Pessoal, o tumblr resolveu me bloquear. Então criei um novo e passei minhas autorias pra ele. Para quem quiser, é só me seguir no link abaixo. Sigo de volta.
Onde andastes de noite (via dessilenciada)
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@dessilenciada
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Onde andastes de noite (via dessilenciada)
“Pessoal, o tumblr resolveu me bloquear. Então criei um novo e passei minhas autorias pra ele. Para quem quiser, é só me seguir no link abaixo. Sigo de volta.”
— Onde andastes de noite
Pessoal, o tumblr resolveu me bloquear. Então criei um novo e passei minhas autorias pra ele. Para quem quiser, é só me seguir no link abaixo. Sigo de volta.
Onde andastes de noite
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra. Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora. Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda. Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima. Você é aquilo que reivindica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia. Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Martha Medeiros. (via inverbos)
Tudo era breu. Ali permaneci, não sei dizer à quanto. Os sons que se passavam eram meras distrações. Vez ou outra uma luz pairava sobre as sombras e me inspiravam o olhar, mas não me demorava. E assim, segundos viraram horas, dias viraram anos. Os sentidos se tornando dormentes pela falta de uso, o físico como uma casca oca necessitada de habitação, a alma fria... E então veio o calor. Aquele calor, de um tipo que reconheci. De longa data. Se recusando ir embora. Não era somente o som da queima de chamas, ou o cheiro distante de folhas secas, ou a luz que emanava em meio à minha escuridão particular. Havia um tipo diferente de sensação, que excedia o físico. Abro os olhos. Ainda em posição de nascimento, procuro minha consciência. Tentando unir as informações ao redor, sinto a grama em que estou deitado e seu cheiro me invade como um presente. Olho em algumas direções e me espanto. Deitado à margem de um penhasco tão profundo quanto minha condição passada, um movimento em falso resultaria na minha perdição, desta vez, eterna. O som da água que emanava ao fundo tinha de amedrontador o que de belo. O céu dava a entender que se tratava de um momento do dia, mas sua coloração acinzentada permitia a confusão com a escuridão noturna. Tento me mover. Mas sinto o chão cedendo sob mim. O desespero toma conta dos pensamentos e a súbita sensação de morte faz com que eu me entregue, por um instante, ao destino. Agarrado à racionalidade, e à familiaridade dos diversos momentos de inércia do passado, me aquieto, com certa naturalidade. E penso que somente acabei por substituir uma condição por outra de igual proporção. Esperei aquele calor se esvair. Simplesmente me deixar, como todos os que assim fizeram antes deste. Mas assim não o foi. Tenho a pretensão de levantar a cabeça mais uma vez, desta vez para a direção contrária ao penhasco, à favor da luz. E o súbito que me ocorreu quase atirou meu corpo para a grande imensidão. A fogueira era maior do que qualquer árvore que já observara até então, as pedras ao redor acompanhavam sua magnificência. A mulher que, prostrada à frente com seus braços levantados encontrou seus olhos nos meus e levantou a cabeça. Senti meu corpo levantar de minha amarga posição no mesmo ritmo. Pairando no ar, senti uma leveza como nunca antes. Ela girou o corpo, e com os olhos fechados, me devolveu o chão. Andar já não era mais tão árduo e não hesitei em me aproximar. Conforme meus passos iam ficando mais firmes e rápidos, o calor que antes me invadia de sopro foi se tornando vulcão. Tentei gritar, bravejar, mas nada do que eu fizesse chamava sua atenção. Corro mais rápido, e quanto mais corro, mais vulcânico, explosivo. Mais preenchido, vivaz. Dou-me a possibilidade de diminuir o passo e olhar para trás. O ambiente-beira cinzento vai ficando mais escuro e distante, na medida em que o mais próximo ao meu redor se materializava com cores quentes, fortes, vivas. Logo me arrependo e acelero. Quase em contato com a moça, nada me veio à cabeça para dizer ou fazer. Sentia estar nesta corrida por horas à fio, em busca de algo para me segurar, ou no mínimo, impedir que fosse puxado novamente. O cansaço corporal começava a cobrar o preço. E decido por fim, como última tentativa, atirar meu corpo físico com toda a força que ainda se fazia disponível contra o dela. Tudo durou uma fração de segundo. Me jogo. Ela gira. A mão em minhas costas. O impulso. Sinto uma força maior do que a primeira sobre mim, e observo as figuras das chamas, nas chamas em frente aos meus olhos. O calor estava completo em todo o seu poder... Então eu acordo. Cores fortes invadem minha vista, cheiro de folhas secas... Minha cama. Um ambiente que me parece familiar, mas já não era o mesmo.
Dessilenciada.
“E eu estou chorando agora, mas principalmente de raiva por a gente ter que mendigar carinho pra se sentir uma boa pessoa. Se ninguém nos telefona, se ninguém vem à nossa casa, se ninguém aceita o nosso jeito, parece que a gente não existe, parece que as coisas deram errado, e não deram. Sou uma pessoa bacana, forte, generosa, não deveria precisar que ninguém me aplaudisse, mas a gente precisa dos outros, precisa que eles demonstrem que nos admiram, mesmo que estejam fingindo.”
— Martha Medeiros.
Ela queria viver de arte. Sabia como era se sentir transbordada, precisar aliviar a pressão. Tentou desenho, pintura... Não era lá essas coisas. Tentou o canto, mas sua timidez soou mais forte do que suas vocais. Tentou instrumentos e percebeu sua falta de jeito. Seguiu na procura, com tentativas frustradas, sucessivas. As tentativas foram voltando ao mundo das ideias, os fracassos colecionados entraram em concordância, as percepções foram mudando com o tempo. Até que um dia, chorando, ela escreveu... E transbordando percebeu que desejou ter percebido que poderia viver de arte, antes que tudo tivesse acontecido.
- Dessilenciada
O ódio, assim como o amor, é uma decisão. Que afeta única e exclusivamente o coração de quem faz a opção. Uma batalha de antagônicos tão antiga quanto o próprio tempo. Veneno ou antídoto. Doença ou cura. Rancor ou perdão. Amargor ou doçura. Ferida ou curativo. Cicatriz ou cicatriz... O que vai ser? Você escolhe. Sempre.
Dessilenciada
Ela me cuspiu a face. Me esmurrou a alma. Pobre mulher... Mesmo com todos os meus esforços, todos... Sem nenhuma exceção, passaram despercebidos perante seus olhos. Mesmo com todas as tentativas válidas, invalidadas... Era engraçado perceber que ainda mantinha-me em combate. Talvez por pura teimosia, ou pura essência, ainda tentando à cada dia, ser uma pessoa melhor do que fui no dia anterior. "Você não é ninguém", palavras ecoam em ressonância. Conexões neurais de uma memória que de nada vale, além de provocar mágoas e decepções consecutivas. "Nada. É isso o que é você.", escuto antes de adormecer em sono profundo durante uma madrugada atormentada, em pensamentos distintos e distorcidos. Pobre mulher... Se preocupa mais com a situação da conta bancária, do que com os reajustes do coração. Se contorce com a produtividade diária, enquanto a alma aguarda seus reparos. Se mantém ocupada com a vida e os erros alheios, apontando dedos inquisitivos para terceiros, enquanto o mesmo deveria ser apontado para a própria dona. Pobre mulher... Não tem ideia do que significa "ser nada", ou "não valer nada". De nada entende sobre o que realmente importa. De nada compreende sobre o que é feito o verdadeiro sucesso do ser. Do existir. Ou melhor... Do coexistir com outro alguém.
Dessilenciada
Uma mulher precisa ser duas coisas: quem e o que ela quiser.
Coco Chanel.
Uma vez me perguntaram: o que é ser escritor? Ri tanto que comecei a chorar. Eu pude ver naqueles rostos surpresos, que nada entendiam. Bem, meus caros, ser escritor é isso. É você demonstrar suas emoções mais profundas, mesmo quando você não quer. É você ficar transparente, mesmo quando quer esconder o que sente. É você sentir vontade de explodir e ninguém entender, e a única coisa que alivia é escrever. Ser escritor é algo confuso para alguns, e algo admirável para outros. As palavras falam por si só! Ser escritor é você jogar a sua alma no papel, e assinar em baixo sem ter vergonha dos seus sentimentos. Ser escritor é ver o que ninguém vê.
Dai Ribeiro. (via combaterei)
Eu te desenhava, não necessariamente no papel ou em um quadro, mas carregava no peito um esboço tão lindo de você.
J.A, 1996.
É realmente inexplicável que eu não tenha deixado de lado todos os meus ideais, porque eles parecem tão absurdos e impossíveis de se concretizarem. Mesmo assim eu os conservo, porque ainda acredito que as pessoas são boas de coração. Simplesmente não posso edificar minhas esperanças sobre alicerces de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo gradativamente se tornando uma selvageria. Escuto o trovão se aproximando, cada vez mais, o que nos destruirá também; posso sentir o sofrimento de milhões e ainda assim, penso que tudo irá se corrigir, que esta crueldade também terminará. Enquanto isso, preciso adiar meus ideais para quando chegarem os tempos em que talvez eu seja capaz de alcançá-los.
O Diário de Anne Frank.
Cruzes! Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia. Como assim? Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.
John Green. (via esqueciam)
Você pode ter defeitos, ser ansioso, e viver alguma vez irritado, mas não esqueça que a sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode impedir que vá em declínio. Muitos lhe apreciam, lhe admiram e o amam. Gostaria que lembrasse que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, uma estrada sem acidentes, trabalho sem cansaço, relações sem decepções. Ser feliz é achar a força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor na discórdia. Ser feliz não é só apreciar o sorriso, mas também refletir sobre a tristeza. Não é só celebrar os sucessos, mas aprender lições dos fracassos. Não é só sentir-se feliz com os aplausos, mas ser feliz no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma. É agradecer a Deus por cada manhã, pelo milagre da vida. Ser feliz, não é ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si. É ter coragem de ouvir um “não”. É sentir-se seguro ao receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, mimar os pais, viver momentos poéticos com os amigos, mesmo quando nos magoam. Ser feliz é deixar viver a criatura que vive em cada um de nós, livre, alegre e simples. É ter maturidade para poder dizer: “errei”. É ter a coragem de dizer:“perdão”. É ter a sensibilidade para dizer: “eu preciso de você”. É ter a capacidade de dizer: “te amo”. Que a tua vida se torne um jardim de oportunidades para ser feliz… Que nas suas primaveras seja amante da alegria. Que nos seus invernos seja amante da sabedoria. E que quando errar, recomece tudo do início. Pois somente assim será apaixonado pela vida. Descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Utilizar as perdas para treinar a paciência. Usar os erros para esculpir a serenidade. Utilizar a dor para lapidar o prazer. Utilizar os obstáculos para abrir janelas de inteligência. Nunca desista… Nunca renuncie às pessoas que lhes ama. Nunca renuncie à felicidade, pois a vida é um espetáculo incrível.
Papa Francisco. (via heroipoeta)
Não sou de fingir sentimentos. Mas já escondi muitos deles.
Amsterdam, 1945.