VASILY BULGAKOV:
105 32 years old;
ex- soldier from the red army;
vampire on the wagon;
restless m o n s t e r.
“m o n s t e r s are born of pain,
and grief,
and loss,
and a n g e r.”
Não, não, não… — Sussurrou, desviando do toque da pessoa que estava ali. Deu longos passos para trás, afastando-se o máximo que podia. — Vai embora, eu não fiz nada de errado! Por favor, você já as tirou… Eu não tenho mais as minhas asas, o que você quer aqui? — Indagou, o tom de voz aumentando a cada palavra. Mais um copo voou e se encontrou com a parede. As pequenas mãos da garota encontraram uma das garrafas de champanhe que haviam sido movidas com sua força telecinética. A última coisa que teve consciência de fazer foi arremessar a garrafa com toda a força que tinha.
Lou, se acalma! Sou eu, o Vasily! Eu não te ofereço perigo, fique calma — tentou soar o mais tranquilo o possível, mas não conseguia deixar de ficar um pouco assustado e receoso com as reações exageradas da menina. Se afastou depois que ela se esquivou de seu toque, dando alguns passos para trás, mas ainda a observando e desejando abraçá-la para tentar ajudar. Ouviu o estilhaço de mais um copo contra a parede e, quando menos esperava, um objeto veio em sua direção. Foi tão rápido que mal teve tempo de desviar, tomando consciência do que estava acontecendo ali apenas quando a garrafa se chocou contra o seu peito e quebrou-se em vários pedacinhos. Não havia feito cortes, tampouco doído, mas fora o suficiente para assustá-lo. Não saíria do lado dela mesmo assim - tentaria ajudá-la até o momento em que não pudesse mais. — Lou, você precisa voltar! Não tem nenhum anjo aqui, você está segura.
Não! — Gritou, e com isso o copo que descansava na mesa se moveu, chocando-se contra a parede. Tentava controlar a respiração e se acalmar, mas tudo doía e ainda parecia estar vivendo a alucinação que -A induzira em si. — Fique longe, por favor.
Vasily automaticamente deu um passo para trás quando viu o copo se estilhaçando na parede, mas voltou a ficar ao lado de Louise logo em seguida. — Está tudo bem, Lou, fique calma — colocou a mão no ombro da garota. — Tudo o que você está vendo é uma alucinação, nada disso é real. Está tudo bem.
Chegou em casa ensanguentada após a festa. Depois de todos os acontecimentos do dia, a única coisa que Evye queria era tirar aquele sangue de suas roupas e tentar esquecer a face assustada da vítima. Entrou em casa e tudo estava escuro, imaginou que Vasily tivesse desistido de ir para casa e tivesse voltado para a festa. Foi direto para o chuveiro, deixando a água quente, quase fervente, cair por cima das roupas, enquanto observava o sangue saindo pelo ralo.
Tirou a roupa e jogou no canto do box do chuveiro, esfregando com força toda a sua pele. Viu a maquiagem escorrer junto com o sangue e as lágrimas, a tinta branca do cabelo deixando o chão cor-de-rosa. Por fim, sentou-se no chão e deixou que as lágrimas escorressem por sua face, não se importando com o tempo em que ficaria ali. Passaram-se alguns minutos e Evye já não conseguia chorar.
Saiu do banho enrolada numa toalha, a pele completamente vermelha, o cabelo molhado jogado contra suas costas e pingando no chão, formando um rastro até o corredor, onde o viu. Evye encarou a imagem de Vasily. Foi caminhando devagar até ele e estendeu sua mão para ele, esperando que ele segurasse e se levantasse.
Já se fazia meia hora que Vasily havia chegado da festa e ainda não tinha conseguido fazer nada além de se sentar num canto escuro da sala de Evye e pensar no que tinha feito. Não tinha forças para se levantar, não tinha forças para limpar as manchas de sangue secas em sua pele, não tinha forças para fazer absolutamente nada. A dor e a culpa eram simplesmente grandes demais para que no mínimo pudesse se mover.
Continuou imóvel até no momento em que Evye chegou. Com ela, vieram dois odores distintos de sangue - um pertencia à fada e o outro tinha cheiro de humano. Soube imediatamente que aquela também não tinha sido uma noite fácil para ela também e quase riu amargamente; tinha algo que -A gostava de fazer além de acabar com a vida de cada um dos habitantes daquela cidade?
Ouviu o chuveiro se abrindo, o barulho das gotas de água contra o chão. Ouviu até Evye chorar, seus soluços ecoando pelo banheiro. Tinha vontade de ir até ela, tentar ajudá-la, mas não queria que ela o visse. Não queria dar mais um motivo de tristeza para a fada, não queria que ela soubesse que, ao contrário do que sempre dizia, as coisas não ficariam bem. Nunca ficavam, não quando se tratasse dos dois. Ouviu o barulho da porta abrindo e dos pés descalços de Blueblood no chão, mas continuou com a cabeça baixa, largado no chão com as costas encostadas na parede. Não pegou a mão quando ela a estendeu, simplesmente negando com a cabeça. — Evye... Eu falhei — murmurou. — Falhei com você, com todos que acreditavam em mim. Eu não consigo mais... Não consigo — as lágrimas começaram a umedecer seus olhos. — Eu não aguento a dor, a culpa... Mas eu faria tudo de novo — ergueu a cabeça para olhá-la nos olhos. Conseguia ver seu rosto graças à visão aguçada de vampiro, pois se fosse um humano normal, não enxergaria naquela escuridão. — Eu não sei se vale mais a pena tentar me ajudar, porque é sempre assim que termina — engoliu em seco, fazendo outra pausa. A dor o esmagava, o calava, quase o impossibilitava de ao menos olhar para ela. — O que você vai fazer comigo, Evye? O que vamos fazer com nós dois? — Perguntou por fim; estava sem esperanças. Agora, tinha certeza que não podia tentar algo com ela: a salvação estava longe de suas mãos e assim, só a traria mais ruína.
(pov) all the pain, i want it to end... but i want it again.
Sangue. Havia gosto de sangue em sua boca.
Vasily cambaleava enquanto saía do salão de festas. Havia chegado ali com Evye, mas iria embora sem ela - já a tinha avisado que precisava estar em casa o quanto antes, pois não se sentia bem. A verdade era que precisava estar em casa o quanto antes ou ninguém sairia vivo daquela festa. Sabia que não deveria ter ido, que -A gostava de brincar com as mentes de todos que estivessem em seus domínios. Da última vez, ela fizera o mesmo procedimento inicial: colocara seu sangue - que por ser de mestiço é duas vezes mais saboroso - na bebida de Vasily e o trancara num quarto cheio de crianças. Agora ele estava livre, mas não sabia se aquilo era bom ou ruim: não havia vítimas, mas também não havia paredes para contê-lo. Se perdesse o controle, simplesmente mataria todos que estivessem próximos de si.
Vasya caminhava apressado sob o céu estrelado e as luzes dos postes de rua, desejando chegar no apartamento de Evye o mais rápido possível. Por sorte ou talvez intervenção divina, as ruas da cidade estavam vazias. A maioria das pessoas, àquele horário, estavam dormindo ou também foram convidadas para a festa de -A. Ela tinha influência, não era de se surpreender que obrigaria a maior parte dos habitantes de Silvermoon a comparecerem.
Mas é claro que nada seria fácil. Era a sua vida, afinal.
Quando ouviu o barulho de um motor de carro próximo, Vasily quase saiu correndo. O cheiro de sangue humano ficava mais forte conforme o indivíduo chegava mais perto, o que acabou o impedindo de fugir dali o mais rápido possível. O veículo se posicionou em seu lado em questão de segundos, revelando uma figura feminina de cabelos loiros e olhos claros no momento em que a porta se abriu. Cada passo que a mulher dava em sua direção era um motivo para prender a respiração urgentemente: não aguentaria muito mais sentir o odor sanguíneo naquele estado.
— Com licença — ela o interceptou e Vasily congelou. — Poderia me dar uma informação, por favor?
Por alguns segundos, continuou sem reação. Pelo sotaque da mulher, ela não era dali. Diria que era da França ou algo do tipo. Bulgakov perguntou-se o motivo de ter vindo a Silvermoon - se fosse para encontrar a morte, com certeza teria seu desejo cumprido.
— Claro — a resposta saiu confusa, mal processada. — Posso, sim.
— Qual é a direção do Hotel Bella Notte? Eu acabei de chegar na cidade, vou visitar meu namorado, mas não sei a localização de nada...
O riso abafado da desconhecida não o deixou mais confortável. Ainda assemelhava-se a uma estátua, com os músculos tensos e imóveis. Ele sabia que faria algo de ruim em breve. Sua consciência o dizia, o tentava impedir, mas a sede era tão grande. Podia ouvir o coração da mulher batendo, suas artérias se fechando e abrindo com o fluxo sanguíneo... Se a tocasse, poderia sentir o sangue correndo em suas veias, o calor que ele trazia... A garganta ardia com a mera imaginação do sabor dela, mostrando-o que precisava se alimentar, que precisava libertar um pouco do vampiro que tanto tentava sufocar. Quando as presas se alongaram involuntariamente, soube que não teria mais salvação e perdeu o controle de suas ações.
— É aqui perto — apontou para a esquerda, mas mantinha a expressão neutra e o tom de voz sem emoção. — Você pode me seguir, se quiser.
— Seria ótimo — a estranha respondeu, em tom de alívio. — Muito obrigada.
— Não precisa agradecer — murmurou de costas para ela, já começando a andar, sentindo o peso em sua consciência. Não precisa agradecer, porque o que eu vou fazer não vai ser nada bom, completou em seus pensamentos. E lá ia mais um pouco de sua bondade, de sua misericórdia, da esperança de ser alguém correto para viver em sociedade. Lá ia mais uma tentativa de se controlar. No momento, não importava, tudo o que importava era a sede. O arrependimento viria no final da noite, quando estivesse sozinho, contemplando seu próprio horror e degradação.
Os passos o levavam a um beco sem saída, na mesma rua onde estavam. Conseguia ouvir o barulho dos saltos da mulher chocando-se com o piso atrás de si, a respiração calma e lenta que, em alguns segundos, se silenciaria por completo. As sombras do beco totalmente sem iluminação se fecharam ao seu redor e ele parou, percebendo que a desconhecida também parara de andar.
— Aqui não tem saída — ela comentou, com a voz trêmula. Vasily já podia sentir o medo que emanava da humana. — Para onde você está me levando?
Longos segundos se passavam antes que ele respondesse. Pôde sentir a bondade o abandonando, como uma peça de roupa tirada e jogada em qualquer lugar. Agora, se revestiria com uma nova vestimenta: a do predador que sempre fora e tentava esconder.
— Pro Inferno — respondeu e em poucos segundos, sua mão já agarrava o braço da mulher, chocando-a contra a parede. Ela soltou um grito de desespero e Vasily riu. Ninguém a ouviria agora.
Foi apenas questão de tempo até que suas presas de enterrassem na pele fina e macia do pescoço da desconhecida. O líquido que tanto almejava preencheu sua boca; era quente, torrencial, saboroso. Era tudo o que o vampiro tentava afastar, mas ainda assim, adorava. Adorava a aura de morte que o preenchia quando tirava a morte de alguém, a adrenalina, o sabor férreo do sangue que o satisfazia e acabava com o ardor de sua garganta.
A corrente escarlate fluía pelo maxilar e escorria pelo torso de Bulgakov, encharcando a camisa branca da fantasia com uma poça vibrante de vermelho. A mulher tentava se debater, mas quanto mais Vasily bebia seu sangue, mais fracos seus protestos ficavam - talvez tivesse desistido de lutar contra a morte, talvez estivesse fraca demais para tentar escapar. Ele não se importava, só queria mais e mais. O sangue revigorava suas forças, deixava as células mortas de seu corpo vivas outra vez. Já tinha quase se esquecido de como era delicioso sentir o líquido quente escorrer pelos cantos da boca e a garganta inteira se encher com o gosto férreo e adocicado.
Quando o sangue da desconhecida já estava escasso e sua respiração cessara, Vasya jogou o corpo inconsciente e mórbido da mulher no fundo do beco. Levou um tempo até ter qualquer reação além disso: estava satisfeito e gostava de contemplar a sensação de invencibilidade que vinha depois que se alimentava. A fantasia estava inteiramente manchada, evidenciando a quem quisesse ver o perigo que oferecia: era um animal selvagem que não possuía mais grades para prendê-lo, porque sempre acabava destruindo-as. Destruía tudo o que tocava e o que estivesse ao seu redor.
E a culpa, que nunca tardava para aparecer e dizê-lo que o que tinha feito era errado, o arrebatou com tanta força que continuou sem reações.
Seu coração se contorcia, como se alguém o apertasse. Era só uma garota que queria visitar seu namorado e estava perdida. Era só uma garota que, provavelmente, teria um final de semana maravilhoso ao lado daquele que amava. E ele havia acabado com todas ocasiões felizes que ela pudesse ter.
Da última vez que tomara sangue, ficara algum tempo jogado no chão, incapaz de se levantar e observar o que tinha feito. Agora, porém, não teve outro reflexo a não ser começar a caminhar o mais rápido que podia para chegar logo no apartamento. Tentou esfregar as mãos ao redor dos lábios para limpar os rastros de sangue, mas os dedos também estavam completamente ensanguentados. Novamente, ele não se importava: tinha que sair logo dali. Tinha que sair logo dali ou o resultado seria pior ainda.
Enquanto andava até a casa de Evye, pediu silenciosamente para os céus que não machucasse mais ninguém. Naquela noite, porém, Vasily Bulgakov sabia que Deus e seus anjos não o ouviriam.
Começou a acompanhar os passos lentos de Vasily, tendo uma mão junto à sua e a outra apoiada em seu ombro, dando graças a Deus por poder colocar um pouco de seu peso ali, já que seus pés já doíam devido ao salto alto. Começou a escutá-lo falar e estava pronta para protestar, mas acabou sendo interrompida pelo giro, e, depois, pelo fim da fala. Abriu um grande sorriso quando encarou seus olhos. – Vasily Bulgakov, não é o nascimento que faz de uma pessoa nobre ou não, é quem ela é que determina isso. E, sem duvida alguma, se dependesse de quem você é, você deveria estar sentado no trono de um rei agora.
O mero fato de estar ali tão próximo de Evye já servia para deixá-lo nervoso e um pouco errático. Por sorte, porém, não estava se saindo tão ruim na dança: era muito delicado e lento, correspondendo a música com uma graciosidade que ele não tinha, mas que a fada merecia. Sorriu ao ouví-la falar, aumentando o aperto em sua cintura e trazendo-a para ainda mais perto, tão perto que podia sentir a respiração calma da fada afagar sua pele. Não era o suficiente, não quando a distância que queria eliminar era aquela entre seus lábios. — Eu já te disse antes, mas acho que você esqueceu — murmurou, fitando o chão, incapaz de manter o contato visual entre os dois pela proximidade. — Eu não preciso de um trono. Tudo o que eu preciso está bem na minha frente. — Repetiu a frase que tinha dito dias antes, no momento em que os dois se beijaram, sabendo que ela carregaria um significado muito maior quando Evye se recordasse da ocasião.
A dama adoraria, principalmente se tratando de um homem com tal cavalheirismo. – Fez uma pequena reverência antes de pegar na mão dele, acostumada em fazer tal gesto. – De onde saiu tamanha cortesia, eu gostaria de saber.
Pensando bem, eu concordo, melhor deixar pra lá.
Deu um sorriso de canto quando ela aceitou a proposta, com uma mão segurando a dela e a outra delicadamente posicionada em sua cintura. Conduziu-a um pouco pelo salão, seguindo o ritmo da música, já mais habilidoso do que da última vez que dançaram juntos numa festa. — Eu não leio tantos livros antigos à toa. Posso ter nascido um plebeu, Evye... — levantou o braço e a girou, esperando o passo acabar para puxá-la outra vez, agora muito mais próxima do que antes. — Mas sei me comportar como um príncipe. — Sussurrou por fim, com os olhos presos nos dela.
Ora, meu caro Drácula, meu cabelo é um caso muito especial. E você não merece agradecimentos, palmas talvez, afinal, ajudou a criar a mais bela visão da festa, não acha?
Ok, ok, estou brincando. Obrigada, Vasyzinho, você foi incrível. Serve para cabeleireiro, se quer saber minha opinião.
E será que uma dama de tamanha beleza não me concederia a honra de uma dança? — Perguntou calmamente, estendendo a mão na direção da fada em seguida com uma cortesia assustadora e não costumeira de sua parte.
Obrigado, mas acho que não. Eu acabaria deixando alguém careca no meu primeiro dia de trabalho.
É, mas há limites. Se eu ver mais um ingrediente na minha frente hoje, acho que eu vomito, sinceramente.
Gostou, é? Quem é Angelina Jolie perto de mim, fracamente. Adorei o não-original, ficou super original.
Você está certo, é bom esquecer um pouco do trabalho, principalmente no seu caso. Fica o dia inteiro naquela farmácia, deve ser muito amor pelo que faz mesmo.
Exatamente, se você tivesse feito o teste para o papel, teria ganho de longe. Que nada, eu só adaptei o genérico. Dê uma festa a fantasia e falta de criatividade para um vampiro e ele virá de Drácula.
Você vai conseguir. Awn, vocês são muito fofos. Ela gosta muito de você, sabia? E você também, todo mundo sabe. O que está impedindo vocês dois? — Perguntou, reparando no sorriso dele. Percebeu a mudança súbita de expressão e foi para o lado dele, pensando bem no que diria. Sorriu levemente e direcionou o olhar para o céu. Tinha certeza que a mãe de Vasily ainda olhava por ele. — Sim, já falei. Eu fui a primeira pessoa a recebê-la no céu e tudo o que ela fez foi perguntar de você. Ela me disse tudo sobre você, Vasya.
Não é assim que as coisas funcionam. Eu gosto muito da Evye, de verdade, mas... Nada é simples se tratando de nós dois — respondeu, soltando um suspiro triste e por alguns segundos ficando alheio outra vez. O choque em ouvir sobre sua mãe, porém, era maior do que tudo. Olhou para o céu também, totalmente perdido e desnorteado. Milhões de perguntas invadiam sua mente enquanto os cachos negros e olhos azuis reavivavam sua memória e a saudade chegava a arder em seu peito. — Como ela está? O que ela disse? Eu a decepcionei? — Vomitou algumas das perguntas que rondavam sua cabeça sem nem perceber, com os olhos já praticamente marejados. Ela o assistia, ela tinha o tinha visto se perder no meio do sofrimento e da desgraça e se tornar algo que não a orgulharia. — Perdão, mãe. Eu sinto tanto... — O que deveria ser um pensamento acabou saindo em voz alta sem que ele percebesse, atordoado demais para distinguir o que deveria falar e o que deveria guardar para si mesmo.
Queria tanto beijá-lo que quase doía. Queria ficar em seus braços, dizer-lhe que não importava quantos animais, quantas pessoas, matasse, sempre estaria ao seu lado, tentando compreendê-lo e aceitá-lo, com todas as condições que vinham a partir daí. O sorriso de Vasily parecia emanar calor, o que só incitava Evye mais a querê-lo. Era lindo como, com apenas aquele sorriso, Vasily podia mudar o dia de Evye. Dia! Só então lembrou, já eram três da manhã do dia dezenove, aniversário de Vasily. Saltou do sofá e correu para o quarto, voltando com uma grande caixa e uma menor em cima. Colocou-as delicadamente em cima do sofá e saltou em cima do vampiro, envolvendo seus braços ao redor do pescoço dele. – FELIZ ANIVERSÁRIO, BULGAKOV!
Depois do que acontecera entre os dois nos últimos dias, ficar distante de Evye parecia errado e quase impossível. Ela parecia ter nascido para estar em seus braços, para ser beijada por ele e ignorar aquela vontade de abraçá-la, beijá-la e dá-la o que quer que fosse preciso só tornava as coisas mais difíceis. Vasily franziu o cenho quando a fada do nada se levantou e foi correndo até o quarto, confuso, até que a viu voltando à sala com duas caixas de presentes. Ela tinha se lembrado, afinal. Foi pego de surpresa pelos braços de Evye se envolvendo ao redor de seu pescoço e reagiu imediatamente abraçando a cintura da fada, com um sorriso gigante nos lábios. — Obrigada, Evye. — Respondeu, mas não a soltou, pelo contrário: continuou com o rosto encaixado na curvatura do pescoço dela, inalando calmamente o cheiro floral de sua pele e sentindo o calor que ela emanava, praticamente absorto em um mundo onde só existiam os dois. Foi só depois de alguns longos minutos que se afastou dela, meio constrangido, e foi em direção às caixas para abrí-las, lançando-a um olhar e um sorriso simples antes.
Eu até te falaria do que tem gosto, mas não ia dar muito certo… Sapoti tem gosto de sapoti, sabe? — Desviou da ação dele e riu baixo. — Certo. Enquanto isso vá treinando, quem sabe você não ganha um dia? Entendi. Vocês estão mesmo na mesma casa? Isso é muito legal, sabia? Posso ficar com os dois ao mesmo tempo. Ué. — Disse, franzindo o cenho em resposta. — Eu sempre soube. A sua mãe que me disse.
Acho meio difícil treinar, já que eu não preciso comer, mas vou tentar. Sim, nós estamos. Ela me chamou pra morar com ela depois que fiquei desempregado — sorriu levemente, divagando um pouco ao lembrar-se da melhor amiga e voltando ao normal em seguida quando a escutou. De início, a resposta ficou presa na garganta, sufocada pela surpresa e um sentimento terrível de nostalgia. — A minha... A minha mãe? — Murmurou, com a voz embargada e trêmula. Não conseguia, não queria acreditar. — Você já falou com ela?