a gente não desiste do que quer, a gente desiste do que dói, do que machuca, e do que já desistiu da gente.
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@descaminhar
a gente não desiste do que quer, a gente desiste do que dói, do que machuca, e do que já desistiu da gente.
Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais.
Caio Fernando Abreu. (via criptonizado)
É preciso entender a hora de ir
A gente precisa admitir que perdeu a briga. Precisa entender que talvez nem sequer tenhamos chegado a virar páreo, porque às vezes precisamos aceitar que essa luta não é nossa. A gente se prepara e entra no rinque, aquece, grita e chora e faz de tudo, mas o problema é quem tá do outro lado. Aquele que nos derruba e talvez nem seja necessário muito, só um pouquinho. Ou, quem sabe, existem aquelas vezes que você grita “vem”, mas a reação não chega. Tem batalha que a gente briga sozinho e brigar sozinho é só loucura. E já dizia o ditado, “quando um não quer...”.
Existe um momento, e acredito que ele seja bem delimitado nas linhas de qualquer relacionamento, onde o próximo passo é o precipício. E não existem asas, não tem apoio nem qualquer preparação - lá em baixo é chão. É pedra, areia e um bocado de coisas que não são necessárias, porque não é preciso pular. Este momento, este claro e importante momento, é onde reside a opção. É aquele lugarzinho no tempo que talvez não dure mais do que alguns segundos, mas onde há o questionamento que pode salvar um coração inteiro. Pode livrar amarguras e evitar as dores imensas de quem sente mais do que devia.
Algumas cordas estão prontas para nos enforcarem pelo pescoço e os nós bem atados foram feitos pelas nossas próprias mãos. E é neste momento, quando estamos prestes a colocar o cordão, que nos perguntamos se vale a pena sofrer tanto por algo que é tão, tão pouco. Não se tira a responsabilidade de nós mesmos quando os termos são dados em amor. A dificuldade provém da ilusão, porque sangrar aos pouquinhos é menos doloroso e impactante do que aos montões, mas ainda se sangra. A longo prazo, a morte é invariável.
O momento é pessoal, de cada um, mas ele existe para todos. É aquela hora, aquele limbo entre enxergar a toxicidade daquela coisa ou daquele ser humano que outrora já nos fez ou era achado que nos fazia tão bem, e admitir. Entender. Aceitar. E seguir. E tirar a corda do pescoço, descer da cadeira, fechar a porta e nunca mais voltar.
Apaguei de mim todos os seus sorrisos, suas palavras bonitas e os olhares de mistério. Apaguei o seu nome, o número do seu celular e as histórias que me contava pra passar o tempo. Deixei pra lá as tardes de domingo e o jeito que a gente tinha de ir ficando mesmo sabendo que precisava ir, e lá se foram dias. Tô deletando as nossas risadas, os planos e a vontade de ser contigo. Apaguei de mim a promessa de uma vida e de um futuro inteirinho.
Tô tirando o teu vazio, eu preciso de espaço aqui dentro.
Estava em mim, mas, não comigo.
Orquestrando. (via bordaralma)
Temos a terrível mania de cultivar esperanças em solo estéril.
T
Human relationships are strange. I mean, you are with one person a while, eating and sleeping and living with them, loving them, talking to them, going places together, and then it stops
Charles Bukowski (via checked)
You are the easiest thing I have ever had to let go. Thanks.
até que ponto
vale a pena
a solidão
?
A pior parte do sofrimento é a sensação de permanência que ele carrega. Ele abre a porta, vem pesado, coloca as malas no chão. Mas não é essa parte que me preocupa, não, e sim a dificuldade de lidar - se você viver o suficiente e dar ouvidos ao universo, vai aprender que todo sofrimento é auto limitante. O problema é o furação que deixa a bagunça pra logo em seguida e como você vai fazer pra colocar as coisas no lugar. Mas as coisas nunca voltam pro lugar exato onde elas estavam, entende? A gente só não pode deixar de acreditar.
descaminhar
A gente não se serve mais.
A verdade arrebatadora me acometeu numa quinta-feira a noite. Não pude parar de regurgitá-la durante a madrugada, já era então sexta de manhã e ela ainda confundia meus sentidos. Entre os estudos pra faculdade e as trivialidades do dia-a-dia, a gente não se servia mais.
Foi na nossa última conversa, porque eu não participo dos seus dias (a culpa é de quem?). Tava louca por um pouquinho de atenção, queria conversar sobre o meu dia ruim, sobre a chateação provocada por um amigo. Ouvi silêncio, vou dormir, depois a gente fala. Nem “tudo bem?”, nenhuma explicação, a sensibilidade pulou pela janela. Talvez fosse tudo mentira, mas quem liga? Faltou o tato, a querência, a vontade. Faltou você, sobrou eu.
Fui ficando pequenininha, encolhi a um grão de areia. O mundo me engoliu, você mastigou. Merda, pensei, e tô pensando até agora - eu não existo pra me diminuir.
A gente não se serve mais, então.
o problema dos amores tóxicos (além de serem tóxicos) é que toda toxicidade gera vício. a gente só tem dificuldade de admitir. e se curar
Não sou capaz de falar metade das palavras bonitas que guardo para muitas pessoas. Não sei se você me entende, mas dizer palavras bonitas não depende somente de nós. Porque o outro precisa entrar na sintonia, sentir como nós, receber da mesma forma que estamos enviando. Entende isso? As palavras precisam fazer valer, e nem sempre me arrisco a desperdiçá-las.
Camila Costa. (via desafogamentos)
Todas as noites quando adormeço perto destes olhos, peço que o amanhecer demore a chegar. É que não sabe, mas o dia seguinte me parece tão próximo e não quero ir... Eu quero ficar entre o teu cheiro e o nosso cobertor, abraçar tuas costas e sentir o calor que vem de você. Todas as noites quando adormeço perto de ti, até mesmo aquelas das quais nem me consigo lembrar, sei que por algum tempo quis que ali fosse infinito.
confissões de domingo
Desde pequenos aprendemos a nos despedir. Nascemos de um parto.
Eu me chamo Antônio. (via desafogamentos)