Bernadette Corporation, Get Rid of Yourself, 2003
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Bernadette Corporation, Get Rid of Yourself, 2003
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Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre O meu sorriso é por consolação Porque sei conter para ninguém ver O pranto do meu coração
O que eu sofri por esse amor, talvez Não compreendeste e se eu disser não crês Depois de derramado, ainda soluçando Tornei-me alegre, estou cantando
Quem me vê sorrindo…
Compreendi o erro de toda humanidade Uns choram por prazer e outros com saudade Jurei e a minha jura jamais eu quebrarei Todo pranto esconderei
- Cartola (1908 - 1980)
Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada? Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.
- Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987)
Para onde fores, Pai, para onde fores, Irei também, trilhando as mesmas ruas. Tu, para amenizar as dores tuas, Eu, para amenizar as minhas dores! Que cousa triste! O campo tão sem flores, E eu tão sem crença e as árvores tão nuas E tu, gemendo, e o horror de nossas duas Mágoas crescendo e se fazendo horrores! Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria, Indiferente aos mil tormentos teus De assim magoar-te sem pesar havia?!
— Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim . É bom, é justo, e sendo justo, Deus, Deus não havia de magoar-te assim!
- Augusto dos Anjos (1884 - 1914)
Aceitarás o amor como eu o encaro ?… …Azul bem leve, um nimbo, suavemente Guarda-te a imagem, como um anteparo Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro Vive em teu corpo nu de adolescente, A perna assim jogada e o braço, o claro Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo Também mais nada, só te olhar, enquanto A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza… a evasão total do pejo Que nasce das imperfeições. O encanto Que nasce das adorações serenas.
- Oswald de Andrade (1890 - 1954)
O quão longe você foi por quem não deu um passo por você?
Relatos de Miguel. (via desaguarte)
Mas cá entre nós, até o maior dos distraídos podia notar as borboletas escapando pela fresta dos sorrisos que você me arrancava.
Jardim de Açucenas (via perdoemos)
O teu corpo ainda me aquece como na primeira vez, e é verdade que eu não quero mais sentir o frio. Deixo você ir porque sempre voltas, como um pássaro que anseia o verão. Muito mais do que o Sul, eu quis ser teu norte, tua bússola, teu cais; porque amo-te, e é verdade quando te falo pelo breu do meu olhar. Meu amor, meu querer tem a leveza da liberdade, e anseia pelo teu pouso. Voe, mas volte para o meu peito, faça-me o teu lar. Permita que eu seja Lua que acalma os teus anseios e ampara o teu coração selvagem, fadado a solidão. Personifique esse sentimento e o segure em suas mãos, faça um desejo. Sou cadente, e cada declínio é um grito de quem muito ama, muito sofre, muito espera.
queria poder salvar teus olhos da tristeza cotidiana.
Se você me ama, me deixa saber.
Autor Desconhecido. (via poesografa)