O comentário de María o fez pensar que estava no caminho certo. Ele riu.
“E eu vou anotar que ser charmoso está funcionando para María.”
Seu nome era bonito e provavelmente funcionaria com o rosto que imaginava, de alguém tão bela quanto podia imagina. Sua mão fazia movimentos circulares para poder misturar seu uísque com o restinho de gelo. Levantou o copo para que, talvez, a produção notasse aquilo que lhe faltava. Não conseguia pensar no fim daquele date, estava se divertindo e sendo mais feliz do que com muitas outras.
“Eu fui estudar direito.” Disse, dando um suspiro, era o maior clichê das histórias que poderiam ser escritas. “E como sou da área, decidi me mudar para o centro da cidade e ficar por ali.” Deu de ombros, dando mais um gole em seu copo. Como se fosse a única alternativa. A grande verdade é que lher faltava ânimo para ter saído dali.
"Notei que você não era daqui. O som da sua voz é bonito demais para ser uma americana.“ Sua sinceridade podia ser um pouco dolorosa, às vezes, mas era sua verdade. Ouvia com calma o que ela podia lhe dizer.
"E pensa em voltar para Guadalajara? - Espero não ter destruído o nome da sua cidade tentando falar isso.” Riu, com um pouco de vergonha. Havia feito Espanhol 101, mas não se lembrava sequer como pedir água.
“Eu estou super disposto a ir para o México, acredite.” Brincou com a garota, tentando-a fazer mais confortável.
“As reuniões serão barulhentas, mas me corte se tiver errado, teremos quesadilhas e guacamole, certo?” As comidas Mexicanas/Americanas eram boas, mas pôde ir em um caso no México e provar aquilo de verdade, tirando a pimenta, era algo que poderia ter todo dia - a pimenta apenas uma vez por mês. “E eu só levarei minha mãe - infelizmente viúva, e meu irmão. Então não será uma adição muito grande à festa. Se não fossemos brancos como a luz do sol, vocês sequer notariam que estamos lá.” - Seu dedo girava o anel de seu pai no dedo indicador. A saudade era maior do que poderia explicar. Ele possuía suas próprias curiosidades e não sabia como sana-las.
“O que você faz da vida?” Parecia tão simplório depois do tanto que ela havia falado. Sentia-se um idiota.
ㅤㅤㅤㅤㅤ⋆ María escutou atentamente ao que o homem falava do outro lado, abrindo mais os olhos quando o mesmo afirmou que havia se formado em Direito. Realidades diferentes sempre chocavam a mexicana, que ao menos teve a chance de aplicar a uma universidade por vários fatores. Porém, para ela, ali estava a explicação de Connor ter uma conversa tão gostosa e parecer inteligente (ainda que não conseguisse enxergá-lo). —— Então você é o que? Um advogado? ❞, perguntou apenas para ter certeza de sua suposição, mordendo a tampa da caneta pela ansiedade de saber se estava conseguindo manter a conversa de pé como queria. Soltou uma risada com o elogio que recebeu pela sua voz, cruzando os braços em frente ao corpo de brincadeira, mesmo que ele não pudesse ver a sua pose. —— Mais um charme assim de graça? Mas eu fico feliz em saber que você gosta de latinas. ❞, mordeu o lábio inferior, tentando evitar o sorriso que formou em seu rosto novamente e falhando completamente.
—— Você falou da forma mais fofa possível, acredite em mim! Mas eu não me importaria de te ajudar a melhorar essa pronúncia para quando conhecer meus pais. ❞, a dançarina foi sútil em seu tom de voz, esperando que sua cantada não fosse tão descarada assim em um primeiro encontro. —— Não tenho planos de voltar a morar lá. Demorei anos para construir minha carreira aqui e não largo por nada. Mas com certeza quero visitar sempre que possível! Eu amo meu país e sempre aconselho a viajarem pra lá. Melhor ainda se for comigo. ❞, deu uma risada baixa. —— Com toda a certeza, vão ter esses pratos e muito mais! Tenho certeza que já comeu, mas eles são melhores ainda quando feitos por mim ou alguém da minha família, modéstia a parte. ❞, comentou, escutando o resto da fala de Connor, sem saber se deveria comentar ou não sobre a parte em que ele mencionou sobre sua mãe ser viúva, ainda mais quando tinham acabado de se conhecer. —— Mesmo sendo poucas pessoas, vocês seriam mais do que bem recebidos, ok? Na nossa mesa sempre cabe mais um, dois, três... ❞, riu um pouco, percebendo que estava cansada de estar em pé e finalmente indo até o sofá para se sentar.
—— Ah, o que eu faço da vida... ❞, a mexicana abriu um sorriso, já que adorava falar sobre seu emprego. —— Eu sou dançarina, desde os meus 18 anos que trabalho com isso. Há dois anos, eu consegui abrir meu próprio negócio e dou aulas de dança também, mas continuo fazendo apresentações em eventos ou festivais especiais. ❞, falou com um sorriso no rosto, lembrando do último show que participou antes de entrar no programa. —— Ah, inclusive... Você não se importa com meu emprego certo? Porque meus últimos relacionamentos sempre queriam que eu parasse de me apresentar. ❞, suspirou, tentando não deixa as lembranças ruins tomarem conta de sua mente naquele momento tão bom.