se fosse possível, seu sorriso cresceria para além dos limites que delimitam sua face, poderia até mesmo substituir a lua tamanha se torna a luminescência de seu contentamento com a agradável declaração, sequer se importa de parecer presunçoso — ela sabe bem o suficiente o quanto passeava pelo subconsciente do loiro, até porque ele sempre faz questão de contar todos os sonhos que tem com ela em uma longa linha de mensagens a cada manhã — sua mão se torna mais firme na curva perigosa da cintura esculpida, “ isso é respeito! eles também merecem um show, vai… estão mortos, mas não ‘tão… ” se perde no antigo ditado com um riso baixinho, a vibração arrastada pela derme cheirosa do pescoço dela onde esconde o rosto por um breve instante, apenas o suficiente para plantar ali um beijo, “ qual sacrifício você demanda? ” murmura baixinho, deixando mais um selar no pé do ouvido da jovem, a referência a um trecho da música, mas também uma interrogação genuína. bochecha com bochecha, o deslizar do seu rosto contra o dela é um momento singelo de adoração e… descoberta, não sabe se a sensação febril é apenas o calor dela contra sua frigidez ou se é o frenesi de tê-la tão perto, não ousa abrir os olhos ainda, não até ter a sua testa encostada na dela, seu nariz roçando afetuosamente no da garota e seu suspirar cobiçoso rebatendo contra os lábios bonitos, “ não é timidez. ” há um tremor singular em sua voz quando abre os olhos e encara tão de perto as íris calorosas de rowena, a sensação ímpar de… não sentir frio.
o magnetismo dos olhos bonitos é intenso, mas ainda perde para o encanto dos lábios bem desenhados. genuinamente não era timidez, apenas… apreciação e… respeito. “ eu só queria que… ” fala lentamente, cada sílaba bem acentuada para roçar os lábios nos dela junto do soprar de suas palavras, por fim fisga o lábio inferior carnudo entre os seus em um sorver lento que profetiza o encaixe dos lábios, sua canhota se esgueira pela coluna do pescoço dela como um afago caloroso, seu polegar se enrosca sob o queixo feminino para elevar o rosto dela de encontro ao seu. “ você quisesse tanto quanto eu estou querendo você… há semanas. ” não há sequer mais forças em si para continuar provocando, apenas a cobiça e a avidez de sentir sua boca na dela, sem pudores.
“ eu… não ‘tô com medo de nada agora. ” diz em meio a um suspiro quando se coloca em pé outra vez, não perde tempo em ter sua boca contra a de rowena outra vez, selares mais ternos distribuídos à bel prazer sobre os lábios marcados pelo seu querer, seus dígitos deslizando para a nuca dela para se prenderem nos cachos sedosos, um espelho ao que ela fazia em si e que, sinceramente, arranca do rapaz lamúrias nada decentes de sua parte. “ onde? você me sentiu. ” indaga com certa… intensidade, segura o pulso dela para trazer o toque deleitoso até o seu peito, onde a caixa torácica parecia pequena demais para a intensidade de sua frequência cardíaca, “ eu ‘tô sentindo aqui. ” seu olhar no dela não vacila, tampouco se acovarda. “ meus sonhos vão ter mais… embasamento agora. ” conclui com um sorriso arteiro, roubando por fim outro selar rápido da boca dela.
a timidez só se torna um traço minimamente visível em suas feições quando suas ações são descritas como gentileza e não… qualquer outra descrição possível, não era um costume que compartilhava com os outros porque não sabia como seria visto. “ eu preciso acreditar que tem alguma coisa depois dessa vida. não no sentido bíblico nem nada, só… ” umedece os lábios — um ato falho, pois consegue sentir resquícios do gloss labial de rowena ali, o que o faz instintivamente voltar sua atenção para a boca bonita… erro bobo que acaba engolindo suas palavras por alguns instantes de pura admiração. “ não quero acreditar que isso aqui seja tudo, sabe? ” não se trata de um anseio que já havia colocado em palavras antes, então não sabe se faz sentido aos ouvidos dela, “ você lida com a passagem todos os dias, o que você sente que existe depois daqui? ” indicaria com a cabeça para significar que falava do cemitério, mas seria pedir demais de si para que tirasse os olhos da figura de rowena praticamente… reluzindo sob o brilho sereno do luar. “ mas é injusto! e se eu sentir saudade enquanto ‘tô no caminho ‘pra funerária, hein? ” visitas que haviam se tornado um hábito diário.
é impossível não se encantar ainda mais por rowena quando lhe é cobrado um juramento digno para uma promessa tão valiosa, seu sorriso terno comprime boa parte de seu fascínio pelas nuances da roth. a parte fantasiosa de si se deleita com a sincronia, ansiava silenciosamente pela extinção do espaço entre eles quando ela faz justamente aquilo. o selar tímido o torna mais… rendido, de maneira que não hesita em levar a mão para a lateral do pescoço dela para impedi-la de se afastar, os olhos já pesados se fecham por completo quando seus lábios entreabertos se encaixam outra vez nos dela, até mesmo a pausa dela é contestada quando urge a necessidade de se separarem, pouco importa que seus pulmões se rebelam pela falta de oxigênio que sua voracidade gera, apenas tem a cortesia de colocar sua mão carinhosamente no topo da cabeça dela quando a sente se inclinando para trás para que ela não se machuque, o convite é explícito para se juntar a ela, mas mesmo que não fosse, seus lábios buscariam os dela outra vez em questão de segundos como se eles fossem mais importante do que o ar em seus pulmões.
tem sérias dificuldades para se pronunciar, mas quando cai sua ficha das palavras dela, afasta — minimamente — os lábios dos dela com os olhos arregalados, “ seu padrinho ‘tá aqui? vendo a gente?! ” suas palavras carregam um certo… pânico, o qual logo é substituído por um riso melodioso ali tão pertinho da boca dela. tem um pouco de receio de colocar seu peso todo sobre ela, de modo que se deita ao lado da garota sobre o mármore frio, mas sua mão na cintura dela faz com que ela acompanhe a troca de posições, logo a tem contra si novamente, seu braço estendido servindo como apoio para a cabeça dela e o outro envolvendo a cintura dela para se certificar de que a distância continuaria mínima, suas pernas se emaranhando com as dela. “ quando minha mãe morreu… eu ‘tava em coma. levaram ela ‘pra nova iorque, eu não vi mais ela… não tive coragem. mas eu me sinto mais perto quando venho aqui, não sei. ” é como se nunca tivesse tido uma gota de eloquência em si quando o assunto é aquele, mas foi fácil falar quando rowena perguntou, as palavras apenas… flutuam, baixinho ali tão pertinho dela. sua destra descansa sobre o rosto bonito, o polegar acaricia sob os olhos, a curva da bochecha, o ângulo perfeito do nariz, tudo uma nova descoberta. “ queria que fosse uma história cheia de… aventura ‘pra poder te impressionar. ” acrescenta por fim com um risinho suave e o roubar de um selinho demorado… que logo se torna outro beijo faminto que finda no sorver sórdido da língua dela, “ seu padrinho… vocês eram próximos? ” pouco parece importar que a conversa não case com a situação dos beijos ou do emaranhado de seus corpos, as duas coisas existem em… bolhas diferentes, ambas com grandes ambições — escutá-la e beijá-la.