vó
Você ainda está por aqui. Te sinto viva em minhas lembranças, coração, em mim. Não há uma semana que passe que eu não pense em você: em como você reagiria frente a certa situação, o que você falaria em resposta a alguma fala minha, o quanto você iria reclamar dos tempos atuais, se você iria gostar do novo programa de televisão que estreou na ultima terça. Você continua muito presente, e acredito que sempre será assim.
Ainda me refiro ao seu quarto como seu quarto, apesar de já termos mudado alguns móveis e tentado ressignificar o cômodo, o utilizando para outras finalidades; mas não adianta, ainda me refiro, todos os dias, como seu quarto. O copo que você bebia água ainda está no mesmo lugar, ninguém o usa. No começo parecia que sua permanência ali era uma forma de acreditar que você iria retornar para casa a qualquer momento, mas hoje acho que não temos coragem de retirá-lo. O seu perfume continua em meio aos outros, no gabinete do banheiro, intacto. Ainda compramos folhinhas de calendário e o penduramos na parede da cozinha, do mesmo jeito que você fazia. (e o mesmo acontece com a Tia: ainda me refiro ao apartamento como dela, o seu perfume, que a data de validade expirou em 2012, continua na pia do banheiro.)
Você está entranhada em nós; em nossas vísceras, coração, cabeça, e locais mais escuros que não temos nem ciência deles. Você nos constitui, constitui as várias pessoas que somos. Os vestígios físicos que você deixou e que deixamos visíveis simbolizam o quanto você está presente no nosso dia a dia.
A saudade continua a mesma, a culpa por não ter aproveitado mais tempo junto a ti também. Mas a alegria e gratidão por ter sido possível viver com você por todos esses anos e por você ter tido um papel tão ativo na minha criação aumentam a cada dia.
Te amo, vó. Eternas saudades.














