We don't have to go all the way. We can just cuddle. And when you're ready, we can do some dry humping. Call me!?
Right. How... How should I respond to that? Theo? Some help here, 'bud.
todays bird
AnasAbdin
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trying on a metaphor
Stranger Things
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⁂
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@dimidepardieu
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Right. How... How should I respond to that? Theo? Some help here, 'bud.
aposto que eles tinham muitas bebidas no titanic
É, tudo bem, essa é a exata reação que eu esperava de você. Mas pensa só, Theo. Imagina como deve ser a sensação de se equilibrar na proa de um navio imenso daqueles, soltar as mãos e simplesmente sentir o vento bater no seu rosto? É o tipo de coisa incrível que deve te fazer se sentir como… the king of the world. Toda essa conversa sobre navios me faz querer comprar uma passagem assim que eu me formar, pena que eu não tenho dinheiro pra bancar uma viagem dessas. Bom, quem sabe eu conto com a sorte e acabo ganhando uma passagem no futuro?
Demando esse corpo garanhudo em cima do meu.
Theo fica me dizendo que eu tenho que ser mais direto com as garotas, que eu tenho que tentar imitar aquele ator americano, o James Dean, ou vou morrer como um velhinho fumante e solitário. Então, sure thing, babydoll. É assim que vocês falam por aqui? Me dê um lugar, um horário e estarei lá.
titanic *pluft* afundou ):
É, mas olha, já faz um tempinho, né? Engraçado você mencionar isso. Ontem mesmo eu tive um sonho esquisito, que eu era um passageiro de terceira classe do Titanic. Foi tudo bem real, até a parte do iceberg. Sei que eu acordei achando que eu estava morrendo congelado porque a Autumn não quis dividir um pedacinho da porta gigante que ela estava boiando comigo. Congelado, afogado, tanto faz. Só espero que ela não faça uma coisa dessas comigo na vida real se a gente for viajar por aí e acabar batendo em uma pedra de gelo gigante.
Romanticizing the time I saw flowers in your hair → Angie & Dimitri
Estava na biblioteca quando aconteceu pela primeira vez.
Primeiro demorou a notar. Não reconheceu um padrão, talvez porque fosse meio avoado ou porque não estava prestando a devida atenção. Sentado em uma desconfortável cadeira de madeira que rangia com cada mínimo movimento, Dimitri folheava um exemplar surrado do livro de Herbologia e bocejava toda vez que trocava de página. Tentava encontrar a parte do capítulo que, com sorte, lhe explicaria como calar a boca de uma mandrágora antes que ela te deixasse completamente surdo.
Achara uma pequenina flor na página 79 – justamente a página que ele vinha procurando. Suspeitou de mil coisas. Intervenção divina? Um marcador de livros especial, de alguém que também tentava calar a boca de mandrágoras no tempo livre? Alguma espécie de clube secreto de Herbologia que deixava margaridas por aí, tentando recrutar um novo membro? Concluiu que era melhor expulsar as ideias da cabeça. Às vezes uma flor é só uma flor. Às vezes as coisas não precisam ter um motivo concreto, simplesmente acontecem.
Mais uma flor na página 79 do livro de Transfiguração. Uma outra na página 9 no livro de Trato de Criaturas Mágicas, outra na página 7 de um livro sobre as Rebeliões dos Duendes. Qual a frequência necessária para que uma coincidência torne-se um padrão? Tinha que existir um sentido para tudo aquilo. Todas margaridas. Todas formavam alguma combinação suspeita com os números sete e nove. O suposto clube secreto de Herbologia tornava-se cada vez mais uma probabilidade acreditável, mas o mistério não fazia muito sentido em qualquer lugar que não fosse a cabeça de Dimitri. Compartilhou as ideias com a irmã e tudo que conseguiu foi um tapa na cabeça e um pedido - ou seria uma ordem? - para tirar a cabeça das nuvens.
Tudo que sabia é que gostaria de participar desse clube. Entender o significado daqueles números e estudar plantas nunca antes estudadas, plantas tão misteriosas e muito possivelmente fatais que só a menção de seus nomes já era um crime para Ministério da Magia. Raciocinou um pouco. Bom, alguém tinha que estar deixando aquelas flores na biblioteca, certo? Então se esperasse por ali, e contasse com um pouco (ou um monte) de sorte, descobriria quem era a pessoa misteriosa e poderia interrogá-la sobre o assunto.
Foi mais fácil do que pensara. Logo que chegou, analisou o rosto dos colegas que estudavam na biblioteca com atenção. Sorriu ao encontrar uma garota que trazia uma margarida atrás da orelha. Uma margarida exatamente igual às que ele achara antes. Com as mãos, arrumou as vestes amassadas o melhor que pôde. Limpou a garganta, sorriu, e sentou-se do lado dela. - Olha só, eu já sei de tudo. Descobri o seu mistério. Sei tudo sobre o seu clube e sobre as plantas proibidas. Sobre a página 79. Então por favor, me responda: como eu faço pra participar?
Eu não sei nem sequer o que é sinapses. Não consigo entender quando você começa a falar com palavras difíceis nem mesmo sóbrio, ainda mais com esse seu sotaque francês de boiola. Autumn! Eu sabia. Agora, se o bro code se aplica, quer dizer que você gosta dela. Talvez a perspectiva de eu dar em cima da Verão ali seja um bom incentivo. Que tal uma semana?
Não se estresse. Deixarei sua garota em paz. Off limits.
Aquela maníaca não é minha namorada. Sinceramente, eu deveria processa-lá pela quantidade de vezes que ela tentou me matar. Provavelmente ela acabaria em Azkaban.
Theo, tenho quase certeza que foi você quem me ensinou essa palavra. Semana passada. O que me diz que o firewhiskey está realmente afetando seus neurônios. Aposto o que você quiser que você não consegue resistir uma semana sem álcool, que tal?
E por favor, como é a expressão que vocês usam mesmo? She's way out of your lead. League? Breed? Uh, bom, você me entendeu. Autumn é especial, então vamos deixar ela bem longe de você, tudo bem? E por Merlin, eu te conheço, juro que se comentar alguma coisa dessa conversa com ela eu enfrento o risco de ser deportado e te mato.
Tentou te matar? Tem certeza que interpretou as coisas corretamente? As vezes podia ser um jeito especial (e meio insano) que ela achou de dizer que gostava de você. Quer dizer, o que aconteceu exatamente?
What Would You Do? - Mel & Dimi [Flashback]
Ela demorou alguns instantes antes que conseguisse se levantar. Mais precisamente o tempo do garoto desaparecer pelo corredor, sem olhar para trás nenhuma vez se quer. Parecia estúpido, mas ela desejava que ele virasse.
Levantou, colocando o peso sobre os joelhos e usando as mãos para se levantar, limpando a saia e ajeitando os botões da camisa que Theo havia feito o favor de bagunçar em sua tentativa de deformar o rosto de Mel. Começou a andar calmamente, ainda sem ter certeza se as pernas conseguiam sustentar seu peso. Lembrou-se de como era sempre estar com o “tanque de ódio” cheio - seu combustível - e instantaneamente estava perfeitamente bem.
Voltou ao Salão principal calmamente, com a cabeça levantada e o olhar de superioridade sempre presente. Chegou perto da mesa da Sonserina, avistando o lugar onde tinha feito uma grande bagunça atacando Theo. Seu corpo vibrou de ódio e mágoa. Recolheu o pedaço de comida verde envolto em sangue da mesa calmamente, limpando suavemente pra tirar o excesso do material vermelho. Recolheu duas batatas fritas da mesa, esquentando com a força do pensamento o meio delas, formando uma cruz. Deixou os dois alimentos na mesa e segurou um pote de arroz de onde Theo havia se servido de um pouco de comida.
Cavou calmamente com as mãos entre os grãos, colocando o brócolis no centro do buraco e prendendo a cruz logo acima. "Vou sentir sua falta, amigão. Snif, snif.”Ela simulou. Arriscou um olhar em volta, percebeu algumas pessoas dando risadinhas e outras abaixando o olhar imediatamente, com medo dela. Ótimo, que tivessem medo dela. "E então, qual de vocês covardes vai me levar pra detenção?"
Andou como se estivesse indo para o dormitório tirar uma soneca, sendo levada à sala de detenção. Reconheceu um rapaz que normalmente andava com Theodore e sentiu seu corpo esquentar de tanta raiva. Sentou ao lado dele, dando um sorriso completamente falso e irônico na direção do rapaz. "Desculpe a demora, tive que enterrar meu amado." disse para ninguém em especial, na esperança de conseguir puxar assunto com o garoto.
Professor Binns falava. E falava. E falava e falava e falava. E escrevia algumas datas aleatórias no quadro, antes de falar mais um pouco. Foco, Dimitri, não feche os olhos agora. Só faltam... vinte minutos? Ainda faltam vinte minutos de aula, esse relógio só pode estar de brincadeira com a minha cara. Tudo bem, vamos lá, vamos lá, você pode aguentar dezenove minutos e trinta e sete segundos de fala monótona. Inquisição. Parece ser importante. Tudo bem, Dimitri, abra os olhos, isso é importante. Você vai querer saber sobre queima de bruxas caso algum maníaco resolva sair por aí ateando fogo em pessoas aleatórias novamente. Espera, o próprio Binns acabou de dizer que a matéria é completamente inútil? Bom, de certo fechar os olhos, só por uns cinco minutos, não vai fazer mal a ninguém.
"Ai."
O aviãozinho de papel o acertara em cheio. Dimitri leva a mão pra nuca, meio incomodado, meio atordoado, meio sem entender o aconteceu. Tinha dormido a maior parte da aula e acabou perdendo toda e qualquer informação relevante (ou não) sobre a Inquisição, mas tinha quase certeza que podia viver sem isso. No momento, seu único objetivo era planejar uma vingança contra quem lhe tinha perturbado o sono. Três cadeiras atrás, um grifano desconhecido soltava risadinhas, abafadas pelo livro que lhe tampava a cabeça. Alvo localizado. Cortando um pedaço do pergaminho que usava para suas anotações, Dimitri replicou o aviãozinho que lhe atingira a cabeça. Virou-se para trás e o lançou para o que parecia ser um tiro perfeito.
Engano número um. Tudo que aprendeu foi que História da Magia e Aerodinâmica não são matérias que se misturam muito bem. Viu sua pequena arma de vingança atravessar em cheio o corpo do Professor Binns e não chegar nem perto do alvo desejado. Bom, o professor era um fantasma, certo? Não iria se importar. Era só um aviãozinho. E passou tão rápido, tão certeiro, é provável que não tenha feito nem cócegas. Se tiver sorte, o professor não terá nem mesmo percebido.
Engano número dois. Foi escoltado para detenção justamente pelo grifano baixinho que dera início à guerra de aviões. Não pôde deixar de rir e apertar a mão do garoto, esperto o bastante para ter iniciado toda a confusão e ainda se livrar de qualquer tipo de castigo. Entrou na sala em silêncio, sentou-se em uma das cadeiras dispostas em círculo e esperou. Foi surpreendido quando a garota que ali chegava lhe dirigiu a palavra. Sorriu meio sem graça e franziu o cenho. - Uh, sinto muito? Certo, deve ter sido uma perda bem traumatizante e... Não, desculpa, eu não tenho a mínima ideia do que você está falando. Quer dizer, alguém... morreu? - Depois de ter falado, percebeu que fora um tanto quanto insensível. Amaldiçoou-se por dentro pela falta de tato e expandiu o sorriso, na tentativa de parecer um pouco mais simpático. Por dentro, torcia para que aquilo tudo não passasse de uma brincadeira.
Não vá me deixando com fama de manwhore, Dimi. Mas aceito qualquer coisa sim, só não é questão de pedir com jeitinho, precisa ser gostosa. Falando em gostosa, como vai aquela garota lá? Verão, Inverno, Primavera, whatever her name was?
Verão, inverno e primavera? Tudo bem, Theo, você literalmente chutou todas as estações existentes, menos a certa. Acho melhor maneirar no firewhiskey, começou a afetar suas sinapses e tudo mais. Mas não vou reclamar, pra ser sincero me deixa um pouco aliviado que você não consiga lembrar o nome dela. Sabe, fama de 'manwhore' e tudo, eu ia me sentir um pouquinho ameaçado.
Mas não, eu estou brincando. Eu e a Autumn somos só amigos. O que não significa que você pode ir atrás dela, tudo bem? Bro code, lembre-se disso. Aliás, conheci a sua namorada hoje. Garota adorável. Por que nunca me falou dela antes?
ô garoto será que terei que colocar uma cueca de aço em vc????
Olha, desculpa, mas eu passo. Isso é algum experimento inglês esquisito? Eu aprecio bastante a minha liberdade, mas acho que se você pedir com jeitinho, o Theo topa qualquer coisa. Então, bom, só procurar por ele. Theodore Fawcett, Salão Comunal da Gryffindor. Espero ter ajudado.
lindo pfto bbzo neném mds renha cá *abraços* *xamegos* *xeros* *amor* ):
Uh, sim. Xamegos e xeros. Tenho total conhecimento dessas palavras. Sabe como é, tenho um vocabulário bem extenso, decorei o dicionário Webster de inglês, essa coisa toda. E, bom, desejo tudo isso de volta pra você. Em dobro, até. Então é bom que não seja uma coisa ruim.
Numbers, letters, learn to spell → Alana & Dimitri
Sexta, 10 de Novembro de 1972
Dimitri Depardieu,
Para uma primeira carta, até que você tem bastante assunto. Vou te confessar que essa ideia que os diretores tiveram em fazer os estudantes trocarem correspondências me interessou bastante. Me interessou ainda mais quando soube que a Beauxbatons estaria envolvida. Ao contrário de seus inúmeros achismos, eu adoraria saber como é o ensino no país onde nasci e provavelmente estudaria se não fossem as inúmeras viagens que Maurice papai faz. E duvido muito que você não está interessado em saber como uma francesa se porta em uma escola repleta de Ingleses. A promessa, de todo modo, foi feita. E como todas as promessas que se prezem, ela deve ser cumprida. Vou guardar essa carta no fundo do meu malão. Só por via das dúvidas.
Eu não acho isso frustrante. Sabe, sobre você falar, enrolar e nunca dizer o que deve dizer realmente. Acho que estou soando tão confusa e enrolada quanto você, mas eu gostaria de poder fazer isso também. Eu sou muito direta, entende? Isso frustra muitas pessoas que convivem comigo também. Essa Madame Tissou parece ser uma mulher bastante rígida, e inteligente. Me lembra bastante a Professora McGonagall. Ela é uma animaga, e pode se transformar em um gato quando e onde quiser. Eu também recebi uma lista com itens que deveria dizer na carta. Ele vai ser bastante útil, porque ainda não disse nada de relevante aqui, não é? Me desculpe por isso.
Eu não sei se deveria dizer, mas acho que sei o que fertilização quer dizer. Deveria te falar? Se você diz que se pai te enrolou, talvez seja porque você não pode saber por enquanto. Acho que isso que ele te disse a respeito de cegonhas veio de uma crença trouxa. Li muitos livros sobre muitas coisas antes de vir para Hogwarts.
Sinto muito te desapontar, mas a sua teoria é um pouco falha. Não sou bonita, muito menos amável. Mamãe diz, a propósito, que eu deveria me portar mais como uma menina. Mas… Se isso te consola, ainda existem muitas Alanas no mundo que podem se encaixar no significado de seus nomes. Por favor, não dê muita importância para as coisas que escrevo aqui.
Eu tenho onze anos, e também nunca vi graça alguma em todas essas coisas que você citou. Salvo apenas o chá, que tomei gosto quando me mudei para a Inglaterra. Você deveria experimentar chá com sabor de morango ou maçã, são muito bons e cheirosos.
Em apenas uma carta, acho que descobri bastante coisa sobre você também, Dimitri Depardieu. A primeira delas, é que você é um garoto bastante apressado. Mas não faz mal. Isso pode fazer com que nós dois nos aproximemos mais rápido, também. Madame Tissou se mostrou muito sábia novamente. Você não deve pegar dicas a meu respeito sem que eu dê todas elas. Que graça teria conhecer e se corresponder com outra pessoa sabendo absolutamente tudo sobre ela? Farei questão de não perguntar nada sobre você para outras pessoas. Enfim, aqui vão algumas coisas sobre mim:
Aqui em Hogwarts existe uma divisão de alunos. São quatro casas, Slytherin, Hufflepuff, Gryffindor e Ravenclaw. Um chapéu muito, muito velho que fala, escolhe em qual casa nós vamos ficar em nosso primeiro dia de aula. Esse chapéu queria que eu fosse selecionada para a Ravenclaw, mas pedi para ele me colocar na Slytherin.
Eu também tenho uma irmã mais nova, mas ela não é filha dos meus pais. Ela se chama Julie e ainda é um bebê. Só soube que ela existe pouco antes de entrar em Hogwarts, e isso me chateou bastante. A história é longa e eu acho que ainda não estou preparada para falar sobre isso.
Gosto do seu nome, tenho 11 anos e sou metamorphmagus. Minha cor favorita é azul. Não gosto de doces, mas poderia viver de geleias de frutas. Quando estou em casa, ouço muita música clássica e leio livros de História. Todos os tipos de História. Tenho vontade de conhecer mais sobre a natureza e meu animal favorito é gato.
Eu gostei dessas coisas que você me disse sobre você. Passei a te imaginar como alguém bem animado e falante. Já consegue me imaginar? Espero que você continue mantendo a promessa do início da carta, e não desista de mim por não me portar como a menina que minha mãe gostaria que eu fosse. Vou tentar responder o mais rápido que puder todas as cartas, porque já aguardo a sua com um pouquinho de ansiedade também. Bom, agora eu preciso ir para o café da manhã. Até a próxima coruja.
Alana.
Quinta, 16 de Novembro de 1972
Cher Alana,
Fui lendo a sua carta e percebi que você tem uma habilidade bem legal com as palavras. Não sei o que é. Acho que Madame Tissou já mencionou antes, isso de conseguir ligar bem as ideias pra que elas não fiquem soltas e confusas, como num mapa sem escala. Mas eu não devia estar prestando muita atenção porque não tenho nenhum adjetivo pra descrever isso. Bom, de todo jeito, interprete isso como uma tentativa de elogio à sua carta.
Essa sua Professora McGonagall parece ser incrível. Ela já se transformou no meio de uma aula? Já perguntou pra ela como é se transformar em um gato? Acho que deve ser do tipo de experiência que te faz uma pessoa nova. Quer dizer, desde que ela aprendeu a se transformar em um gato, ela pôde ver o mundo de uma outra perspectiva. Deve ser bom ter essa opção extra sempre que você se cansa da própria pele. Se você pudesse se transformar em qualquer animal, qual seria? Acho que se eu pudesse escolher, me transformaria em uma coruja. Parece uma escolha meio besta, eu sei, mas eu teria a liberdade de voar por aí e entregar mensagens em todo canto do mundo. Poderia fugir sempre que quisesse e, olha só, poderia até mesmo te levar essa carta e passar um dia com você.
Bom, venho aqui te dizer que o sentido de fertilização e de um bocado de outras palavras continua meio oculto pra mim. Você disse que leu muitos livros sobre muitas coisas. Foi daí que você aprendeu tanta coisa? Será que poderia me recomendar alguns? Nunca fui muito de ler, mas é que não existem muitos livros lá em casa, então nunca tive a chance de me apaixonar por palavras. Bom, na verdade, isso nunca tinha acontecido até dia 11 de Novembro de 1972, que foi quando eu recebi a sua carta. Paixão é uma palavra meio forte e me deixa encabulado, mas acho que ser apaixonado por um livro é isso, não é? Ler os capítulos cheio de expectativa, sorrir a cada palavra e querer sempre mais. Bom, sua primeira carta me disse que eu gosto de ler. Agora acho que eu só preciso… expandir meus horizontes ou coisa do tipo. E falando em expandir horizontes, eu experimentei o chá de maçã que você me recomendou! Mas tenho medo de admitir que eu gostei de verdade de tomar chá. Será que isso me faz um pouquinho menos Francês?
E você tem toda razão. Pra falar a verdade, me descrevem como ‘ansioso’. É uma outra palavra que eu não tenho costume de usar, mas essa eu acho que sei o que significa. Então te prometo aqui (tenho mania de fazer promessas, mas juro que 98.9% delas se cumprem, na verdade, só quebro minha palavra quando digo pra minha mãe que vou limpar meu quarto, ou que não tomei uma detenção, mas espero que você entenda porque eu faço isso), não vou mais perguntar de você para ninguém. Quer dizer, pra ninguém além de você mesma. Sobre o que você me disse:
Sei um pouco sobre as casas porque Madame Tissou nos falou um pouco de Hogwarts, mas eu não consigo lembrar direito qual é qual. Por que você acha que o Chapéu Seletor quis te colocar na Ravenclaw?
Bom, na minha humilde opinião, Alana é um nome mais bonito do que Julie. Se um dia quiser conversar sobre a Julie, sobre seus pais ou sobre qualquer coisa do tipo, saiba que pode falar comigo. Eu declaro (com a sua permissão, é claro) que essas cartas fazem parte de uma zona completamente sem julgamento, que tal? Isso quer dizer que não importa o que você disser (e espero que o mesmo valha pra mim), não vou te enxergar de maneira diferente. É uma promessa. Até mesmo porque, bom, eu não estou te vendo.
Acho que ser metamorphmagus deve ser, literalmente, a coisa mais legal do mundo. Você muda seu cabelo frequentemente? Sou alérgico a gatos. Se eu te visitar algum dia, provavelmente vou espirrar pra caramba caso você tenha uma companhia peluda, mas acho que consigo conviver com isso. Minha cor preferida é o vermelho e eu gostaria de viajar pelo mundo algum dia. Acho que viajar deve ser uma maneira legal de conhecer a história e a natureza, então se um dia quiser viajar comigo para conhecer o mundo, eu adoraria a companhia. Podemos alugar um balão vermelho e azul e dar uma volta ao mundo em 79 dias (bom, sabe como é, pra bater o recorde).
Acho que você acertou em cheio quando me imaginou. Consigo te imaginar como uma pessoa bem inteligente. Você lê bastante e eu acabei de lembrar que as pessoas da Ravenclaw são bem espertas. Se o Chapéu Seletor queria te colocar lá, deve ter um motivo. Tenho um sentimento lendo suas cartas que eu não consigo explicar muito bem (acho que tenho que ler um pouco mais pra achar os adjetivos certos), mas te imagino sendo bem especial, Alana. De todas as pessoas que eu conversei que também participam desse trabalho, nenhuma gostou do correspondente tanto quanto eu. Acho que isso só pode significar uma de duas coisas: a) as pessoas em Hogwarts são incrivelmente chatas ou b) você é incrivelmente especial. E gosto mais da segunda hipótese. Até a próxima coruja.
Dimi
you jump, I jump. remember?
I want to live life, and be good to you — Alana & Dimitri
Esperava por aquele momento desde a primeira carta que recebera há quase cinco anos. O conhecia mais do que a si mesma, e sabia que ele a conhecia tão bem quanto. Eram melhores amigos, irmãos, e apesar de imaginar aquele dia durante anos, não fazia ideia de como as coisas aconteceriam quando estivessem frente a frente. Foram anos de conversas, milhares de cartas trocadas, inúmeros segredos compartilhados e muita cumplicidade. Agora que ele a veria, que a conheceria como ela realmente era, tudo poderia mudar. Alana sentia medo de não alcançar as expectativas que Dimitri provavelmente havia depositado na amizade de ambos. Um medo que a fazia sentir uma vontade imensa de sair correndo daquela sala empoeirada e colocar a culpa em seu atraso, no nariz coçando ou qualquer outra coisa ridícula e sem sentido.
Apesar do estômago embrulhado e do pedaço de pergaminho irreconhecível por ter sido tão amassado em sua mão ante o crescente nervosismo, ela não foi embora. Não poderia ir embora. Ansiava por um abraço, por sentir os dedos alheios bagunçando seus cabelos, por um sorriso. E quando ele entrou naquela sala suja e completamente indigna de um encontro tão especial como o qual acontecia ali, tudo viera espontânea e genuinamente. Alana e Dimitri passaram dias e mais dias fantasiando o momento, mas o abraço que trocaram — um abraço breve, mas que significava muito para ela — dizia que nada daquilo poderia ser premeditado.
Nada além de boas lembranças e o cheiro de Dimi ocupava os pensamentos da sextoanista. Ele tinha cheiro de amizade, de lar. Um lar diferente de Hogwarts ou sua casa, ambos tinham data de validade. Tudo em Dimitri gritava duradouro, permanente. A Slytherin sentiu uma enorme vontade de chorar, de repente. Mas não faria aquilo na frente do melhor amigo, na primeira vez que estava encarando os seus olhos fora das fotografias que trocavam. A culpa tomou conta do seu peito tão abruptamente quanto a vontade de chorar viera e se fora.
O sotaque de Depardieu era carregado, como o seu era nos primeiros anos no instituto. Uma risada baixa, um dar de ombros, uma fungada e maçãs do rosto avermelhadas. — Não foi tanto assim, não exagere — rebateu antes de dar outra fungada ao perceber a poeira subir conforme o Gryffindor caminhava pela sala. O questionamento sobre o lugar que ela escolheu para testemunhar a primeira conversa deles viera muito mais cedo do que Alana havia imaginado. Apressado, como havia citado na primeira carta que enviara para ele, em resposta àquela que permanece escondida no fundo do malão. Não se chateie, por Merlin, não se chateie. Ficou alguns segundos em silêncio encarando os sapatos pretos e as meias que cobriam parte de suas pernas. — Não precisa me enrolar dessa vez, Dimi. Sei aonde você quer chegar — caminhou até onde o mais velho estava. Queria que ele compreendesse seu lado. Queria que ele encarasse seus olhos e acreditasse no que ela iria dizer.
Era dia oito de setembro, uma quinta feira. Quatro anos, nove meses e trinta dias, desde que ele havia escrito a primeira carta que os uniu. Uma amizade tão consolidada, tão bonita, que muitos teriam inveja se conhecesse. E exatamente por ser tão, simplesmente… Tão, que Ledoyen temia. Por mais que tivesse explicado absolutamente cada detalhe sobre a personalidade de seus colegas de casa, o loiro parecia não compreender em quais circunstâncias a amizade poderia chegar. Pensou em Evans e Snape novamente, e passou a língua entre os lábios por não conseguir colocar em palavras o que queria dizer ao garoto que ainda aguardava uma resposta.
— Você se lembra, Dimi, de quando te contei sobre alguns colegas aqui de Hogwarts? Naquela carta, quando eu estava no quarto ano? — iniciou após uma fungada que deveria ser um suspiro, mas estava difícil de puxar o ar para seus pulmões em meio a tanto pó. — Lily Evans e Severus Snape. Você lembra? Ela Gryffindor e ele Slytherin — o que sobrara do papel esquecido em sua mão obteve novamente a atenção da menina, que voltou a amassar suas pontas. — Parecia que ninguém apoiava a amizade deles, sabe? Era como se fosse errada. … Ninguém deixava nenhum dos dois em paz, era horrível — maneou a cabeça em sinal de negação tentando não imaginar se o episódio se repetisse entre os dois. Pensar nos dois se tratando como os ex-melhores amigos agiam na presença do outro era perturbador. Talvez estivesse exagerando, mas a ideia de perdê-lo para uma briga ou insulto involuntário estava fora de cogitação. — Eu tenho medo de acontecer conosco, entende, o que aconteceu com eles — confessou. Alana já não se sentia tão confiante como estava no início do discurso, mas ele a compreenderia. E se não compreendesse, daria um jeito de fazer com que as coisas ficassem melhores. Era seu melhor amigo, afinal. E ele sempre fazia isso, mesmo longe.
Imagine um Dimitri de dez anos. Era um garoto franzino e magricela, de cabelos loiros demais, olhos azuis demais, ideias loucas demais e amigos de menos. E nesse mundo de abundância e falta, conheceu a solidão quando não conseguiu se encaixar em nenhum dos grupos sociais do collège public Jean-Rostand. Olhares tortos diziam que sua mão ansiosa no ar era interpretada como exibição, e não entusiasmo para aprender. Todo “pourquoi le ciel est-il bleu?” e “pourquoi la mer est-elle sallée?” que saíam da boca sorridente do jovem, com um tom de entusiasmo e curiosidade genuína eram respondidos com um revirar de olhos. Uma voz condescendente informava-lhe às pressas que aquelas perguntas não faziam parte do cronograma, e, portanto, não deveriam ser respondidas.
Foi a primeira vez que Dimitri sentiu-se inadequado no mundo. Sozinho. Vazio. Noir.
A carta de Beauxbatons veio como uma surpresa alegre. Dava um nome à sua inquietação, um motivo lógico por se sentir tão inadequado. Dizia que ele não era algum extraterrestre que sem querer caiu no lugar errado e acabou vagando sem rumo pela Terra. Não era tão diferente assim. Não, era Dimitri Depardieu, um bruxo de verdade. Tinha poderes de verdade e não estava mais sozinho. A sensação de inclusão era poderosa, do tipo que aquece o coração e faz esquecer de toda tristeza já vivida. O sentimento de pertencer cria cegos voluntários. Mas também foi em Beauxbatons que Dimitri descobriu (sem querer) a diferença de significado entre ‘amigos’ e ‘colegas’.
Os colegas gostavam de Dimitri em Beauxbatons. Talvez porque seu cabelo fosse loiro demais, seus olhos fossem azuis demais e seus atos fossem moderados de menos. Era um novo mundo de abundância e faltas, mas nesse, alguém se lembrara de lhe reservar um lugar. Dimitri era uma boa companhia para se tomar um copo de firewhiskey e, quando se é jovem, amizade parece ser só isso. Boas companhias e sorrisos fáceis.
E seguia sentindo-se inadequado. Sozinho. Vazio. Gris.
Havia apenas quatro anos, tinha descoberto as cores. Era engraçado como palavras escritas em preto e branco podiam reacender seu mundo. Uma carta era o bastante para pincelar traços de azul na sua visão. Duas, três. Verde, amarelo. Quatro, cinco, nove cartas e o preto e branco fora extinto definitivamente. Dimitri era como uma criança empolgada, que cercava o corujal toda semana com expectativa aparente. Já fazia quatro anos que um sentimento especial ia crescendo em seu peito, aos pouquinhos. E, naquele momento, todas as cores transbordavam.
Estava cara a cara com sua melhor amiga. Queria dizer para Alana que ela o tornara completo. Que havia feito com que ele visse as cores novamente. Ficou calado. Era desajeitado, tinha medo de materializar um sentimento tão bonito e acabar por destruí-lo com a força da realidade. Estava encarando olhos azuis tão perto, depois de tanto tempo, e acreditou que seu sorriso involuntário poderia substituir qualquer discurso sem jeito. Se expressava melhor com palavras escritas.
Sacudiu os ombros da direita para a esquerda, até que seu braço tocasse o de Alana, leve, como numa brincadeira infantil. - Acho que você subestima meus poderes, Alana Ledoyen. Tenho certeza absoluta que sou capaz de surrar todo e qualquer Slytherin babaca que encher seu saco por ser minha amiga. - Falando isso, girou o corpo até ficar de frente para a garota e flexionou o braço direito com empolgação. Continuava franzino. Levantou a sobrancelha como quem quer provar algo e acenou a cabeça em um gesto exagerado. - Tudo bem, estou só brincando. Talvez isso não seja tão verdade assim. Mas olha só… O que você quiser fazer, tudo bem? Até que eu aprecio o ar de mistério desses encontros escondidos em salas poeirentas. E você conhece seus colegas melhor do que eu pra saber como eles reagiriam. - Sorriu e deu de ombros. Tentava mostrar, através de seus gestos, que aquilo não tinha grande importância. - Pra ser sincero, estou só feliz de poder te encontrar. Sala empoeirada ou não.
- Olha, te trouxe uma coisa. Na verdade, esperei por esse momento minha vida inteira, só para poder te dizer o quanto você sempre esteve errada. - Segurou umas das mãos de Alana e a levou para perto de um espelho empoeirado, em um dos cantos da sala. Com cuidado, tirou do bolso da calça um pedaço de papel amarelado e entregou para a garota. Não foi capaz de conter o sorriso presunçoso nos lábios. - Não é bonita nem amável, Alana? O único jeito de explicar isso é que você viveu se encarando em espelhos embaçados sua vida inteira. Pensei que era hora de mudar isso. - Levantou a mão livre e tirou a poeira que impregnava a face do espelho, até que a imagem dos dois se tornasse nítida. Esperava que ela visse o que ele via. Uma garota de olhar triste, mas tão bonita e amável quanto se pode ser, sorrindo ao lado de um garoto completo.
Romance is tempestuous. Love is calm. [listen]
Dimi e River: otp ^^
Ot… Ot o quê? Eu mal entendo as palavras normais direito e agora vocês querem me fazer entender siglas?
Numbers, letters, learn to spell → Alana & Dimitri
Quinta, 09 de Novembro de 1972
Alana Ledoyen,
Pra ser sincero, não sei muito bem o que escrever aqui. Achei até meio gozada essa ideia de trabalho, isso de escrever uma carta pra alguém que você não conhece. Acho que tem uma boa chance de você não estar o mínimo interessada no que a gente faz aqui na França, ou de achar que eu não estou interessado no que vocês fazem aí em Hogwarts, e nessa confusão de afazeres e países diferentes a gente acabar não conseguindo conversar direito. Então vou te fazer uma promessa aqui e agora, e dizer que estou verdadeira e completamente, sincera e legitimamente, franca e honestamente interessado em tudo que você tem a dizer. E te dou completa liberdade pra usar essa carta contra mim no futuro.
Fiquei pensando em um bom tempo no que falar escrever nessa carta. Não sei se você percebeu, mas eu tenho mania de enrolar as coisas e nunca falar o que eu devia falar e a maioria dos professores acha isso frustrante. Meus pais acham isso frustrante também. Acho que minha irmã não se importa, e acho que gosto um pouquinho mais dela por isso. Madame Tissou me deu uma lista de três coisas que eu tinha que te contar sobre a minha vida até o final desse pergaminho, mas acho que até agora só falei de uma. Nunca fui muito bom em seguir regras, muito menos listas com regras, então resolvi fazer uma lista própria (sem regras) pra responder essas perguntas. Madame Tissou disse que eu não vou poder mandar essa carta se não tiver respondido todas elas, então lá vai:
Meu nome é Dimitri Depardieu. Dimitri significa “aquele que pertence à deusa da fertilidade.” Perguntei pro meu pai o que isso significava e ele se enrolou todo com uma conversa sobre colheita e cegonhas, então caso você souber uma definição melhor, agradeceria muito se pudesse me mandar na próxima carta.
Gosto de saber o significado dos nomes das pessoas. Fui pesquisar o significado do seu nome e achei um bocado de coisas, mas acho que você ia gostar de saber que um monte deles envolve ‘bonita’ e ‘amável’. E acho que os nomes devem carregar algumas verdades. Ás vezes isso pode significar que todos os Dimitris que viveram até hoje foram férteis, e todas as Alanas foram bonitas e amáveis. Não sei se é possível confirmar uma coisa dessas, mas acho que seria bonito se houvesse um padrão. Gosto de acreditar nessas coisas.
Tenho doze anos, uma irmã mais nova e nunca vi graça nem em Quadribol, nem em Sapos de Chocolate, nem em chá. Se conseguir me explicar porque as pessoas gostam tanto dessas coisas, vou agradecer.
Perguntei pra Madame Tissou sobre você, mas ela disse que não podia falar nada. O que é outra coisa gozada, porque depois de insistir por uns bons trinta minutos ela me disse que eu tinha sorte porque você sabia falar francês e isso devia facilitar as coisas entre nós. Então acho que sei três coisas sobre você. Seu nome é Alana Ledoyen, você sabe falar francês, e, se nomes realmente dizem a verdade, deve ser bem bonita e amável. Eu sei que não é muito, mas acho que é um começo. E olha, já prometi lá em cima que estou interessado em tudo que você tiver pra me contar, então, como Madame Tissou me mandou dizer, aguardo ansiosamente pela sua resposta e espero conseguir descobrir outras três ou mais coisas.
Dimitri Depardieu
IMPOSSÍVEL. Seduzo todos nesse Castelo com esse rostinho e cabelos angelicais que mamãe e papai me deram. Você incluso. Se já não sucumbiu ao meu charme de alta “catiguria”, né.
Economia ruim, aham. A velha desculpa da vagabundagem pra não confessar seu amor ardente. Acha que engana quem, rapaz? Sei nem porque sou teu amigo, folgado. Adora me explorar, tanto física quanto financeiramente. A sorte é que eu já me resignei com a hipótese de ter que trabalhar e fazer hora extra pra sustentar você e nossa utópica família numerosa e muito amada com salário de zelador do Castelo. Sabe como é, eu não sou muito talentoso. Argus que não tome cuidado e perde o emprego, me aguarde. Tô pensando nas crianças.
Então, não queria revelar mas o negócio é que eu não aguento a concorrência. O que farei eu se a gente se casasse e tivesse nossa família hipoteticamente e utopicamente perfeita, e um monte de garotas loucas começassem a bater na porta lá de casa te procurando? Não é a vida que eu quero pra mim, Diggle. Vou agradecer o esforço e todo o amor, mas infelizmente ás vezes só o amor não basta. Se um dia você perder os cachinhos angelicais e as pretendentes loucas, eu penso no assunto. E agora eu entendo porque todo mundo que passa perto de nós enquanto a gente tá conversando nos olha esquisito. Oh, well.
E por favor, você é talentoso o bastante pra me sustentar. Mesmo sendo só seu amigo, a base do meu futuro está toda estruturada na possibilidade de você se dar bem e virar chefe de alguma coisa importante. Pode ser chefe do Conselho dos Zeladores Bruxos, desde que ganhe bem. Vai pagar minhas viagens por aí, esse é o combinado. É o preço por te dar minha incrível companhia nesse sétimo ano, preço de ter um melhor amigo. Tá tudo no contrato que você assinou quando a gente se conheceu. Então acho bom começar a investir nos estudos, praticar com o esfregão e tudo mais.