Já sabia que ele o olharia de tal forma, esperava aquilo, mas não esperava a resposta que teve do outro também lhe pertencer, porque querendo ou não, o único bobo apaixonado parecia ser Yejun, mas estava enganado. Ainda era seu Hajun ali e ele só ficava ainda mais feliz, não havia o perdido, como pensou nos últimos anos. — Somos um do outro, pelo visto e isso me deixa feliz. Obrigado por não ser uma miragem nesse momento, prince. — Sussurrou, mantendo a caricia em seu rosto, isso até sentir os lábios gélidos contra sua palma, também gélida, pela primeira vez, eles tinham a mesma temperatura corporal. Nunca foi um problema, mas parecia que agora, tudo ficava bem melhor.
— Vamos esquecer isso, okay? Passou. — Pediu baixinho, sabia que aquilo iria se prolongar e não chegariam a nenhum fim, pois eram teimosos e não iriam dar o braço a torcer, talvez fosse algo que os ligava. — Mas sim, você é um idiota. — Não podia discordar daquilo, porque Hajun foi idiota em ter o deixado – além de outros mil xingamentos, mas que ele não iria os proferir, pois não era um momento para aquilo. Aproveitou a caricia mutua para deslizar o indicador pela mandíbula alheia e ousou tocar os lábios róseos, eles ainda continuam atrativos para si e agora, havia aquele piercing que reluzia em sua mente, queria o sentir contra os próprios lábios, mas era cedo demais… Só que a vontade de roubar-lhe um beijo era tamanha. Voltava a o escutar, não iria o interromper, por mais que a vontade existisse. Juntou suas mãos com as dele, brincando com os dedos dele, uma mania tão antiga, isso até o fim da fala do amado, sendo seguida pelo o que ele sabia que não conseguiria fugir.
Respirou fundo, por puro costume, soltando as mãos alheias antes de balançar a cabeça, tentando concentrar-se. — Sim, que bom que sabe. Óbvio que eu ia pedir, Hajun, a gente sempre se amou e se existia uma alternativa para que nosso amor não morresse quando eu ficasse velho, por que não tentar? — Questionou baixinho, tratando de ajeitar os próprios fios. — E qual o problema? Cada um para o seu lado, você seria um vampiro e eu outro, e quem sabe… Do jeito que somos, acredita mesmo que não iriamos nos atrair depois de um tempo? — Teve de rir com o próprio pensamento, pois imagina certinho como ocorreria. Iriam se afastar, se reencontrar e acabar em uma conexão de novo, uma bola de neve. Assentiu para a pergunta dele, não iria prolongar aquilo, nem tinha porque prolongar aquilo. — Eu já te desculpei, não peça desculpas de novo. — Pediu, ainda tentando tomar coragem. — Eu fiquei sabendo sobre você assim que sumiu… Meus patrões me contaram e me transformaram, pareceu ruim, mas sabe por que eu aceitei me tornar eterno? Porque eu queria permanecer ao seu lado. Na minha cabeça, você foi embora porque eu era humano e em algum momento, ia ser sem graça… Me transformei para ser digno de ficar ao seu lado, de ser seu. — Confessou antes de forçar uma risada, estava envergonhado e com medo da reação que receberia.
Hajun negou com a cabeça, o cenho franzido em uma careta quase que incrédula. Era difícil acreditar que depois de todo o mal que fez para Yejun, o rapaz estava lhe agradecendo por… existir? Ou algo parecido com isso. Não entrava na cabeça do mais velho como alguém podia ser tão puro assim. “Não, você não tem que me agradecer por isso… Não tem que me agradecer por nada.” Colocou para fora, ainda meneando com a cabeça e e piscando devagar, realmente em choque. No fim das contas, talvez Hajun quisesse que Yejun explodisse, o xingasse, batesse nele, descontasse toda sua raiva e assim o sentimento de culpa o deixaria mais rápido, mas quando Yejun o agradecia e aceitava de tão bom grado suas desculpas, o Lee se sentia ainda mais estúpido por ter brincado e magoado alguém tão bom de coração e alma assim. “Tem razão. Vamos esquecer isso, é passado.” Ele riu com o outro o chamando de idiota, mas a verdade é que não conseguia esquecer. Era ingrato de sua parte, ele sabia que sim; Deveria estar comemorando que as coisas deram certo e que eles estavam se acertando tão fácil assim, mas só conseguia assumir que ainda tinha algo errado. “Você tem certeza? Quer dizer… Que está tudo bem? Que não quer me xingar mais? Eu sei lá…” A última frase saiu soprada quase tal qual um sussurro, seus pensamentos escapando por sua boca antes que pudesse impedi-los. Só ficou realmente quieto e ousou arfar quando os dedos gélidos lhe tocaram os lábios, fazendo Hajun engolir em seco. Acompanhou com o olhar a mão dele caminhando por ali, depois encarou a boca de seu amado por uns bons segundos antes de fechar os olhos com força, como se tentasse se controlar. Não, não podia beijá-lo agora, não é? Não era certo, não era o momento, precisavam alinhar mais coisas, mas era tão difícil manter-se calmo quando estava com tanta vontade e com tanta saudade daquela boca contra a sua. Não, não pode, ainda não. Então abriu os olhos de novo para dar continuidade à conversa.
Ou ao monólogo, porque é isso que se torna, já que Hajun se encontra completamente sem argumentos para poder rebater ou justificar suas ações, por isso escolhe o silêncio e o abaixar de olhar, como uma criança levando bronca. Yejun está certo, ele deveria ter sido consultado porque o envolvia diretamente e é uma decisão que cabia apenas a Yejun fazer, e Hajun não devia ter brincado de deus e escolhido por ele, e ainda por cima se afastar e abandoná-lo daquela forma. Yejun, entretanto, nunca foi bom em conversar, externar seus medos, anseios, pensamentos, tristezas e sentimentos. Quase que não consegue entender como Yejun o ama tanto e ainda tem coragem de ficar ao eu lado, porque vê como suas atitudes são nocivas em vários momentos. “Não viveríamos um sem o outro, isso é verdade.” Consegue concordar na observação dele em gênero, número e grau, tinha certeza que sempre encontrariam o caminho um para o outro, exatamente como fizeram agora. Mesmo com Hajun tendo o afastado, ele se tornou um vampiro e depois de anos estavam em seu sofá, conversando desse jeito… Ficava difícil negar que tinham um ímã. “Tudo bem, não vou mais pedir.” Por enquanto, completou em seus pensamentos, que logo foram tomados pela história de seu amado. “Junnie, não… Eu nunca me enjoaria de você… Sou eu quem não sou digno de ficar ao seu lado.” Aproximou-se um pouco mais dele, para poder ficar bem coladinho ao acariciar a bochecha de Yejun. “Eu… Não sei nem o que pensar sobre isso, mas parte de mim está muito feliz que agora você é um vampiro e pode passar o tempo que quiser ao meu lado, além de não ser mais tão perigoso pra ti…”
Se máquinas do tempo fossem prováveis, Yejun ia desejar voltar para o dia que sofreu e reconfortar, dizer que tudo estava bem e até para momentos antes, quando saiu de casa, pois a raiva que sentia do rapaz pareceu sumir com a proximidade. Pareceu que nunca quis o estrangular e fazer outras coisas negativas com este, era estranho e o fazia questionar se era possível ser assim, ter suas reações sendo mudadas com tanta rapidez, mas no fundo, o Jeon sabia que era tão instável que coisas assim poderiam ocorrer facilmente. Assentiu em concordância, precisam esquecer tudo aquilo para seguir em frente, era página virada na história deles e isso deixava o mais jovem tão feliz. — Hmm pensando bem... — Sussurrou com um bico nos lábios, pensando bem naquela decisão e talvez, pelo bem de seu eu do passado... Parecia a coisa certa. — Você é um idiota, Lee Hajun, literalmente. Quem abandona a pessoa que ama na cama? Que porra, eu te odiei muito. Sério, eu jurei que iria te estrangular até que você ficasse roxo e batesse as botas, mas é inútil porque você não vai morrer e eu também não vou, então, no máximo, eu vou só te machucar e depois ficar com remorso. Que ódio. — Esbravejou enquanto mexia as mãos ao lado de seu corpo, como se estivesse socando alguma coisa, mas era sua forma de não tocar o outro e o machucar, era a ultima coisa que queria. Mas a calma foi retornando aos poucos, o rapaz pode notar que mesmo com aquela breve explosão, ainda assim, ele não estava leve e sim, um pouco pesado, concluindo que explodir não levaria a lugar algum e bem, como iria explodir quando tinha a boca dele em seu campo de visão. Queria o beijar novamente, poder sentir a textura dos lábios contra os seus e descobrir se ainda era como antes, mas era cedo e o medo de parecer estranho era tamanho.
Os dedos pressionaram o canto dos olhos em uma massagem lenta, acabava fazendo aquilo quando a cabeça ameaçava doer e toda aquela situação estava o deixando com dor, queria poder não sentir aquelas dores “humanas”, mas infelizmente seu corpo ainda não era totalmente transformado, um dos problemas em ser recém criado. Mas um sorriso brota em seus lábios ao escutar a afirmação dele, se o coração ainda batesse, teria disparado e feito o rapaz suspirar como um jovem. — Eu sou um ímã para um vampiro bobo. — Resmungou, fingindo estar bravo antes de rir baixinho. — É... Eu também sou vampiro agora, então vou ter que mudar essa frase no futuro... — Foi como uma observação para si mesmo, mas que ainda assim, o fez rir enquanto observava o rapaz em sua frente. Tocou a mão em sua bochecha, a segurando mais uma vez, não soube distinguir se era a saudade ou o fato de ambos estarem gelados, mas sentiu um breve choque que o fez sorrir. — Vamos focar que agora podemos ficar juntos e que você não é uma ameaça, nem que vai me machucar... É provável que eu te machuque, porque sou descontrolado... — Desviou o olhar juntamente de um riso sem graça, não havia contado aquilo, mas por ser recém criado não sabia se controlar tão bem e se extrapolasse, poderia machucar quem estava ao seu redor, torcia para não machucar o mais velho, mas todo cuidado era pouco.