Flashback. Alguns anos atrás.
Localização: Premiação de Príncipe do Ano.
A demora de princesa era condizente com a do personagem de Prince Tomas Frederick Charming. Encarregado de deixar o smoking ainda mais extravagante e único, peça rara que seria leiloada em algum momento da semana seguinte. As expectativas altas para a vitória do pai só deixando aquele momento ainda mais delicado e crucial. Mostrar ainda mais apoio estava na lista de prioridades, ser um dos primeiros a abraçá-lo quando anunciar o nome, ser o herdeiro para o futuro da família. Sendo o primeiro homem depois de Wyatt, o sobrenome seria carregado consigo mesmo após o casamento, prolongando a linhagem até o fim dos tempos. E, bem, dando três tipos de nó no estômago de Fred por ser esse um dos seus papéis.
Ele e a mão, Snow White, admiravam as penas de beija-flor sintéticas (eram reais, Toothiana se recusou a comparecer ao evento quando descobriu) com suspiros intercalados. As mãos entrelaçadas se apertando conforme a imaginação preenchia lacunas e enaltecia a composição final nos ombros largos do Prince. “Você será um deleite, meu filho.” O rosto ainda perfeito da mãe, pouquíssimos sinais de envelhecimento perturbadores, o encarou de volta com olhos marejados. As mãos postas em seu rosto, segurando-o como se fosse a coisa mais frágil do mundo. “Um suspiro para todos os membros da realeza. Tão bonito, tão parecido com seu pai…” E a expressão fechava com a comparação, cenho franzido com leveza - e Fred sabendo onde iriam acabar chegando. “Não acha que está levando a brincadeira com a menina dos Hood muito longe? Não, deixe-me terminar. Você tem a liberdade de escolher quem quiser, não o impedirei disso, mas já estão começando a falar. Ela não pertence ao nosso círculo, querido. A pobrezinha não sabe nem segurar uma colher de sobremesa?” Os dedos escorregaram por seus cabelos e as costas reclamaram da posição inclinada, aquele Charming alto demais até para os padrões familiares. “Era tão bom ver você e a princesa dos Crystal. Sol, não é? Por favor, pense nisso… Eu e Cinderella somos tão amigas.”
Foi pela vontade pétrea que Fred engoliu a revolta e manteve o rosto intacto, o sorriso suave ainda curvando os lábios enquanto olhava amoroso Snow White. “Mãe, sua visão das relações é sempre muito pertinente.” O discurso começou cauteloso, porque não tinha conseguido juntar doçura e delicadeza o suficiente para transmitir um tom diferente de frio. “Mas não se preocupe, trarei logo uma solução para o empecilho que vê.” Segurou-a pelos pulsos e puxou o agarrar do rosto para baixo, o polegar fazendo círculos para acalmá-la. “Preocupação dá rugas. Pode ficar tranquila, confie em mim.” Snow deve ter visto algo na expressão do filho que se convenceu da veracidade das palavras, algo que empurrava para frente com determinação. Afundava os sentimentos por Daphne e levantava a bandeira do orgulho Charming.
Bom, que bela porcaria tinha caído no colo. Fred observava a mãe sair por uma porta e a voz aumentar, disparando ordens para os funcionários. Não tinha tempo para resolver nada agora e, olhando para o relógio, já estava atrasado para encontrar a namorada no saguão. Prince estava com a mão estendida para pegar a camisa preta bem passada no cabide quando ouviu a aproximação. “Daphne.”