𝐃𝐀𝐍𝐈𝐊𝐀 𝐖𝐄𝐒𝐓𝐄𝐑𝐆𝐀𝐀𝐑𝐃
about . magia . wc . finder
𝑟𝑒𝑠𝑢𝑚𝑜 𝑎𝑏𝑎𝑖𝑥𝑜
nome completo: danika annelise westergaard
apelidos: dee, anika, ani, dani
idade: 24 anos
módulo ii
sexualidade: bissexual
poder: coração congelado - controla principalmente o coração, mas também outros órgãos, podendo acelerá-los ou fazer com que parem.
Muito bem criada por Hans Westergaard, Danika exibe perfeição, leveza e graça em tudo que faz. É admirada, desejada, concorrida e invejada, até. Ainda que o pai tenha tido certos desvios de caráter (e quem não tem, certo?) Danika é conhecida por nada além de perfeita e encantadora, exímia em tudo. Mal sabem os bobos que a cercam que seus espinhos e veneno podem estar bem escondidos, mas são letais. Aprendeu a ser paciente, a ler pessoas, agradá-las, manipulá-las e controlá-las. Seja em sorrisos, ações ou palavras. Danika esconde lados sombrios e cruéis que pouquíssimos sabem a respeito, afinal, quem ousaria pensar mal de alguém tão dócil, não é mesmo. Pobres heróis, que mal sabem o quanto a jovem os despreza e os leva, com um lindo e largo sorriso no rosto, direto para o buraco, assim como fizeram com ela e tantos outros. É secretamente grande defensora dos vilões e suas opiniões e façanhas, piores elas que sejam. Danika busca por uma justiça muito mais vingativa do que qualquer coisa. Possui também os próprios traumas pelos diversos anos onde viveu no Castigo enquanto o pai tentava reconstruir seu nome em Arthurian, contudo, tais trevas jamais são permitidas a sair. Ao menos não até o momento certo.
Quem conhecia o Flowers, sabia que ele não era nada genérico quando se tratava de treinar, independente do que fosse. Porém, para quem não o conhecia era sempre engraçado o ver treinando em lugares inusitados, bem, não é muito comum treinar no meio do refeitório e era o que muse parecia estar tentando lhe dizer. — Eu sei que não é o melhor lugar, mas tipo, eu tenho um trabalho mega atrasado pra fazer depois… — Ele explicou como se aquilo fosse motivo o suficiente, enquanto levantava o peso com uma mão, usou a outra para beliscar um pedaço de waffle do café da manhã. — Tá, tá eu paro… Na real, tu tem uma camisa pra me emprestar? Percebi agora que deixei a minha no dormitório… Ei, não ri!
ir até o refeitório nunca era a atividade favorita de danika, principalmente quando se tratava do bando de gente que se encontrava no local em horários de refeições. Usualmente comia sozinha em outro lugar ou comia mais cedo ou mais tarde para encontrar o local um pouco mais vazio. deveria ser o mesmo naquele dia, mas por culpa de não ter jantado direito e ter ficado atarefada demais nos estudos pela madrugada, acabou despertando cheia de fome, não conseguindo esperar mais para comer alguma coisa. em seu caminho para escolher uma mesa assim que lotou a própria bandeja de coisas diversas, acabou se deparando com uma cena completamente desnecessária. sua expressão acabou a entregando um bocado, fazendo uma careta nada simpática para o outro. “o que raios uma coisa tem a ver com a outra?” questionou, odiando que aquela maldita mesa parecia ser a única menos lotada em seu campo de visão. “quer saber? não perca seu tempo.” fez um movimento no ar com a mão livre, se sentando em seguida e contando mentalmente até dez. “rir?” danika de fato gargalhou quando ele disse aquilo, mas não uma risada muito genuína e sim áspera. “o que é engraçado é o fato de você poder ser um desleixado folgado que fica suando por aí e nem se importa se está ou não de camisa enquanto eu preciso ter malditas aulas de etiqueta. é hilário mesmo.” o sorriso sumiu por completo de seu rosto. danika travou o maxilar conforme o encarava, fazendo o movimento interno do corpo alheio desacelerar ao ponto que ele sentisse frio e aquele suor nojento não ficasse pingando ou fedendo por aí. “espero que tenha mais tato ou educação da próxima vez. ninguém é obrigado a ficar vendo você sem camisa por aí.”
O som de passos ecoando pelos corredores vazios fez com que Sinister ficasse alerta. Se ele estivesse com seus lobos demoníacos ali tudo isso teria sido evitado com extrema facilidade, afinal, eles conseguiam notar a presença de outro ser a uma distância considerável. Constantemente se arrependia de não estar com eles por aí, sentia que se usasse a desculpa de que eles eram parte do Facilier ou que precisava oferecer expectativa de vida toda vez que os invocasse a Ordem permitiria que as criaturas o acompanhassem 24 horas por dia. Como esse não era o caso, Sinister tratou de agarrar a figura esguia a sua frente para que pudesse esconder os dois dentro de uma sala qualquer que estava com a porta aberta. Estavam fora dos dormitórios em um horário que não era permitido, perambulando entre os corredores da instituição. Sinister não esperava encontrar Danika ali, mas estava satisfeito o suficiente por ter esbarrado exatamente com ela. Sempre que a encontrava era entretenimento garantido para o Facilier, a tirar do sério era um dos seus passatempo preferidos. E era exatamente por esse motivo que o homem ainda não havia retirado os braços do corpo feminino, mantendo-a colada a si em um aperto forte. “Dani.” Saudou, utilizando um apelido que definitivamente não deveria estar saindo da boca masculina. O sorriso provocativo pairava nos lábios masculinos enquanto ele tratava de não desviar o olhar do alheio, esperando a reação feminina para toda a situação em que se encontravam.
Não era todo dia que Danika era puxada sem mais nem menos para uma sala aleatória enquanto andava pelos corredores. Ok que ela estava fora do quarto num horário inadequado, mas a culpa de sua insônia vinha completamente dos ditos heróis patéticos que comandavam aquele lugar. Sequer teve tempo de pensar no que faria para se esconder diante dos passos que ouvira, pois numa questão de segundos estava dentro de uma sala com Sinister Facilier quebrando todas as normas de espaço pessoal. Assim que o reconheceu, uma de suas sobrancelhas se ergueu lentamente para cima, baixando os olhos para os braços dele ao redor de sua cintura e só tornando a olhá-lo quando o apelido nem um pouco bem-vindo saiu da boca do outro. “Está querendo que eu arranque seus braços, Facilier?” Sussurrou para ele num tom gélido e claramente irritadiço, movendo o rosto um pouco mais para frente ao ponto que os narizes já quase se tocavam. Assim que ela ergueu o queixo e sentiu o corpo formigar, seu poder se estendeu contra ele, alcançando os braços e pernas do Facilier, que ficaram molengas e fizeram o corpo de Sinister desabar no chão. “Ah, coitadinho...” Danika se abaixou, o olhando com falso lamento e segurando o queixo alheio. “Não está conseguindo se mexer, Sinister? Eu até buscaria ajuda pra você... mas prefiro te ver sofrendo.” Seria idiota sair da sala logo agora, pois ainda poderiam ser vistos então a Westergaard optou por ficar do outro lado da sala, se sentando contra uma mesa e encarando a janela. Caso ele a irritasse de novo o faria desmaiar e nem hesitaria a respeito.
Sentir os dedos firmes de Danika segurarem seu pulso, fez com que ardesse em raiva. Sentia raiva dela. Havia dedo as costas para aqueles que sempre estiveram ao seu lado, para se aproximar de pessoas que sempre quiseram o mal delas. Sempre. Era uma traíra, era isso que a considerava. A voz da morena soou tão baixa, mas ressoou por todo o interior de Kiki. Ela tinha razão. Se desrespeitasse suas ordens, poderia acabar com o rapaz que há pouco tempo estava ali curtindo a festa tranquilo - e agora estava sendo levado para o Isolamento. “Você o conhecia?” Ela perguntou baixo, pois ele era alguns anos mais velho que Kiki - pelo que se lembrava - talvez se aproximasse da idade da Westergaard. Sentia a garganta apertando, pois queria virar-se na direção de Danika e gritar. Gritar que aquilo também era culpa dela, gritar que tinham de fazer algo, puxar-lhe os cabelos enquanto gritava que ela não podia a segurar pois já havia virado as costas para a Soul. Mas não disse nada. Apenas subiu os olhos brilhantes para ela e em seguida voltou-se para a cena de caos que acontecia ali. “Eu não entendo o que aconteceu. Eu não entendo porque tudo está sangrando” a voz ia falhando mais uma vez, a garganta queimava tamanha a raiva que sentia, tamanho embrulho que se formava pelas coisas que não podia dizer mas queria. E queria tanto. Puxou o próprio braço para que ela soltasse seu pulso. “Não encoste em mim”
*/𝑭𝑳𝑨𝑺𝑯𝑩𝑨𝑪𝑲
danika engoliu em seco com a pergunta de kiki, negando com a cabeça. jamais havia visto o menino na vida, ao menos que se lembrasse, mas aquela cena? ah, sim, aquilo já presenciara muitas vezes, os ditos heróis mostrando que tinham tanto preconceito quanto tinham de dinheiro. aproveitou o toque contra o braço da soul para que usasse sua magia para acalmá-la e estabilizar sua respiração, sutilmente puxando a menor consigo para um canto. a última coisa que duas filhas de vilões precisavam era que as vissem nervosas ou irritadas com a cena recente. já tinham ‘motivos suficientes’ pare culpá-las, afinal. “kiki...” chamou-a, se colocando na frente da soul e se abaixando para olhá-la direto nos olhos. “preciso que você respire, ok? eles não podem perceber que nos afetaram ou virão pra cima de nós também.” se afastou dela quando foi pedido, não querendo que kiki começasse a gritar ou tudo só ficaria pior. por sorte que as portas logo se abriram e foram liberados para seus dormitórios. “posso te acompanhar, se quiser. pretendia ir até a cozinha roubar algum chocolate quente antes.” sabia que aquilo era um erro, não deveria de modo algum se aproximar de suas amizades antigas de quando morava no castigo, hans fora claro a respeito daquilo. contudo, num momento de tensão como aquele estar próxima deles pareciam a única coisa que a deixavam conseguir fingir que estava tudo bem e não desabar de vez.
Havia conhecido Danika quando ainda era criança, quando vivia no orfanato no castigo e seu nome ainda era Eris. Com a academia, ela conseguiu reatar várias dessas amizades com o tempo, ainda que nem todas. E de inicio, ela achou que a amizade que tinha com a filha do Hans estava perdida pra sempre, afinal, a forma que ela agia agora e como estava sempre com o exato tipo de pessoa que Alicia detestava. Isso, até o dia que ouviu uma memória da antiga amiga, um com Hans para ser mais especifica. Foi por acaso, mas foi mais que o suficiente para que ela soubesse que a velha amiga ainda estava ali mesmo com todas as mudanças e foi isso que a fez se reaproximar outra vez. Claro, pra ela ajudava que nãos e importava com o que os outros diziam de si, mas considerando que Danika tinha uma imagem a manter e planos a seguir, Dora fez o possível para que quem estivesse de fora apenas visse a amizade das duas como a Kingsley importunando a Westergaard em busca de algum podre dos Charming. ❝Eu sinceramente aprecio sua força de vontade e perseverança, eu não acho que iria aguentar a presença insuportável deles por tanto tempo assim.❞ Comentou quando se certificou de que não havia mais ninguém em torno das duas no corredor que andavam lado a lado, ou melhor dizendo a filha do Hans andava, por que Alicia tinha seus patins nos pés para variar. ❝Se bem que eu tenho que ser mais afável com o Asher na frente da tia Mirana e da mamãe, ainda que essas coisas estejam em níveis bem diferentes. Eu realmente invejo sua paciência, Dani.❞
“paciência?” danika soltou um riso alto e incrédulo. era tão bom não ter que se segurar perto de alguma pessoa. “aí que você se engana, dora, eu daria qualquer coisa para explodir cada um deles ou atirá-los de uma torre. a qualquer segundo. sério!” os dedos circulavam as próprias têmporas, soltando um longo suspiro cansado. “acho que se meu poder não me ajudasse a me controlar eu já teria feito isso.” apesar de não ser a maior fã de seus próprios ‘dons’, danika aprendera a usá-los em benefício próprio, principalmente se fosse para controlar seu temperamento destrutivo. “acho que o fato de hans existir colabora nisso também.” admitiu, ainda que seu tom tenha soado bem mais baixo, num quase sussurro. não poderia mencionar aquilo direito nem com seu próprio irmão, mas confiava em alicia mais que o suficiente. “e você sabe como ele é.” enfatizou, pois a kingsley de fato sabia já que tivera acesso a algumas memórias nada agradáveis que danika tinha com seu dito pai. “também não podemos esquecer quão hilários e vergonhosos eles são, hm?” tombou de leve para o lado, cutucando a amiga com o ombro e abrindo um sorriso lateral. “não me diga que já superou o discurso de nossa ilustre majestade? porque eu, danika westergaard, e meus bravos amigos jamais superaremos.” brincar com a estupidez de david charming e suas palavras rasas e falsamente heróicas a ajudava bem mais do que se recordar dos acontecimentos anteriores ao discurso do homem. danika definitivamente preferia não pensar naquilo.
⊱ ヽ preferia quando trabalhava no bar do pai, que ele fazia o que bem entendia e ninguém reclamava. e bom, não era como se precisasse daquele emprego no dojo, estava mais ali para manter as aparências; já que seus serviços com as mercadorias contrabandeadas iam super bem. e até gostava do espaço, apenas não quando ele tinha que ficar até mais tarde limpando sozinho, que era o caso daquele dia. estava usando uma regata com o colarinho preenchido por suor, resultado dos treinos de minutos antes e da limpeza que estava chegando ao fim. ouviu a porta central ser aberta e logo se aproximou, comunicando o indivíduo antes mesmo de ver quem era. “já estamos fechados.” disse diretamente, mas sem qualquer grosseria em seu tom de voz. talvez apenas o cansaço fosse perceptível. “a próxima aula é amanhã ás nove. caso tenha interesse, é só voltar, muito obrigada.”
só naquele dia já havia feito cinco pessoas desmaiarem e duas quase explodirem. caso seu pai meramente sonhasse com tamanho descontrole ela estaria muito pior que qualquer uma de suas vítimas. já faziam dias, mas os acontecimentos na torre da ordem pareciam a perseguir como fantasmas, fosse em seus sonhos ou até mesmo estando acordada. desde que visitara a torre novamente querendo se livrar do possível pânico que a situação havia se tornado as vozes e os sussurros que ouvira por lá pareciam ainda perseguir seus passos. assim que resolveu enfim suas tarefas que pareciam durar uma vida, tomou rumo ao raging fire, onde ia treinar especialmente em dias como aquele, mas como parecia não ter qualquer sorte quando estava tão sem paciência, uma voz conhecida lhe avisou sobre estarem fechados. “estão é?” questionou conforme direcionava os passos para mais perto do dojo. fosse em outro dia talvez houvesse até considerado em sair dali, mas não sabia quantos segundos mais aguentaria sem acabar explodindo. “acho que você pode abrir uma exceção pra mim.” dando de ombros, danika se colocou em frente a harvey, erguendo o queixo. “ou eu posso simplesmente te persuadir a isso. qual sua preferência?”
Nova tinha um olhar de incredulidade no rosto. Como Danika poderia soltar um questionamento desses com tanta naturalidade? Pensou. Nova olhou ao redor apenas para confirmar que de fato estavam sozinhas, um ponto negativo. “Realmente, não precisa ser algo muito extremo ou mórbido. Mas nem precisamos tentar nada, eu não sinto nada.”
"relaxa!” retrucou para o olhar acusatório alheio, rolando os olhos e cruzando os braços. “foi só uma pergunta...” a westergaard seguiu, porém, circulando o clone em sua frente em pura curiosidade e análise. “então elas aparecem do nada, somem do nada, fazem o que você quer e você não sente nada com isso?” voltou a atenção para nova. “parece um poder ótimo. principalmente se você for uma pessoa preguiçosa.” analisou, não que conhecesse a fantastic direito, mas caso ela fosse sim preguiçosa, sua vida seria bem mais fácil com clones a seu dispor. “você é?”
𝑻𝑹𝑼𝑬 𝑳𝑶𝑽𝑬 : não danika não acredita no amor. muito pelo contrário inclusive! por conta de sua criação rígida tais coisas são meras invenções, mas ainda assim a curiosidade surgiu com a criação do aplicativo, afinal, desde que se conhecia por gente gostava de testar e desvendar as coisas. duvidava muito que fosse desvendar as coisas de seu próprio coração, mas um espaço onde ninguém sabia quem ela era parecia bastante tentador já que não tinha tal liberdade de se expressar em seu dia-a-dia.
𝑭𝑰𝑵𝑫𝑬𝑹 : apesar de não usar tanto o aplicativo devido sua imensa falta de paciência e diversos comentários ridículos e babacas já recebidos, danika apenas usa o aplicativo em momentos específicos. é muito seletiva com seus encontros causais, sendo o mínimo que espera é alguma inteligência da outra parte, pois ainda que conversas e conexões profundas não sejam a ideia do aplicativo, a ideia de meramente estar perto de gente idiota e irritante já é suficiente para deixá-la nos nervos.
“Do que você tem medo?” A voz de sua mãe chegou a seus ouvidos e a garotinha estremeceu, se encolhendo e abraçando o próprio corpo. “Perguntei do que você tem medo, Danika.” A mulher insistiu, sua voz ficando mais alta e mais áspera conforme se aproximava. O toque bruto ao redor de seus braços a puxou para cima, eram tão finos que a mão o circulava sem dificuldade. Danika piscou os olhos sem parar, inspirando e expirando de novo e de novo. “N-não tenho medo de... n-nada.” Sua voz saiu o mais alto e confiante possível, mas ainda tremia, ainda fraquejava. A risada de sua mãe diante de sua demonstração do que para ela era fraqueza a fez estremecer de novo, tentando acompanhar os passos dela até que parassem diante de uma porta. As lágrimas de Danika caíam sem parar por seu rosto, sabendo o que aconteceria a seguir, mas sabendo ainda mais que implorar por misericórdia além de inútil, seria pior. A mãe abriu a porta e a menina entrou sem dizer qualquer palavra, virando-se para ela agora dentro do quarto escuro e procurando qualquer mínimo sinal de amor ou afeto naqueles olhos. “Não tem medo de nada.” A mais velha repetiu antes de fechar a porta, deixando-a sozinha na companhia de nada senão a completa escuridão. Não podia ter medo de nada ou usariam aquilo contra ela.
Ser uma Westergaard implicava em diversas coisas, mas a maior delas certamente era a disciplina e a inteligência. Nas poucas e raras cartas que recebia de Hans ele sempre repetia tais palavras. Danika mal o conhecia, mas sabia o suficiente. Quando nascera Hans já havia conseguido se mudar para Arthurian, levando seu primogênito consigo e deixando Danika e a esposa para trás até que houvesse retomado status o suficiente para levá-las consigo. A garota poderia não ter crescido com ele, mas crescera com seus comandos, que eram repetidos e ensinados um por um por sua mãe numa educação a punho firme e sem qualquer tato. Jamais soube se a mulher tinha a intenção de matar toda a humanidade presente na filha por algum ato de misericórdia ou se era pelo mero fato de odiar a mera existência de Danika, como se ela respirar fosse motivo para que não estivesse ainda vivendo em Arthurian com o marido.
Não fora ensinada a ser amada ou amar ninguém, mas aprendeu etiqueta, aprendeu a sorrir, a estar se destruindo por dentro, mas permanecer intacta ao lado de fora. Aprendeu a se defender, a atacar e, principalmente, jamais ter misericórdia por nada a não ser seu próprio sangue. Vez ou outra sentia que sua mãe a lapidava como uma faca, deixando-a linda, útil e reluzente, mas ainda sendo um objeto cortante e destrutivo se necessário. Talvez por isso a morte da mulher por uma doença não a houvesse abalado nem por um segundo sequer. Não havia nem mesmo chorado por ela.
A vida no Castigo havia sido difícil para ela como fora para qualquer um, mas lá fizera amigos, criara laços verdadeiros pelas costas da mãe e ser obrigada a deixar tudo isso para uma vida ao lado de dois quase desconhecidos era apavorante. Ainda assim, a escolha não estava em suas mãos e ir para Arthurian era inevitável. As histórias sobre a cidade dos “heróis” eram lindas e mágicas, mas não para pessoas como ela. Danika era esperta o suficiente para captar os olhares tortos, as análises e sussurros a seu respeito, sobre seu comportamento, aparência ou mera existência. Não havia nada de conto de fadas por lá, se assemelhava bem mais a um pesadelo.
A começar por Hans, que só não demonstrava ser pior que sua mãe porque Danika não dava brechas ou falhas visíveis para que ele a machucasse, mas o detestava. Ah, como o detestava! Detestava a falsidade dele e mais ainda que a obrigasse a ser igual. Detestava o que ele fazia com seu irmão, mas mais ainda a quase lavagem cerebral que fizera nele ao ponto de seu irmão até mesmo defendê-lo vez ou outra. Hans era ardiloso e sempre que Danika e Njord estavam de fato agindo como irmãos, criando laços verdadeiros e não só pelas cartas trocadas ao redor dos anos, o pai agia contra eles, plantando mentiras, intrigas e competições absurdas, como se devessem ser rivais e servindo somente a ele.
Danika detestava cada segundo daquela vida, daquele fingimento constante, do convívio com pessoas tão confortáveis em seus berços de ouro que mesmo que ela se esforçasse para ser impecável, ainda a tachavam como inferior. Como ruim. Como terrível, burra, bruta ou cruel.
Ganhar seus poderes não ajudara em absolutamente nada senão um ganho a mais para Hans manipular. Passara tardes longas tendo que treinar a magia em si mesma até que já não sentisse mais seu corpo. No início tinha horror a magia, medo ou pânico ou tudo misturado, mas medo era algo que bem cedo aprendera que não tinha o luxo de sentir. Então seguiu treinando até que a magia fluísse sem dificuldade, até que usar seus “dons” não a fizesse mais querer chorar ou gritar.
Danika aprendeu a moldar a si mesma, a deixar que seu furacão interno consumisse somente a ela e a mais ninguém. Para o resto do mundo era exatamente quem queriam ou esperavam que ela fosse. Uma coitada, uma boba, uma esquecida, uma castigada, uma dama, uma amiga, uma filha e uma irmã. Mas também uma vilã.
Poderia não ser mais permitida pelo pai a se reaproximar de seus amigos antigos, mas em secreto lutava por eles, por todos eles. Se o horror e o caos eram o que esperavam dela desde que nascera então seria dez vezes pior. Se achavam que seu pai era esperto para enganar vários reinos e agora enganar de novo um Charming então ela seria dez vezes mais esperta. Faria o que fosse, passaria por cima de quem fosse e se esgotaria o quanto necessário para destruir pedra por pedra daquele mundo falso criado às custas de crianças que não tinham qualquer culpa em terem pais monstruosos.
— Se você veio aqui pra perguntar de chocolate, pode ir vazando porque esse rolê não é comigo não. — Se fosse pensar logicamente, qual era o sentido de fazer um crossover de coelho, ovo e chocolate? Gunther não questionava com tanta frequência porque, primeiramente, o Coelhão era o mais próximo de um pai que ele já tinha tido, então ele estava num pedestal acima de todo o resto. E segundo, porque aquele era seu futuro, mesmo que ele planejasse fazer umas reformas nas Páscoa seguintes. Por exemplo, eliminar o açúcar dela. — Mas já que você tá aí, passa aquela toalha pra mim. Antes que eu derreta. — Afinal, mal havia terminado mais um treino, e dos intensos. O seu rosto vermelho e suado entregava.
"Falei contigo por acaso?” Danika arregalou os olhos na direção dele, não9 estava com saco ou humor para ser simpática como deveria, afinal, quando ia parar lá era por estar a um palmo de explodir e se estivesse que explodir nele então que fosse. “Resolveu ficar dando coice gratuito nos outros hoje ou devo me sentir especial?” O deboche era claro em cada parte de sua fala e isso somado com a Westergaard estar tão exausta de tudo, nem se importava se alguém mais visse aquela cena. Arranjaria a desculpa que fosse caso necessário. “Pode derreter, vai que isso te ensina a ter alguma educação.” Deu de ombros com um sorriso cínico, ainda que tenha pego a toalha, feito uma bola e jogado na cara alheia de qualquer forma. Sentando-se num banco próximo, tirou da bolsa as faixas e as enrolou contra as mãos e punhos. “Já acabou?” Gesticulou na direção do saco de pancadas atrás dele, com a testa franzida e o olhar impaciente. “Ou posso te pedir pra sair com jeitinho, mas vai doer.”
Retornar à Torre da Ordem parecia ser o mais lógico a se fazer se quisesse reconstituir a noite anterior. Quem quer que fosse o responsável, tinha percorrido o mesmo caminho para que chegasse ao Jardim; pode ser que até mesmo estivesse por ali. O único problema era que ele não tinha acesso àquela ala — havia um motivo para que ela fosse conhecida como ala proibida, afinal — e não foi surpresa quando levou um choque na barreira mágica. Foram as vozes ao fundo, contudo, que fizeram com que um arrepio percorresse sua espinha: sussurros insistentes que pareciam vir das paredes, mas que soavam sinistros no corredor deserto. ‘ Isso já perdeu a graça, filho da puta ’ falou para o nada, tentando mostrar-se corajoso para quem quer que fosse que estivesse pregando peças nele. ‘ Você não tem nada melhor pra fazer? ’
Se havia algo que Danika detestava mais que tudo era se sentir fraca, frágil ou exposta e o que raios havia sido responsável pelos eventos na Torre da Ordem havia a deixado dessas exatas formas. Sendo assim, lá estava ela, circulando pelo local de cabeça erguida, punhos bem fechados e o maxilar travado. Não poderia se dar ao luxo de temer alguma coisa então precisava enfrentá-la. Seu problema não era o sangue na parece ou a maldita espada quebrar, mas sim o perigo que pessoas como ela corriam, o rompimento do conto de fadas patético que dizia que eles, filhos de quem fossem, estavam ali para uma segunda chance, para igualdade, quando os acontecimentos se provaram o exato oposto. Era necessário somente um deslize para que os ditos heróis apontassem para eles de novo. Permanecia silenciosa como bem aprendera a ser graças a seus anos no Castigo e não parecia ouvir nada até que enxergou uma silhueta mais à frente. Não soube dizer quem era, mas o modo em que as sombras se moviam ao redor não podia ser normal. No instante seguinte um arrepio a percorreu desde o pé da coluna até sua nuca, fazendo a Westergaard estremecer e arregalar os olhos. Antes que pudesse pensar sobre aquilo, uma voz em meio às sombras esbravejou para ela, a fazendo acelerar seus passos na direção do som até que a face de Andreas lhe fosse visível. “Você ouviu também?” Questionou, analisando o rosto dele. Teria esperado por uma resposta caso seus instintos não a avisassem sobre aproximações. “Merda!” Sussurrou, o puxando consigo para as sombras a fim de se esconderem, mas a irritação ou nervosismo alheio eram tão grandes que ela conseguia ouvir o coração dele bater alto como a droga de um tambor em seus ouvidos. Com uma mão tapando a boca dele antes que o entregasse, a outra repousou em seu peito, fazendo a respiração dele desacelerar e se acalmar. Logo puderam ouvir os passos se aproximando e dois membros da Ordem passando pelo local. Danika ficou imóvel, sabendo que não seria nem um pouco poupada caso a achassem ali, mas por sorte eles sequer pararam, apenas seguiram pelo corredor até sumirem de vista. Se apoiando numa das paredes, soltou o Fitzherbert e enfim se permitiu respirar. “Quase.”
“Você por acaso estava tentando falar com ela?” Nova questionou apontando para seu clone enquanto se aproximava de Muse. “Ela tá numa missão.” Disse antes de colocar mais um peça de metal na caixa que seu clone carregava. “E ela não é das mais eficientes. Então é melhor não interferir.”
A Westergaard deu um pulo de susto quando outra pessoa chegou sem mais nem menos, revezando os olhos escuros entre a figura em sua frente e a exata cópia ao lado. “Ah.” Foi tudo que conseguiu dizer, analisando o que agora sabia ser apenas um clone. “E como isso funciona?” Danika não costumava ser alguém de puxar papo, mas algumas poucas coisas a deixavam curiosa e magia tendia a sempre deixá-la curiosa, afinal, não crescera com ela. “Digo, ela sente o que você sente? Se ela levar uma facada no olho você vai saber?” Enfim desviou o contato do clone, se focando na Fantastic e ignorando o fato de que sua pergunta talvez houvesse sido específica demais. Não que estivesse pretendendo esfaquear alguém.... ainda não, pelo menos. Danika pigarreou assim que mediu as próprias palavras, arrumando a postura. “Mas não precisa ser algo tão extremo assim, claro.”
A biblioteca não era exatamente o local favorito de Makkari—ela preferia gastar seu tempo livre com outras atividades. No entanto, ela tinha de admitir que a biblioteca do mundo sem magia tinha seu charme, e estava se tornando muito divertida de explorar. Veja, ela gostava de conhecer coisas novas, e os livros mundanos tinham lá sua magia própria. Vários deles eram muito criativos, com histórias de vários outros mundos diferentes, com heróis cativantes, e Makkari estava começando a pegar o gosto por esse tipo de leitura. Mas o que ela gostava mesmo, no entanto, era das histórias em quadrinhos. Elas eram mais curtas que de um livro, sendo mais fáceis e rápidas de se ler. Eram perfeitas para ela.
Neste momento, ela estava imersa em uma aventura de um grupo de mutantes. A narrativa estava tão interessante que ela riu para si mesma, imaginando-se dentro daquele grupo. Enquanto virava a página, ouviu uma voz ao seu redor. Ela abaixou a revista em quadrinhos, e olhou para muse, um pouco perdida por ter sido tirada bruscamente de seus pensamentos “Hã—me desculpe o que?”
Algumas escapadas lá e cá eram prioridades quando se tratava de Danika, principalmente após uma sequência tão estressante de acontecimentos malucos e aterrorizantes pelo local. O destino nunca importava muito, afinal, o objetivo era apenas espairecer, com o que quer que fosse. No dia em questão resolveu visitar uma biblioteca, o Mundo Sem Magia jamais fora algo distante de si já que só pudera conhecer a magia quando já estava mais velha e morando em Arthurian. Conforme andava pelo local, que estava bem cheio, segurando alguns livros em mãos, parou perto de uma das poucas mesas não lotadas de gente. “Eu posso me sentar com você?” Questionou, mas a outra em sua frente estava tão imersa que certamente não a ouvira. Danika pigarreou alto, chamando a atenção dela com uma pitadinha de impaciência até que enfim foi respondida. “Perguntei se posso me sentar aqui.” Repetiu, soltando uma longa bufada de ar pelo nariz. Não estava em seus melhores dias, isso era fato. “O resto está cheio.”
“Se o boca aberta do David não der com a língua nos dentes, talvez. Sabemos como é difícil para ele não falar, principalmente com nosso pai.” entre o meio e o fechamento da observação, Njord trouxe a borda do copo aos lábios, bebericando do rum com gelo ao concluir. Ligeiramente desinibido com a companhia da irmã, precisava da dose diária desse tipo de sossego, sem-cerimônias. Por mais arbitrário que estivesse certo que aquilo fosse, destilar sua opinião com o habitual nuance de desprezo lhe soava quase libertador, especialmente quando as circunstâncias não o permitiam ser honesto. Apreciava honestidade, embora bruta. Danika, graças aos deuses, e mais que ninguém, a reconhecia nele. “Ele vai entender.“ assegurou, enquanto acompanhava-a através do jardim, o braço alheio apoiado sobre o seu a medida em que orientava a sequência de passos. "Não sabemos a razão do convite ou até que ponto vai a afinidade de Arthur com a Excalibur. Talvez só estejam curiosos para saber nossos desejos.” os ombros elevaram-se sútil, e o Westergaard deu outro gole na bebida. “Me parece utópico a espada nos conceder um desejo, se é que é sobre isso.” autorizou silêncio permear o diálogo em sucessão, só por um conjunto tímido de segundos e o suficiente para decidir se valia a pena falar algo. “Ele não é tão ruim, Dani.”
Danika rolou os olhos e o mero fato de poder fazer aquilo sem fingir um sorriso educado era um alívio enorme. “Detesto que tenha razão.” A fala ríspida foi dita com puro desdém, não por Njord, é claro, mas por terem de se portar bem perante tanta estupidez como a de David Charming. A mais nova engoliu em seco, sentindo sua boca amargar com o modo dócil demais que seu irmão tendia a usar quando mencionavam Hans numa conversa. “Ele vai entender?” Ecoou, não conseguindo segurar o riso seco de escárnio e a clara descrença com aquilo. Njord não podia ser inocente a esse ponto. Hans não entendia. Ele nunca entendia. O homem exigia deles certa postura e caso a mesma não fosse mantida não era um tapinha nas costas e um ‘faça melhor da próxima, filhão’, mas sim punições. Ofereceu então apenas um assentir, deixando quieto e se dispondo a ouvir o irmão a respeito do que poderia ou não acontecer. Estavam indo bem até que a frase ‘Ele não é tão ruim’ foi proferida. Danika parou de andar. “You’re shitting me right now!” A voz irritada e especialmente o xingamento saíram em mero sussurro, mas Danika não se permitiu se expor demais naquela conversa. Sabia as posições dele sobre Hans e não seria ali que o faria mudar de ideia. “Quer saber? Conversamos mais tarde, certo? Aproveite.” Cessou a interação, abrindo um sorriso educado ao irmão antes de se virar e caminhar na direção oposta.
[ não muito tempo depois . pós plot drop ]
Não conseguia mover os pés. Por Merlin, não conseguia mover seus malditos pés! E para piorar? Tudo ao redor estava embaçado e girava, o ar era pesado e denso. Danika bem que tentava usar os próprios poderes para se acalmar, mas se sentia presa revendo a mente repetir a cena daquela criança sendo arrastada para longe, o sangue, as palavras ditas, o ódio e... “NÃO TOQUE EM MIM!” Esbravejou, saltando para trás e sentindo o coração quase sair do peito quando dedos entraram em contato com a pele de seu braço. De olhos arregalados, demorou segundos demais para perceber que seu tom alto e descontrolado havia chamado a atenção de algumas pessoas, (devido ao caos ao redor, não muitas, por sorte) o que a fez querer gritar ainda mais para que nem mesmo a olhassem, para que nem mesmo a notassem. Mais segundos ainda foram necessários para que reconhecesse quem a havia tocado. O rosto de Njord entrava em foco em sua visão e Danika pôs-se de pé num salto. “Estou bem.” Anunciou. Não queria falar sobre aquilo. Não conseguia falar. "Eu estou ótima. Foi só um susto.” Deixou claro, com a voz trêmula mais confiante possível, o queixo erguido e a expressão impassível.
“Por que eu ‘tô passando mal?” Encarou muse incrédula, a voz subindo alguns oitavos enquanto se apoiava na parede de um dos corredores, próxima ao próprio dormitório onde poderia simplesmente deitar e dormir se não fosse a porcaria do nervosismo agitando o estômago e o bebê. “Tinha sangue nas paredes! E-e… Aquele cara, eu conhecia ele! Por que não está em pânico? Podem nos expulsar, e nossa, eu não quero nem pensar no que papai vai dizer caso eu volte para casa sem um marido.”
Danika lutava muito para se recompor do susto e da sensação de sufoco, mas nada fazia a raiva passar. Muito pelo contrário, se fosse sincera. Sentia o sangue fervendo mais a cada segundo que passava e caso não fossem liberados logo acabaria socando alguma coisa. Ou alguém. Pretendia se afastar da multidão o máximo possível quando uma voz soou alta e desesperada o suficiente para chamar sua atenção. Observando a cena em sua frente, sentiu o maxilar travado mais uma vez, basicamente empurrando quem falava com a garota e tomando lugar em frente a ela, se ajoelhando no chão. “Ei...” Suas mãos deslizaram suavemente pelos braços alheios, sentindo o formigamento nos dedos conforme seus poderes entravam em ação. Não que Danika fosse o maior exemplo de usar seus poderes para de fato ajudar alguém, mas aquela situação era semelhante demais às suas próprias do passado para que ignorasse. “Respire comigo, tudo bem?” Pediu, inspirando pelo nariz e expirando devagar pela boca. Seus poderes podiam sim fazer os órgãos de alguém explodirem ou acelerarem, mas também faziam o oposto, o que era útil quando precisava relaxar. Abriu a boca, mas logo anunciaram que estavam liberados para voltarem aos quartos, o que foi um alívio enorme que não deixou transparecer. “Você quer que eu te acompanhe de volta até seu quarto?” A voz saía baixinha e preocupada, novamente, coisas raras de serem vistas com veracidade na parte da Westergaard.