Amor
Morri sem querer
Procurei vida nos lugares errados
Numa panóplia de sentimentos adormecidos, mal criados, enganados
Morri de tanto te querer amor
Morri sem querer
A procurar a morte da dor berrante
Cortante
Constante
Que com facas me sufocava a respiração ofegante
Morri eu amor, desculpa o anoitecer
Mas morri, anoiteci
Apaguei a lua à velocidade de um grito silencioso
Paupérrimo em força, em luta
Não quero a luz sem ti
Curras à pureza de uma puta
Pura, com ferrugem
Oxidado sentimento de incerteza absoluta
Sincera, fingida
Mas a incerteza acabou
E eu acabei com ela amor
Limpa, disfarçada
Ciclo vicioso de uma droga enfrascada
Entalada, não desce
Mata, enfraquece
Come, bebe, grita, chora
Sai, bate a porta e vai embora
Mas fica, corrói a pele, a alma
Intriga, blasfémia, doença
Um fermentar de pecado, sida
Que corrói também a vida
A uma temperatura paradoxal, entorpecida
E foi, aconteceu
Um desespero sistemático, ritmático
Empalideci, anoiteci
Dentro de um corte entusiástico
Cortei mais, gemi, bati
Veias soltas, sangue
Coágulos, azáfamas
Não nego mais que preciso de ti
E por isso amor, morri sem querer
De tanto viver
Desculpa por mim o anoitecer