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A máquina de escrever e eu
Por Débora Cervelatti Oliveira
1995. Numa típica tarde quente de qualquer dia do ano, em Araçatuba, interior de São Paulo, uma menina de três anos, andava inquieta pela casa da avó, dando trabalho até para o cachorro, coitado. Até que o seu avô lhe trouxe dois brinquedos bem diferentes... uma máquina registradora, e uma máquina de escrever. Bem, a garotinha inquieta era eu, e essa, foi a primeira vez que vi a minha máquina de escrever; uma Olivetti Lettera 82 de azul (ou verde-água, chame a cor como preferir), com as fitas recém trocadas. Mal olhei para a máquina registradora... aqueles números me irritavam! Mas a máquina de escrever... ah, a máquina de escrever... Meu avô colocou uma folha de papel nela, para que eu pudesse datilografrar algo, e eu fui logo batendo os dedinhos nas teclas, ouvindo aquela música que só uma Olivetti Lettera 82 é capaz de reproduzir. Ela tocava um tipo de sininho que eu amava, e o cheiro dela, eu me lembro até hoje. Sim, o cheiro. Naquele momento, o meu avô criava uma marca em mim da qual eu jamais vou me esquecer... o prazer pela escrita. Daquele dia eu me lembro muito bem, como se fosse hoje, agora. O cachorro já havia se cansado da minha pilha alcalina, e foi se esconder em algum canto da casa; as minhas tias não estavam em casa, meu pai estava em Ilha Solteira, minha mãe, trabalhando, e a minha avó, fazendo umas bolachinhas que eu adorava, recheadas com goiabada. Meu avô vestia uma camisa branca, e, desesperado com o quanto eu estava inquieta, foi pra dentro de casa, e voltou com a máquina registradora, e a minha linda Olivetti azul, dizendo "olha pretinha, o quê o vô trouxe pra você brincar"!
Depois desse dia, todas as vezes que eu estava inquieta demais, alguém sempre deixava a máquina de escrever em minhas mãos, e eu passava a tarde "escrevendo". Aliás, coitado daquele que me incomodasse quando eu estava ali, datilografando e escutando o meu sininho favorito. Foram muitas as tardes sentada no chão, ouvindo John Lennon , Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr cantando "You know it's up to you i think it's only fair; Pride can hurt you too so apologize to her; Because she loves you and you know that can't be bad;She loves you and you know you should be glad" ou "As I write this letter send my love to you, remember that i'll always be in love with you"... Mas aí a gente cresce, passa pela adolescência, fica idiota, e esquece de coisas tão boas quanto essa. Graças a Deus, não perdi meu amor pela leitura, nem o gosto que, evidentemente, sempre tive por escrever. Porém, me esqueci da máquina de escrever... aliás, sempre gostei de máquinas de escrever, e sempre tive vontade de ter uma, mas DESSA, especificamente, eu me esqueci.
Recentemente, enquanto fazia uma pesquisa de imagens para colocar em meu blog, vejo uma imagem muito familiar... Era uma bela máquina de escrever. A foto era em preto e branco, mas todas as lembranças da infância vieram à mente num turbilhão. Meu Deus, que saudade eu tinha, e quantas idéias eu já tinha para datilografar na minha máquina. Comecei então, a pesquisar preços, onde eu poderia encontrar um exemplar, e qual eu escolheria para mim. Contei à minha mãe sobre essa súbita decisão, e ela me lembrou "a sua avó ainda deve ter aquela máquina que foi de seu pai quando ainda morávamos em Araçatuba." Dito e feito! Liguei para a minha avó e ela prometeu me dar aquela máquina, que ainda estava em sua casa, em total desuso. Naquele final de semana, faríamos uma viagem de família, e a minha avó trouxe a minha máquina. Imagine a minha emoção, ao ver novamente a minha Olivetti 82!
Agora, escrevo dela, da máquina de escrever cor azul, ou verde-água, que foi de meu pai, e agora é minha. Ela ainda tem o mesmo cheiro, e ainda faz os mesmos barulhos. Sorri sozinha ao ouvir novamente aquele sininho pelo qual me apaixonara na infância. A fita que está nela há anos, ainda está boa, mas eu já quase consegui acabar com ela. É muito poético de minha parte, eu sei, mas escrever dessa forma, traz uma emoção diferente, um sabor diferente. É como se eu voltasse àquela tarde de 1995, aos meus meros três anos de idade. É como se o disco dos Beatles ainda estivesse tocando, e o cachorro, ainda estivesse escondido. É como se tudo acontecesse novamente, só que agora eu sou grata ao meu avô paterno, pois se ele já não estivesse quase irritado com a minha aquietação, e não tivesse trazido esta máquina para eu me distrair, essa marca jamais teria sido feita em minha personalidade. Eu gosto de escrever. Eu gosto da música que a, agora minha, Olivetti Lettera 82 toca, quando é usada. Obviamente, ela precisa de alguns reparos, e me separarei dela por alguns dias, por "motivos de força maior".
E eu enfim concluí que escrevo. Escrevo por simples necessidade. Não necessidade de ser ouvida, mas por aquietação. Aquietação na alma e na mente, onde o meu sossego eu encontro somente após orar, ler a minha bíblia e escrever até saber que ali é o limite. Chame de estranho se quiser, eu não me importo... acho que até gosto. E talvez eu goste pois nunca quis ser igual à todos. Veja bem, uns encontram o sossego dando uns bons chutes e socos num saco de areia, outros, indo ao shopping e estourando o limite do cartão de crédito, outros, num copo de cerveja, e há também os que encontram o sossego nas pessoas... mas eu... eu escrevo, e assim é a vida.
Mas agora é diferente... agora eu escrevo na minha Olivetti Lettera 82, cor azul, ou verde-água, chame a cor como preferir.
O toque feminino (?)
Mulher moderna, você não precisa gritar mais alto que todos para que os seus pensamentos recebam alguma razão. Você não precisa se embebedar tanto para se sentir livre. Você não precisa trocar de namorado assim como troca de calcinha, ou ter sempre mais de um companheiro para se sentir completa, ou até, trair o seu namorado bonzinho, pra enfim mostrar "quem manda na relação" e que "ninguém é dono de ninguém". Você não precisa usar uma saia que mostra até o seu útero, para mostrar que é dona do seu corpo, e nem usar um decote no umbigo para se sentir bonita. Você não precisa se vulgarizar para que alguém ache que você chamou atenção, ou se emburrecer para que um rapaz te ache interessante. Você realmente não precisa de tantos palavrões na sua boca, ou de tantos gestos grosseiros em suas atitudes. Mulher moderna, você não precisa de tanta falta de classe, você não precisa de tanto desamor consigo, e também não precisa de tanta falta de cuidado com tudo à sua volta, para mostrar que pode alguma coisa. O toque feminino sempre um charme, e a doçura feminina sempre foi o maior dos encantos para os homens através de gerações... já passou da hora de resgatar essas características!
de Débora Cervelatti Oliveira
A Rosa e o romance
Cantaram e contaram errado a história. A Rosa não amava o Cravo. Ele era fraco(emocionalmente) demais, incompreensivo demais, mimado demais e reclamava o tempo todo dos espinhos da Rosa. A Rosa, apenas se apaixonou por ele. Paixão tem data de validade, e é por isso eles brigaram de uma sacada. Então ela conheceu o Cacto, e eles se apaixonavam todos os dias um pelo outro. O motivo é bem simples... o Cacto era tudo que o Cravo não era. O Cacto amava os espinhos da Rosa, pois compreendia cada um deles!
Débora Cervelatti
"Eu só não entendo essa falta de romantismo, falta amor de verdade, falta de sinceridade e fidelidade. Eu não entendo essa falta de amor próprio, e nem essa carência excessiva das pessoas. Não entendo a necessidade de ser explosivo, tão pouco entendo a falta de cordialidade, e quem dirá a falta de respeito. Ser de uma só pessoa é estranho, não nadar junto com a corrente é loucura. Eu jamais vou entender tanta coisa do avesso - pensando ser o avesso o lado correto -, e o conformismo jamais me atingirá. Quiçá uma leve compreensão de algumas coisas, mas, por hora, prefiro que não seja assim. "Não vos conformeis com este mundo", disse o Mestre; e eu, acabei levando ao pé da letra..."
Débora Cervelatti O.
Tomar uma coca-cola com você
é ainda mais divertido que ir ao Rio, Porto Seguro, Natal, Florianópolis,
ou ter o estômago revirado na Madison Square Avenue, em NY
em parte porque nesta camisa laranja você me parece um Rio melhor, mais feliz
em parte por causa do meu amor por você, em parte por causa do seu amor por vodca
em parte por causa das flores dos ipês forrando o chão,
em parte por causa do mistério que nossos sorrisos vestem diante de pessoas e estátuas
é difícil acreditar que possa haver algo tão imóvel, tão solene, tão desagradavelmente definitivo quanto as estátuas à nossa frente
no ar quente das quatro da tarde em São Paulo, nós vagamos em círculos num vai e vem, como uma árvore, respirando por suas oftálmicas
e a exposição de retratos parece não ter qualquer rosto, só tinta
você de repente pergunta-se por que diabos alguém deu-se ao trabalho de pintá-los.
Eu olho
você, e preferiria olhar você à todos os retratos do planeta
com exceção, talvez, do Auto-Retrato com corrente de ouro de vez em quando, que está no MASP
aonde, graças aos céus, você nunca foi, de modo que podemos ir juntos a primeira vez
e o fato de você se mover de forma tão bonita, resolve mais ou menos o Futurismo
assim como em casa eu nunca penso no Nu Descendo uma Escada,
ou num ensaio nalgum desenho de Michelangelo ou Da Vinci, que antes me deixava boquiaberto.
E de que adianta aos impressionistas toda a sua pesquisa, quando eles nunca conseguiram a pessoa certa para encostar-se à uma árvore ao pôr-do-Sol?
Ou, a propósito, Marino Marini, se ele não escolheu o cavaleiro com o mesmo cuidado que o cavalo?
É como se tivessem roubado deles uma experiência maravilhosa, que eu não pretendo desperdiçar,
e é por isso que estou aqui falando isso tudo pra você.
Poema original de Frank O'Hara,
adaptações feitas por Débora Cervelatti
por favor, nao abandona o seu tumblrr! posta masi coisa aqui! as coisas que vc escreve mudam o meu dia é serio! beijos, Mari M.
não vou abandonar, só tem me faltado tempo! Espero que meus textos mudem o seu dia de uma forma boa :)
qtos anos vc tem?
acabei de fazer 20 ;)
Vamos lá! Sacuda essa tristeza, mande a preguiça embora, faça uma oração e peça à Deus que te dê forças; desperte os seus sonhos, tire os planos e projetos das prateleiras, troque o mau-humor por um sorriso, solte esse cabelo, ponha uma música bem animada pra tocar e deixe boquiabertos os que disseram que você não daria conta do recado!
Débora Cervelatti
"...acho que eles todos deixaram de ter uma experiência maravilhosa que eu não vou desperdiçar, por isso estou te contando."
do poema "Uma coca-cola com você", de Frank O'Hara
Pondere-se!
"Aprenda a moderar os seus gestos, a ponderar as suas palavras e ter cuidado com o seu agir. Todo ser humano é suscetível à erros, mas aquele que aprende com os mesmos e procura corrigir-se, obviamente é mais nobre do que aquele que apenas se acomoda com o peso na alma causado pelos erros e falhas constantes."
Débora Cervelatti
Bomm diiiiiiiiia!! E booommm feriado a todos nós :)
Amizade é cuidado!
"Quando se é amigo, a gente ama e zela pelos interesses um do outro; Quando um está indo em direção a um precipício, cabe ao outro avisar, e dizer pra tomar cuidado com os perigos que vem logo depois da curva. Mas se esse amigo decide seguir em frente, não há nada que possamos fazer. Ficar olhando o outro quebrar a cara, obviamente dói em nós, mas há coisas que as pessoas têm de aprender sozinhas.
Cabe a nós, sermos os 'guinchos' de nossos amigos, ajudando-os a sair do buraco onde eles mesmos decidiram entrar. Dizer 'eu te avisei', às vezes não é o bastante, e às vezes não cabe à situação, pelo fato de haver a possibilidade disso irritar muito o outro que está ouvindo. Talvez você tenha de dizer 'eu continuo te amando, apesar disso tudo', ou simplesmente 'eu estou aqui pra te ajudar'. Talvez, dependendo da situação, devamos apenas ajudar sem dizer nada sobre o ocorrido, tirando os espinhos, ajudando a caminhar, ajudando a se levantar. Tudo depende de como ele saiu de lá. Ser amigo é isso, é não sair do lado do outro, mesmo que distante. Ser amigo é amar, por mais que o mundo distorça esse amor."
sinceramente, Débora Cervelatti O.
"Mesmo se o mundo acabar...
Mesmo se o avião cair...
Mesmo se a chuva alagar aqui... Mesmo se a gente afogar..." (Sobre Canecas e Chás - Léo Fressato)
Linda demais!