DATA: 20/09/2020;
FEAT.: Grupo 4.
Missões não eram para Robin algo com o qual precisasse realmente se preocupar. Ao longo de toda a sua estadia no instituto, já havia feito inúmeras delas — tanto as organizadas pelos patronos que comandavam a Olympus, quanto tarefas menores dadas especialmente a si mesma. Além de, claro, seus próprios trabalhos. Por isso, não se preocupou quando surgiu um afazer daquela estirpe. Logo antes de tudo começar, Robin havia se reunido com seus companheiros de missão para traçarem um plano base — a ida à Ilha Citera para o resgate de Hypérion, que deveria entrar para o corpo docente do instituto caso tudo desse certo. As chances de sucesso pareciam-lhe formidáveis, já que a equipe era ótima — semideuses e criaturas astuciosas e fortes, bastante confiantes em seu próprio taco. Robin, especialmente, gostava de trabalhar com pessoas assim, já que não gostava nem um pouco de carregar nas costas aqueles menos dispostos e que sequer, em primeiro lugar, deveriam estar se inscrevendo para coisas daquele tipo, sabendo do alto grau de periculosidade que enfrentariam.
Atravessaram o portal juntos para o local estimado, e depararam-se, inconvenientemente, com mata inexplorada. Não ousaram se separar por conta de possíveis imprevistos em território não conhecido, mas continuaram a caminhar na tentativa de encontrar um local no mínimo aceitável para erguerem acampamento. Era difícil de lidar com tudo aquilo quando estavam em equipes maiores, mas a Kwon viu-se satisfeita pela facilidade com que lidavam com as intempéries que porventura apareciam-lhes. Quando, enfim, encontraram um local ameno para se acomodarem naquele início de missão, ergueram acampamento, armando barracas e acendendo uma fogueira para se manterem aquecidos durante a noite que caía. Ainda precisavam de alimentos, por isso, pela primeira vez, decidiram se separar para fazer uma busca e varredura aos redores do local. Robin, armada com suas adagas gêmeas embainhadas ao lado dos quadris e com o arco e flecha de caça que havia levado para estes fins, se embrenhou na mata no intuito de achar alguma comida. O acampamento que haviam feito algumas semanas anteriores havia servido para que se familiarizasse com aquela prática, graças à ajuda de seu amigo; sentia-se mais confiante e foi por isso que conseguiu um par de coelhos bem gordos para fazer um ensopado que deveria ser suficiente para todo mundo, já que, ao retornar, havia visto a forma como alguns outros da equipe também haviam conseguido alimentos.
Se reuniram novamente, comeram e descansaram. A filha de Tânatos até mesmo ousou poder tirar uma leve soneca, já que precisava realmente descansar a cabeça — e o corpo. Estava a ponto de dormir quando, naquela madrugada, acordou com um grito estrondoso. O barulho pareceu reverberar por todo o local e acordar os demais participantes da missão. Obviamente, aqueles gritos medonhos pertenciam a Hypérion, que ainda estava sendo torturado pelas deusas em questão. O grupo passou por uma leve problemática em discussão sobre terem de se mover naquele momento ou não — já que o tempo lhes era precioso. Acabaram, por fim, decidindo irem ao resgate naquele mesmo momento, seguindo os sons estrondosos pela floresta escura pelo breu da madrugada. Quando a aproximação fez-se presente, porém, depararam-se com um minotauro guardando a passagem.
Robin não esperava um combate tão cedo, mas armou-se com suas adagas. Os poderes da filha de Tânatos ficavam mais fortes à escuridão da noite, portanto não hesitou em partir para cima da criatura metade homem, metade touro. O monstro tentou interceptá-la, mas a ajuda de seus colegas de missão foi grande prestígio naquele momento. Robin usou seu controle sobre as sombras para tentar imobilizá-lo da melhor forma enquanto a porradaria seguia com firmeza, lâminas cantando contra chifres e poderes jorrando contra a criatura. No fim, em equipe, conseguiram subjugar o guardião do caminho, reduzindo-o a uma pilha de escombros sem vida no caminho. Robin estava cansada e seu peito doía pela quantidade de poderes que havia usado; era difícil regrar quando havia um efeito reverso, que vinha com tudo quando utilizava suas habilidades de forma demasiada. No entanto, continuaram seu caminho em direção ao âmago de sua missão.
Não demorou muito para que todos percebessem o estranho efeito que tudo aquilo exercia sobre seus corpos. Começou com um leve desconforto físico, a filha de Tânatos achando que sua pressão havia subido exponencialmente do nada. E foi então que percebeu o nariz escorrendo, embora não fosse excreções normais — quando passou a mão, percebeu o líquido rubro pintar os dedos. Era sangue, e novamente, percebeu que vários de seus colegas passavam pelas mesmas coisas. Tudo pareceu ficar mais desbotado, sem cor, e embaçado conforme se embrenhavam naquele lugar, e Robin percebeu que, por vezes, o fogo infernal surgia em suas mãos sem o controle. Resolveu se afastar um pouco do grupo por medo de machucar alguém, ficando um tanto para trás; foi então que as sombras pareceram começar a se movimentar ao seu redor, completamente fora de controle. Seus olhos pareciam tomar visões que não eram reais, mas, de repente, a Kwon se viu de frente para várias pessoas morrendo — pessoas importantes para si. Ver os avós caídos mortos no chão foi o estopim para que seus poderes saíssem completamente de controle, o fogo verde tomando conta de seu corpo. Mas tudo ficou muito pior quando os poderes de seus colegas também saíram de controle, todos de uma vez, e tudo o que a americana conseguiu se lembrar antes de cair desmaiada foi a voz de alguém chamando-a pelo nome.
A manhã seguinte pareceu entrar ainda com a situação toda turva. Robin não conseguia pensar direito quando abriu os olhos para a claridade, porque tudo ainda parecia confuso e errado de todos os jeitos. A dor de cabeça que sentiu foi lancinante, parecia querer corroê-la de dentro para fora, e a Kwon tinha plena certeza de que em algum momento o crânio iria explodir com seu cérebro dentro. Deu por si no meio de uma nova sessão de balbúrdia, pois os poderes ainda encontravam-se desestabilizados e fora de controle. No entanto, reunindo toda a coragem e força de vontade que tinha, juntou-se à seleta parcela que ainda se encontrava em condições de se movimentar para interceptarem Hypérion. Com a adaga, cortou-lhe as amarras, mas o que recebeu em troca foi um soco em cheio que a fez voar por alguns metros e colidir com uma árvore. A visão da mulher ficou turva, com pontos pretos se espalhando, mas quando voltou ao normal ela percebeu o erro que haviam cometido — o titã ainda estava sob o efeito alucinante, e agora atacava seus colegas de equipe. Ela tentou prendê-lo com as sombras, mas, além delas serem mais fracas durante a luz do dia, já estava sem forças e seus poderes ainda não podiam ser domados por completo. A coreana somente viu o momento em que ele sumiu, deixando-os à mercê de seus próprios demônios. Nesse ínterim, puseram-se a procurá-lo com as últimas nesgas de força que tinham em seus corpos, mas tudo foi em vão — ele parecera de fato der tomado um chá de sumiço.
Desistindo de sua empreitada, a equipe dirigiu-se ao mar para se lavarem. Tudo parecia normal, até que foram novamente atacados — desta vez, pela criatura marítima Caríbdis. Os poderes da filha de Tânatos eram inúteis na água, por isso apenas assumiu um papel de coadjuvante naquela luta. Não podiam deter um monstro daquela estirpe, apenas tentaram salvar suas cabeças para voltarem para a terra firme. No fim, conseguiram escapar das garras do monstro dos mares e resolveram plantar acampamento aos arredores. Afinal, estavam praticamente mortos — o cansaço era a coisa mais evidente, mas haviam os danos físicos, mentais e emocionais. Robin estava, naquela altura, uma pilha de nervos, e tudo o que ela queria era voltar para o instituto e passar boas noites no próprio quarto, dormindo. Ao amanhecer, ergueram acampamento e voltaram a procurar pelo portal que os levaria de volta ao instituto, crentes de que a missão havia sido um completo fracasso.
No entanto, ao voltarem, lá estava ele. Hypérion. São e salvo.