Puerto Natales - Chile
Puerto Natales é uma cidade diferente de todas as outras pelas quais passamos até o momento.
A cidade se resume a um modesto porto pesqueiro localizado as margens do rio Ultima Esperanza, com aproximadamente 18 mil habitantes, sendo a capital da província que leva o mesmo nome do rio, distante cerca de 250 quilômetros da cidade de Punta Arenas.
Em que pese suas poucas e estreitas ruas, a cidade de Puerto Natales vive em função do turismo, vez que é a porta de entrada para o Parque Nacional Torres del Paine.
Chegamos em Natales terça-feira, dia 21 de janeiro, por volta das três horas da tarde. Era para termos chego a uma da tarde, mas a papelada e a fiscalização na fronteira com o Chile atrasaram a chegada.
Quando chegamos em Natales, não tínhamos um peso chileno no bolso. Chamamos um taxi meio na louca, para irmos a uma casa de câmbio e trocar os pesos argentinos que tínhamos. Rodamos por varias casas de câmbio, mas por conta do horário, todas estavam fechadas (a siesta chilena so termina as quatro da tarde).
Percebendo a situação em que nos encontrávamos, o taxista disse que aceitaria o pagamento em peso argentino, nos levando então para o Hostel Erratic Rock.
Fora o fato de ninguém no Hostel, nem os funcionários, falarem espanhol com fluência, o Erratic Rock foi o melhor Hostel da viagem até agora.
O espaço é muito aconchegante. Quando chegamos em Natales, fazia muito frio, sendo que ai entrarmos no Hostel nos deparamos com um ambiente quente, com boa música tocando, dando uma ótima primeira impressão.
O Hostel é dividido em duas áreas comuns, sendo que em uma delas fica a televisão e uma estante com varias fitas cassete disponíveis para assistir, e em outra um sofá grande e o computador. Todos os ambientes contam com calefação, que fica ligada praticamente o dia inteiro.
A cozinha também merece elogios. Apesar de não ser tão grande como a do Penthouse 1004 em Bariloche, era do mesmo nível, sendo bem equipada e limpa, contando ainda com um grande fogão a lenha, que mais tarde descobrimos ser a gás.
Dividimos o quarto com um americano que vimos muito pouco, pois estava se preparando para fazer o W em Torres del Paine, um trekking de 5 dias dentro do parque nacional.
No Hostel havia ainda dois hóspedes muito folgados, que ficavam o dia inteiro morgados na frente dos aquecedores.
Logo que chegamos, pedimos informações sobre algum lugar bom e barato para se almoçar na cidade, tendo o funcionário do Hostel nos indicado um restaurante chamado La Picada de Carlitos.
O lugar é bom. Lá conhecemos o prato Lomo A Lo Pobre, que aparentemente é meio tradicional no Chile. É o bife a cavalo brasileiro, mas muito maior, com dois ovos, cebola e batatas fritas. Uma beleza. O prato custava 8.000 pesos chilenos, mais ou menos 16 dólares.
Depois, voltamos pro Hostel e de lá fomos em um mercado próximo para comprar a janta. Nesta noite, o Gustavo fez um omelete caprichado, com calabresa e queijo. Depois de jantar, fomos no bar do Hostel, que fica ao lado, chamado Base Camp.
Esse bar é bem interessante. A decoração interna faz parecer que é um refúgio de montanha. O bar é geralmente frequentado pelos hóspedes do Hostel, que na maioria são montanhistas que estão na cidade se preparando para os circuitos em Torres del Paine.
Lá tomamos a cerveja Austral, fabricada em Punta Arenas, uma das mais consumidas na região. O funcionário do bar, Paul, é um cara bem gente fina, que conversou um monte com nos enquanto estávamos lá, pois era um dos únicos que falava espanhol no recinto.
Destaque do Base Camp, além das ótimas cervejas, era a van do irmao do Paul que estava estacionada na frente.
Lá pela meia noite voltamos pro Hostel, botamos a calefação no máximo e fomos dormir. No outro dia, a staff do Hostel nos advertiu para desligar a calefação antes de dormir, pois o ar do quarto fica muito seco.
No outro dia, acordamos tarde e ficamos, definitivamente, o dia inteiro moscando no Hostel. Desde o começo da viagem sabíamos que teriam dias em que não faríamos nada, seja por cansaço, pra não gastar ou por não ter o que fazer mesmo.
Nesta quarta-feira, além de não querer gastar, não tínhamos o que fazer. O Full Day a Torres del Paine tinha sido marcado para o próximo dia, e custaria meio caro, motivo pelo qual decidimos passar o dia em casa. No final das contas, foi a melhor escolha, estava muito frio, bom pra passar o dia tomando mate e atualizar o blog.
Aqui o povo come muita batata, motivo pelo qual decidimos assar umas pro lanche nesta tarde em branco.
A noite, fizemos um strogonoff de frango no capricho. Depois, fomos novamente ao Base Camp, onde conhecemos dois irmãos naturais de Puerto Natales, que trabalham com o pai em uma distribuidora de verduras. Antes de irmos dormir, ainda ganhamos uma volta pela cidade na caçamba da caminhonete da empresa deles, que no final das contas foi so pra passar frio, não tem quase nada pra se ver nessa cidade.
Na quinta-feira, pulamos cedo pro Full Day em Torres del Paine. Neste dia dormimos com a calefação do quarto desligada, motivo pelo qual, pela manha, o quarto estava congelando. Eu fui quem acordou mais cedo, fazendo um esforço pra conseguir me esticar até o aquecedor e liga-lo antes de sair debaixo das cobertas.
Uma coisa interessante que aprendemos aqui foi a importância do gás natural. Além da maioria dos carros daqui serem abastecidos com GNV, como faz muito frio, o gás é um produto de primeira necessidade nas residências.
Tanto que, conforme nos informaram, em 2011, após uma alta de 17% no gás, os moradores de Puerto Natales fizeram greve, bloqueando as estradas e deixando presos na cidade mais de 3000 turistas, dente eles vários brasileiros.
A idéia dos manifestantes era usar os estrangeiros como moeda de troca para conseguir a baixa do gás. O resultado foi todo o pessoal preso, a cidade saqueada e desabastecida, tendo vários turistas recorrido a um abrigo montado pela Cruz Vermelha para comer e dormir.
A brincadeira foi seria, o pessoal ficou preso na cidade por um tempo, só sendo liberados após a intervenção da Cruz Vermelha, que realizou uma retirada em massa da cidade para El Calafate, na Argentina.
Continuando o relato, nos arrumamos e descemos pro cafe, que também foi um dos melhores até agora, contando com doce de leite e geléias caseiras, pão fresco e omelete. Depois de alguns minutos, chegou nossa van, e com ela o chofer (o motorista deixou claro que não era motorista, mas chofer) Fernando, um cara super gente fina que nos ensinou muita coisa durante o dia.
Saímos de Puerto Natales e pegamos a Ruta 9 para uma viagem de mais ou menos 1 horas até o Parque Nacional Torres del Paine, parando no caminho para um café em um restaurante que fica ao lado da aduana chilena que paramos quando chegamos aqui.
Logo terminou o asfalto e começou a estrada de chão pela qual andaríamos o dia inteiro. Quando chegamos na portaria do parque, se confirmou a assertiva de que tudo no Chile é mais caro que o normal.
Enquanto na Argentina as entradas dos parques são cobradas apenas para a manutenção dos mesmos, no Chile o governo parece querer lucrar em cima disso. A entrada no parque nos custou 18.000 pesos chilenos, mais ou menos 36 dólares, muito se comparado com a entrada dos parques argentinos, de 90 pesos argentinos, mais ou menos 9 dólares.
Depois da facada, continuamos o trajeto, andando por todo o parque, passando pela Torres del Paine, pelos Cuernos del Paine, pelo Cerro Almirante Nieto e outros, bem como por vários lagos.
Segundo nosso guia, esta faixa branca ao redor desta lagoa, que se chama Laguna Amarga, sao formas de vida microscópicas que vivem na lagoa.
Abaixo, fotos do Cerro Almirante Niero, seguido de das fotos das Torres e dos Cuernos del Paine.
Paramos para almoçar alguns sanduíches que levamos na mochila e seguimos viagem. Em certo momento, paramos no Lago Grey, e de lá caminhamos mais ou menos uma hora até um mirante de onde pudemos ver o Glaciar Grey.
Do Glaciar Grey, voltamos para Puerto Natales, passando antes numa caverna conhecida como Cueva del Milodon.
Trata-se de uma caverna enorme, na qual você pode transistar depois de pagar 5.000 pesos de entrada. Ali tem ainda um pequeno museu, que conta a história da região.
Voltamos a Puerto Natales, moídos de cansaço, e fomos ao mercado comprar as coisas pra janta. Jantamos um frango com molho de queijo e fomos mais uma vez ao Base Camp, para depois voltamos ao Hostel.
No outro dia, dormimos até tarde, acordando apenas para almoçar novamente no La Picada de Carlitos e pegar o ônibus das 14 horas para Punta Arenas. A passagem custou 5.000 pesos, durando a viagem mais ou menos três horas.
O relato de Punta Arenas, como de costume, fica para a próxima postagem. Peço desculpas pela demora nas atualizações, estamos sem tempo e os computadores não ajudam.. Suerte!













