Bad girls do it well ||Sarah & Eris
Não era o tipo e ambiente que Eris costumava frequentar, ou que a deixava mais confortável. Ainda assim, era melhor do que ficar em casa. Seus pensamentos por alguns curtos momentos ficavam lá, imaginando se os pais estavam bem, se algo tinha mudado, mesmo que minimamente. Mas se ela ligasse para casa, ninguém atenderia. Eles eram como fantasmas, vagando ali apenas com um único propósito, verdadeiras sombras, que importavam-se apenas com aquele estúpido objeto e o que continha dentro dele. De qualquer modo, não era hora de pensar sobre seus pais. Eris tomou um shot drink que ofereciam no balcão de bebidas, haviam transformado a cozinha num tipo de bar, um bar bastante apertado. Ao menos, apesar dos apesares, a música alta era boa e toda a situação a deixava levemente alterada, podia dizer que estava divertindo-se.
Não dançou, não conversou com ninguém. Estava enrolando para procurar por Sarah e Melody, já que haviam se separado depois de um tempo. Éris considerou sair dali para procurá-la, mas do que conhecia Sarah, saberia que ela estaria ocupada de qualquer modo. Melody parecia ter menos facilidade em lidar com festas e flertar. Ao meio disto, Eris era imparcial, não estava lá para flertar com ninguém, ainda que não fosse ruim nesta questão, mas também não queria interromper no que a outra acreditava ser um bom foco de diversão. Com certeza Sarah e Melody estariam bem, concluiu.
Minutos após voltar a entreter-se com a bebida, um garoto sentou-se a seu lado, numa das cadeiras altas que organizaram perto do balcão, e que por um milagre havia ficado vazia. Não demorou muito que ele puxasse assunto, a conversa se desenrolou por um tempo e então foi interrompida. Eris sentiu o chacoalhar da bolsa e imediatamente supôs que fosse o celular, a questão era que, quem lhe ligaria naquele momento? A loira pediu licença para o garoto e afastou-se, deslizando o dedo na tela do aparelho para atender a ligação. Era Sarah, o que era compreensível e estranho ao mesmo tempo. Deveria ter se perdido pela mansão e estava a procura de Éris, ela pensava. Entretanto, a ligação foi feita com outro intuito, que apesar da dificuldade para ouvi-la com clareza, mesmo que naquele canto mais afastado, Eris entendeu o recado. — Ok, estou indo.
Melody. Morte. Armadilha.
Eris imediatamente se viu em estado de alerta, partindo dali diretamente em procura de algum lugar que a levaria para o segundo andar. Quando achou as escadas, andou o mais sorrateiramente até elas, esperando que não houvessem surpresas. Ao menos não até chegar ao corredor. Um homem alto, vestido como um segurança parecia ter assumido determinado lugar ali, quando Eris se aproximou, ele alegou que quem havia organizado a festa não queria problemas em seus quartos. Simples e convincente, aliás, quem quer que fosse, tinha dinheiro o bastante para aquelas regalias. Contudo, ela sabia que havia uma garota morta no quarto, e não era por um motivo tão simples para que ele estivesse lá. Eris contribuiu com toda a farsa, assentiu com descontentamento, como se aquilo tudo fosse um absurdo, assim como uma jovem que tipicamente se via naqueles tipos de festa pensaria. — Ok, ok, eu estou descendo senhor nós-não-queremos-ninguém-transando-nos-quartos. — Levantou os braços, em gesto de rendimento. E então deu meia volta. — Mas espera, espera ai, me responde uma coisa. — Aproximou-se novamente, o quanto podia, e então mudou de postura para questionar: — Se vocês não querem problemas nos quartos, por que tem uma garota morta em um deles? — O tom que usou foi baixo, completamente diferente do anterior, mas Eris soube que ele havia captado a acusação quando o homem investiu contra ela. Não estava armada, mas isso não problema.
Foi imediatamente puxada para o corredor, onde tentou ser imediatamente imobilizada. Mas antes que ele prendesse seus braços, Eris já havia desferido um golpe contra o rosto dele. A partir dai, foi uma disputa de luta corpo-a-corpo para saber quem dominaria quem. Eris fora acertada algumas vezes, mas ao final, tudo acabou como de costume. Com o homem caído no chão, de costas viradas para cima e desacordado, ela já estava descalça nessa altura do campeonato, uma mão ocupada com a arma que havia tomado para si, e os cabelos antes presos todos emaranhados. Eris avançou para a porta no fim do corredor. — Sarah?! Sou eu, a Eris. Abra a porta.
Sarah, ao ouvir a voz de Eris do outro lado da porta, se levantou rapidamente e pegou um pequeno canivete que sempre levava consigo em sua bolsa. Ao sair do banheiro, se certificou de que o quarto estava completamente vazio, não fosse pelo corpo em baixo da cama, e então foi até a porta, ainda hesitante. A abriu rapidamente e levantou o canivete, apontando-o para o pescoço de Eris. Quando teve certeza de que era ela quem se encontrava parada na sua frente, abaixou a faca e deu um passo para o lado, convidando-a a entrar. Olhou para o corredor uma última vez e viu o segurança desacordado no chão. "E aí vai nosso elemento surpresa." Deu de ombros e trancou a porta atrás de Eris. Sabia que a madeira não seria capaz de manter alguém do lado de fora por muito tempo, mas era o melhor que poderiam fazer. Tinham que descobrir se todos na festa eram culpados por aquilo ou se também haviam civis na casa. Conhecendo os runaways da maneira como Sarah conhecia, não seria nenhuma surpresa se eles decidissem fazer a festa lotada de pessoas inocentes e não se importassem nem um pouco com o que poderia acontecer com elas. É assim que eles funcionam, pensou, agem sem se importar com ninguém além deles próprios.
"Melody está em baixo da cama." Dizer aquilo estava se tornando cada vez mais fácil enquanto Palmer aprendia a controlar seu tom de voz e à não pensar no assunto como a morte de uma de suas melhores amigas. Agora ela era quase capaz de encarar a cena como apenas um novo caso para resolver. "Você consegue perceber que há pouco sangue aqui? Digo, se ela tivesse sido morta nesse quarto, a quantidade seria muito maior. Ela foi morta em algum outro lugar e então carregada para cá para que nenhuma de nós duas fosse capaz de encontrá-la." Suspirou e passou a empurrar a cama, tentando deixar o corpo da amiga completamente exposto e não mais coberto por um colchão. Se agachou ao seu lado e passou os dedos pelos cachos ruivos dela, tirando-os de seu rosto e expondo sua pele branca e sem vida. "A temperatura do corpo também não..." Sentiu a voz falhando novamente e fez uma breve pausa antes de continuar. "Ela já não está tão quente... Deve ter morrido logo depois de que chegamos. Talvez se eu não estivesse tão distraída conversando com aquele homem..." Se interrompeu novamente. Aquele não era o momento para ficar choramingando sobre o que poderia ou não ter feito para mudar o que tinha acontecido. "Liguei para a Divisão logo depois que falei com você. Eles estão a caminho, mas você se lembra o quanto demorou para chegarmos aqui, certo? Quem quer que tenha planejado essa festa, pensou em todos os detalhes e a fez em um lugar extremamente afastado da Divisão para nos impedir de pedir reforços. Estaremos sozinhas por cerca de 45 minutos até eles chegarem. Nesse meio tempo, acho que deveríamos descobrir o que está acontecendo. Tenho um plano. Eu preciso conversar com uma pessoa. Fique aqui, ok?"
Sarah não sabia se Eris ficaria ou não no quarto, e a verdade é que não se importava, desde que ela saísse dele para buscar uma outra solução que não fosse a que Palmer procurava agora. Ela desceu até o primeiro andar novamente e foi até a cozinha, encontrando o homem com quem estivera conversando mais cedo. "Me desculpe pela demora, a fila do banheiro estava gigantesca." Sorriu para ele e então se aproximou de seu ouvido, sussurrando de uma forma que sabia que apenas ele seria capaz de escutar e usando a voz mais sexy na qual conseguiu pensar. "Mas prometo que vou te recompensar por todo esse tempo perdido." O nojo que sentia do homem era grande demais para que Sarah fosse capaz de se forçar a fazer mais nada além de pegar sua mão e o puxá-lo até o segundo andar, sempre tentando parecer completamente disposta a satisfazer todos os desejos dele no momento em que encontrassem privacidade. Se aproximou da porta do último quarto e se apoiou na parede, puxando-o para mais perto e sussurrando em seu ouvido novamente. "Sei que não deveríamos entrar nos quartos, mas sorte sua que eu amo quebrar as regras." Afastando o nojo que sentia e ignorando todos os comentários que o homem fazia sobre por que não deveriam entrar ali, Sarah revirou os olhos e puxou a maçaneta. Teve que ser rápida para conseguir dar um passo para trás e empurrar o homem para dentro de forma brusca, antes de seguí-lo e trancar a porta atrás de si. Viu a mão dele indo até a parte de trás de sua calça jeans e desferiu um chute na arma no momento em que ele a ergueu, fazendo-a voar longe. O homem não parecia ser muito bem treinado, pois no momento seguinte, Sarah lhe deu uma rasteira, e vendo-o se desequilibrar por um segundo, tempo o suficiente para que ela desse a volta em seu corpo e pudesse desferir mais um golpe, fazendo-o cair de cara no chão. Palmer se sentou em cima dele, mantendo um joelho de cada lado de seu corpo, e puxou seus dois braços, deixando-o completamente imobilizado. Soltou um dos braços apenas para poder levar a própria mão até os cabelos do homem, puxando os fios para cima e erguendo sua cabeça. A raiva que sentia era maior do que qualquer coisa que poderia fazer para se controlar. Virou a cabeça do homem para o lado onde o corpo de Melody estava e então a apertou contra o chão novamente, obrigando-o a encarar a menina. "Você está vendo aquela menina ali? O nome dela é Melody e ela era minha melhor amiga, seu idiota. E adivinhe só? Agora ela está morta. É melhor você começar a me dizer exatamente o que está acontecendo aqui, ou eu serei obrigada a descobrir isso de uma maneira muito mais divertida."
Quando ele se negou a dizer qualquer coisa além de seus gemidos de dor, Sarah apontou com a cabeça para uma cadeira que se encontrava diante de uma escrivaninha, do outro lado do quarto. "Eris, poderia trazer a cadeira até aqui, por favor?" Tentou soltar um sorriso e torceu para que a menina concordasse com a ideia de amarrar o homem na cadeira e fazer qualquer coisa até conseguir respostas. Parte de Sarah estava um pouco assustada com a própria reação e a brutalidade com a qual tratava o homem e esperava apenas que Eris entendesse que ela não era sempre assim, porém não era todo dia que sua melhor amiga era morta por sua culpa. Era dever de Sarah fazer de tudo para vingá-la. Estava cansada de perder as pessoas que mais amava e tinha se prometido que nunca mais deixaria outro assassino sair impune como aqueles os quais mataram seus pais.






