cause i’m going to make this place your home {doerre}
Para Pierre, aceitar a nova condição era um processo lento e doloroso. Ele sabia disso porque se sentia mais cansado que nunca. Quando começou a tomar seus remédios, Pierre não era mais Pierre. Sentia como se uma parte de si tivesse sido tomada e ele não soubesse mais quem era. Por uma parte tinha sido bom, ele não ouvia mais as vozes, ele não via mais rostos e não tinha a paranoia dentro de si, tudo era apenas calmo como um lago. Mas seu sono tinha sido completamente bagunçado. O que vinha lhe incomodando há uma semana era algo, uma promessa, o início de algo que conseguira ultrapassar as barreiras de seu coração e plantar ali uma semana de esperança. Algo pelo qual ele podia esperar. Mas aquilo nunca viera. Não depois de um, dois, cinco dias. Então ele decidiu que se não vinha até ele, ele iria até tal promessa. Acordou alarmado, pensando que tinha dessa vez dormido até a noite, mas quando viu o sol brilhar forte, soltou um suspiro aliviado. Seus sonhos tinam sido repletos de teclas e sorriso e perguntas e ele se viu querendo dormir mais um pouco pra continuar com aquela sensação de contentamento. Porém lembrou o que faria e apenas lavou o rosto, escovando os dentes e pegando uma maçã, voltando depois e pegando mais outra, até caminhar para um apartamento que nunca tinha ido, mas nunca esquecera do endereço. Duas batidas na porta eram o suficiente, ele decidiu. Ali estava Pierre, esperando na porta de @deardoyoung com um objetivo em mente. Só que ele, ainda no véu do sono, não tinha se dado conta que estava apenas de boxers e uma regata branca. A porta se abriu quando ele estava no processo de esfregar o sono pra fora do rosto com a mão e viu ali o outro. _Você nunca foi me visitar._ A frase saiu sem autorização e ele sentiu o rosto esquentar, mas ele não retiraria o que disse.
‘Estressante’ era a palavra perfeita para definir aquele dia. Existiam muitas pessoas frustradas com suas profissões e, consequentemente, com o seu trabalho. DoYoung definitivamente não era uma delas. Mas assim como todo profissional, não podia escapar de dias ruins, ainda mais quando lhe pediam para cumprir o dever de outra pessoa. Era em momentos como aquele em que se arrependia de não ter seguido a carreira de músico... Seu perfil era perfeito para isso. Música. A palavra soava tão convidativa que parecia até mesmo atirá-lo em devaneios. Acordes... Melodias... Tons... Teclas... Piano. Mesmo agora, estando um tanto atarefado, pegava-se pensando naquele alguém. Seria muito egoísmo estar ausente daquela forma? Bem, não o fazia porque queria, obviamente... Mas o certo alguém agora precisava habituar-se à própria rotina. Além disso, tinha a família para tomar conta dele, não? Mesmo as mensagens que mandava não eram respondidas de imediato. Não sabia dizer se ele estava ocupado demais se recuperando ou se estava adormecido ou algo assim. Era difícil dizer. Mas não podia negar que... Sentia falta de Pierre. Após o trabalho, pensou em visitá-lo. O medo de tocar a campainha e não ser atendido pelo francês o fez desistir da ideia e, logo, tomou rumo para seu próprio apartamento. Talvez precisasse relaxar um pouco e se distrair. Mas como fazê-lo se o local estava uma bagunça? Não estava sujo, ele sempre deixava a limpeza em dia. Mas haviam demasiados objetos fora de seu devido lugar, desorganizados. Se perguntava qual seria a reação de uma possível visita se entrasse ali. Para a sua surpresa, acabara por ouvir duas batidas na porta. Seria coisa de sua cabeça? Tamanha fora a surpresa ao girar a maçaneta e abrir a porta, encontrando ninguém mais que Pierre de pé ali. E DE PIJAMA?! DoYoung agora controlava-se para não corar, vendo o menor daquele jeito. As expressões cansadas e voz manhosa só o deixavam ainda mais fofo. Provavelmente havia acabado de acordar. -E-Eu... Não... Não. -Fora apenas o que conseguiu dizer, confirmando a afirmação enquanto as bochechas do francês tomavam um tom rosado. -Eu sinto muito! -As palavra saíram mais altas do que gostaria, acabando por constrangê-lo. -Pensei em visitá-lo, mas... Eu não queria incomodar você. Quando eu liguei, sua irmã me disse que estava dormindo. -Soltou um bufar leve, irritado consigo mesmo. Seu nervosismo era evidente. -De qualquer forma eu... Estou muito feliz que tenha vindo até aqui. -Ele sorriu de canto, olhando Pierre de cima a baixo discretamente. -Pierre, você acabou de acordar, não foi? Não quer entrar?










