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despida, despedida
Quando que eu parei de transbordar? Eu transbordava para todos os lados; inundava qualquer centímetro de lugar, banhava quem se atrevesse a chegar perto dessas águas - ora turvas, ora claras. O que será que mudou? Me sinto contida, aprisionada; em um aquário; sem coragem para transbordar por aí. Talvez seja uma questão da maré - ora alta, ora mais recuada; não é sempre que a água se expande. Mas parece que essa seca - porque, para mim, parece que é uma seca - perdura já há algum tempo. Não consigo precisar o momento, mas é perceptível que esse recuo aconteceu - fiquei com medo das minhas próprias águas.
É verdade que essas águas intensas já assustaram muita gente; tem gente que tem medo do mar, nem todo mundo quer se aventurar. Ondas gigantes engolem muita gente. Talvez tenha sido isso; o recuo dos outros, me fez recuar - dar dois passos para trás, na areia, me protegendo em chão firme. Mas de certa forma é compreensível, tudo muda depois de um tsunami (e sinto que assim já fui algumas vezes): há destruição.
Por que que, com o desejo, vem a culpa? A punição? O arrependimento? Por que? Como eu faço para parar isso? É falando? É vivendo? É parando de pensar? O que fazer? Não aguento mais sofrer.
A gente pensa demais alimentando o medo quando a coragem está diante de nós na oportunidade de ser feliz.
Maxwell Santos
Eu não aguento mais arrependimentos. Eu não aguento mais desejar que não tivesse feito algo. Por que eu tenho isso? Essas ideias e desejos de voltar no tempo? Ficar obcecada no assunto, imaginando cenários diferentes, como se a força do pensamento fosse o suficente para mudar o curso do destino. Como se fosse possível alterar o rumo que a vida tomou. Isso vai de acontecimentos grandes até pequenas escolhas. "Eu devia ter feito isso" ou "não devia ter feito aquilo". Que saco. Que agonia isso. Enquanto isso, sofro aqui. Sofro de lá. E não consigo sair. Parecia que fico paralisada, presa com as duas pernas em uma areia movediça que só me faz é puxar para baixo, procurando me tragar. E então eu procuro que alguém me tranquilize. Tento dividir minhas preocupações para receber alguma voz que acalente. E, mesmo que eu encontre, não é o suficiente. Mesmo assim eu volto, infinitamente, no assunto. Eu tento mexer no celular para passar o tempo e a angústia, ou tento dormir. E nada. Tento escrever, para escoar o nervosismo, mas também, nem sempre encontro paz. Quando é que eu vou ter paz? Quando eu mesma vou me dar paz?
Eu sei que isso é ansiedade. Mas perdoa minha intensidade. Eu entendi que a vida é só uma: eu quero viver tudo hoje.
Sejamor
O coração está completamente esmagado.
-Impulsionarias
se eu me acostumar com a tua ausência, o que vai ser dos planos que planejei contigo? se teu número virar apenas mais um esquecido na minha agenda, pra quem eu vou contar sobre as minhas gargalhadas no meio do dia? tua falta tomou teu espaço, e agora onde tu preenchias existe um vazio me olhando de lado. tantas cartas trocadas, mensagens na madrugada agora se perdem entre papéis quaisquer e um backup que eu já não sei se salvou ou não, porque eu apaguei. os dias marcados deram espaço para a agenda agora livre, e eu me pergunto: será que um dia, de fato, tivemos chances de existir além disso? se eu me acostumar com a tua ausência, para onde vão os sonhos que sonhamos juntos? hoje lembro do teu abraço, mas não consigo mais reconhecer teu cheiro, parece que aos poucos tua falta vai preenchendo as lembranças de nós dois. e se eu esquecer tua voz, será que um áudio de aplicativo qualquer vai me relembrar? não sei, eu apaguei. e se eu não reconhecer seus olhos, será que entre as fotos eles ainda vão estar sorrindo pra mim? não sei, eu também apaguei. se eu me acostumar com a tua ausência, será que um dia vai parecer que o que a gente teve foi só um enredo de cinema e nada mais? será que a tua ausência vai apagar de vez a chama do meu peito que só incendeia por ti? não sei, porque eu apaguei.
voarias
Escrever é muito mais do que desenrolar o emaranhado de palavras que rondam a nossa cabeça, é abrir a janela do carro e deixar o vento beijar o rosto. Escrever é pintar uma tela em branco sem saber ao certo qual será o resultado, mas ter a convicção de que será eternizado. Dizem que a arte também tem o poder de colocar o dedo na ferida... bem, os loucos, bêbados, amantes, poetas e todos os desvairados que ainda colocam seus corações em exposição devem concordar. A escrita é uma das formas mais bonitas de perpetuar algo através do nosso próprio binóculo. Ela é, ao mesmo tempo, o coração e a visão. Por isso, escreva. Escreva nos dias felizes; escreva, sobretudo, nos tristes. Mesmo que sua assinatura seja uma lágrima no final da folha.
Entre lampejos e ilusões.
não quero enlouquecer para poder escrever; eu escrevo para não enlouquecer. algumas palavras são o veneno e o antídoto.
e eu gosto de tomar os dois.
Tiles! I want to have a kitchen wall full with different designs
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when hands touch
photographer: delfi carmona | image source