【 ele/dele, vinnie hacker 】 ⸻ Boas vindas à Mansão Umbra, DOMENICO BARTONI DI VINCIARELLI ! Você chamou a atenção de Larc Crimson com a habilidade de ELASTICIDADE há DOIS ANOS NA MANSÃO. Desde então, foi batizado como FLEXUS e ocupa o cargo de DISCÍPULO. Embora tenha apenas VINTE E QUATRO ANOS DE IDADE, suas responsabilidades como vilão não serão um peso fácil para carregar, afinal, deixar SEATTLE e ignorar sua INSEGURANÇA E TEIMOSIA, permanecendo apenas RESPONSÁVEL E EMPÁTICO, é um fardo enorme até para um extraordinário.
poder de elasticidade ⸻ Domenico pode se tornar extremamente maleável e elástico, permitindo que possa se esticar, deformar, expandir e contrair o corpo. Ao assumir uma consistência semelhante à borracha, seu corpo absorve facilmente os impactos dos ataques, tornando-o muito difícil de ferir, embora ainda permaneça suscetível à dor.
aesthetic : moletons largos, risadas em momentos inapropriados, cabelos bagunçados pela manhã, celular com adesivo da Barbie, tatuagens, headphone com orelhas de gatinho, guitarra velha, skincare no meio da madrugada.
HISTÓRIA
Seu sonho infantil — na verdade criado pela mente da mãe — de se tornar um herói perfeito o levaram a ter uma vida sempre na linha; instagramável e restritiva. O ítalo-americano cresceu em Seattle, onde por grande parte da vida nunca se atreveu a cruzar os limites do considerado adequado para um herói exemplar. Não bebia, fumava ou ia a festas, sendo a imagem perfeita para os conservadores. Ao longo da vida, seu rosto esteve estampado em todo tipo de concurso como “Little Mr. Hero”, um histórico que puxou muitos olhos para Domenico. Tinha um número considerável de seguidores e orgulho de representar sua cidade. Quando assinou com a Stargate, tudo era novo e inebriante. No entanto, não demorou para sentir a pressão ainda pior por cima de seus ombros, e o vazamento de um vídeo comprometedor com uma mulher mais velha e ex-presidiária se tornou a primeira mancha em sua imagem, resultando numa busca desesperada por remendar sua reputação que fez seus problemas de ansiedade pioraram drasticamente.
Mas sua visão sobre os heróis só mudou de fato quando sofreu um assédio por parte de um membro dos Nove, quando se viu pressionado a aceitar calado para não arriscar perder o futuro pelo qual buscou a vida inteira. Quando quis ao menos uma retratação, o que conseguiu foi um acordo para comprar seu silêncio e um conselho amigável de que era melhor só deixar pra lá, visto que ele já não tinha essa moral toda. Alguns bons dólares na conta não resolveram o buraco e a insatisfação que já sentia pelo estresse constante que estava vivendo. Então, Domenico desistiu de seu contrato com a Stargate e enterrou de vez seu uniforme de herói. A decisão não foi bem aceita pela mãe, com quem passou a ter uma relação complicada.
Desde então, tenta se desvincular da imagem que havia criado. Se encheu de tatuagens e passou a se permitir viver mais a vida. Embora as críticas dos que costumavam apoiá-lo continuassem o afetando, ele tentou ter uma vida normal depois que decidiu abandonar o sonho de ser um herói, começando a estudar música e jogar tênis profissionalmente, que era outro sonho de infância. No entanto, Domenico já era uma figura bem conhecida, e os poderes sempre se tornavam um problema para os outros, que achavam injusto e o acusavam de ter vantagem sobre as pessoas comuns, a ponto de prejudicá-lo até nas coisas mais absurdas. Como não havia muito espaço para ele lá fora, a proposta de se juntar à mansão se tornou muito conveniente.
Embora nem sempre seja aparente, a busca pela perfeição foi algo que destruiu sua autoestima ao longo da vida, tornando-o uma pessoa muito insegura e complexada, sempre muito preocupado com a própria imagem. Mesmo que não tenha mais interesse em ser um herói, é difícil se livrar de hábitos tão antigos — e também dos traumas. Atuando como discípulo, Domenico se sabota bastante no que diz respeito às suas habilidades. Está trancando um potencial enorme.
naquela noite, o sono não parecia vir com facilidade para johanna. ela se virou algumas vezes na cama, tentando encontrar uma posição que lhe deixasse mais confortável, mas ela sentia quase como se tivessem colocado areia na sua coberta, o que não seria uma pegadinha inédita naquela mansão, mas não achava que alguém teria sido estúpido ao ponto de resolver fazer isso com ela. com a ideia de que talvez uma chá resolvesse aquela inquietude, joey levantou da cama e jogou um casaco por cima do pijama antes de começar a andar na direção da cozinha. seu plano era passar despercebida, não sabia se sua cabeça estava boa para acompanhar um dialogo, por mais simples que fosse, então encontrar domenico no seu ponto de chegada não foi exatamente ideal. permaneceu nas sombras, quase querendo dar risada ao observar a postura do rapaz. era possível que aquela mansão estivesse deixando de ser um covil de vilões para se tornar um verdadeiro hospício. “ pois deveria. cada dia você parece mais velho, ” ela comentou abandonando o plano inicial. talvez o remédio para a sua insónia fosse soltar uma ofensa aqui e ali. “ as bandanas já não podem esconder o fato de que você está ficando careca? ” joey brincou com um sorriso relaxado no rosto.
# ────── “Você acha?” Domenico ergue as sobrancelhas, parecendo surpreso, mas não ofendido. Sua atenção retorna imediatamente para o próprio reflexo, os olhos percorrendo cada detalhe de seu rosto em busca dos traços que supostamente o fazem parecer mais maduro. Ele encara sua pele jovem e bem cuidada, sem rugas ou cabelos brancos. Não sabe dizer o que ela vê, mas isso só pode lhe parecer uma coisa boa—muito boa, na verdade. Há um novo brilho em seu olhar enquanto observa a própria imagem, e seu peito se estufa com um ar de orgulho. “Mais velho tipo… um homem feito? Um cara maduro?” A pergunta sai com uma certa expectativa, quase esperançosa, enquanto ele passa a mão pela própria mandíbula como se houvesse alguma barba na pele cuidadosamente aparada. Afinal, ele nunca gostou de pelos, mas talvez essa aversão tenha custado a imagem de masculinidade que tanto deseja projetar. As mulheres mais velhas sempre dizem que ele é novo demais para elas, e é um alívio que dessa vez uma delas lhe diga o contrário. Diante disso, a insinuação brincalhona de que ele está ficando careca só o faz pensar em outra questão importante: “Você acha que a bandana me faz parecer mais novo? Posso tirá-la.”
Verônica massageou as têmporas mais algumas vezes, as pontadas na cabeça se intensificando gradualmente. Seu estômago também doía, contraindo-se em vazio. Imersa aos seus projetos no laboratório simplesmente se esqueceu de uma refeição ou duas, lembrando-se de suas necessidades básicas apenas quando seu corpo irrevogavelmente a despertou do hiperfoco. Com os pés descalços, andava nas pontas dos pés por mero costume e também para evitar fazer barulho naquela madrugada. Talvez tal comportamento furtivo que tenha feito com que o garoto demorasse a notá-la e quando o fez, estava em estágio avançado do seu rebuscado preparo de overnight oats, misturando a aveia, o iogurte e as frutas em uma taça.
Levou a colher aos lábios levemente róseos, degustando uma colher do seu doce saudável enquanto fechava os olhos para saboreá-lo. Um som baixo escapou de sua boca e quando o escutou foi inevitável não abrir os olhos, direcionando-os acima de seus ombros para acompanhar o breve arquear das sobrancelhas. “Sempre achei que ele usasse peruca!” murmurou mais para si do que para o garoto, desdenhosamente soltando os ombros antes de retornar para seu rito de lentamente passar a colher pelas bordas de seu copo para capturar o creme com morangos. Como um puxão de sua consciência, virou-se por educação para formalmente falar com o garoto. “Está com fome?” perguntou mais de forma retórica. Com seu olhar analítico conseguiu capturar a cena do garoto observando a esmo o prato no microondas vazio. Sem que ele respondesse, abriu a geladeira novamente pegando mais um iogurte e as frutas picadas. Misturou da mesma forma que fez consigo e estendeu o braço para que ele pegasse. "Não vai te causar intoxicação alimentar!" afinal, o poder dela não agia daquele modo e tinha pouco interesse de incriminar-se na mansão.
# ────── “Parece, né? Foi investigando isso que eu descobri que o safado só tem produto de qualidade lá no banheiro particular dele!” Ele relata a ela, meio indignado. Aos seus olhos, essa injustiça cosmética cuidadosamente escondida é um crime hediondo. Seu olhar pousa no copo com a coisa que ela está comendo e permanece por tempo demais. Sente fome, mas está numa dieta rígida e já consumiu até o limite de suas calorias diárias. Sendo honesto, até ultrapassou um pouco dele. É um sacrifício difícil, mas que vale a pena quando significa que ele irá voltar a gostar do que vê no espelho ou no reflexo do micro-ondas. Como se tivesse lido sua mente, a mulher o pergunta se ele está com fome, fazendo Domenico imediatamente erguer o olhar do copo de volta para ela na tentativa de consertar o erro. “Hããã… Eu…” Antes que consiga formular uma resposta, seu estômago faz um barulho alto, denunciando sua fome de uma forma constrangedora, e a mulher parece levar isso como uma resposta. Sendo um novato, parece extremamente indelicado recusar algo oferecido por um mentor—especialmente quando esta é uma mulher intimidadora que parece estar fazendo um favor só por lhe dirigir a palavra. Ele pega o copo com um sorriso sem graça, desejando morrer por dentro. “Obrigado. Que gentileza!” No entanto, é só quando já está com a colher quase entrando na boca que ele processa o comentário casual sobre intoxicação alimentar. O movimento congela no ar, a colher pairando a centímetros de seus lábios entreabertos. Então, ele a encara torto. “Espera aí… Isso é uma possibilidade?” Não pensou que a mulher pudesse envenenar a comida, mas, dado as habilidades que sabia que ela tinha, fazia sentido que pudesse acontecer. E se ela o envenenasse sem querer? “Você tem certeza que lavou bem as mãos?”
a morena deambulava pelos corredores da mansão lentamente, o relógio marcava duas da manhã e ela parecia ter desisti de se revirar na cama, combatendo pesadelos que a assombram por uma década. renée pensou em escrever no seu diário por alguns minutos, quiçá isso lhe acalmasse… uma proposta doce e saudável, oposto a existência da mulher, que findara indo à cozinha. a figura do rapaz frente ao micro-ondas, embora incômoda, despertara apenas a curiosidade de kwon. parada na moldura da porta, ela deixou uma risada seca escapar fronte a defensiva dele. ❝ parabéns pelos genes? é isso que espera? ❞ provocou, adentrando o espaço comunitário, indo rapidamente a um dos armários onde escondiam garrafas de bebida, escolhendo o uísque mais simples. ❝ um ladrão? impressionante, foi seu primeiro feito como vilão? ❞ os dedos esguios abriram a garrafa, pegando então um copo para servir a dose de bebida pela qual anisava. ❝ o que garante que não vou te entregar pro larc? ❞ renée não faria isto, parecia ridículo preocupar-se com creme capilar, embora fosse engraçado provocar o garoto. ❝ devia me oferecer algo em troca do meu silêncio… tem um cigarro? ❞
# ────── “Ah, também não precisa de tanto! Vai me fazer parecer desumilde.” Ele devolve a provocação com tranquilidade, levando como um elogio que nunca foi feito. “Ele negou melhorar a qualidade dos produtos de cabelo entregues aos discípulos enquanto mantém só os melhores para si mesmo. Nem considero isso um roubo se é uma forma de justiça!” Para Domenico, o pequeno delito é apenas uma correção moral dos maus tratos do homem, e presume que ela irá entendê-lo—talvez porque fosse bonita, e qualquer ser humano minimamente preocupado com a aparência certamente compartilharia da mesma frustração diante daqueles cremes lastimáveis. Por algum motivo, a mais velha parece a confidente ideal para acolher sua indignação. Talvez pelo tom despretensioso com que o ouvia, quiçá pela leveza incomum que emanava mesmo ao ameaçá-lo. Diante da ameaça velada de entregá-lo a Larc caso não recebesse algo em troca de seu silêncio, ele ergue uma sobrancelha para ela, mas aquela parece mais uma provocação do que uma ameaça real. “Não fumo. E você também não deveria—faz mal pra saúde.” A advertência sai quase automática; um discurso ensaiado que já tem na ponta da língua. Seu olhar desce até a garrafa de uísque, que parece grotesca demais para a garota delicada que a segura. Um contraste quase cômico, se não a fizesse parecer uma alcoólatra—o que é preocupante. O olhar fica preso ao movimento do líquido acobreado que preenche o copo, uma pontinha de julgamento pairando no ar. “Costuma consumir isso sempre antes de dormir? Não me parece um hábito muito… bom a longo prazo.” Ele percebe que talvez esteja soando exatamente como sua mãe, que costumava criticar qualquer detalhe fora da linha. No entanto, ainda era um atleta. Era justo que continuasse se preocupando com a saúde alheia!
⸻: ember acordou no meio da madrugada, a garganta seca e a paciência mais ainda. não entendia por que diabos os dormitórios não tinham mini geladeiras. seria tão mais fácil só esticar o braço, pegar uma garrafa de água gelada e voltar a se aninhar no seu travesseiro macio. mas não, tinha que atravessar a mansão até a cozinha como se estivesse cumprindo um dever de treinamento. ao menos tinha sua garrafa térmica, vazia naquele momento, que levou consigo.
chegando lá, encontrou um espetáculo que não esperava – e definitivamente não queria presenciar no momento. um garoto parado diante do micro-ondas, encarando o próprio reflexo como se estivesse em uma profunda jornada de autodescoberta. o que era um pouco ridículo observando aquilo. cozinha não era lugar para epifanias sobre aparência, principalmente naquele horário. ainda estava decidindo se entrava ou dava meia-volta quando ele começou a falar, do nada, como se alguém o tivesse interrogando dali. e pior: se justificando para alguém que sequer havia dito uma palavra. ❛ — você está me confundindo com alguém que se importa. ❜ a resposta veio arrastada, a voz carregada de preguiça enquanto finalmente entrava na cozinha.
posicionou a garrafa no dispensador de água e, por um instante, deslizou o olhar pelo ambiente antes de voltar ao garoto à sua frente. o avaliou de cima a baixo, sem pressa. ❛ — você sabe que tatuagens são, hm… procedimentos estéticos, certo? ❜ levantou uma sobrancelha, sem esconder o traço de ironia. ao menos, tinha que admitir que eram bonitas. o que era mais do que podia dizer sobre a situação em si.
quando o rapaz mencionou ter furtado os cremes capilares do sr. crimson, ember simplesmente fechou os olhos por um segundo, como se buscasse paciência no fundo da alma. sério? de todas as pessoas daquela mansão para roubar, ele escolheu logo o chefe da parada toda? ela não queria nem imaginar o que aconteceria se o velho descobrisse. e mais importante: não queria estar em encrencas por causa de um calvo sonâmbulo. ❛ — por favor, continue conversando com o seu amigo micro-ondas. eu só vim pegar água. ❜ apertou o botão para encher a garrafa e manteve o olhar fixo na água descendo, como se isso pudesse protegê-la do caos potencial daquela confissão. tudo o que queria era um gole d’água e a preciosidade do sono. e agora estava ali, testemunha involuntária de um crime capilar.
# ────── Ele sente o peso impossível de ignorar do julgamento silencioso de Ember, que o encara como se ele fosse um adolescente fazendo alguma estupidez ridícula e ela o adulto da situação, embora teoricamente tenham a mesma idade. A presença dela o intimida um pouco, mas Domenico ignora a sensação, agindo como se aquilo já fosse esperado; como se tudo aquilo fosse um jogo que ele mesmo havia começado. A resposta ácida e indiferente fez Domenico pousar a mão no coração num gesto dramático, como se o insulto invisível o tivesse atravessado fisicamente. “Ouch. Essa doeu.” Reclama, muito embora não haja dor alguma na voz.
Ele a observa finalmente adentrar a cozinha, indo atrás da água que veio buscar como se sua presença fosse irrelevante naquele lugar. A maneira como ela para e o examina com aquele olhar perscrutador, porém impassível, o deixa inquieto por dentro—não pelo julgamento em si, mas pela incógnita que ela representa para ele. Não tem ideia do que se passa pela mente dela, e a dúvida o corrói por dentro. Quando ela aponta não um defeito, mas sim seu erro, sente um repentino constrangimento. “...é claro que eu sabia.” A mentira escorrega fácil entre os lábios, sendo um reflexo de autodefesa. “Estava me referindo somente ao rosto.” Corrige, imeditamente virando-se de volta para o micro-ondas. Dessa vez, escolhe ocupar as mãos, das quais não sabe o que fazer com, com o ajuste desnecessário do brinco numa das orelhas.
Com a confissão de seu crime, Nico a espia de soslaio e pode vê-la tentando resgatar a pouca paciência que tem antes de, aparentemente, decidir que ele é um completo doido varrido que fala com eletrodomésticos. Dessa vez, ela o ignorar incomoda mais que seu julgamento direto, e ele se volta para ela na hora, esquecendo-se de seus brincos, as sobrancelhas se erguendo com um ligeiro espanto. “O quê? Eu não estava conversando com ele! Não vá espalhar isso por aí, certo? Não sou maluco ou coisa do tipo… Falo sério. Não é o que parece.” Ele se explica com pressa. Na tentativa quase desesperada de desfazer o equívoco, faz o contrário de deixá-la em paz: seus passos encurtam a distância entre os dois, com ele parando ao lado dela como se sua reputação dependesse disso—sentia que dependia mesmo, porque na falta do acesso à internet as fofocas corriam soltas pela mansão.
# ────── Domenico encara o próprio reflexo na porta do micro-ondas, divagando enquanto o prato, que devia estar girando lá dentro, permanece imóvel, sem nenhuma refeição à sua espera. A madrugada se faz silenciosa e o sono, esquivo, não vem. Mais uma vez se rendia à própria inquietude. Ele estreita os olhos e se aproxima do vidro escuro para se certificar que não estava ficando com olheiras, a ponta dos dedos tocando suavemente a pele abaixo dos olhos, em seguida passando para enrolar os cachos na frente do rosto. Embora estivesse sozinho, de repente começa a se sentir… observado. Domenico costumava pensar que essa sensação surgia devido a algum espírito do mal que certamente assombrava aquela mansão, mas isso foi antes de ter tomado inúmeros sustos convivendo com pessoas que controlavam sombras e atravessavam as paredes. Agora, já estava calejado—ou ao menos parcialmente, de forma que rapidamente descartou a possibilidade. Sequer eram 3h da madrugada ainda. Mas ainda era desconfortável ser encarado em sua auto avaliação, e um constrangimento pairou no ar com a compreensão que podia estar parecendo meio ridículo para a pessoa nas sombras. “Não, eu não tenho nenhum procedimento estético.” Ele informa à pessoa com um ar fingido de quem está cansado de receber as mesmas perguntas, abrindo a boca antes mesmo dela emitir qualquer ruído para ser o primeiro a quebrar o gelo, seus olhos ainda no próprio reflexo no micro-ondas. Quando finalmente olha para o lado, encontra Muse parado na soleira da porta, parecendo em dúvida quanto a se entraria na cozinha ou não. “E sim, eu furtei os cremes capilares do Sr. Crimson, mas ele não pode saber disso.”