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Bad girls do it well ||Sarah & Eris
Sarah, ao ouvir a voz de Eris do outro lado da porta, se levantou rapidamente e pegou um pequeno canivete que sempre levava consigo em sua bolsa. Ao sair do banheiro, se certificou de que o quarto estava completamente vazio, não fosse pelo corpo em baixo da cama, e então foi até a porta, ainda hesitante. A abriu rapidamente e levantou o canivete, apontando-o para o pescoço de Eris. Quando teve certeza de que era ela quem se encontrava parada na sua frente, abaixou a faca e deu um passo para o lado, convidando-a a entrar. Olhou para o corredor uma última vez e viu o segurança desacordado no chão. "E aí vai nosso elemento surpresa." Deu de ombros e trancou a porta atrás de Eris. Sabia que a madeira não seria capaz de manter alguém do lado de fora por muito tempo, mas era o melhor que poderiam fazer. Tinham que descobrir se todos na festa eram culpados por aquilo ou se também haviam civis na casa. Conhecendo os runaways da maneira como Sarah conhecia, não seria nenhuma surpresa se eles decidissem fazer a festa lotada de pessoas inocentes e não se importassem nem um pouco com o que poderia acontecer com elas. É assim que eles funcionam, pensou, agem sem se importar com ninguém além deles próprios.
"Melody está em baixo da cama." Dizer aquilo estava se tornando cada vez mais fácil enquanto Palmer aprendia a controlar seu tom de voz e à não pensar no assunto como a morte de uma de suas melhores amigas. Agora ela era quase capaz de encarar a cena como apenas um novo caso para resolver. "Você consegue perceber que há pouco sangue aqui? Digo, se ela tivesse sido morta nesse quarto, a quantidade seria muito maior. Ela foi morta em algum outro lugar e então carregada para cá para que nenhuma de nós duas fosse capaz de encontrá-la." Suspirou e passou a empurrar a cama, tentando deixar o corpo da amiga completamente exposto e não mais coberto por um colchão. Se agachou ao seu lado e passou os dedos pelos cachos ruivos dela, tirando-os de seu rosto e expondo sua pele branca e sem vida. "A temperatura do corpo também não…" Sentiu a voz falhando novamente e fez uma breve pausa antes de continuar. "Ela já não está tão quente… Deve ter morrido logo depois de que chegamos. Talvez se eu não estivesse tão distraída conversando com aquele homem…" Se interrompeu novamente. Aquele não era o momento para ficar choramingando sobre o que poderia ou não ter feito para mudar o que tinha acontecido. "Liguei para a Divisão logo depois que falei com você. Eles estão a caminho, mas você se lembra o quanto demorou para chegarmos aqui, certo? Quem quer que tenha planejado essa festa, pensou em todos os detalhes e a fez em um lugar extremamente afastado da Divisão para nos impedir de pedir reforços. Estaremos sozinhas por cerca de 45 minutos até eles chegarem. Nesse meio tempo, acho que deveríamos descobrir o que está acontecendo. Tenho um plano. Eu preciso conversar com uma pessoa. Fique aqui, ok?"
Sarah não sabia se Eris ficaria ou não no quarto, e a verdade é que não se importava, desde que ela saísse dele para buscar uma outra solução que não fosse a que Palmer procurava agora. Ela desceu até o primeiro andar novamente e foi até a cozinha, encontrando o homem com quem estivera conversando mais cedo. “Me desculpe pela demora, a fila do banheiro estava gigantesca.” Sorriu para ele e então se aproximou de seu ouvido, sussurrando de uma forma que sabia que apenas ele seria capaz de escutar e usando a voz mais sexy na qual conseguiu pensar. "Mas prometo que vou te recompensar por todo esse tempo perdido." O nojo que sentia do homem era grande demais para que Sarah fosse capaz de se forçar a fazer mais nada além de pegar sua mão e o puxá-lo até o segundo andar, sempre tentando parecer completamente disposta a satisfazer todos os desejos dele no momento em que encontrassem privacidade. Se aproximou da porta do último quarto e se apoiou na parede, puxando-o para mais perto e sussurrando em seu ouvido novamente. "Sei que não deveríamos entrar nos quartos, mas sorte sua que eu amo quebrar as regras." Afastando o nojo que sentia e ignorando todos os comentários que o homem fazia sobre por que não deveriam entrar ali, Sarah revirou os olhos e puxou a maçaneta. Teve que ser rápida para conseguir dar um passo para trás e empurrar o homem para dentro de forma brusca, antes de seguí-lo e trancar a porta atrás de si. Viu a mão dele indo até a parte de trás de sua calça jeans e desferiu um chute na arma no momento em que ele a ergueu, fazendo-a voar longe. O homem não parecia ser muito bem treinado, pois no momento seguinte, Sarah lhe deu uma rasteira, e vendo-o se desequilibrar por um segundo, tempo o suficiente para que ela desse a volta em seu corpo e pudesse desferir mais um golpe, fazendo-o cair de cara no chão. Palmer se sentou em cima dele, mantendo um joelho de cada lado de seu corpo, e puxou seus dois braços, deixando-o completamente imobilizado. Soltou um dos braços apenas para poder levar a própria mão até os cabelos do homem, puxando os fios para cima e erguendo sua cabeça. A raiva que sentia era maior do que qualquer coisa que poderia fazer para se controlar. Virou a cabeça do homem para o lado onde o corpo de Melody estava e então a apertou contra o chão novamente, obrigando-o a encarar a menina. "Você está vendo aquela menina ali? O nome dela é Melody e ela era minha melhor amiga, seu idiota. E adivinhe só? Agora ela está morta. É melhor você começar a me dizer exatamente o que está acontecendo aqui, ou eu serei obrigada a descobrir isso de uma maneira muito mais divertida."
Quando ele se negou a dizer qualquer coisa além de seus gemidos de dor, Sarah apontou com a cabeça para uma cadeira que se encontrava diante de uma escrivaninha, do outro lado do quarto. "Eris, poderia trazer a cadeira até aqui, por favor?" Tentou soltar um sorriso e torceu para que a menina concordasse com a ideia de amarrar o homem na cadeira e fazer qualquer coisa até conseguir respostas. Parte de Sarah estava um pouco assustada com a própria reação e a brutalidade com a qual tratava o homem e esperava apenas que Eris entendesse que ela não era sempre assim, porém não era todo dia que sua melhor amiga era morta por sua culpa. Era dever de Sarah fazer de tudo para vingá-la. Estava cansada de perder as pessoas que mais amava e tinha se prometido que nunca mais deixaria outro assassino sair impune como aqueles os quais mataram seus pais.
Ouviu o click da tranca da porta, a agitação fazendo com seus dedos formigassem. Podia sentir o gosto da bebida que havia recentemente consumido, era o momento que ela havia chegado mais perto de alguma situação que poderia se denominar diversão. Arrastou os pés descalços pelo carpete, dois passos a frente então estava adentrando ao quarto. Num ato de reflexo soltou os saltos de uma das mãos e segurou com força o braço de Sarah, apontou a arma recém roubada para o abdome dela. As garotas se encararam por um momento, confirmando se estava realmente tudo bem, e então relaxaram quanto suas posições de defesa uma contra a outra. Eris não se deixava levar por aqueles tipos de situações, por um simples fato, elas eram comuns em seu ramo. E ela adorava um momento teatral do qual precisavam ser mais do que realmente eram, ocorria na maioria das situações, no caso, se houvessem outros presentes ali, teriam de criar toda uma atmosfera para, no momento certo, usarem isso a seu favor. E Eris considerava esta uma das partes mais divertidas de sua profissão, mesmo que não visse mais suas práticas com tanto gosto quanto há tempos atrás.
Dentro do suíte, Sarah começou a explicar toda a situação de um modo mais detalhado. Eris ouviu com atenção as palavras dela. Quando a indicação foi feita, a Yronwood não hesitou em conferir. Avançou até a cama do casal, e em seguida abaixou-se, conferindo a situação. Não tinha nenhum grande vinculo com Melody – na verdade, dificilmente tinha um grande vinculo com qualquer pessoa --, mas ver o corpo da garota a deixou imediatamente perturbada, um nó se formou na boca do estômago da garota. Era – infelizmente – frequente que visse cadáveres nas missões que participava, porém, era inegavelmente mais confortável quando estes já estavam cobertos e devidamente localizados. A questão do momento era que, ela sabia muito bem como lidar com aquele tipo de situação, era somente manter a expressão séria e compenetrada e formular respostas, ou no caso, alternativas, necessárias para a conclusão dos fatos. Mas a situação do corpo da garota era terrivelmente familiar, a poça de sangue, o carpete de cor semelhante...os cabelos da mesma coloração. Éris imediatamente levantou-se, encarcerou suas reações que davam traços de transparência dentro de seu âmago, substituindo-as por uma expressão que demonstrava seriedade, Eris olhou diretamente para Sarah e assentiu.
Olhou por cima do ombro para a poça, realmente não parecia tão volumosa quanto deveria, ao menos não para justificar uma perda de sangue considerável para causar a morte da ruiva. O seguinte ato de Sarah foi imediatamente estranhado por Eris, apesar dela conhecer bem a sensação, da maneira mais profunda e mais dolorosa. Observou toda a cena calada, respeitando as reações da agente Palmer. – Nem ao menos aparentava ser uma emboscada, Sarah. – Estas eram as únicas palavras que tinha no momento para reconfortá-la, já que não era uma das pessoas mais habilidosas com estes momentos em que era necessário extremo eufemismo e delicadeza, ao menos , não tentava manter o empenho quando a situação não era de extrema precisão. Assentiu novamente, era uma das questões que estava prestes a fazer, pois visto a situação que estavam, não poderiam perder muito tempo lamentando a morte da garota. Era um local hostil, precisavam estar alertas. – Ótimo, acredito que eles chegam em um espaço de tempo menor, isso não justifica que fiquemos paradas, realmente, mas hey... Sarah. – Antes que pudesse terminar a frase ou repreender a garota, ela já estava saindo porta a fora. Eris bufou e balançou a cabeça. – Nós nem sabemos quem é quem e... argh, cuidado com o cara no meio do corredor. – Finalizou, mesmo que já estivesse falando sozinha. Contanto que Sarah não desencadeasse uma situação ainda pior, estaria tudo bem.
No meio tempo em que a garota não voltava, Éris retornou a cama para cobrir o corpo de Melody – ao menos num ângulo em que, se estivesse de pé, não o veria. Não mais por razões particulares, pois agora conseguia pensar com mais clareza e com maior parcela pelo lado racional. Andou em direção aos saltos, calçou-os; deu um jeito nos cabelos emaranhados, fazendo-os ficarem de forma semelhante ao penteado anterior. Após esperar por uma quantidade de tempo que acreditava ser precisa, abriu a porta do quarto principal, deparando-se com o corredor vazio. Voltou a fechá-la, imaginando o que o “segurança” estaria fazendo naquele momento, e as respostas mais óbvias e prováveis de nada a agradavam. Dentro do cômodo, decidiu ficar e esperar por Sarah – se é que ela iria voltar – era o local mais propicio para se estar no momento.
Quando Sarah voltou com seu acompanhante e as coisas começaram a esquentar, Éris apenas interveio no momento de pegar a segunda arma no ar, deixando que a colega imobilizasse o homem. Segurava os dois revólveres firmemente, apontando diretamente para ele, apenas para certificar-se de que este não estava disposto a fugir por qualquer custo. Após o comentário de Sarah que se dirigia a Eris, esta olhou em volta, e não demorou para encontrar a cadeira em frente a penteadeira alguns passos atrás dela. Eris foi em direção ao móvel, e ao invés de preocupar em desocupar as mãos para levá-lo até uma proximidade boa de seu oponente, puxou a cadeira com o auxílio do pé e perna direita e chutando-a em direção deles, a cadeira bamboleou, mas caiu de forma desejada, logo acima e a frente do rosto do homem. – Acomode o nosso convidado da melhor maneira, Sarah. – Éris encarava o encarava com um sorriso sínico no rosto. Estava na hora de ser definitivamente, teatral.
{flashback} Dance Floor Anthem — Keith + Eris
Com uma leve negação de cabeça e uma careta foi que ele respondeu Eris de sua forma. Era óbvio que ele não se deixaria ser mandado por ninguém no mesmo nível que ele, e só de pensar nisso se movimentou em sua posição, no mesmo canto. Relaxou os ombros e continuou firme com as mãos atadas à luva, segurando-as com força, ligeiramente um pouco indignado, porém nada que o alterasse de imediato. Era apenas um favor que faria à garota, por que deveria ser tão chato? Claro, gostava de ter um tempo só para si e ser incomodado era um tanto quanto perturbador, sim, mas não era motivo para ficar tão louco e fora de si. Acabou por relaxar todo o corpo, respirando fundo e sentindo os golpes dela na luva. Precisos e fortes, realmente, ele tinha de admitir, mas não sabia se ela estava usando toda sua força ou apenas evitando de se empolgar demais. De qualquer que fosse a forma ou o pensamento desta, Keith segurava tranquilamente as luvas, seguindo os movimentos dela.
À medida que ela se empolgava cada vez mais nos golpes, Keith foi seguindo seus movimentos rapidamente, sem qualquer demora ou falta de qualidade, impulsionando contra a força que a mesma empregava em certo golpe, de modo que ele próprio não fosse empurrado para longe com a profusão de ataques que recebia e que, claro, segurava. De qualquer que fosse o jeito, desviava também dos golpes que não se ligavam totalmente às luvas, mas ainda sim estava insatisfeito. Ele era mais puxado para a parte do ataque, da ofensiva, nisso ele se saía perfeitamente bem, segundo o que deduzia e segundo o que boa parte dos agentes achava dele. Por ser agente de campo, Keith tinha de estar preparado para tudo, e se recebesse um soco, devolveria três ou mais, porque era assim que achava justo. Seu corpo se movimentava e se fazia mais presente na força quando ele atacava, não quando ele se defendia, porém era um modo de aperfeiçoar-se também, afinal: não sobreviveria só de ofensivas. Ao ouvi-la falar, olhou para ela brevemente, como se achando aquilo uma coisa um tanto… impressionante. Eris não era muito de conversas, ou pelo menos era o que tinha deduzido há algum tempo. A outra parecia muito bem inclinada a ter um papo com Keith, e ele fez uma careta, antes de balançar a cabeça negativamente e voltar para sua tarefa atual: desviar e segurar os golpes da mulher. — Algumas, sim. Só poderei atuar nelas futuramente. — Tinha de aparentar entretido com o que se iniciaria ali, mas de fato não se incomodava em falar com a outra, até porque ela era uma pessoa série e firme do que queria. De qualquer forma, ainda sim pensava que ela queria algo atrás daquelas palavras, ou fosse apenas o instinto natural de Keith. — E você, Yronwood?
Não colocava muita força nos golpes, não por falta de empenho, mas por classificar aquele treino como um dos quais tinha a necessidade de demonstrar tudo o que tinha. Na verdade, recentemente, todos eles tinham seguido um ciclo vicioso de serem feitos apenas para não perder o controle de suas habilidades físicas. Éris vinha focando em outros ensinamentos, que para ela, aparentavam ser os mais necessários naquele momento. Ainda assim, tinha a regalia de poder se agraciar com alguns treinos onde estava realmente elevando suas habilidades. Também, por não confiar mais nos colegas de certo modo, pois se algo desse “errado” no breve futuro que planejava para si, a última coisa que precisava era que soubessem de todos seus truques. Falhar não era uma opção. Contudo, ficar com o pé atrás mesmo sobre os detalhes era necessário.
Ao meio de um segundo de desvencilho, a mão de Keith viera em sua direção, parecia ter a intenção de segurar mais um golpe – já que ele parecia focado em acompanhar o ritmo dela --, e num ato de reflexo, Éris ergueu a perna esquerda, segurando a força da mão dele com a planta do pé. O choque não doeu tanto quanto iria se ela não estivesse acostumada a fazer aquele tipo de “manobra”, mesmo assim, decidiu expressar que não estava com intenções de transformar aquela típica forma em algo alternativo. – Foi mal. – Falou rapidamente, voltando a posição normal onde ambos os pés se mantinham no chão. A frase fora dita de modo rápido. Nunca havia tido qualquer treino muito além destas coisas bastante típicas com Keith, apesar de seus pares costumarem ser de preferências masculinos, para que ela assim, pudesse melhorar sua habilidade de lidar com as diferenças de pesos e massas, ele não se via ali. E Éris não estava com cabeça para transformações, ou mudanças bruscas do cotidiano, ainda mais quando estas poderiam ficar claras frente a ele. A última coisa que ela queria era questionamentos, já que a personalidade reclusa na maioria do tempo parecia limitá-la aos olhos dos outros. Respirou fundo, e voltou a avançar, desferindo golpes contra ele. – Dia monótono, sempre existirão missões, mas nenhuma no momento que acredito ser necessário. – Respondeu, entrecortando a frase em alguns momentos para ter mais fôlego durante os golpes. Ela tinha lá suas responsabilidades, mas nada tão importante quanto aquela que há tanto tempo que ela hesitava em suprir.
Eris Yronwood and her sassy side MoodBoard.
Lost things; Darkest Hour · @Bosswood
As chamas subiram e se espalharam rápido demais. Ralph havia saído há pouco tempo de um laboratório, e se encontrava em um corredor frágil, em ponto do teto desmoronar sobre sua cabeça. Um rapaz loiro de outro setor da Divisão o acompanhava, e usava suas habilidades de Mover para limpar o caminho para a dupla. O garoto perguntava coisas como “Como diabos esse incêndio começou?" e "Como é que nós vamos sair daqui?" e Ralph não podia o responder. Sua mente estava ocupada em desviar dos escombros e fazer as suas próprias perguntas. "Será que minhas roupas estão salvas lá nos armários dos funcionários?" e "Onde é que foi que eu deixei meus croquis?" assombravam sua cabeça. Em um estalo de clareza, ele se lembrou aonde havia deixado seus rascunhos. No laboratório de seu pai. Ele planejava mostrar seu trabalho para o homem, e ver o que ele diria. Ao dobrar um corredor, com o recém conhecido Mover retirando uma estante em chamas do caminho, dois caminhos foram mostrados. Para a esquerda, um labirinto de corredores e laboratórios; para a direita, uma curta passagem para… A saída. O loiro deu três passos para a direita, mas parou e olhou para trás, notando que Ralph estava imóvel. — Você não vem? — Indagou. Ralph acenou negativamente. — Eu tenho que ver se sobrou alguma coisa dos meus croquis. — Ralph explicou. — Queria muito te acompanhar, gato, mas não vai rolar dessa vez. — Ele disse, e piscou com um olho, antes de girar todo o seu corpo para a esquerda e correr naquela direção.
O incêndio gradualmente transformava a Divisão em um inferno, e Ralph tinha certeza que não era nada saudável inalar toda aquela fumaça ou ter sua pele queimada nos mais diversos lugares de seu corpo. Tudo estava vazio, e o moreno deduziu que todos os funcionários haviam conseguido fugir, incluindo seu pai. De longe, ele avistou o laboratório, e apertou o passo, cuidando para desviar dos pedaços de Divisão que caíam como as folhas de outono. Em alta velocidade, não pôde perceber a máquina tombada na porta do laboratório. Tropeçou no móvel, e caiu. Colocou os braços e as mãos para proteger seu rosto, como lhe foi ensinado desde pequeno: “não importa o que aconteça, sempre proteja sua cara”. Seu joelho direito foi ferido gravemente pela queda, e requeriu um certo esforço para ele se levantar. Cambaleando, Ralph caminhou até à mesa onde guardava seus desenhos. Utilizou sua mão que menos tremia para abrir a gaveta e sentiu um calafrio ao ver que estava vazia. O garoto esperava papéis queimados, não nenhum papel. Ao olhar em volta, encontrou seu pai debaixo dos escombros, segurando folhas amarrotadas. Ralph andou tão rápido quanto seu machucado deixava, e ajoelhou-se ao lado do homem, tentando retirar o material em cima do seu corpo. — Pai?! Giorgio?! Acorde, seu velho sem senso de moda! — Ralph suplicou, dando tapas leves no rosto do homem. — Por favor, pai… — Uma lágrima brotou do canto do olho de Ralph, descendo por toda a sua face, até cair em formato de gota no chão.
— R-Ralph? — A voz abatida de Giorgio denotava sua fraqueza. — Pai?! Não se esforça, eu vou te tirar daqui. Só… Fica parado. — Ralph tentou levantar, mas a dor em seu joelho o impediu. — Shh, meu menino. — O tom do homem era calmo, e o garoto não entendia como ele podia ficar calmo numa situação daquela. — Tome, cuide disso. Não deixe ninguém pegar de você. — Giorgio, com dificuldade, retirou um frasco do bolso de seu casaco e o entregou para Ralph, que pegou o objeto e o guardou. — Meu menino. Você é tão lindo, Ralph. — Ele pousou uma mão na face do garoto, que deixou outra lágrima sair. Ralph limpou-a, e forçou um sorriso. — Agora conta uma novidade. — Disse, deixando se envolver pelo calor da mão do pai em seguida. — Eles também são lindos. — O homem devolveu os croquis para seu dono, com um sorriso no rosto. Ralph não sabia, mas aquele era o último sorriso que ele veria de seu pai.
O homem fechou os olhos, e uma expressão de terror tomou conta da face de Ralph. Ele não estava mais respirando. Ralph tentou o socorrer da forma que pôde, mas mal conseguia ficar de pé, e os escombros eram pesados demais. O barulho de movimentação do lado de fora do laboratório chamou sua atenção, e ele foi se arrastando até a porta. Quando chegou lá, usou todas as suas forças para gritar por ajuda, e após quatro ou cinco berros, ele desmaiou.
Quando retomou sua consciência, Ralph estava tendo seu rosto jogado de um lado para o outro por uma figura feminina. Éris? O que ela estava fazendo ali? Ele estava sonhando? A voz da garota clara em seus ouvidos era uma prova de que aquilo era real. — Eu sempre me conectei mais com a Bela Adormecida do que com as outras princesas, to be honest. — Comentou, tentando sentar direito. — Será que é porque o vestido da Aurora é rosa? — Perguntou, como se aquela questão fosse a mais importante do mundo. Em seguida, deu de ombros, e tentou ficar de pé. O calor do laboratório estava começando a ficar insuportável. Ralph conseguiu levantar, mas seu joelho continuava danificado, e ele teve de apoiar seu braço em volta do pescoço de Éris. Levou a outra mão à testa e fez uma pose dramática. — Oh, deusa Éris, obrigado por vir me salvar! Meu sonho sempre foi fazer cosplay de donzela em perigo. Vamos fingir que você é o Mario e eu sou a Princess Peach, ok? — Disse, tentando acompanhar o caminhar da moça. Ao olhar para trás, percebeu que seu pai não estava mais ali. Ele tinha se salvado também?
-- Era de se esperar, ela é chatinha, preguiçosa, foi mimada pelas fadas madrinhas... – Retrucou, cantarolando a frase. Não era o assunto apropriado para se tratar naquele exato momento devido as circunstâncias, entretanto, não era nada incomum vê-lo encarar as coisas daquele modo. Ralph era inapropriado, e provavelmente era uma das coisas que Éris mais gostava nele, pois também era um dos principais motivos do garoto ser uma das únicas pessoas das quais a deixavam realmente mais confortável. Era muito mais fácil encarar a situação atual de um modo cômico, a faria esfriar a cabeça em relação a questão que resolvia antes do imprevisto. – Provavelmente, mas hey, Aurora, precisamos cair fora. – Tentou acelerá-lo, Ralph podia se esquecer ou até mesmo ignorar ao que estavam expostos, Éris não. Ele felizmente captou a mensagem, e em seguida começou a movimentar-se mais depressa. A ação dele de colocar um braço em volta de seus ombros a pegou de surpresa por um curto momento, até se lembrar de que havia apenas checado se ele não tinha nenhum ferimento fatal, e na pressa, desprezou outras questões. – Oh, really, Ralph? Vou mesmo ter de ser seu príncipe charming? – Bufou, ajudando-o a melhor se acomodar quanto ao modo que necessitaria ser ajudado. Agora ciente de que teria de arcar com parte do peso corporal de Ralph, que felizmente não era corpulento, tratou de agilizar em proporcionar tal esforço necessário, para que pudessem sair logo do local de onde estavam. – Porque olhe, eu estou bem longe de ter qualquer semelhança com ele. – Completou a frase anterior enquanto caminhava, referindo-se ao personagem que havia citado. Em seguida estavam avançando numa velocidade considerável eficaz. – Saiba que eu me recuso a te carregar no colo...aliás, eles só carregam as princesas no colo quando se casam? – Ela era de longe o tipo de pessoa da qual se poderia consultar para tirar estes tipos de dúvidas sobre clássicos infantis, Éris passou longe de ter uma infância tão recheada deles quanto a de qualquer outra criança.
-- Apesar dos apesares, Deuses existem para zelar pelos mortais, assim penso. – Comentou para responder sobre o comentário que enfatizava seu nome e o significado. -- Mario?! Parece menos pior, ao menos não temos nenhum Bowser atrás de nós, eu espero... – Prosseguia com a caminhada, puxando Ralph. Não demorou muito para que cruzassem por um corredor mais calmo, ainda assim Éris sentia-se agoniada com aquele casaco, sentindo um calor que a incomodava. Ao menos o pendrive estava seguro, e a primeira parte parecia ter sido finalmente feita, aquele incomodo que sentia era insignificante posto em comparação, qualquer descuido e ele poderia cair do bolso, perder-se... não podia tirar o objeto e guardá-lo em outro local das vestimenta, não sem ter grandes possibilidades de ser questionada por Ralph. Torceu o nariz, sentindo o suor brotar nas palmas das mãos, na testa... – Mas... me responda, Ralph, o que aconteceu ali? E essa perna?– Questões precisavam ser feitas, eram importantes, e parte de qualquer processo neste tipo de situação. Ainda mais porque, na concepção e lógica de Éris, aquele incêndio não deveria ser algo que viesse do descuido de um dos cientistas. Conhecia um bem de perto, e a maioria parecia seguir um padrão quando se tratava de trabalho, algo que costumava se assemelhar a ela em proporções e intenções diferentes.
Não admitiam falhas, logo, não acreditava que tivessem se deixado cometer uma. Esperava por suas respostas, usando este tempo para direcionar maior parte de seu foco em andar pela direção certa. Tinha de pegar leve com Ralph, isso não o limitava em ser submetido a algumas perguntas que seguiam o padrão dela. Aliás, se Éris poderia reagir com naturalidade quanto ao modo como ele encarava a situação, deveria ser recíproco.
Flashback; STAR WARS: episode I · @Dragonwood
Barbara deveria estar trabalhando na Divisão, ajudando Henry e Marie na reposição de todos os dados que conseguissem se lembrar para que a pesquisa continuasse, mas ela simplesmente não estava com a cabeça no jogo, não conseguia mais olhar para a sede da divisão sem que uma crise de asma ameaçasse se instalar novamente em seus pulmões. Sabia que tudo aquilo era psicológico, até porque a sua saúde não podia estar melhor depois daquele fatídico domingo, mas mesmo assim, ela ainda não estava pronta para voltar ao trabalho, como se nada tivesse acontecido. Suspirou, recolhendo as fichas dos pacientes atendidos no consultório no dia e levantou-se, deixando todos os papeis na mesa do secretário mais ausente que uma médica poderia pedir. Howard deveria estar fumando um cigarro, mesmo depois de Barbara insistir que aquilo fazia mal para ele. Estava indo, muito provavelmente, para casa, quando mexeu em sua bolsa, encontrando um pequeno pacote que ela sabia ser de Henry. Ir para a Divisão era inconcebível, no entanto, e ela não sabia muito bem aonde o amigo morava, até porque ela não era a melhor das pessoas para se localizar em uma cidade grande como Londres. Eris surgia como uma alternativa viável, e a loira nem se incomodou em ligar para a Yronwood, mesmo sabendo de seu humor… peculiar. Assim que chegou na portaria do prédio, pediu para o porteiro anunciar que ela estava lá e, quando recebeu o ok para subir, não poderia estar se sentindo melhor. Finalmente ela poderia entregar o pacote de Henry, mesmo que não fosse, propriamente, nas mãos dele. Confiava em Eris, no entanto, e no que ela faria assim que o tivesse em mãos. Ao menos ela esperava que a Yronwood entregasse aquilo para Henry. Barbara apostava que ele não iria querer ficar sem a blusa que ela ganhara para o amigo em uma das muitas comic cons do Star Trek. Que nerd não gostaria, afinal de contas? Ela não podia ficar adiando mais a entrega, mas não iria pisar no prédio tão cedo.
Chegou à porta do apartamento da parceira da Divisão e bateu na porta, sabendo que ela não fora convidada e que, muito provavelmente, levaria um ou dois foras, exatamente como se ela fosse alguma fugitiva que precisava ser remanejada de volta para a Sede da Divisão, onde fariam testes e aplicariam a vacina nela. Negou, tentando desanuviar os pensamentos. Eris nunca faria aquilo com ela, certo? Soltou um riso meio fraco, embasbacada com a sua imaginação fértil e com a falta de nexo que ela mesma conseguia ter nessas horas. Sorriu insegura para a colega, entrando no apartamento sem ser convidada e levantando a blusa que ganhara para Henry. “Hey, Eris… Me desculpa por isso mas eu realmente precisava entregar isso e eu sei o quão próxima você é do Henry e, sabe… Eu não queria atrapalhar ele no trabalho nem nada, até porque eu estou com uma pequena licença pelo que aconteceu e… Não sei porque eu vim aqui, para ser sincera”, gesticulou loucamente, até se lembrar da blusa e estendê-la para a mulher. “Ah, é claro! Para te entregar isso e pedir para você dar pro Henry, eu acho”, cerrou os olhos levemente, tentando se lembrar se havia algo mais. Nada.
Suspirou, sabendo que estava parecendo uma idiota aos olhos da colega e deu de ombros. “Eu não sei, talvez eu tenha vindo aqui porque eu não queria ficar sozinha depois de um dia de trabalho no consultório e…”, interrompeu-se, fingindo não ligar para a reação da Yronwood. Tudo o que Barbara menos desejava, naquele momento, era ser enxotada, mas ela sabia que era provavelmente aquilo que aconteceria, se ela não começasse a agir como uma pessoa normal.
Aquilo seria difícil.
Mesmo conhecendo os trejeitos da outra, era sempre um pouco engraçado o fato de Barbara ser agitada e desastrada, sempre gesticulando e falando frases de um modo apressado. Bárbara era o oposto de Éris —ao menos, ao ver da própria. E a todo momento que se encontravam, era quase impossível não notar, mesmo nas pequenas coisas, que muito as diferenciavam. Depois de ouvir todo o discurso de Bárbara, Éris assentiu calmamente e sorriu sutilmente para ela. – Ok, tudo bem, não se preocupe Bérbara. Aconteceu algo com você? – Franziu o cenho ao finalizar a frase, imediatamente a analisando, procurando por algum problema que ela pudesse não ter notado a primeiro momento. Foi interrompida pela agitação da garota, que lembrou-se do tal propósito de estar ali, e em seguida entregou a Éris, que pegou a sacola das mãos dela, imaginando de que encomenda se tratava, ao passo que Henry não havia comentado nada, e se havia, Éris não se lembrava. Não o via desde o “misterioso” incêndio, também, era de se esperar que depois daqueles surtos, ele ficasse preocupado no trabalho. De qualquer modo, isso a relembrava de que precisaria ficar de olho nele. Preocupado era aceitável, obsecado pela restauração em curto prazo, não.
Em seguida, silêncio. Bárbara não parecia ter nada a mais para entregar para a Yronwood, entretanto, claramente estava com algum bloqueio que a fazia permanecer ali parada. Éris pensou em dizer algo, talvez convidá-la para entrar e a acompanhar até o pub – se bem que acreditava que Bárbara dificilmente aceitaria – ou apenas agiria como sempre agia em relação a maioria das pessoas nas situações que achava necessário, com indiferença, despedindo-se de Bárbara ela mesma e finalizando por conta própria e sem rodeios. Entretanto, antes de que pudesse tomar alguma iniciativa para tornar a situação mais confortável para a outra, ou finalizasse com aquele impasse, Bárbara se pronunciou. Eris hesitou. Não costumava hesitar com transparência, não era do seu feitio. Aparentar que sempre sabia o que, quando, como e por que fazer era muito mais fácil, mesmo que em situações nada cruciais. – Aquele domingo foi terrível pra todos nós... eu não sou muito fã de café, mas se você quiser, sempre tem umas capsulas pro Henry aqui em casa, e acho que ele não precisa mais do que já tem. – Deu e ombros, deduzindo que ela teria o mesmo vicio de seu amigo em base das memórias que envolviam comentários do tipo; usando o ar casual. Realmente preferia ir ao pub, não só porque queria um lugar mais agitado, mas porque uma das últimas coisas no mundo em que ela se preocuparia em criar habilidade, era em aprender a fazer a mistura das bebidas que gostava com a perfeição precisa para que ela mesma se satisfizesse o bastante. Mas poderia aceitar ficar e se contentar com o licor de hortelã que tinha na dispensa. Bárbara não parecia ser uma má companhia para se ter num fim de semana tedioso, apesar de não ser bem o tipo de pessoa que Éris poderia classificar como descontraída.
Éris, love, você é trapaceira. Quero dizer, usando técnicas de persuasão pra me fazer dizer mentiras, roubando no poker do departamento de Tecnologia da Informação… Qual é seu próximo passo, hein? Contar cartas em Las Vegas? Vender meu rim na deep web enquanto eu durmo?
Aw. Uma kitnet no coração de Éris Yronwood. Que mancadas? Eu sou um cara anti-mancadas. Nunca dei uma mancada na vida, pft.
Eu já disse. Há duas coisas para as quais não há limites: feminilidade, e os meios de tirar proveito dela e que a verdade é circunstancial, assim como eu. Eu não preciso do dinheiro do seu rim, fique tranquilo, mas ir a Vegas contar cartas parece divertido.
Meu ego é muito grande para permitir que você instale sua mansão nele, huh? Por favor, Henry, foi-se o tempo em que eu era a irresponsável da nossa relação.
Eu já me escondi até no banheiro químico pra você não me achar e eu vim comprar só um sanduíche inocente e você aparece… Éris, minha deusa.
Já mencionei o fato de que você sai com vantagem porque você é trapaceira?
E que bom que você se sente culpada. Isso me faz pensar que você ainda deve ter 1/8 do seu coraçãozinho.
Tsc, tsc, tsc, vou me lembrar de sua falta de compromisso e falta de espírito esportivo. Sou Deusa, da discórdia, não da trapaça, eu já te expliquei o básico sobre mitologia...
Você... é, tem seu lugar, um espacinho, que está quase virando um quarto dos fundos com essas suas mancadas.
Pera aí, você disse o que?
Eu disse que tem uma certa pessoa que me deve alguns favores graças a uma certa aposta, mas eu não posso fazer a devida cobrança dos meus direitos sem me sentir culpada e... já mencionei também como eu odeio o fato de conseguir sair com vantagem de tudo?
Soube que você tá procurando uma pasta. Eu tenho uma Colgate Sensitive, serve?
Nah, eu prefiro Sensodyne.
Vc tbm curte causar a discordia?
Somente quando necessário.
eu nunca sei se vc é metida e me ignora ou minhas perguntas não chegam
Essa é a primeira vez que eu recebo uma pergunta sua...
não tinha chegado não thai, se essa é a questão asuhashuuhas
Flashback; Blank Space · @Heris.
Ela era uma pessoa engraçada, a garota. Principalmente por ser uma pessoa sozinha numa festa cheia daquela e na noite de Natal. Henry queria bombardeá-la com um milhão de perguntas, mas de acordo com sua mãe, isso seria muito inadequado e indiscreto. E Henry Mason agora prestador de serviços para a divisão não podia se dar ao luxo de ser inadequado ou indiscreto. Ponderou e resolveu guardar suas questões para si, antes de tomar mais um gole da bebida gelada - Bolo é sempre bom. Eu como muito, sabe? Talvez seja por isso que eu sou tão alto, comer é o melhor pra poder crescer e tudo mais, não? Enfim. - Deu de ombros e deu outro gole - Gosta de champanhe? - Perguntou, apontando para a taça na mão da garota. Garota que aliás, ele não sabia se estava ou não tentando esconder seu desconforto. E se estava, estava o fazendo muito mal. Não precisava ser um gênio e nem muito observador para saber que a loira não era nada comunicativa. Uma pena para ela, porque Henry era irritantemente sociável - Eu não gosto muito - Observou, uma vez que ela não disse nada e formou-se um silêncio. E Henry odiava silêncios constrangedores. O rapaz tinha a teoria de que uma pessoa realmente era sua amiga de verdade quando o silêncio que caía entre vocês deixava de ser constrangedor e passava a ser confortável. Encontrara aquilo em pouquíssimas pessoas, talvez alguns minutos de conversa e a loira seria uma dessas.
Um pequeno sorriso formou-se em seus lábios quando ele ouviu-a rir. Melhor do que a expressão de desconforto de antes - Éris. Tipo a deusa da discórdia - Henry observou, sorrindo - Gostei - estendeu a mão e apertou a da garota, no cumprimento mais formal que o comum para alguém da idade dos dois. Mas francamente, não tinha nada de muito comum neles para a idade dos dois.
Éris não se conteve e riu, Henry parecia uma criança falando daquela maneira. E por mais que a maioria daqueles que a rodeavam insistissem em chamar pessoas da idades deles assim, Éris não podia e não sentia-se como uma criança há muito tempo, negando totalmente este titulo, imaginava que Henry também, mas talvez de um modo menos intenso. Provavelmente esta era a intensão dele, parecer uma criança e expor que tinha as qualidades de uma, mas Éris não deixaria de pensar se ele também poderia ter os defeitos. -- Tecnicamente, bolo faria você crescer para os lados. -- Acrescentou, tentando ser menos formal. Talvez não precisasse estar totalmente na defensiva, Henry não tinha a incomodado até então. -- Digamos que Champagne é familiar. -- Esta era a explicação dela para algo como "nunca bebi algo além disso, ao menos em questões de bebida alcoólica". Na verdade, pouco conhecia daquele assunto -- Para ser honesta? Não tanto quanto deveria. -- Fez uma careta, terminando com a bebida de vez.
-- Sim, Éris como a deusa da discórdia. Tradição de família. -- Assentiu, confirmando a observação dele, deu de ombros ao complementar a frase. Provavelmente ele saberia que existia uma extensa lista de nomes homenageando seres mitológicos na família dos Yronwood, assim como ela conhecia algumas peculiaridades dos Mason que se interligavam seu reconhecimento no trabalho e a vida pessoal. Claro, se estivesse certa em supor que eram os mesmo Mason que uma vez trabalharam juntamente a seus pais. -- Eu não faço ideia do significado do nome Henry, desculpe. De qualquer forma significados de nomes é um assunto no minimo...estranho.
THAT WAS YOUR FINAL MISTAKE
Angus & Julia Stone - Big Jet Plane
Bad girls do it well ||Sarah & Eris
O sorriso de Sarah se estendeu por todo o seu rosto enquanto ela comemorava internamente o que pensava ter sido uma resposta positiva de Eris ao seu convite. "Prometo que a festa vai ser incrível! Sério!" Muitas vezes Sarah odiava esse seu lado que era tão superficial e se importava tanto com festas ou garotos, porém quando parava para raciocinar sobre o assunto, percebia que preferia mil vezes que as pessoas a vissem daquela maneira do que da forma que realmente era, descobrir o que realmente sentia.
{Mais tarde…}
O endereço da festa levou as três meninas até uma casa moderna num canto mais afastado da cidade. As casas vizinhas ficavam a distâncias consideráveis e isso poderia significar apenas uma coisa para Sarah: que poderiam fazer mais barulho ali do que em qualquer outro lugar da cidade. Saiu do carro arrumando sua saia e se equilibrando em seu salto agulha, seguida por Melody que resmungava algo sobre a noite estar relativamente gelada. Sarah não a deu ouvidos, tudo o que mais queria era finalmente entrar na festa. Ao chegar na porta, entregou seu convite ao homem de terno que provavelmente deveria ser o segurança e entrou na casa, sendo quase que imediatamente abordada pelo homem o qual lhe dera os convites no dia anterior. Sem nem ao menos pestanejar, Sarah se afastou do grupo e o seguiu até a cozinha da casa, aonde estavam as bebidas e onde o som não estava tão alto então poderiam conversar melhor.
Não sabe ao certo quanto tempo passou com ele, porém em algum momento a conversa entre os dois ficou chata demais e Sarah decidiu sair dali. Desculpas eram o que não faltavam, e a opção de falar a verdade também não havia sido completamente descartada, porém a menina não queria estragar completamente suas chances com ele, já que com certeza não deixaria a festa sozinha, então talvez ele pudesse ser uma boa segunda opção. Seus pensamentos logo encontraram a melhor desculpa possível e ela se desvencilhou do homem com um sorriso, seguindo até o banheiro em seguida.
Todos os banheiros mais próximos estavam ocupados e com filas gigantescas em suas portas, o que forçou Sarah à subir até o segundo andar, porém o único banheiro daquele andar também estava ocupado. Enquanto estava na fila, Sarah viu as três outras portas do lugar que se encontravam trancadas, portas que, como o homem havia lhe dito mais cedo, eram as que levavam aos quartos e não deveriam ser abertas de maneira alguma. Sarah observou as três alternativas com atenção. Duas das portas se encontravam uma ao lado da outra e ambas em frente à um banheiro, que de acordo com as meninas da fila, era maior e melhor do que o do primeiro andar, já a última porta era afastada de todo o resto, isolada no final do corredor e muito mais bem cuidada do que as restantes. Aquele, pensou, deve ser o quarto dos pais. Com um sorriso presunçoso, Sarah se certificou de que ninguém a observava e forçou a maçaneta da porta. Ela não se moveu. Tentou mais uma vez. Nada. Levou a mão à sua bolsa e pegou um grampo de cabelo, aquilo funcionava na maioria das portas. Não se lembrava se havia aprendido o truque em seus momentos de rebeldia quando mais nova ou em um dos treinos da Divisão, porém o importante foi que ela conseguiu abrir a porta com maestria e entrou no quarto de costas para o cômodo, ainda olhando para a multidão, com medo de que alguém fosse capaz de vê-la.
Assim que seu último fio de cabelo entrou no quarto, a menina passou a procurar um banheiro, afinal, em uma casa grande como aquela, seria um tanto quanto absurdo o quarto dos pais não ser uma suíte. Sarah percebeu que não estava errada ao avistar a porta do outro lado do cômodo e se arrastar até lá, porém, enquanto passava pela cama sentiu algo pegajoso sobre os seus pés. Olhou para baixo imaginando ser chiclete, mas viu apenas alguns respingos de um líquido vermelho no chão. "Você só pode estar brincando…" Murmurou enquanto se abaixava e olhava em baixo da cama. Havia um corpo lá. Uma menina, provavelmente da mesma idade que ela. Cabelos ruivos e sedosos, além de uma roupa que se parecia extremamente parecida com a que Melody usava. "Ah não…" murmurou baixinho enquanto afastava o cabelo do rosto da menina e apenas confirmava o que já tinha certeza de que era verdade. Sarah correu até a porta do quarto e a trancou novamente, seguindo até o banheiro e trancando a porta também. Alcançou o telefone em sua bolsa e discou o número de Éris com agilidade. A menina não entendeu de início, provavelmente devido ao barulho da festa que era alto demais e encobria o toque do celular "É-Éris?" sua voz ainda tremia um pouco do nervosismo e medo devido ao acontecimento. “Éris, sou eu, Sarah. Eu preciso que você venha até o segundo andar imediatamente. Estou no último quarto do corredor, dentro do banheiro.” Suspirou uma última vez enquanto tentava impedir suas lágrimas de escorrerem por suas bochechas. "Éris, a Melody está morta. Temos que dar o fora daqui."
Assim que desligou o telefone, digitou um outro número que há muito tempo estava decorado em sua memória e suspirou de alívio quando escutou a voz masculina do outro lado da linha. "Ben, você se lembra daquela festa pra qual eu fui hoje? Na qual eu estou agora? Eu acho que ela é uma armadilha. Acabei de encontrar a Melody morta escondida de baixo do colchão. Preciso que vocês mandem reforços. Não vou sair desse lugar até descobrir quem fez isso com ela." Desligou o telefone e o colocou de volta na bolsa, limpando a lágrima dos seus olhos uma última vez e controlando sua respiração. Quem quer que fosse o responsável pela morte de Melody iria pagar, e Sarah sabia exatamente por onde começar sua investigação: Pelo homem que lhe dera os convites.
Não era o tipo e ambiente que Eris costumava frequentar, ou que a deixava mais confortável. Ainda assim, era melhor do que ficar em casa. Seus pensamentos por alguns curtos momentos ficavam lá, imaginando se os pais estavam bem, se algo tinha mudado, mesmo que minimamente. Mas se ela ligasse para casa, ninguém atenderia. Eles eram como fantasmas, vagando ali apenas com um único propósito, verdadeiras sombras, que importavam-se apenas com aquele estúpido objeto e o que continha dentro dele. De qualquer modo, não era hora de pensar sobre seus pais. Eris tomou um shot drink que ofereciam no balcão de bebidas, haviam transformado a cozinha num tipo de bar, um bar bastante apertado. Ao menos, apesar dos apesares, a música alta era boa e toda a situação a deixava levemente alterada, podia dizer que estava divertindo-se.
Não dançou, não conversou com ninguém. Estava enrolando para procurar por Sarah e Melody, já que haviam se separado depois de um tempo. Éris considerou sair dali para procurá-la, mas do que conhecia Sarah, saberia que ela estaria ocupada de qualquer modo. Melody parecia ter menos facilidade em lidar com festas e flertar. Ao meio disto, Eris era imparcial, não estava lá para flertar com ninguém, ainda que não fosse ruim nesta questão, mas também não queria interromper no que a outra acreditava ser um bom foco de diversão. Com certeza Sarah e Melody estariam bem, concluiu.
Minutos após voltar a entreter-se com a bebida, um garoto sentou-se a seu lado, numa das cadeiras altas que organizaram perto do balcão, e que por um milagre havia ficado vazia. Não demorou muito que ele puxasse assunto, a conversa se desenrolou por um tempo e então foi interrompida. Eris sentiu o chacoalhar da bolsa e imediatamente supôs que fosse o celular, a questão era que, quem lhe ligaria naquele momento? A loira pediu licença para o garoto e afastou-se, deslizando o dedo na tela do aparelho para atender a ligação. Era Sarah, o que era compreensível e estranho ao mesmo tempo. Deveria ter se perdido pela mansão e estava a procura de Éris, ela pensava. Entretanto, a ligação foi feita com outro intuito, que apesar da dificuldade para ouvi-la com clareza, mesmo que naquele canto mais afastado, Eris entendeu o recado. -- Ok, estou indo.
Melody. Morte. Armadilha.
Eris imediatamente se viu em estado de alerta, partindo dali diretamente em procura de algum lugar que a levaria para o segundo andar. Quando achou as escadas, andou o mais sorrateiramente até elas, esperando que não houvessem surpresas. Ao menos não até chegar ao corredor. Um homem alto, vestido como um segurança parecia ter assumido determinado lugar ali, quando Eris se aproximou, ele alegou que quem havia organizado a festa não queria problemas em seus quartos. Simples e convincente, aliás, quem quer que fosse, tinha dinheiro o bastante para aquelas regalias. Contudo, ela sabia que havia uma garota morta no quarto, e não era por um motivo tão simples para que ele estivesse lá. Eris contribuiu com toda a farsa, assentiu com descontentamento, como se aquilo tudo fosse um absurdo, assim como uma jovem que tipicamente se via naqueles tipos de festa pensaria. -- Ok, ok, eu estou descendo senhor nós-não-queremos-ninguém-transando-nos-quartos. -- Levantou os braços, em gesto de rendimento. E então deu meia volta. -- Mas espera, espera ai, me responde uma coisa. -- Aproximou-se novamente, o quanto podia, e então mudou de postura para questionar: -- Se vocês não querem problemas nos quartos, por que tem uma garota morta em um deles? -- O tom que usou foi baixo, completamente diferente do anterior, mas Eris soube que ele havia captado a acusação quando o homem investiu contra ela. Não estava armada, mas isso não problema.
Foi imediatamente puxada para o corredor, onde tentou ser imediatamente imobilizada. Mas antes que ele prendesse seus braços, Eris já havia desferido um golpe contra o rosto dele. A partir dai, foi uma disputa de luta corpo-a-corpo para saber quem dominaria quem. Eris fora acertada algumas vezes, mas ao final, tudo acabou como de costume. Com o homem caído no chão, de costas viradas para cima e desacordado, ela já estava descalça nessa altura do campeonato, uma mão ocupada com a arma que havia tomado para si, e os cabelos antes presos todos emaranhados. Eris avançou para a porta no fim do corredor. -- Sarah?! Sou eu, a Eris. Abra a porta.