tearsheet. Negou levemente, tentando tirar as memórias da mente, certo de que não deveria estar acessando aquele tipo de pensamento logo ali, logo em uma conversa com Will --- sabia como ele mesmo era volátil e, por falta de expressão melhor, não possuía um verdadeiro filtro entre o cérebro e a boca, o que poderia acabar gerando desconfortos desnecessários. Não, ele tinha que mudar de assunto. O mais rápido possível. “Acha realmente que o anjinho a quem chamamos diretor vai deixar que nós entreguemos panfletos de qualquer show que a Dysfunctional realizar?” Franziu o cenho, descrente. De fato, se pudesse, o diretor faria de tudo para dificultar a divulgação, uma vez em que Rabastan, ao menos, apresentava-se como uma singela pedra no sapato do homem desde que pisara na instituição; ele não acreditava que um dia sequer o homem faria algo que pudesse se tornar minimamente divertido ou épico, aos padrões do Wöfflin. “Pensei que fosse mais safo, Willie.” Negou lentamente, teatralmente decepcionado com o loiro enquanto exibia uma expressão de desapontamento, substituindo-a, entretanto, por uma gargalhada ao final da última negação com a cabeça. “Mas até que seduzir as calouras não soa como um plano ruim --- só temos que ser um pouco mais discretos, sabe como eu gosto de atuar nos bastidores antes de ir pro gran finale, huh?” Arqueou uma única sobrancelha, malícia escorrendo de suas palavras enquanto Rabastan voltava o olhar para o entorno, os cantos dos lábios ligeiramente virados para cima enquanto se lembrava de quantas meninas inocentes estariam à sua mercê --- não soava como um plano muito ruim, afinal de contas, e, mesmo que eventualmente optasse pelas mais velhas, as novas também tinham o seu potencial, e Rabastan se orgulhava em dizer que sempre fora viciado em manter sua coleção de estórias ligeiramente vasta. “Eu sei lá.” Deu de ombros, por fim, não dando a devida importância ao assunto; não era como se gostasse de ser rejeitado, portanto simplesmente mantinha suas expectativas baixas quando se tratava de Merope. Não que realmente gostasse, mas era parecido com o pai nesse aspecto: tentava esconder o que desejava para que a decepção fosse menor, caso não obtivesse o que queria; simples psicologia, não que Rabas soubesse algo sobre aquilo. “Ela é meio lunática, acho que deve ser... Ugh, leal. Pior. Leal ao Benjamin.” Murmurou as palavras com certo desgosto, revirando os olhos para evidenciar a troça. Era de comum conhecimento que Rabastan não se importava com relacionamentos de outras pessoas, egoísta demais para desejar meramente se satisfazer às custas dessas, mas nem todos eram parecidos com ele --- o que poderia ser tanto uma benção quanto uma maldição, sob seu ponto de vista. Assim que William mencionou a matéria, Rabastan todavia teve que tombar a cabeça, em concordância. O que seria dele sem o futebol? Provavelmente a mesma coisa, mas gostava do esporte, da posição que exercia e da maior parte do tempo em que ficava parado no mesmo lugar, impedindo que as bolas entrassem no seu gol --- piadas à parte. “Você tem um ponto, Will, mas não é como se não pudesse ir ao campo de madrugada com algumas garrafas de vodca pra treinar --- na verdade soa muito mais tentador do que treinar sob o sol, ainda que os olhos das garotas sejam atraentes, também.” Ponderou, não dando uma real importância ao assunto. Um sorriso malicioso escapou dos lábios do Wöfflin antes que ele pudesse se conter, dando de ombros logo em seguida como se não fosse uma real surpresa as suas predileções. “A pergunta do século, mate.” Deixou escapar em tom zombeteiro. Não que a matéria não fosse interessante --- era a única que realmente o interessava, se fosse completamente sincero, bem como o trazia conhecimentos chave para a carreira da mãe, mas também havia um sentido duplo, e Rabastan nunca o ignorara, como a maior parte dos amigos o faziam. “Piece of cake, pra ser sincero. Não é como se já não tivéssemos roubado a chave da sala do zelador. Algumas cervejas não farão falta pra esses velhos gordos.” Deu de ombros, não dando muita importância à gravidade da situação, pondo-se a caminhar antes mesmo de receber uma resposta de William --- a adrenalina já começava a se injetar em seu sistema, e Rabastan não pôde deixar o sorriso animado e, de certa forma, malvado, pintalgar os lábios.
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