【 ela/dela, Nicole Kidman 】 ⸻ Boas vindas à Mansão Umbra, VERÔNICA MAGNUSSON! Você chamou a atenção de Larc Crimson com a habilidade de MANIPULAÇÃO QUÍMICA DE COMBATE há SETE ANOS. Desde então, foi batizada como TOXIQUE e ocupa o cargo de TÉCNICA (ESTRATEGISTA). Embora tenha apenas QUARENTA E TRÊS ANOS, suas responsabilidades como vilão não serão um peso fácil para carregar, afinal, deixar NOVA YORK e ignorar sua VINGANÇA E INTANGIBILIDADE, permanecendo apenas ASTÚCIA E SOFISTICAÇÃO, é um fardo enorme até para um extraordinário.
[ conexões ] . [ aesthetics ] . [ development ]
HABILIDADE: Toxique manipula substâncias químicas para criar armas letais e incapacitantes. Especialista em gases cegantes e asfixiantes, ela também desenvolve armadilhas químicas psicológicas. Sua habilidade exige concentração e é potencializada quando encapsulada, mas em momentos de estresse, pode liberar bombas de nevoeiro tóxico. Suas toxinas têm cores vibrantes, como verde esmeralda e azul celeste, e ela prefere ataques à distância com bombas de gás e rifles de dardos, além de usar armadilhas alucinógenas para desorientar seus inimigos.
AESTHETIC: perfumes de notas complexas, tubos de ensaio, filmes e óperas de romances trágicos, alta costura, óculos escuros, joias de vidro e cristais imbuídos, cores esmeralda e dourado, rifle de injeção para dardos, livros de psicologia e flores venenosas como artemísia e brugmansias.
HEADCANONS:
Verônica nasceu em um lar onde afeto era um luxo e o sangue valia menos que o dinheiro. Cresceu sob a sombra de uma mãe que se perdera de si mesma e a rigidez de um pai que via os filhos como projetos a serem esculpidos. Seu irmão, Damien, foi a prova viva desse molde. Quando a Stargate Enterprise o recrutou, a família o vendeu ao mundo, explorando sua imagem até que nada restasse além de uma morte precoce na guerra. Ela já enxergava a corrupção daquela máquina antes mesmo de perder Damien e escolheu se esconder, sufocando seus próprios dons antes de atingir a maioridade. Mas quando ele faleceu, a culpa a arrancou do que restava de sua vida ali. Sem laços, fugiu, buscando algo que nunca teve: a liberdade de ser ela mesma.
Foi então que encontrou Victor Darkveil, um vilão carismático do Instituto Umbra, e com ele viveu seu primeiro vislumbre de algo genuíno. Dessa união nasceu Axel, e pela primeira vez Verônica sentiu o peso da vulnerabilidade. O amor pelo filho era intenso, mas trazia consigo o medo de falhar. Axel cresceu sem manifestar poderes, o que a aliviou, mas decepcionou Victor. Ainda assim, não foi isso que destruiu o casamento anos depois. As brigas aumentaram, o contato esfriou, até que Verônica descobriu a traição: Victor estava com uma heroína da Stargate Enterprise, sua antiga inimiga. O casamento acabou, e o que restou entre eles se dissolveu como um nevoeiro tóxico: denso e irrespirável.
Aos 43 anos, Verônica era conhecida como Toxique, uma estrategista letal do Instituto encarregada de preparar as missões de ataques. Mais do que uma combatente habilidosa, é uma mente calculista, moldada por traumas e uma vida sem escolhas. Não busca poder, nem queria discípulos para mentorar, mas tinha um propósito que a mantinha ali: destruir a corporação que lhe roubou tudo e proteger seu filho. Sua vingança era um nó na garganta, uma pulsão tão asfixiante como seu poder. Mas há algo maior do que a vingança: Axel. O filho que, tardiamente, despertou seus poderes e precisa de um guia para se manter no controle. Seu maior desafio não é treiná-lo, mas se aproximar dele. Criada na ausência de afeto, Verônica teme não saber ser a mãe que ele precisa. Só conhece um caminho: ensiná-lo a ser forte em um mundo que a quebrou.
Ele não se mexeu imediatamente. Permaneceu encostado na parede, os braços cruzados sobre o peito, analisando-a com o mesmo olhar meticuloso que ela parecia lançar sobre ele. O terno perfeitamente ajustado, os saltos de grife, a precisão calculada de cada palavra -- ela não parecia ser do tipo que deixava pontas soltas.
Ele gostava disso.
- Justo, hein? - Repetiu, um sorriso discreto puzando o canto dos lábios. - Isso geralmente significa que o outro lado sai ganhando um pouco mais, mas vamos fingir que não percebi.
O Slade descruzou os braços e empurrou o ombro contra a parede para se afastar, tomando um passo adiante sem pressa.
- Você tem ouvido muitos boatos. Isso pode ser perigoso. - Comentou, o olhar deslizando para os dela como se testasse até onde Verônica conseguiria manter sua postura impecável. - Mas sim, eu manipulo metais. O que não significa que eu saia por aí moldando potes e canecas para qualquer um que peça com educação.
Deixou a frase no ar, o jogo de expectativas pendendo entre eles.
- Mas já que estou disposto a abrir uma excessão... Me conte mais sobre esse recipiente. Tamanho, resistência, detalhes específicos.
A inclinação da cabeça e o olhar meio divertido deixavam claro, ele estava interessado, mas não seria uma transação simples.
Diante das palavras do mais novo, os olhos que antes estavam profundamente o medindo se fecharam o suficiente para pensar naquela inquisição. “Justo!” sua palavra desta vez era uma concordância ao que ele dizia, suas mãos afundando-se nos bolsos das calças impecavelmente mantendo a postura. “Acredito que o conceito de justiça muda para quem o observa!” completou sua explicação, dando espaço para que ele se aproximasse. Escutou suas palavras sobre os boatos discordando mentalmente. Enquanto consideravam um desvio de atenção, ela considerava uma parte para premeditar futuros possíveis. Todo boato surgia de um fato, por menor que fosse, e estar ciente do que acontecia na mansão a mantinha conectada com as estratégias. Quando houve a concordância seus ombros naturalmente tensos por estresse cederam o suficiente para trazer casualidade a conversa. “Conhece bombas, correto? Preciso de um recipiente que caiba na palma de minha mão, leve, de fácil manuseio, mas que possua durabilidade para não ser corrosivo em instantes. Não tenho tempo hábil para comprá-los e depois dos últimos acontecimentos…” sua fala parou por um momento, quase em uma pausa dramática. Mas apenas para filtrar as informações que eram passadas para o equilíbrio da mansão. No entanto, estava diante de alguém que estava sendo treinado para ser um extraordinário experiente e por isso suas sobrancelhas levemente erguidas de forma inquisitória denunciavam seu pedido por decoro. “Melhor que consigamos produzir o necessário aqui dentro!” concluiu sua expressão, colocando as mãos desta vez na cintura para aguardar sua resposta. “E sobre sua menção a produzir canecas, não é minha intenção reduzir suas habilidades a algo pífio assim, assim como não o faço com as minhas! Lhe procurei porque sei que é bom no que faz, qual o preço?” insistiu no último ponto, ciente que o acordo ainda não havia sido selado.
“ por sorte, o nosso potencial não está mais sendo controlado por alguém que não tem os nossos interesses em mente. bom, pelo menos, na teoria, ” falou com cautela. não que ela quisesse expor algum tipo de desconfiança em relação à larc, mas ela tinha aprendido que não deveria depositar a sua confiança com tanta facilidade nos outros. era da natureza dela, esperar que tudo desse errado ou que fosse traída pelos seus aliados. uma ideia que nem a terapia conseguia tirar da sua cabeça. “ viver a infância aqui, dá pra imaginar? não sei se é mais seguro ou perigoso... ” joey disse distraída, seus olhos vidrados na planta enquanto ouvia a pergunta da mulher. sabia que as suas habilidades lhe tornavam a pessoa óbvia para responder verônica, mas ainda assim, se sentia satisfeita por a mulher considerar a sua opinião. “ ela cresce melhor se receber a luz diretamente, mas se tiver um cantinho um pouquinho iluminado, ela já sobrevive. dá sempre pra deixar aqui mesmo e colocar um alerta enorme na frente. depois, dizer eu avisei se alguém aparecer envenenado. ”
“Sou da opinião que todos nos relacionamos com algum interesse específico do próximo. Embora nada seja mais exploratoriamente deturpante que a Stargate, aqui estamos!” fez alusão a mansão, ao isolamento que mantinham ou mesmo a linha tênue que os uniam em torno de um plano para destruir a outra corporação. Era idealmente controle, a diferença é que consentiram com ele. Com um aceno da cabeça enfatizou sua concordância com Joey. Seus dedos tamborilaram a bancada por um instante, antes de afastar-se da planta para aguardar os comandos da garota que era especialista ali, em respeito. “Neste caso consideraria mais seguro transferi-las ao meu laboratório. Você pode visitá-las” o convite era amistoso e também transcrito em entrelinhas. Ambas eram caladas o suficiente para que estabelecessem limites seguros na interação, o que a fazia apreciar a companhia alheia. Unindo as mãos de forma graciosa em frente ao seu avental, agora sujo para contrastar com sua roupa impecavelmente clara e límpida. Seus ombros se endireitaram junto a um curto sorriso etéreo. “Prefiro isso a envenenar alguma criança que não saiba ler! Os adultos curiosos, por outro lado, seria apenas um estorvo a mais para a enfermaria!” um riso curto surgiu antes que começasse a recolher os equipamentos utilizados no armário da estufa, retirando dele um grande plástico transparente que usaria para envolver as plantas para transportá-las. “Você me ajuda?” questionou com uma sobrancelha erguia. “Acredito que a garrafa que fiz de café ainda está quente. Me ajuda a focar nos trabalhos…” explicou de maneira breve, estendendo o convite a moça.
# ────── “Parece, né? Foi investigando isso que eu descobri que o safado só tem produto de qualidade lá no banheiro particular dele!” Ele relata a ela, meio indignado. Aos seus olhos, essa injustiça cosmética cuidadosamente escondida é um crime hediondo. Seu olhar pousa no copo com a coisa que ela está comendo e permanece por tempo demais. Sente fome, mas está numa dieta rígida e já consumiu até o limite de suas calorias diárias. Sendo honesto, até ultrapassou um pouco dele. É um sacrifício difícil, mas que vale a pena quando significa que ele irá voltar a gostar do que vê no espelho ou no reflexo do micro-ondas. Como se tivesse lido sua mente, a mulher o pergunta se ele está com fome, fazendo Domenico imediatamente erguer o olhar do copo de volta para ela na tentativa de consertar o erro. “Hããã… Eu…” Antes que consiga formular uma resposta, seu estômago faz um barulho alto, denunciando sua fome de uma forma constrangedora, e a mulher parece levar isso como uma resposta. Sendo um novato, parece extremamente indelicado recusar algo oferecido por um mentor—especialmente quando esta é uma mulher intimidadora que parece estar fazendo um favor só por lhe dirigir a palavra. Ele pega o copo com um sorriso sem graça, desejando morrer por dentro. “Obrigado. Que gentileza!” No entanto, é só quando já está com a colher quase entrando na boca que ele processa o comentário casual sobre intoxicação alimentar. O movimento congela no ar, a colher pairando a centímetros de seus lábios entreabertos. Então, ele a encara torto. “Espera aí… Isso é uma possibilidade?” Não pensou que a mulher pudesse envenenar a comida, mas, dado as habilidades que sabia que ela tinha, fazia sentido que pudesse acontecer. E se ela o envenenasse sem querer? “Você tem certeza que lavou bem as mãos?”
“Ei mocinho, mais respeito ao Sr. Crimson. Por ele estamos aqui!” a mais velha levantou a sobrancelha quase incriminatória, porém o extremo cansaço e o jeito divertido do garoto traíram suas feições polidas. Gostava de ter respeito pelo trabalho e pelos demais técnicos, mas não faria mal uma conversa despretensiosa de madrugada. Alinhando seus ombros, recostou-se na bancada de mármore. “Presos com produtos de cabelo questionáveis!” as palavras foram despejadas em igual ironia, enquanto a loira levava sua destra as madeixas um pouco secas. A exposição excessiva aos químicos não favoreciam os cuidados de beleza. Quando ele aceitou o doce, seus olhos azuis escrutinaram sua figura pelo tempo para aceitar sua oferta e a pausa quase dramática que suas mãos tomaram. Com sua veia cómica desperta, Verônica se permitiu entrar naquele jogo. “Meu nome é Toxique por um motivo. Não te contaram que minha habilidade é manipulação química?” seus ombros se moveram graciosamente junto a sua cabeça, como se desse ênfase aquele fato com certo orgulho das próprias habilidades. No entanto, um curto sorriso surgiu no canto dos lábios em momento oportuno. “Fique tranquilo, não funciona assim!” explicou dando um passo adiante para afundar a colher no doce dele, o suficiente para capturar um pouco e levá-lo aos lábios, comprovando que não estava envenenado. “E há um motivo específico para que esteja aqui a esta hora?” questionou de maneira respeitosa, um décimo mais baixo do que as brincadeiras anteriores. Voltou a comer sua sobremesa enquanto o observava.
a morena não conhecia arte como vêronica, fora forçada a ter aulas de piano pela stargate, como um extra a ser apresentado em entrevistas, ou adicionado as curiosidades de nemesis em revistas para jovens. algo que lhe tornasse real, e não apenas uma mulher com poderes demais para um humano, e como podia imaginar, ela foi capaz de enganar pessoas por quase uma década. o piano, bem, era uma lembrança doce do que poderia ter sido, caso tivesse sido adotada por uma família real e não uma empresa.
❝ é tudo muito bonito na teoria, mas sabe que não funciona assim para pessoas como nós, pelo menos não para mim… ❞ embora a loira fosse uma figura amedrontadora para alguns, ela parecia por vezes doce para renée, quiçá idealística. a mãe que poderia ter tido, numa realidade paralela. ❝ isso é só um hobby, algo que faço no meu tempo livre, me deixa calma por alguns minutos, mas não aquieta o que me assombra de verdade ❞
larc crimson, embora uma figura controversa, conhecia a morena e o passado desta como poucos, consciente do monstro que a kwon poderia se tornar, ele sabia que a doçura de uma melodia seria destroçada por aquilo que escondi-ase abaixo da superfície. ❝ você é uma boa mãe, ele tem sorte de te ter, mesmo que as coisas não sejam perfeitas ❞ se referiu ao filho de verônica por um mero segundo, fechando aquele assunto, receosa de que pudesse abrir antigas feridas.
um sorriso doce persistiu frente a declaração de que a mulher discordava de crimson, não poderia culpá-la. ❝ me sinto bem… ❞ mas no fundo, algo sempre se emaranhava a mente de renée, raiva e uma inquietude, como se âmago a clamasse por algo, por caos e destruição. ❝ estou tentando há dez anos, verônica, acho que uma hora simplesmente estarei cansada ❞ confessou, retirando os dedos esguios do piano e os repousando no próprio colo. ❝ não importa o que eu faça, há sempre algo ❞ a morena estava muito mais equilibrada do que no passado, embora dificilmente se imaginasse em paz. ❝ algumas coisas apenas são do jeito que são, não há conserto ❞
Concordo com você sobre partes… - a voz da loira soou um décimo mais baixo, parte dela pensando se declarar sua concordância era o mais encorajador a se fazer. Não que fosse uma pessoa pessimista, mas costumava também ver o mundo da forma que era. O que a diferenciava da mais nova era seu desejo por obter controle das circunstâncias, o que a fazia esgotar possibilidades alternativas em cada situação. “Você me perguntou como fico tão calma sempre, é desta forma! Faço coisas que acalmam de forma constante. Não aquieta o que assombra de verdade, mas expande o tempo em que me mantenho controlada.” ofereceu aquela perspectiva a ela esboçando um sorriso sutil no arquear de lábios. Porém, tal ato sumiu como a lua minguando em sua fase, sua saliva pareceu mais espessa naquele momento, como se um bolo de palavras não ditas tivessem prendido em sua garganta ao ativar memórias profundas. Suas unhas cravaram contra o fundo do estofado do banco, enquanto os olhos salpicaram por um momento com a sensação incômoda do acúmulo de suas glândulas lacrimais. A loira engoliu em seco, respirando profundamente antes de seus olhos dispersos se direcionarem a Renée. “e você é uma ótima garota, mesmo que não consiga ver isso!” devolveu as palavras de forma honesta e em agradecimento também. “Neste caso, terá eu, o Crimson ou alguém do Umbra para te lembrar que extraordinários não desistem!” ofereceu as palavras mais motivadoras que pode obter de naquele instante. Juntando as mãos no colo, como em reflexo da menor, ajeitou sua roupa em alfaiataria antes de levantar-se daquele banco, pressionando os dígitos contra o tecido crepe. “Sim, as coisas são como são. Nos resta aprender a lidar com elas!” as palavras foram firmes e com a destra Verônica ofereceu a mão para que pudessem seguir “Vamos?” Mas antes que saíssem daquela sala que lhe soava tão confortável, quase um local seguro que pouco estavam acostumadas, inalou o ar do ambiente preenchido com o perfume de ambas antes de dar um passo a frente, dando lhe um abraço desajeitado. "Talvez uma volta no lago também te transmita paz!"
Verônica aprecia plantas, sobretudo aquelas que possuem veneno como as brugmasias, comigo ninguém pode e acônitos.
Seu maior medo é o fracasso, principalmente como mãe.
Seu perfume favorito é o Midnight Poison da Dior. Embora também produza os próprios perfumes.
Devido as limitações de seus químicos passou a comprar joias com pequenos recipientes para colocar seus compostos, imbuindo grande parte de seus anéis e pingentes.
Possui queimaduras químicas na pele e manchas por autointoxicação.
Gosta de estudar sobre psicologia para autoconsciência e para desenvolver seus trabalhos com psicotrópicos e neurotoxinas.
Apesar de possuir um temperamento melancólico, o compensa com doses excessivas de autocontrole.
Verônica cresceu nos teatros seja assistindo peças e óperas de romances trágicos ou se apresentando no ballet. Este é um lugar de conforto.
Seus papéis de divórcio foram rasgados em um acesso de raiva, mas decidiu colá-los para proteger-se de represálias de Viktor (ou somente preservar a memória). Ainda guarda as alianças, embora não suporte abrir o baú com estes itens.
Possui uma pequena pistola de ar comprimido que dispara dardos, sua assinatura de combate. A deixa na cama de cabeceira quando está na mansão e a carrega em uma bolsa sempre que sai.
Sugestões de FC: Lucas lynggaard tønnesen, Danny Griffin, Froy Gutierrez, Rudy Pankow, Maxence Danet-Fauvel, Louis Hofman, Neels Visser, ou algum que pareça com Nicole Kidman.
RP: @umbrahqs
Verônica sempre tentou proteger Axel dos perigos do mundo, expressando seu amor de formas singelas, com gestos que escondiam suas cicatrizes profundas. Na infância do garoto havia risos e cumplicidade até que a casa se tornou fria. O destino não foi generoso com eles, deixando traços de perdas e um afastamento entre eles após o divórcio. Agora, Axel luta contra os próprios demônios, enquanto Verônica deseja intensamente refazer os laços antes que o perca para sempre. Essa relação é escrita com dores, amores e silêncio.
Inspiração:
Narcissa e Draco Malfoy (HP); Alicent Hightower e Aegon (Casa do Dragão); Marisa Coulter e Lyra Belacqua (His Dark Materials); Frigga e Loki (Thor); Rainha Elinor e Merida (Valente);
⸻ Conheça mais sobre a relação:
Verônica foi criada em um lar com muitas expectativas para que ela e seu irmão ocupassem um lugar rentável na Stargate. Por este motivo, Ronnie não possui muitas referências de maternidade. Após o falecimento de seu irmão decidiu que ao constituir sua família iria evitar que seu filho sentisse a crueldade do mundo.
Replicar padrões, no entanto, é mais fácil do que se parece! Ela possui dificuldade em expressar seus sentimentos por palavras. Sua forma de demonstrar o afeto sempre foi através de seus gestos, sua presença e atos de serviço. Gostava de antecipar erros e qualquer situação que pudesse ferir seu filho. Se chovesse? Axel não tinha a oportunidade de pular poças de água! Se fizesse frio? Axel não pegava uma brisa se quer! E se ele adoecesse, não tinha tempo suficiente de adquirir anticorpos pois sempre havia remédios em prontidão.
Axel teve uma infância inicialmente feliz, com muitos risos e cumplicidade como quando cozinhavam juntos, dançavam, liam livros ou brincavam de faz de conta.
As dificuldades surgiram no final da segunda infância de Axel. O casamento começou a ruir em brigas e a casa se tornou fria, os jantares antes amistosos sendo preenchidos simplesmente com músicas ambiente. Esta foi também a época em que Verônica havia anunciado ao filho que estava tentando dar-lhe um irmão. Várias foram as tentativas até que Verônica engravidou de Isabella, a perdendo no final da gestação.
Aos 14 anos de Axel ocorreu o divórcio. Verônica descobriu que Viktor a estava traindo com uma heroína. Este foi o período em que Ronnie teve uma crise emocional, sendo acolhidos no Instituto Umbra. Ela precisou de intensos treinamentos para refrear os efeitos colaterais do descontrole em seu poder.
Apenas um ano depois Axel demonstrou os primeiros sinais de seu poder, desapontando Verônica que desejava que ele não tivesse os poderes extraordinários.
Inevitavelmente a vida os distanciou. Verônica sente que perdeu seu filho, se sente culpada de seu casamento ter afetado o garoto e sente que não tem o direito de se aproximar. Tentou dar-lhe espaço, tardiamente, para ter as próprias experiências, porém, isso aumentou os comportamentos perigosos do garoto (de personalidade ou nos poderes).
Hoje Verônica tenta se aproximar para ajudá-lo e conseguir uma redenção para que possam estar juntos novamente. O problema é que não sabe por onde começar, há muitas verdades ocultas que ele não sabe (como o que ocorreu no casamento e a perda real de Isabella) e tem profundo medo de ser rejeitada de uma vez por todas. Porém, ela está motivada a reconquistá-lo.
‘ não sei o que quer dizer com isso . alguém morreu ? ’ questionou em tom baixo , quase monótono , sem nenhuma emoção clara na voz . ela não estava ali para discutir com a mulher , nem para questionar sua autoridade , mas isso não significava que sua mente parasse de analisar o comportamento da outra . a relação entre elas nunca foi fácil , e , se por um lado nikova entendia o valor de ser treinada por alguém com a experiência de verônica , por outro , desconfiava do que realmente a movia . ‘ raiva ? ’ nikova franziu a testa . ela não sentia raiva , não de verônica . ela simplesmente não confiava nela , e essa falta de confiança já era o suficiente para deixar o clima tenso . continuou prestando atenção na explicação da outra . sabia muito bem que sua habilidade não era das mais práticas em um combate direto . não era algo como um raio ou uma rajada de vento , onde a distância poderia ser controlada a seu favor . não . ela tinha que se aproximar . e com isso , vinha o risco . quando verônica fez o gesto para que se aproximassem dos manequins , nikova deu um passo à frente , mantendo os olhos fixos na cápsula . ‘ isso significa que posso . . . projetar meu poder sem precisar tocar alguém diretamente ? ’ isso ela já sabia , só não sabia como . ‘ mas como , supostamente , eu deveria fazer isso ? sendo ordenhada igual uma vaca para sugarem o veneno dentro de mim ? eu acho que eu passo . ’
Talvez metáforas não fizessem parte do repertório da garota e naquele momento tal fato não importava. Verônica estava empenhada em fazê-la desenvolver seus poderes, mesmo que parte de seu ímpeto fosse a necessidade de testar mais do poder dela, uma variante específica de sua especialidade calculada. Embora Verônica não gostasse de como esse seu comportamento lhe soava, parte dela preferia convencer-se deste interesse moralmente desviante do que encarar que talvez a garota fosse verdadeiramente a primeira mentoreada que quisera desenvolver, por enxergar nela um grande potencial e também vislumbres de si mesma. Tais sentimentos eram conflitantes e somados ao comportamento desafiador da mais nova criavam uma ‘animosidade’ em cada sessão que tinham. “Certo, vamos iniciar!” declarou de forma distante, imersa nas próprias considerações para evitar qualquer exploração sentimentalista que infelizmente ela mesma poderia ter dado alusão.
Exercitando seus pulmões, concentrou-se em manter sua respiração cadenciada enquanto estudava os atos da garota. Quando ela deu um passo a frente fez sinal com a mão para que ela se aproximasse mais, tocando o projétil em questão para se conectar ao seu poder. Se o lampejo da familiaridade era produzir envenenamento de forma tátil, que começassem assim. “Isso é o que queremos descobrir hoje. Você pode?” devolveu a pergunta a ela, sua sobrancelha se erguendo inquisitorialmente. Sabia que grande parte dos poderes a principal restrição era a própria mente, o quanto se acreditava que era possível exprimir. “No meu caso, por exemplo, consigo criar a névoa tóxica a partir de compostos que estejam em minha posse ou no ambiente, mas nunca criá-los sem material algum. Isto exige grande energia física e outro risco disso é minha autointoxicação e a interferência do clima para deixar as toxinas potentes.” explicou de forma mais detalhada desta vez, gesticulando durante o processo para dar ênfase a sua oratória. Andava em passos controlados em torno do manequim e Nikova. “Infelizmente, descobri essa habilidade muito depois da precognição química e somente em um descontrole. Desde então, prefiro canalizar meu poder a distância colocando meus compostos químicos em armas. No entanto, conheci um extraordinário uma vez que tinha nas glândulas salivares um ácido” desta vez seu raciocínio foi melhor exemplificado seus dedos esguios criando um leve movimento no ar que mostrava aquela forma de alcance. “Feche os olhos e sinta o fluxo de seu poder enquanto o utiliza, como se estivesse observando o caminho e a energia que se concentra quando faz isso. Silencie os pensamentos antes” indicou sobre o comentário de ordenhá-la. Posicionou-se atrás dela e com um leve toque em seu ombro a incentivou a começar o treinamento.
kai já conhecia o jogo de verônica — a abordagem calculada , os comentários despretensiosos , o jeitinho de quem comia pelas beiradas . como se a curiosidade dela surgisse por acaso , espontânea . mas kai não acreditava em espontaneidade — muito menos em gente que balança um french 75 enquanto tenta arrancar uma informação . ‘ e você jura que não é curiosa . ’ ele estava largado no sofá , um dos braços jogados por cima do encosto , pernas esticadas num ângulo quase indecente . tinha um copo qualquer na mão — ele nem lembrava o que tinha dentro , só sabia que queimava o suficiente para manter o humor no lugar . ‘ bom , já topei com gente que tem medo de coisas previsíveis . escuro , altura , morte , palhaços . . . essas merdas . mas , às vezes , aparece uma pérola . ’ um sorriso enviesado surgiu , lembrando-se da situação . ‘ tipo um cara que tinha pavor de . . . balões . aqueles de festa . bastava um estourar perto dele , e pronto , colapso nervoso . era engraçado . ’ deu um gole demorado na bebida , sem tirar os olhos dela , e continuou com aquele mesmo ar entediado fingido . ‘ provavelmente os dois . eu sou o atalho sujo para tudo o que eles tentam alcançar com meses de conversa fiada e sofás desconfortáveis . ’ deu uma risada baixa , seca e sincera , quase orgulhosa , antes de inclinar o corpo na direção dela . ‘ mas , sejamos honestos , verônica . . . você também sente um pouco dos dois , não sente ? uma curiosidade mórbida e um incômodo inevitável . ’
“Da mesma forma que você falsamente demonstra não querer responder” brincou com as palavras, os lábios se retorcendo de maneira trivial. Sua postura demonstrou desinteresse no assunto, os olhos vagando a esmo entre sua bebida e o jeito desleixado com o qual Kai se colocava, bem diferente da sua compostura transcrita em sua silhueta perfeitamente alinhada. “Balões? É um medo um tanto infantilizado se analisar. Me pergunto o que não descobriria deste homem caso seu poder fosse extrair desejos ocultos” sua sobrancelha arqueou sutilmente, combinando com o nariz que se franziu com as possibilidades. De fato poderia ser perturbador, mas igualmente curioso do ponto de vista acadêmico. Levou mais um gole da bebida resinosa aos lábios, saboreando o gosto intenso que escorria por sua garganta. “Freud se revira em seu túmulo após sua declaração. Quem precisa de hipnose!” a última parte foi dita em um sarcasmo, afinal, admirava a psicologia tanto quanto a habilidade psíquica alheia.
O álcool começava a inebriar seu corpo. Embora ainda estivesse plenamente consciente de suas falas e ações, a bebida conseguia acalentar sua compulsão por controle a deixando mais leve e criativa. Suas mãos esguias guiaram-se aos ombros, apertando os pontos nodais da semana estressora. Permitiu-se fechar os olhos por um instante, contemplando a sensação e a conversa despretensiosa. Quando o ouviu piscou lentamente por um instante antes de fixar suas orbes em azul profundo no rosto do rapaz. “Não sentimos todos?” sua resposta evasiva era sincera. Mas estaria se enganando se negasse que sentiu uma inquietação na ponta do estômago com a pergunta, questionando se não haveria algum medo submerso que desconhecesse. As mãos que jaziam nos ombros tirando sua tensão deslizaram ao colo apertando o tecido do vestido instintivamente. Correndo o risco de ser altamente divagadora, ela esboçou um curto sorriso. “O medo e os desejos são isso afinal. Um ontem esquecido e uma busca incessante para obter ‘isso’ que nos falta num futuro que… já não seremos os mesmos” uma conclusão guiada por um racional afiado e vários livros de Lacan, ela poderia completar. Com um inclinar da cabeça imitou os atos dele, projetando seu corpo lentamente para frente inquisidoramente. “Então, devolvendo a pergunta, qual a sua curiosidade mórbida e incômodo inevitável para descobrir os meus?” questionou com a voz branda e suave, se levantando para pegar a garrafa de gin e champanhe em cima da mesa. Contornou o vidro entre eles inclinando cada garrafa com uma mão enchendo a taça vazia de Kai. Fez o mesmo ritual com a sua, virando-se lentamente de costas para apoiar os preparos na superfície da mesa. Abriu espaço suficiente para sentar-se e com seu baixo peso acomodou-se rapidamente, deste modo ficando mais baixa para observá-lo. “Vamos, pode fazer!” gesticulou com a mão livre para que ele realizasse o gesto ou indução necessária com seu poder para extrair de si a informação.
os olhos carmesim se perderam nas teclas do piano, pressionando estas com um cuidado raro à renée, a mulher habitualmente instável parecia encontrar alguma paz na melodia doce, ou quiçá na companhia de verônica. ❝ sabe que quando aprendi a tocar não sabia direito quem ele era… só que gostava das músicas ❞ um riso fraco escapou a morena, nunca fora a pessoa mais inteligente ou culta do grupo, a vida no orfanato só lhe dera a oportunidade de encontrar a stargate e se tornar uma arma para estes. ❝ sei que sou péssima em demonstrar, mas gosto de você ❞ a confissão, embora gentil, escondia um temor da kwon, o medo da perda ou pior, de machucar verônica, como inevitavelmente fazia com todos. ❝ é claro, lado dos cisnes foi uma das primeiras que aprendi, me dê apenas um segundo… ❞ os dedos esguios repousavam nas teclas por um instante, antes de iniciar a melodia do terceiro ato, não era tão grandioso sem a companhia de uma orquestra, mas emaranhava-se ao cômodo lentamente. ❝ não sei, acho que a música é a coisa mais normal que já conheci, parece pacífico, agradável ❞ tudo aquilo que renée nunca foi ou seria. ❝ já tentei uma vez, larc diz que sou muito intensa pra isso. meditação ajuda, mas não por completo... não pode contar uma tempestade com palavras doces ❞ o dano a mente da kwon já havia sido feito, não poderia consertá-la, apenas impedir colaterais. ❝ e você? qual seu truque? está sempre tão calma, em todos esses anos, nunca consegui entender. ❞
Assentiu de forma sutil com a explicação da garota, os olhos convidativos estimulando-lhe a contar sua história se sentisse necessidade ou conforto na narrativa. Para Verônica a arte fazia parte da sua constituição. Vinda de uma família com boas posses e ausência de qualquer afeto, foi ensinada a encontrar a beleza nas músicas, livros e teatro. “A arte nos ensina enxergar possibilidades e sentir de uma forma diferente, que não é possível em nossa realidade.” declarou se despindo de algumas camadas, permitindo-se mesmo que por um instante a vulnerabilidade que sentia que a garota precisava ter contato. Era curioso como com Renée as coisas pareciam fluir mais fáceis do que com o próprio filho, como se conseguisse antecipar suas necessidades como quem lê um livro continuamente.
Seu rosto inclinou-se um pouco para capturar as feições doces dela ao declarar-se, um calor preenchendo seu peito em satisfação. Soltou o ar que prendera instintivamente com um curto sorriso sincero “Talvez nessa realidade seja possível” sentir - poderia completar. Deixou que a garota significasse suas palavras. A sensação familiar da língua enrolando com palavras de tanto significado se fez presente e para refrear tal ação levou a destra ao rosto da garota, seu polegar acariciando as maçãs enquanto os olhos mergulhavam na imensidão rubra. “Essa é minha demonstração!” estar ali entregue e presente, e talvez por isso tivessem semelhanças.
“Discordo dele, como de costume! A música é justamente sobre isso, sobre intensidade. Caso contrário, ninguém ouviria!” declarou com obviedade, repousando seus dedos sobre as teclas em um pedido silencioso para que a garota lhe ensinasse um acorde, testando uma teoria. “Como se sente agora? ” questionou tecendo um raciocínio sobre o que observava da garota. “O ponto é este. Não se contém uma tempestade ou uma bomba nuclear! Mas se constroi um bunker. ” um sutil gesto de inquietude surgiu na loira, ajustando-se no banco do piano como se buscasse conforto. Como alguém que viveu tentando encontrar formas de controlar circunstâncias de sua vida, Verônica entendia o sentimento da garota, o que era claramente expresso na forma como estava mais eloquente do que o convencional e como a distância de seu corpo para da garota era curta, gerando calor naquela relação de cumplicidade. “Os anos me ensinaram que o melhor controle não é sobre o que você sente, mas na forma que você busca lidar com isso. Não sou impassível, embora quisesse muito, mas busco escapes ou simplesmente isolar o sintoma e não a causa” explicou da forma mais técnica que pode, embora soubesse que aquilo era muito inespecífico. A verdade era que Verônica era compulsivamente regrada, com o medo de falhar ditando suas defesas psíquicas como a racionalização. Isso explicava o motivo pelo qual ela estudava cada uma das teclas daquele piano, antecipando os cenários antes de praticar de fato. “Precisa descobrir a sua forma de escape e isolar seus sintomas, não o que Larc ou eu diga.” declarou honestamente antes de colocar sua mão sobre a dela, deixando uma leve pressão no local para demonstrar que caso precisasse de ajuda para descobrir, ela estaria ali.
O intangível arqueou uma sobrancelha enquanto girava a caneca entre os dedos, observando o chá se mover em redemoinhos preguiçosos.
⸻ Bem, isso certamente economizaria na produção de roteiros motivacionais cafonas ⸻ murmurou antes de levar a caneca aos lábios, sem desviar os olhos dela. ⸻ Só de imaginar a reação daquele circo o vendo subitamente declamando versos sobre o sonho americano ao invés de berrando ordens e socando inocentes...
A ironia escorregadia de Verônica o divertia, e a ideia de transformação do patife do Captain Freedom quase lhe arrancou um sorriso. Quase.
Seu olhar escureceu sutilmente quando ela mencionou o destino infeliz do protótipo. Ele recostou-se na cadeira, tamborilando os dedos sobre a cerâmica fria de sua bebida.
⸻ Parada cardíaca? ⸻ repetiu, inclinando a cabeça levemente. ⸻ Então, entre um delírio filosófico e um colapso total, o seu gás decidiu pelo caminho mais curto. Não deixa de ser útil, mas precisamos deles vivos para interrogatório e para a exposição. Eles precisam pagar pelo que fazem. A morte é misericórdia. Logo, deixa de ser opção pra eles.
A frase veio com naturalidade, sem julgamento, como se discutissem o equilíbrio de ingredientes em uma receita e não a linha tênue entre uma arma eficaz e um desastre biológico.
Ele girou a caneca uma última vez antes de pousá-la na mesa, um pequeno tilintar ecoando pelo ambiente silencioso.
⸻ Quanto à inteligência emocional... ⸻ sua voz assumiu um tom levemente cético. ⸻ Eu diria que é uma ótima habilidade até que a primeira decepção aconteça. Depois disso, só resta quem aprende rápido e quem vira estatística.
Ele deslizou o olhar para ela, captando a firmeza nos olhos azuis.
⸻ Mas claro, treinar os novatos tem seu valor ⸻ admitiu, sem pressa. ⸻ Ainda que seja mais útil saber derrubar um inimigo do que discutir sentimentos no meio do caos. Poucos são os que realmente dominam alguma habilidade de persuasão notável.
O convite para outra sessão de treinamento não passou despercebido. Ele respirou fundo, avaliando-a por um instante antes de dar um breve aceno.
⸻ Tudo bem. Mas se quer outra sessão, espero que venha preparada. Da última vez, achei que você estava sendo gentil demais comigo.
O canto de sua boca puxou-se num meio sorriso, uma provocação sutil. Ele sabia que Verônica não era do tipo que pegava leve. E, sinceramente? Ele preferia assim.
“E nós somos os vilões! Provavelmente este grande feito seria comemorado com um novo feriado nacional inútil e eu seria incriminada de tentar envenenar o glorioso capitão” o que veja bem, não era de todo ruim! Ela pensou de imediato, mas não era vaidosa para com os olhares da Stargate, apenas desejava que a instituição ruísse e que se fodessem, mas é claro que não se daria ao trabalho de usar palavras tão chulas para pessoas tão baixas. Seus pensamentos, no entanto, eram parcialmente estampados no arquear de lábios de quem tece uma linha de raciocínio de puro deleite. Warner era sem dúvida uma das poucas pessoas que os muros de suas defesas se flexibilizavam.
Quando o homem se sentou seguiu seus passos, dando a volta no balcão da cozinha para juntar-se à mesa. Ajeitou o robe de seda champanhe para sentar-se. Suas costas eretas e os ombros alinhados contrastavam com o semblante tranquilo. “Seria mais fácil se tivesse criado consciência própria e definido sua intencionalidade” pronunciou as palavras um décimo mais baixo que o convencional, pausando o pensamento com um longo gole de chá. Concentrou-se na sensação da erva formigando sua língua para não se focar no simples fato que havia falhado. “Fiz alguns ajustes na fórmula, irei testá-la esta semana” o polegar pressionou o anel prateado que segurava a xícara de porcelana aliviando a frustração.
“Aprender rápido é justamente o significado de inteligência emocional! Ou se conhece e aprende a se auto regular, ou então está fadado às circunstâncias do ambiente.” falou com certa obviedade, um mero resultado de treinos desde sua infância. “Mas você tem seu ponto! E qual seria sua tática de persuasão notável?” Questionou com genuíno interesse, seus lábios se crispando em antecipação a resposta. Eram maduros o suficiente para não temer com conversas daquela natureza, não havia problema em compartilhar uma informação trivial ou duas.
Seu cotovelo apoiou-se na mesa de mármore, dando suporte as bochechas levemente róseas. A expressão dele provocou um riso baixo. Começou em seus olhos, uma piada que fazia cócegas em suas esferas azuladas, escorrendo para os lábios finos que reverberava com a ironia de suas palavras. "Posso ser boa em muitas coisas, até mesmo em me dedicar ao treino, mas em combater?” aquela definitivamente não era sua especialidade. Porém, acreditava que com sua determinação naquele ano pudesse pelo menos melhorar seus dotes. Cruzou sua perna sobre o joelho, a ponta dos pés em reflexo se esticando como uma bailarina. “Só posso concluir que está tentando me motivar com algum curso coach, ou, possui tendências masoquistas!” ela acrescentou de forma ferina, com sutileza erguendo sua mão para dar lhe um amistoso tapa no ombro enquanto os olhos espelhavam igual provocação. “Garanto me esforçar para te dar um golpe ou dois!”
Verônica apreciava sua solidão e os exaustivos dias de trabalho, porém, aquela semana estava mais difícil do que o convencional. Seus pesadelos envolvendo seus filhos insistentemente voltavam nos breves momentos que se permitia pregar os olhos, a fazendo desejar amaldiçoar de todas as formas possíveis seu ex-marido. A dor latente em sua cabeça era lancinante, mas talvez não tanto quanto em seu peito. Os passos elegantes naquele dia eram mais arrastados, ainda que o salto arranhasse o assoalho sob os seus pés.
Em minutos a loira chegou ao quarto de Draco, dando três batidas antes de ganhar o aval para entrar. Com cuidado girou a maçaneta, inclinando-se o suficiente para que apenas suas pernas adentrassem antes que seus olhos pudessem capturar cada cômodo do quarto como de costume. Com um suspiro demorou-se observando o cesto de roupas sujas que transbordava. "Esta é mais uma técnica para missões?" questionou torcendo sutilmente seu nariz.
Caminhou a passos lentos até a cama antes de sentar-se na beirada, suas mãos mal tocando os lençóis. Ajustou sua saia de linho antes de cruzar as pernas para estabelecer sua compostura. "Camuflagem é mais eficaz com Metamorfose ou mimetismo de identidade" desta vez não pode perder a oportunidade de questionar sobre os hábitos de organização e limpeza dele antes que pudessem formalmente conversar. "Mas vim aqui por outro motivo...Pode conversar um pouco?" questionou um décimo mais baixo que o natural, respeitosamente perguntando-lhe antes de tomar parte de sua noite. Embora estivesse cansada, sua cabeça ainda fervilhava em ideias para a próxima missão e aquela seria uma eficaz distração. Além do fato que gostaria de ter a companhia de um parceiro do Umbra que também era adepto a noite.
"Sou suspeita para falar..." Verônica aproximou-se do imponente quadro que estava diante de Andrés. Seus dedos esguios se direcionaram a moldura envelhecida, dedilhando as curvas entalhadas na madeira escura. Seus olhos estavam dilatados em empolgação, como se não quisessem perder um detalhe se quer daquela pintura. "Me lembra a arte renascentista. Possui o sfumato característico de Da Vinci, mas também a perfeição nos traços anatômicos como Michelangelo" analisou como os corpos entalhados eram proporcionais e como as cores eram gradientes e harmônicas. "E você afirma deixá-lo ainda melhor! Me diga, como?" questionou com genuíno interesse, cruzando os braços diante do peito virando-se lentamente para encará-lo. Seus olhos azuis mergulharam no rosto dele, estudando suas feições como fizera com o quadro minutos atrás. Havia ouvido falar do poder do rapaz, mas não conhecia os detalhes de suas habilidades ou o alcance que poderia ter. Como uma ávida estudiosa, descobrir mais sobre arte e sobre dons extraordinários potencialmente deixaria sua tarde mais interessante.
@toonkngdm
"Não costumo aceitar que fiquem comigo no laboratório enquanto trabalho" sobre os ombros Verônica o advertiu, organizando o becker, balão de fundo, Erlenmeyer e tubos de ensaio. Os dispôs organizados na bancada caminhando até o armário de madeira maciça que continha os compostos químicos. Apertou seus lábios um contra o outro, idealizando a fórmula que precisava precognizar para o efeito que desejava. "Mas inspirar seus poderes não deve fazer mal" tentou convencer a si mesma, inclinando sua cabeça sutilmente para uma banqueta de madeira mais afastada da sua mesa de trabalho para que ele se acomodasse. "Coloque os óculos de proteção e o avental, não quero ser responsável por uma intoxicação acidental." apontou para um cabideiro que continha os equipamentos de proteção. Seguindo a própria instrução apanhou seu avental bege o colocando perfeitamente alinhado em seu corpo. Ajustou a gola para que o último botão estivesse fechado rente ao pescoço e abotoou os punhos. Tirando cada um dos anéis que usava, puxou levemente os dedos para alongá-los, criando pequenos estalos antes de vestir suas luvas emborrachadas. "O que espera ver?" os olhos claros finalmente focaram-se com precisão no rosto do garoto quase da mesma idade de Axel, estudando suas expectativas.
Verônica é uma pessoa que prefere observar e tomar notas mentais, verbalizando pouco suas reais intenções ou sentimentos. Embora possua um humor sarcástico e seja vingativa, é uma ótima estrategista e preza pelo controle, somatizando reações adversas em seu corpo. Seu perfeccionismo também se reflete nos cuidados pessoais, tornando-a, por vezes, vaidosa.
Não tem medo de confronto, mas o considera desnecessário, envolvendo-se apenas em casos de extrema necessidade. Poucas coisas a levam ao limite; porém, não tem muita paciência para pessoas desorganizadas e inconsequentes. Traição e seu ex-marido, no entanto, são assuntos que a fariam esquematizar planos para uma passagem só de ida ao inferno (embora não necessariamente os aplicasse).
Por fim, um ponto essencial sobre sua personalidade é seu inegável instinto materno — uma fortaleza e, ao mesmo tempo, uma fraqueza. Verônica correria para proteger um filho em seus braços, ainda que não de forma literal.